História Verso
História do Brasil · Primeira República

Coronelismo e a política dos governadores

O arranjo que deu estabilidade à Primeira República não estava em nenhuma lei: estava numa alteração no regimento interno da Câmara dos Deputados. Somada ao poder local dos “coronéis”, ela permitiu que 1,4% da população elegesse um presidente sem que ninguém contestasse o resultado.

189814 min de leitura4 fontes
O batalhão do coronel Horácio de Matos, na Chapada Diamantina · Unknown author Unknown author · circa 1930
O batalhão do coronel Horácio de Matos, na Chapada Diamantina. Tropa particular de um chefe local, perfilada como exército regular — a imagem do que Fausto chama de “nações de coronéis” no interior do Nordeste.
O batalhão do coronel Horácio de Matos, na Chapada Diamantina · 1930 · Wikimedia Commons · Public domain
Pergunta orientadora

Se a Constituição de 1891 instituiu voto direto e universal, por que em 1906 apenas 1,4% da população elegeu o presidente — e por que ninguém contestou o resultado?

Este artigo responde a essa pergunta em duas camadas que precisam ser lidas juntas. Embaixo, o poder local do coronel, que controla quem vota e como vota. Em cima, um arranjo institucional montado em 1898 que decide quem, entre os eleitos, vai efetivamente tomar posse. Uma camada sozinha não explica o sistema; as duas encaixadas explicam.

De onde vem a patente

A expressão “República dos coronéis” remete aos coronéis da antiga Guarda Nacional — em sua maioria proprietários rurais com base local de poder. E Fausto abre o assunto com uma advertência que vale como aviso de prova: a expressão presta-se a equívocos. O coronelismo de fato se associa à Primeira República, mas seria errôneo afirmar que a República pertenceu aos coronéis.1

Coronel não era posto do Exército
A patente vinha da Guarda Nacional, milícia de cidadãos organizada no Império — e não do Exército. Por isso o coronel é tipicamente um fazendeiro, não um militar de carreira. Quem confunde as duas coisas erra o retrato social do personagem.

Coronelismo é um caso particular de outra coisa

Aqui está a definição que organiza o assunto inteiro. O coronelismo é uma variante de uma relação sociopolítica mais ampla, o clientelismo — que existia tanto no campo quanto nas cidades.1

E o clientelismo, por sua vez, tem causas estruturais que Fausto lista com precisão. São quatro, e nenhuma delas é “atraso cultural”: a desigualdade social; a impossibilidade de os cidadãos efetivarem seus direitos; a precariedade ou inexistência de serviços assistenciais do Estado; e a inexistência de uma carreira no serviço público.1

Leia essa lista de novo pensando em quem vivia no interior em 1900. Se não há hospital público, quem consegue a vaga? Se não há concurso, quem indica a professora? Se o direito escrito não se efetiva sozinho, quem resolve? A resposta é sempre a mesma pessoa — e é ela que pede o voto depois.1

LembrePor que o clientelismo não é “atraso”, e sim estrutura?

Porque ele preenche vazios reais do Estado. Onde não existe serviço público universal nem carreira administrativa, o favor pessoal vira o único caminho para obter o que deveria ser direito. Mude a estrutura e a relação muda; mantenha a estrutura e ela se reproduz, inclusive na cidade.

O que a República acrescentou

Todas essas características vinham desde a Colônia. O que a República fez foi criar condições para que os chefes locais concentrassem mais poder — e Fausto aponta dois mecanismos concretos: a ampliação da fatia de impostos destinada aos municípios e a eleição dos prefeitos.1

Ou seja, o regime novo colocou dinheiro e cargo eletivo ao alcance de quem já mandava na região. Não é que o coronelismo tenha nascido em 1889; é que ele ganhou instrumentos que a Monarquia centralizada não oferecia.1

Como funcionava a troca

No plano eleitoral, o coronel controlava os votantes de sua área de influência. E a moeda dessa troca é o detalhe que fixa o assunto na memória. Fausto enumera o que se dava em troca do voto no candidato indicado: “um par de sapatos, uma vaga no hospital ou um emprego de professora”.1

Repare no tamanho desses favores. Não se compra consciência política com fortuna: compra-se com o que falta. É a medida da carência que explica a eficácia do sistema.1

Mas eles não mandavam sozinhos

Este é o ponto em que a maioria dos resumos escolares erra. Fausto afirma que seria errôneo imaginar que os coronéis dominaram a cena política da Primeira República, e dá duas razões.1

Primeira: outros grupos, representando interesses urbanos diversos, tiveram papel significativo na condução da política.1

Segunda, e mais importante: eles eram peça essencial da sustentação do sistema oligárquico e, ainda assim, precisavam de outras instâncias para se manter no lugar. Nos grandes estados essa instância tinha nome — o governo estadual, que não era um ajuntamento de coronéis.1

A relação, portanto, tinha mão dupla. O coronel fornecia votos aos chefes políticos do estado; em troca, dependia deles para entregar boa parte dos benefícios que seus eleitores esperavam — sobretudo os coletivos, como consertar uma estrada ou instalar uma escola. Um par de sapatos o coronel paga do bolso; uma escola, não.1

Padre Cícero em 1899 · Louis Piereck · 1899
Padre Cícero fotografado em 1899. O sacerdote de Juazeiro entrou no sistema coronelista e chegou a envolver forças armadas próprias nas disputas políticas do Ceará — figura que acumulava autoridade religiosa e poder armado.
Padre Cícero em 1899 · 1899 · Wikimedia Commons · Public domain

