História Verso
História do Brasil · Primeira República

Tenentismo e os anos 1920

Entre 1922 e 1927, oficiais de patente média se revoltaram três vezes contra a República e perderam todas. Ainda assim, saíram da década como os personagens mais admirados dela — e em 1930 chegaram ao governo que não conseguiram derrubar pelas armas.

192213 min de leitura4 fontes
Os Dezoito do Forte na praia de Copacabana, 6 de julho de 1922 · Unknown author Unknown author · 6/7/1922
A caminhada pela praia de Copacabana, em 6 de julho de 1922. Dezessete militares e um civil saíram do forte cercado ao encontro das tropas do governo; dezesseis morreram no tiroteio. A fotografia fundou a legenda do tenentismo.
Os Dezoito do Forte na praia de Copacabana, 6 de julho de 1922 · 1922 · Wikimedia Commons · Public domain
Pergunta orientadora

Todas as revoltas tenentistas terminaram em derrota militar. Por que, mesmo assim, elas ocupam mais espaço na memória dos anos 1920 do que os governos que as venceram?

Comece pelo nome, que já entrega metade da explicação. O movimento recebeu essa designação porque suas figuras de proa eram oficiais de escalão intermediário — tenentes em primeiro lugar, e capitães. Isso significa que as rebeliões de 1922 a 1927 não levaram a cúpula das Forças Armadas junto. O alto comando tinha suas próprias queixas, e ainda assim não topou romper pela via armada.1

Fausto propõe uma divisão que organiza o assunto inteiro: existe um tenentismo antes e outro depois de 1930. Até 1930, é rebeldia contra o governo da República. Depois, os mesmos homens estão dentro do governo, tentando dar a ele o rumo que defendiam.1

O caldo que ferveu em 1921 e 1922

A sucessão de Epitácio Pessoa dividiu as oligarquias. O eixo São Paulo–Minas lançou o governador mineiro Artur Bernardes; contra ele levantou-se o Rio Grande do Sul de Borges de Medeiros, que acusava o arranjo de servir para garantir dinheiro à valorização do café num momento em que o país precisava de contas equilibradas. Bahia, Pernambuco e Estado do Rio somaram-se aos gaúchos na chamada Reação Republicana, que lançou Nilo Peçanha e fez campanha percorrendo o país à caça do voto urbano.1

Foi no meio dessa disputa que a insatisfação militar veio à superfície. Em outubro de 1921, o Correio da Manhã publicou cartas atribuídas a Bernardes e endereçadas ao líder mineiro Raul Soares, recheadas de ofensas ao Exército e a Hermes da Fonseca, ex-presidente e então presidente do Clube Militar — chamado ali de “esse sargento sem compostura”. Pouco antes da eleição de 1º de março de 1922, dois falsários confessaram ter forjado os documentos. Tarde: o objetivo de indispor a caserna com a candidatura já estava alcançado.1

Falso, e mesmo assim eficaz
As cartas eram falsificação, e isso foi provado antes da posse. O episódio ensina algo sobre o período — e sobre qualquer período: o desmentido raramente alcança quem leu a acusação. O clima de ofensa ao Exército, verdadeiro ou não, foi um dos estopins da revolta.

O rompimento veio em junho de 1922, com Bernardes já eleito e ainda não empossado — a posse seria em 15 de novembro. O Clube Militar protestou contra o uso de tropas do Exército para interferir na política interna de Pernambuco. A resposta do governo foi dura: repreensão e depois prisão de Hermes da Fonseca, mais o fechamento do Clube Militar. E há um detalhe que agrava tudo — a base legal invocada para fechar o clube foi a lei de 1921 contra associações nocivas à sociedade, a mesma legislação repressiva editada no refluxo das greves operárias.1

LembreQue lei foi usada para fechar o Clube Militar em 1922?

A lei de 1921 contra associações consideradas nocivas ou contrárias à sociedade — aprovada no contexto da repressão ao movimento operário. Oficiais do Exército foram enquadrados no mesmo dispositivo criado para perseguir anarquistas.

