História Verso
História do Brasil · Período Democrático

O governo Dutra

Diante de uma decisão duvidosa, o general queria saber o que dizia o “livrinho” — a Constituição. Foi também o governo que cassou um partido com quase 200 mil militantes e tornou ilegal quase toda greve possível.

1946–195113 min de leitura4 fontes
A posse de Dutra, 31 de janeiro de 1946 · Unknown Unknown · 31 January 1946
A posse de Eurico Gaspar Dutra, em 31 de janeiro de 1946. O primeiro presidente eleito depois do Estado Novo assumiu com a Assembleia Constituinte prestes a começar seus trabalhos.
A posse de Dutra, 31 de janeiro de 1946 · 1946 · Wikimedia Commons · Public domain
Pergunta orientadora

Dutra entrou para a memória conservadora como o presidente que consultava a Constituição antes de decidir. Como o mesmo governo cassou um partido com quase 200 mil militantes e tornou ilegal quase toda greve possível?

Fausto responde sem rodeios, e a resposta é a espinha deste artigo. O legalismo era real — e tinha destinatário. Quando o assunto envolvia comunistas ou trabalhadores organizados, ele era muitas vezes esquecido.1

Como ele chegou lá

A disputa de 1945 opunha Dutra ao brigadeiro Eduardo Gomes, cuja campanha ficou conhecida pelos lenços brancos agitados nos comícios e atraiu a classe média dos grandes centros em torno de duas bandeiras: democracia e liberalismo econômico.1

Dutra, por sua vez, não entusiasmava ninguém — chegou-se a cogitar trocá-lo por nome de maior apelo. O que virou o jogo foi um gesto de 28 de novembro: Getúlio declarou publicamente apoio à candidatura, com uma ressalva que só ele conseguiria fazer — ficaria ao lado do povo contra o presidente caso este não cumprisse o combinado.1

O resultado surpreendeu a oposição, que numa época sem pesquisa eleitoral não o via chegando: 55% contra 35%, descontados brancos e nulos. Fausto lê nesses números três coisas ao mesmo tempo — a força da máquina do PSD, montada a partir dos interventores; o prestígio de Getúlio entre os trabalhadores; e a rejeição popular ao antigetulismo, então colado ao interesse dos ricos. Daí, aliás, o apelido que o brigadeiro carregou: “candidato pó-de-arroz”.1

Não foi o campo contra a cidade
É a leitura fácil, e Fausto a descarta. A vitória não foi do atraso sobre a modernidade nem do interior sobre o litoral: Dutra foi bem votado nos três estados de maior peso — São Paulo, Minas Gerais e o Rio Grande do Sul. Já o brigadeiro teve seu melhor desempenho no Nordeste, onde a derrota foi por pequena diferença.

Vale registrar uma manobra que mostra o tamanho do capital político guardado por quem fora deposto. A lei da época permitia disputar vários cargos em várias unidades ao mesmo tempo, e Getúlio usou isso à exaustão: inscreveu-se para o Senado em cinco estados e para a Câmara em nove. Saiu de lá com duas cadeiras de senador — a gaúcha e a paulista — e com mandatos de deputado em sete estados, engordando as bancadas do PSD e do PTB. Ficou com o Senado pelo Rio Grande do Sul e quase não apareceu por lá.1

O decreto que veio antes da Constituição

Dutra tomou posse no fim de janeiro de 1946, e a Assembleia Constituinte começou a trabalhar em seguida. A nova Carta seria promulgada em 18 de setembro daquele ano.1

Só que, enquanto os constituintes ainda debatiam, o governo editou, em março de 1946, o Decreto-lei 9.070, para regulamentar o direito de greve. O truque estava na definição de “atividades essenciais” — aquelas em que a paralisação ficava proibida. A lista era tão larga que quase nenhum ramo ficava de fora.1

Cesarino Júnior, professor de direito do trabalho, apontou o resultado óbvio: cumprido à risca, o decreto praticamente não deixava greve legal.1

E ele durou. Mesmo depois de a Constituição de 1946 assegurar o direito de greve como princípio geral, foi o decreto que continuou regulando a matéria ao longo dos anos. Fausto resume o saldo numa frase que vale decorar: “A democratização ficou assim a meio caminho quando se tratava de direitos dos trabalhadores”.1

Capa da Constituição de 1946 · Assembleia Nacional Constituinte de 1946 · 1946
Capa da Constituição de 1946, promulgada em 18 de setembro. Ela garantia o direito de greve — e conviveu, por anos, com o decreto de março que o havia esvaziado.
Capa da Constituição de 1946 · 1946 · Wikimedia Commons · Public domain
LembreO que veio primeiro: a Constituição de 1946 ou a lei que restringiu a greve?