5 de julho de 1922: o Forte de Copacabana

O primeiro ato armado veio um mês depois. Em 5 de julho de 1922, jovens oficiais se rebelaram no Forte de Copacabana. O objetivo declarado não era tomar o poder: era protestar, nas palavras que circulavam entre eles, para “salvar a honra do Exército”. A revolta não se espalhou para outras unidades.1

Depois dos primeiros tiros de canhão, veio o bombardeio de represália e o cerco. No dia seguinte, atendendo a um apelo do governo, centenas de rebeldes se renderam. Um punhado resolveu resistir, e o forte voltou a ser bombardeado por mar e por aviões.1

O gesto que ficou é o do fim. Dezessete militares, mais um civil que aderiu no caminho, saíram pela praia ao encontro das forças do governo. No tiroteio morreram dezesseis; ficaram feridos os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes. Assim nasceram os Dezoito do Forte — e com eles a legenda que o movimento carregaria pela década inteira.1

O Forte de Copacabana em 1922 · Unknown author Unknown author · 1922
O Forte de Copacabana em 1922. Daqui saíram os primeiros tiros do ciclo tenentista — e sobre ele caiu a resposta, vinda dos navios e do ar.
O Forte de Copacabana em 1922 · 1922 · Wikimedia Commons · CC0

5 de julho de 1924: São Paulo ocupada

Dois anos depois, no mesmo dia do calendário, estourou o que se chamou de Segundo 5 de Julho. A data foi escolhida em homenagem à revolta anterior; o lugar, São Paulo, pelo peso do estado. Desta vez o movimento foi mais bem preparado, e o objetivo estava dito com todas as letras: derrubar Artur Bernardes, que nos anos 1920 personificava para os tenentes o ódio à oligarquia no poder.1

A liderança visível coube ao general reformado Isidoro Dias Lopes, gaúcho que décadas antes estivera ao lado dos federalistas no tempo de Floriano. Ele entrou em cena por substituição: em 1923 os conspiradores giravam em torno de Nilo Peçanha como possível chefe civil, mas Nilo morreu no começo de 1924. Entre os oficiais mais ativos estavam os irmãos Juarez e Joaquim Távora, Eduardo Gomes, Estillac Leal, João Cabanas e Miguel Costa — este último, oficial de prestígio da Força Pública paulista, o que arrastou para o lado rebelde parte da milícia do próprio estado.1

Por que Miguel Costa importa
Ter um oficial graduado da Força Pública do lado dos revoltosos significa que a polícia militar estadual — justamente o instrumento com que São Paulo garantia sua autonomia — rachou. Sem isso, tomar a capital paulista teria sido bem mais difícil.

A disputa pela cidade foi marcada por desinformação dos dois lados. Em 9 de julho, quando os revoltosos já se preparavam para abandonar São Paulo, souberam que a sede do governo, nos Campos Elísios, estava vazia: o governador Carlos de Campos havia deixado a capital por recomendação militar e se instalado nos arredores.1

Os tenentes permaneceram na cidade até o dia 27. No começo, a falta de alimento produziu saques a armazéns e ao mercado municipal; eles então se entenderam com o prefeito e com o presidente da Associação Comercial para tentar garantir abastecimento e alguma normalidade. Foi um objetivo impossível pelo motivo mais brutal: o governo usou artilharia contra os rebeldes sem maior discriminação, e as bombas atingiram militares e civis, deixando estragos materiais sérios.1

Residência bombardeada em São Paulo, julho de 1924 · Unknown author Unknown author · 1924-07
Residência bombardeada em São Paulo, julho de 1924. A imagem responde a quem paga a conta de uma disputa entre governo e quartel travada dentro de uma cidade grande.
Residência bombardeada em São Paulo, julho de 1924 · 1924 · Wikimedia Commons · Public domain

A Coluna: 24 mil quilômetros sem vencer nada

Em 27 de julho os revoltosos deixaram a capital rumo ao interior, na direção de Bauru, movimento facilitado por levantes tenentistas em cidades do interior paulista. Essa força ficou conhecida como coluna paulista e foi se fixar no oeste do Paraná, num lugarejo perto da foz do Iguaçu, à espera de reforço que vinha do Sul.1

No Rio Grande do Sul, com efeito, estourara em outubro de 1924 outro levante tenentista, e nele apareceram dois nomes que a década guardaria: o tenente João Alberto e o capitão Luís Carlos Prestes. Houve apoio da oposição gaúcha ao PRR — ou seja, misturava tenentismo com as brigas da política estadual. Depois de vários combates, os gaúchos rumaram ao Paraná, e os dois grupos se encontraram em abril de 1925.1

Juntos, decidiram uma coisa inédita: percorrer o Brasil espalhando a ideia de revolução e tentando levantar a população contra as oligarquias. Havia ainda um cálculo militar — atrair a atenção do governo para o interior facilitaria novas revoltas nas cidades. Nascia a coluna Miguel Costa–Luís Carlos Prestes, que a memória popular abreviaria como Coluna Prestes.1

Os números são impressionantes e, ao mesmo tempo, desmentem o mito. A marcha cobriu cerca de 24 mil quilômetros até fevereiro e março de 1927, quando os remanescentes encerraram o movimento e se internaram na Bolívia e no Paraguai. O contingente nunca ultrapassou 1.500 pessoas, com muita entrada e saída de participantes passageiros. A tática era evitar choque com tropa de peso, deslocando-se rápido de um ponto a outro.1

E aqui Fausto derruba duas ideias queridas do senso comum. O apoio da população rural não se materializou — era ilusão. E a chance de vitória militar era praticamente nula. O que a Coluna de fato produziu foi efeito simbólico: para os setores urbanos insatisfeitos com a elite dirigente, aqueles homens arriscando tudo pareciam a prova de que o destino da República podia mudar.1

Chefes da Coluna Miguel Costa–Prestes, março de 1927 · Unknown author Unknown author · 1927-03-19
Última fotografia dos chefes da Coluna, março de 1927, já a caminho do exílio. Um movimento de no máximo 1.500 pessoas atravessou o país sem vencer uma batalha decisiva — e mesmo assim virou lenda.
Chefes da Coluna Miguel Costa–Prestes, março de 1927 · 1927 · Wikimedia Commons · Public domain
Questão 01múltipla escolha · sem placar
Sobre a Coluna Miguel Costa–Prestes, é correto afirmar que ela:
  1. Incorreta. O contingente nunca passou de 1.500 pessoas, e a tática era justamente evitar o confronto com forças militares de peso.

  2. Incorreta. Fausto é explícito: o apoio da população rural não passou de ilusão. Esse é um dos pontos em que a memória do movimento se afastou dos fatos.

  3. Correta. É a síntese correta. As possibilidades de êxito militar eram praticamente nulas; o resultado foi de imagem, entre setores urbanos insatisfeitos com a elite dirigente.

  4. Incorreta. A cúpula militar permaneceu alheia à ruptura armada durante todo o ciclo. As revoltas foram conduzidas por oficiais de patente intermediária.

  5. Incorreta. Bernardes cumpriu o mandato até 1926 e passou a faixa normalmente. Os remanescentes da Coluna se internaram na Bolívia e no Paraguai entre fevereiro e março de 1927.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

O que esses oficiais queriam, afinal

Responder isso é mais difícil do que parece, e Fausto explica por quê: pela própria natureza do movimento, os tenentes agiram muito e falaram pouco. Essa escassez de texto é, ela própria, um indício forte — nos anos 1920 eles não tinham proposta clara de reforma política.1

O que dá para reconstruir é o seguinte. Queriam um poder central forte, capaz de educar o povo e de seguir uma linha vagamente nacionalista — algo como reconstruir o Estado para construir a nação. Enxergavam o mal das oligarquias na fragmentação do país, transformado, segundo eles, num punhado de feudos cujos donos eram escolhidos pela política dominante.1