A restrição. O Decreto-lei 9.070 é de março de 1946; a Constituição, de setembro. E o decreto não caiu com a promulgação: seguiu como o texto que de fato regulava as greves. Inverter essa ordem é o erro mais comum do assunto.

Questão 01múltipla escolha · sem placar
Sobre o tratamento dado ao direito de greve no governo Dutra, é correto afirmar que:
  1. Incorreta. A Carta reconheceu o direito de greve como princípio geral. O esvaziamento veio por outra via, a da regulamentação.

  2. Incorreta. A ordem é inversa: o Decreto-lei 9.070 é de março de 1946 e a Constituição foi promulgada em setembro do mesmo ano.

  3. Incorreta. Ele sobreviveu à Constituição e permaneceu, ao longo dos anos, como o texto legal que regulava as greves.

  4. Correta. É a descrição exata, e dela vem a avaliação de Fausto: a democratização ficou a meio caminho quando se tratava de direitos dos trabalhadores.

  5. Incorreta. O poder do Estado de intervir na vida sindical foi mantido, e a definição do que era atividade essencial coube ao próprio governo.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Maio de 1947: um partido cassado por um voto

A repressão ao Partido Comunista começou nesse governo, e Fausto aponta três causas somadas: o peso das concepções conservadoras, o crescimento do próprio partido e a mudança nas relações entre as grandes potências.1

O crescimento não era retórica. Em 1946, o PCB já ocupava a quarta posição entre os partidos brasileiros, com dezessete cadeiras na Câmara, uma no Senado e a maioria entre os vereadores do Distrito Federal. Nas estaduais paulistas de 1947 chegou ao terceiro lugar em votos, superando a UDN. Calcula-se que reunisse, em 1946, entre 180 e 200 mil militantes.1

O desfecho veio em maio de 1947. Dois deputados obscuros do PTB apresentaram denúncias, e o Supremo Tribunal Federal cassou o registro do partido. O placar diz muito sobre o quanto a decisão era disputada: três votos a dois — um voto de diferença.1

O fundamento invocado foi o dispositivo constitucional que vedava partido cujo programa ou ação contrariassem o regime democrático, assentado na pluralidade partidária e na garantia dos direitos fundamentais. Usou-se, portanto, a cláusula de defesa da pluralidade para reduzir a pluralidade.

E o alcance foi além do partido. Fausto observa que a influência comunista em muitos sindicatos era real — e que, apesar disso, ficava claro o outro objetivo: sob a bandeira anticomunista, o governo ia desmontando as entidades operárias que lhe faziam oposição.1

Dutra na Itália, como ministro da Guerra, em 1944 · Unknown Unknown · 1944
Dutra na Itália em 1944, como ministro da Guerra do Estado Novo, acompanhando a Força Expedicionária Brasileira. O currículo do primeiro presidente da redemocratização vinha de dentro da ditadura anterior.
Dutra na Itália, como ministro da Guerra, em 1944 · 1944 · Wikimedia Commons · Public domain

A economia que mudou de ideia no meio do caminho

O começo foi liberal, e explicitamente. A intervenção do Estado passou a ser condenada, os controles herdados do Estado Novo foram sendo desmontados, e instalou-se a crença de que desenvolvimento e fim da inflação viriam da liberdade dos mercados — sobretudo da importação livre. O ministro da Fazenda, Correia e Castro, chegou a descrever o Brasil como país essencialmente agrícola, formulação que soava como eco de antes de 1930.1

As condições pareciam favoráveis: o país havia acumulado divisas com as exportações do tempo da guerra. E ainda assim a aposta fracassou. Com a moeda valorizada, veio uma onda de importação de tudo quanto era bem, que esgotou as divisas praticamente sem contrapartida.1