E aqui vem o ponto que costuma surpreender o estudante: eles desconfiavam da democracia liberal. Sem chegar a formular um programa antiliberal naquela altura, faziam restrições às eleições diretas e ao sufrágio universal, deixando entrever a crença numa via autoritária para reformar Estado e sociedade.1

Cuidado com “eles queriam o voto secreto”
É comum ver o tenentismo resumido como campanha pelo voto secreto e pela moralização eleitoral. Fausto puxa o freio: nos anos 1920 esses oficiais restringiam eleição direta e sufrágio universal. Quem defende voto amplo não costuma insinuar via autoritária.

De onde vinha essa cabeça

A formação do oficial havia mudado muito desde os primeiros tempos republicanos. A Escola Militar da Praia Vermelha, palco de mais um levante em 1904, foi fechada em definitivo naquele ano; pelos sete anos seguintes, a única casa de formação em funcionamento foi a Escola de Guerra de Porto Alegre. Em 1911 criou-se, no Rio, a Escola Militar do Realengo.1

A diferença entre as duas é o coração do assunto. A escola antiga, impregnada de positivismo, formava algo próximo de soldados-cidadãos — um pé na caserna e outro na política. O Realengo concentrava o currículo em matéria militar e formava soldados profissionais. Some-se o intercâmbio com a Alemanha entre 1906 e 1910 e a chegada da missão francesa em 1920, depois que a derrota alemã na guerra tornou inevitável procurar outro modelo.1

Profissionalizar não apagou a visão política, e Fausto mostra a linhagem. Durante a presidência do marechal Hermes, militares e civis formaram em torno dele um grupo de pressão apelidado de salvacionistas, por pretenderem salvar as instituições da República. Na prática, tentaram reduzir o poder das oligarquias onde parecia mais fácil e onde a desigualdade era mais gritante — Ceará, Pernambuco, Alagoas. Como tinham laços com a política local, o resultado foi modesto: trocaram oligarquias velhas por novas. Os tenentes podem ser lidos como herdeiros desse grupo.1

Havia ainda uma queixa bem concreta, de escritório: a estrutura da carreira dificultava a chegada aos postos mais altos. E havia desprezo pela cúpula que se associara aos figurões da República. O tenente Juarez Távora, no livro À Guisa de Depoimento, escrito provavelmente em 1927, atacou o ministro da Guerra, Setembrino de Carvalho: o que ele praticaria era um militarismo feito sob encomenda — “tacanho e porco”, nas palavras do próprio Távora —, alimentado pelas vaidades do presidente. Ou seja: os tenentes não queriam limpar só o país — queriam limpar também a instituição de onde vinham.1

Artur Bernardes, retrato oficial · Governo do Brasil · circa 1922
Artur Bernardes, presidente entre 1922 e 1926. Governou recorrendo a sucessivas decretações de estado de sítio, foi impopular nas cidades — sobretudo no Rio — e reprimiu com dureza para os padrões da época.
Artur Bernardes, retrato oficial · 1922 · Wikimedia Commons · Public domain

A tese da classe média, e por que ela não fecha

Poucas frases são repetidas com tanta convicção quanto esta: os tenentes teriam sido os porta-vozes da classe média. Fausto reconhece de onde vem a ideia — há uma analogia aparente entre os setores intermediários da sociedade e os do Exército, e o tenentismo gozava de prestígio real na população urbana até o fim dos anos 1920. Mas tratá-lo como movimento representativo de uma classe simplifica sua natureza.1

Três argumentos sustentam a recusa. Origem social: a maioria desses oficiais vinha de famílias militares ou de ramos empobrecidos de famílias de elite do Nordeste, e quase nenhum saiu das camadas urbanas do Rio ou da capital paulista. Socialização: a visão de mundo deles se formou dentro das Forças Armadas, e as queixas que carregavam eram queixas contra a própria instituição — específicas, não de classe.1