A correção veio em junho de 1947, com a criação de um sistema de licenças para importar. Na prática, as licenças abriram passagem para equipamento, maquinaria e combustível e fecharam a porta ao bem de consumo. Como o cruzeiro seguiu alto diante do dólar, o efeito duplo foi desestimular a exportação e estimular a produção para o mercado interno.1

E aqui está o achado que o assunto guarda. A mudança nasceu como resposta a balanço de pagamentos e inflação — problemas de curto prazo — mas acabou favorecendo o avanço da indústria. A substituição de importações avançou, nesse governo, como efeito colateral de uma decisão tomada por outro motivo.1

Dutra em visita a Barra do Piraí, 1947 · Unknown author Unknown author · 25 August 1947
Dutra em visita a Barra do Piraí, em agosto de 1947 — o ano em que o governo abandonou a aposta liberal e passou a exigir licença para importar.
Dutra em visita a Barra do Piraí, 1947 · 1947 · Wikimedia Commons · Public domain

Quem pagou o crescimento

Os números do produto foram bons. Tomando 1947 como base, o produto avançou, entre 1948 e 1950, a uma média de 8% ao ano.1

A conta, porém, tem outro lado, e Fausto o coloca lado a lado com o crescimento: a repressão ao movimento sindical permitiu comprimir salários. Entre 1949 e 1951, o custo de vida subiu 15% em São Paulo e 23% no Rio, enquanto o salário médio avançou apenas 10,5% e 12%, respectivamente. Quem perdeu poder de compra não pôde parar para reclamar — e é essa a ligação entre as duas metades do governo.1

Questão 02múltipla escolha · sem placar
Sobre a política econômica do governo Dutra, é correto afirmar que:
  1. Incorreta. A orientação liberal durou até junho de 1947, quando o esgotamento das divisas obrigou o governo a instituir licenças para importar.

  2. Incorreta. O projeto deliberado não existia: o governo começou condenando a intervenção estatal. A industrialização veio como efeito não pretendido da mudança de 1947.

  3. Incorreta. O Brasil havia acumulado divisas com as exportações do período da guerra. O problema foi que a onda de importações as esgotou.

  4. Incorreta. Deu-se o contrário no lado salarial: entre 1949 e 1951 o custo de vida subiu mais que o salário médio, tanto em São Paulo quanto no Rio.

  5. Correta. É a descrição correta, e o ponto mais interessante do assunto: a proteção industrial resultou de uma decisão tomada para resolver balanço de pagamentos e inflação.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

A sucessão, e um verbo novo

As manobras pelo sucessor começaram antes da metade do mandato, e Getúlio já era o polo de atração. Praticamente ausente do Senado, ele viajava aos estados quando convinha e, em São Borja, recebia o beija-mão de quem vinha pedir bênção.1

Dutra recusou-se a apoiá-lo. Manobrou dentro do PSD e conseguiu lançar um político mineiro quase desconhecido, o advogado Cristiano Machado. O problema é que a maioria dos grandes chefes do partido — inclusive Amaral Peixoto, genro de Getúlio — abandonou o próprio candidato.1

O resultado da eleição de 3 de outubro de 1950 confirmou o estrago: Getúlio com 48,7%, o brigadeiro com 29,7% e Cristiano Machado com 21,5%. Cerca de um quarto dos votos de Getúlio veio de São Paulo — sinal, anota Fausto, de que o antigetulismo paulista já era resquício do passado.1