E o teste empírico: houve simpatia pontual pela revolta de 1924 — em alguns núcleos do setor agrário, em parte da classe média, entre operários —, e ainda assim o grosso dos paulistas ficou contra os rebeldes. Fausto usa o episódio como demonstração: a tropa insurgente seguiu por um lado, e a classe que ela supostamente representava seguiu por outro.1

Radical no método, não no conteúdo
Até 1930, nenhum setor de peso da elite civil topou apoiar os tenentes. Fausto explica a razão com precisão cirúrgica: a jogada era radical não pelo que propunha, e sim pelo meio — resolver a política pelas armas. Guarde essa distinção; ela vale ouro em questão dissertativa.
Questão 02múltipla escolha · sem placar
Fausto rejeita a tese de que o tenentismo fosse a expressão política da classe média. Um dos argumentos que ele mobiliza é:
  1. Incorreta. Não há tal defesa. Ao contrário: em 1924 os tenentes se voltaram contra o governo e ocuparam a capital de São Paulo, o coração político daquela burguesia.

  2. Correta. É o exemplo que Fausto usa como demonstração: naquele episódio, o movimento militar foi para um lado e a classe social foi para o outro.

  3. Incorreta. É o contrário: eles se formaram nas escolas militares do período, sobretudo no Realengo, criado em 1911 — e foi ali que se moldou boa parte de sua visão de mundo.

  4. Incorreta. Fausto afirma que nos anos 1920 eles não chegaram a formular um programa antiliberal, ainda que insinuassem uma via autoritária ao restringir eleição direta e sufrágio universal.

  5. Incorreta. O nome do movimento vem justamente da patente de seus protagonistas. A cúpula das Forças Armadas manteve-se alheia à ruptura armada.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Pontos sensíveis deste artigo
  • Duas fases que não se misturam — até 1930 o tenentismo é rebeldia armada contra o governo; depois de 1930 os mesmos homens estão dentro do governo. Confundir as duas fases produz erro em cadeia.
  • Reivindicação que a escola inventa — resumir o movimento como campanha pelo voto secreto é falso para os anos 1920. Nesse período eles faziam restrições às eleições diretas e ao sufrágio universal, insinuando uma via autoritária.
  • O apoio rural da Coluna — não houve. Fausto trata a adesão da população do campo como ilusão, e as chances de vitória militar como praticamente nulas. O que existiu foi efeito simbólico nas cidades.
  • Números da Coluna — cerca de 24 mil quilômetros percorridos, com contingente que nunca passou de 1.500 pessoas, e fim entre fevereiro e março de 1927 com internamento na Bolívia e no Paraguai.
  • Classe média como atalho explicativo — a origem social predominante era de famílias militares e de ramos empobrecidos de elites nordestinas, e a visão de mundo se formou dentro do Exército. Em 1924, a maioria da população paulista esteve contra o movimento.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 10evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

Cinco anos de revolta, em sete marcos

out 1921Cartas falsasatribuídas aBernardesofendem oExércitojun 1922Hermes daFonseca presoe ClubeMilitarfechado5 jul 1922Revolta doForte deCopacabana; osDezoito doForte5 jul 1924Revolta tomaSão Paulo e aocupa por 23diasout 1924Levantetenentista noRio Grande doSulabr 1925As duascolunas seencontram noParanáfev–mar 1927Coluna encerraa marcha e seinterna naBolíviaCinco anos de revolta armada, três derrotas militares e nenhuma vitória — e mesmo assim o movimento chega a 1930 como referência política.
Os dois marcos em destaque mostram como o estopim militar antecede a primeira revolta em apenas um mês: o Clube Militar é fechado em junho, e o forte se rebela em 5 de julho.