O Clube Militar como termômetro
Ainda em 1950, dentro do governo Dutra, a eleição do Clube Militar deu um recado. Venceram dois generais nacionalistas: Estillac Leal e Horta Barbosa. Este segundo vinha defendendo, desde a década de 1930, que o petróleo devia ser monopólio do Estado. Derrotaram a chapa de Cordeiro de Farias, adversário militante do comunismo. A disputa dentro do Exército já prenunciava o conflito do mandato seguinte.
Dutra em cerimônia oficial · Unknown Unknown · Unknown date
Dutra em cerimônia oficial, em fotografia do acervo do Correio da Manhã sem data no registro original.
Dutra em cerimônia oficial · 0 · Wikimedia Commons · Public domain
Pontos sensíveis deste artigo
  • Legalista não é sinônimo de democrático — o hábito de consultar o “livrinho” convive, no mesmo governo, com a cassação de um partido e com a restrição quase total ao direito de greve. Fausto registra que o legalismo desaparecia diante de comunistas e de operários organizados.
  • A ordem dos atos importa — o Decreto-lei 9.070 é de março de 1946 e a Constituição, de setembro. O decreto sobreviveu à Carta que garantia o direito de greve e continuou sendo o texto que regulava a matéria.
  • O PCB foi cassado por um voto — a decisão do STF, em maio de 1947, saiu por três a dois, a partir de denúncias de dois deputados do PTB. O fundamento foi a cláusula constitucional de defesa da pluralidade partidária.
  • A industrialização foi efeito colateral — as licenças de importação de junho de 1947 nasceram para resolver balanço de pagamentos e inflação, e acabaram protegendo a indústria instalada. Não houve, nesse governo, projeto industrializante deliberado.
  • Crescimento e compressão salarial andaram juntos — o PIB cresceu 8% ao ano entre 1948 e 1950, e no mesmo período o custo de vida subiu mais que o salário médio — 15% contra 10,5% em São Paulo, 23% contra 12% no Rio. A repressão sindical é o elo entre as duas séries.
  • A eleição de 1945 não foi campo contra cidade — Dutra venceu bem em Minas, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, e o brigadeiro teve seu melhor desempenho no Nordeste. Ler o resultado como atraso contra modernidade inverte o mapa.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 10evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

De 1945 a 1950, em sete marcos

dez 1945Dutra vencecom 55% dosvotosjan 1946Posse e iníciodos trabalhosdaConstituintemar 1946Decreto-lei9.070restringe agreveset 1946Promulgada anovaConstituiçãomai 1947STF cassa oregistro doPCB por 3 a 2jun 1947Fim daabertura àsimportaçõesout 1950Vargas voltapelo voto;nasce“cristianizar”O decreto que engessou o direito de greve saiu meses antes da Constituição que o garantia — e sobreviveu a ela.
Os dois marcos em destaque são a chave do artigo: um decreto de março que esvazia a greve e um tribunal que, um ano depois, apaga o quarto partido do país.

O legalista e a prática

O Dutra dos círculos conservadoresConsulta o “livrinho” antes de decidirRespeito declarado à legalidadeConstituinte instalada logo na posseDebates sobre questões fundamentaisNova Constituição promulgada em 1946Regime representativo restauradoO Dutra diante de operário e comunistaDecreto-lei de março de 1946 sobre greve“Atividade essencial” abrange quase tudoDecreto sobrevive à própria ConstituiçãoRegistro do PCB cassado em 1947Intervenção na vida sindical mantidaDemocratização feita pela metade
As duas colunas descrevem o mesmo governo, no mesmo período. É a convivência entre elas que o assunto pede que se explique — e não a escolha de uma delas.

O que produziu a repressão, e o que ela deixou

O QUE PRODUZIU A REPRESSÃOO QUE ELA DEIXOUConservadorismo dominanteo peso das concepçõesque sustentavam o governoPCB em ascensãoquarto partido do paíscom 17 deputadosMundo em reordenaçãomuda a relação entreas grandes potênciasGoverno Dutra · 1946–1951legalismo declarado erepressão na práticaGreve quase impossível“atividade essencial” cobrequase todos os ramosPartido cassadoo STF tira o registrodo PCB por 3 a 2Salário comprimidocusto de vida sobe maisque a remuneraçãoIndústria beneficiadaa licença de importaçãoprotege o mercado interno
Repare na última caixa da direita: a proteção da indústria não estava no programa de ninguém. Entrou pela porta dos fundos, junto com a crise cambial.

Duas economias em cinco anos

Até junho de 1947Intervenção do Estado condenadaControles do Estado Novo abolidosImportação livre de bensDivisas acumuladas na guerraBrasil descrito como país agrícolaResultado: divisas esgotadasA partir de junho de 1947Licença exigida para importarPassagem aberta a máquina e combustívelPorta fechada ao bem de consumoCruzeiro mantido alto ante o dólarExportação desestimuladaEfeito não pretendido: a indústria cresce
A última linha de cada coluna é o resumo: a aposta liberal esgotou as divisas, e a correção de rumo acabou fazendo pela indústria o que nenhum plano se propusera a fazer.

A eleição presidencial de 1950

Getúlio Vargas48,7%Eduardo Gomes29,7%Cristiano Machado21,5%% dos votos na eleição presidencial de 3 de outubro de 1950
A terceira barra é o retrato do verbo “cristianizar”: o candidato oficial do maior partido do país terminou em último, abandonado por quem o havia lançado.

Mapa mental do assunto

Governo Dutra1946–1951Como chegou55% contra 35% do brigadeiroMáquina do PSD e apoio de GetúlioVenceu nos três grandes estadosA repressãoDecreto-lei 9.070, março de 1946PCB cassado pelo STF em 1947Intervenção sindical preservadaA economiaLiberalismo até junho de 1947Licenças de importação depoisPIB a 8% ao ano, salário comprimidoO que a prova erraLegalista não quer dizer democráticoO 9.070 é anterior à ConstituiçãoA industrialização foi efeito colateral
O ramo destacado reúne os três enganos mais frequentes, e o primeiro deles é o que este artigo inteiro se propõe a desfazer.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
Adversário em 1945o brigadeiro Eduardo Gomes, da campanha dos lenços brancos
Base do brigadeiroclasse média dos grandes centros, em torno da democracia e do liberalismo econômico
Gesto decisivoapoio público de Getúlio em 28 de novembro, com ressalva de ficar ao lado do povo contra o presidente
Resultado55% contra 35%, descontados brancos e nulos
O que o resultado mostrouforça da máquina do PSD, prestígio de Getúlio entre trabalhadores e rejeição ao antigetulismo
Geografia do votoDutra venceu bem em Minas, no Rio Grande do Sul e em São Paulo; o brigadeiro foi melhor no Nordeste
Possefim de janeiro de 1946, com a Constituinte começando os trabalhos
Nova Constituiçãopromulgada em 18 de setembro de 1946
Decreto-lei 9.070março de 1946 — “atividades essenciais” abrangem quase todos os ramos
Avaliação de Cesarino Júniorcumprido à risca, o decreto quase não deixava greve legal
Vida do decretosobreviveu à Constituição e seguiu regulando a matéria por anos
Balanço de Faustoa democratização ficou a meio caminho quando se tratava de direitos dos trabalhadores
Força do PCB em 1946quarto partido; 17 deputados, um senador e maioria na Câmara do Distrito Federal
Militantes do PCBentre 180 e 200 mil, em 1946
Cassação do registromaio de 1947, pelo STF, por três votos a dois
Fundamento invocadocláusula que vedava partido cujo programa contrariasse o regime democrático e a pluralidade partidária
Economia até 1947liberal: controles do Estado Novo abolidos e importação livre
Por que fracassoua onda de importações esgotou as divisas acumuladas na guerra
Virada de junho de 1947licenças de importação favorecem máquina e combustível e restringem bem de consumo
Efeito não pretendidoproteção do mercado interno e avanço da indústria
PIBmédia de 8% ao ano entre 1948 e 1950, tomando 1947 como base
Salárioscusto de vida sobe 15% em SP e 23% no Rio (1949–1951); salário médio, 10,5% e 12%
Candidato do PSD em 1950Cristiano Machado, abandonado pelo próprio partido — daí o verbo “cristianizar”
Eleição de 1950Getúlio 48,7%, Eduardo Gomes 29,7% e Cristiano Machado 21,5%
Clube Militar em 1950vitória dos nacionalistas Estillac Leal e Horta Barbosa sobre Cordeiro de Farias
Cada linha responde a uma pergunta que a questão de vestibular costuma fazer sobre o período 1946–1951.

Fontes

  1. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp. Fonte principal deste artigo.
  2. GOMES, Angela de Castro. A Invenção do Trabalhismo. Rio de Janeiro: FGV, 2005.
  3. SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Getúlio a Castello. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
  4. SANTOS, Wanderley Guilherme dos. Que Brasil É Este? Rio de Janeiro: Vértice, 1990.