O que acumulou a revolta, e o que sobrou dela

O QUE ACUMULOU A REVOLTAO QUE SOBROU DELACarreira travadaestrutura dificulta a subidaaos postos mais altosNova formação militarRealengo, 1911: soldadoprofissional, não cidadãoAfronta diretajun 1922: Hermes preso eClube Militar fechadoCiclo tenentista · 1922–1927Copacabana, São Pauloe a marcha da ColunaDerrota em todasnenhuma revolta derrubouo governo da RepúblicaUma legendaos Dezoito do Forte viramsímbolo do movimentoPrestígio urbanosimpatia das cidades atéo fim da década1930: entram no governode rebeldes a interventorese ocupantes de cargo
A coluna da direita explica o paradoxo do assunto: derrota militar completa e, ainda assim, prestígio suficiente para levar esses oficiais ao governo em 1930.

A tese da classe média posta à prova

O que se costuma dizerOs tenentes eram a voz políticada classe média urbanaAnalogia entre setores médiosda sociedade e do ExércitoApoio popular nas cidadesconfirmaria a teseO que a fonte sustentaVinham de famílias militares ou deelites empobrecidas do NordestePoucos recrutados no Rio e em SPVisão formada dentro do ExércitoEm 1924, a maioria da populaçãopaulista esteve contra elesClasse não explica o movimento
A coluna da direita não nega que houvesse simpatia urbana pelo movimento. Nega que a classe média explique a origem, a formação e o comportamento desses oficiais.

Mapa mental do assunto

Tenentismo1922–1930Os três episódiosCopacabana, 5 de julho de 1922São Paulo, 5 de julho de 1924Coluna Prestes, 1925 a 1927Quem eramTenentes e capitãesCúpula militar ficou de foraFormados no RealengoO que queriamPoder central forteEducar o povo, nacionalismo vagoRestrições ao sufrágio universalO que NÃO eramPorta-vozes da classe médiaPrograma reformista definidoMovimento com apoio rural real
O ramo destacado reúne as três afirmações mais repetidas sobre o tenentismo que a fonte não sustenta. Vale mais do que a lista de datas.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
Quem eramoficiais de patente intermediária — tenentes e capitães; a cúpula militar ficou de fora
Período das revoltas1922 a 1927
Estopim imediatojunho de 1922: prisão de Hermes da Fonseca e fechamento do Clube Militar
Base legal do fechamentoa lei de 1921 contra associações nocivas — a mesma da repressão ao movimento operário
Cartas falsasoutubro de 1921, no Correio da Manhã, atribuídas a Bernardes; falsários confessaram antes da eleição
Copacabana5 de julho de 1922; objetivo declarado: salvar a honra do Exército
Os Dezoito do Fortedezessete militares e um civil; dezesseis mortos; feridos Siqueira Campos e Eduardo Gomes
Segundo 5 de Julho1924, em São Paulo, para derrubar Artur Bernardes; cidade ocupada até 27 de julho
Líder ostensivo em 1924general reformado Isidoro Dias Lopes
Adesão decisivaMiguel Costa, oficial da Força Pública paulista, levou parte da milícia estadual
Custo civilartilharia do governo usada sem discriminação; saques por falta de alimento no início
Encontro das colunasabril de 1925, no oeste do Paraná
Coluna Prestescerca de 24 mil km; nunca mais de 1.500 pessoas; fim entre fevereiro e março de 1927
Apoio ruralnão se concretizou — Fausto o trata como ilusão
Programapoder central forte, educação do povo, nacionalismo vago; restrições ao sufrágio universal
Origem socialfamílias militares e ramos empobrecidos de elites do Nordeste
Formato de véspera de prova: cada linha corresponde a uma pergunta frequente sobre o ciclo tenentista.

Fontes

  1. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp. Fonte principal deste artigo.
  2. FORJAZ, Maria Cecília Spina. Tenentismo e Política. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.
  3. CARVALHO, José Murilo de. Forças Armadas e Política no Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.
  4. DRUMMOND, José Augusto. O Movimento Tenentista. Rio de Janeiro: Graal, 1986.