Não havia um coronelismo, havia vários

O fenômeno teve marcas distintas conforme a realidade sociopolítica de cada região. O caso extremo ficava no sertão nordestino, na faixa do rio São Francisco: ali se formaram chefias que Fausto chama de “nações de coronéis” — mandos locais com tropa armada própria.1

Na Bahia, o governo estadual — formado sobretudo por políticos profissionais, representantes do comércio e produtores para exportação — precisava se harmonizar com os coronéis do sertão. Sem isso, não havia como governar.1

E quando o acerto falhou, o resultado foi guerra. Em 1920, um desentendimento provocou uma insurreição dos coronéis: eles derrotaram as forças estaduais em vários combates e chegaram a ameaçar entrar em Salvador. Coube ao presidente Epitácio Pessoa arbitrar o conflito, e ele o fez por intermédio do comandante militar do estado.1

O resultado da arbitragem mostra quem tinha força de fato. O coronel mais famoso do estado, Horácio de Matos, saiu do acerto com o direito de manter armamento e munição e com o controle de doze municípios sob sua influência. Ao longo dos anos 1920 o poder estadual enfraqueceu na Bahia, e o grande árbitro das disputas deixou de ser o governador: passou a ser o presidente da República.1

Comissão de desarmamento das Lavras Diamantinas · Unknown author Unknown author · circa 1930
Comissão de desarmamento das Lavras Diamantinas, com Horácio de Matos ao centro. Registro do acerto que encerrou a insurreição de 1920 — e do qual o coronel saiu com as armas e doze municípios.
Comissão de desarmamento das Lavras Diamantinas · 1930 · Wikimedia Commons · Public domain

Nos estados mais importantes, o quadro era outro: ali os coronéis dependiam de estruturas mais amplas, a máquina do governo e o Partido Republicano estadual. Em Minas, a subordinação cabia numa sentença que praticamente ninguém contestava em voz alta: “Fora do PRM não há salvação” — e ela vale desde a formação do partido, em 1897. No Rio Grande do Sul, o requisito principal para ser coronel era obedecer às ordens de cima, vindas do governo estadual, o que rendeu ao grupo o apelido de “coronéis burocratas”. E em São Paulo cresceu o aparelho de Estado como corpo administrativo: sob Washington Luís, em 1921, veio o estímulo à profissionalização do Judiciário, com exame de ingresso à magistratura, critérios de promoção e aumento de salários — medidas que, apesar da distância entre a lei e a prática, tornaram polícia e juízes menos dependentes dos grandes proprietários rurais.1

Questão 01múltipla escolha · sem placar
Sobre o coronelismo na Primeira República, é correto afirmar que:
  1. Incorreta. A patente vinha da antiga Guarda Nacional, não do Exército, e eles eram em sua maioria proprietários rurais com base local de poder.

  2. Incorreta. As características que o sustentam vinham desde a Colônia. O que a República fez foi ampliar os impostos municipais e instituir a eleição de prefeitos, concentrando mais poder nos chefes locais.

  3. Incorreta. Fausto rejeita explicitamente essa leitura: eles dependiam do governo estadual, sobretudo para entregar benefícios coletivos como estradas e escolas.

  4. Correta. É a definição da fonte. O coronelismo é o caso rural de uma relação mais geral, que existia também nas cidades, e nasce de vazios concretos do Estado.

  5. Incorreta. Teve marcas distintas por região: “nações de coronéis” armadas no sertão do São Francisco, coronéis subordinados ao partido em Minas, “coronéis burocratas” no Rio Grande do Sul.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

A camada de cima: a política dos governadores

Vencida a fase das revoltas armadas, a elite política dos grandes estados havia triunfado — mas faltava criar instrumentos para que essa República de poucos se assentasse num sistema estável.1

Os problemas eram concretos. O peso atribuído aos estados provocara em vários deles lutas entre grupos rivais, e o governo federal intervinha usando poderes controvertidos da Constituição — o que tornava incerto o controle do poder em alguns estados e atrapalhava qualquer acerto duradouro com a União. Além disso, o Executivo tinha dificuldade de se impor ao Legislativo.1

Foi a partir desse diagnóstico que Campos Sales concebeu o arranjo conhecido como política dos governadores. Eram três as metas: apaziguar as brigas internas de cada estado, dando prestígio a quem já era mais forte lá dentro; costurar um entendimento estável entre o governo federal e os estados; e domar o Legislativo, interferindo em quem chegava à Câmara.1

A troca era simples de enunciar: o governo central sustentaria os grupos dominantes nos estados, e estes, em contrapartida, apoiariam a política do presidente da República.1

Campos Sales, presidente entre 1898 e 1902 · Governo do Brasil · circa 1898
Campos Sales, presidente entre 1898 e 1902. O arranjo que leva seu nome não aparece em nenhuma lei nem emenda constitucional: funcionava por uma alteração no regimento interno da Câmara dos Deputados.
Campos Sales, presidente entre 1898 e 1902 · 1898 · Wikimedia Commons · Public domain

O truque estava no regimento interno

Aqui está a parte que mais impressiona quando se entende, e que Fausto recomenda conhecer justamente por ser exemplo vivo de como se manipulava a representação popular.1

Passo 1. As eleições para a Câmara eram feitas nos estados com todo tipo de ilegalidade. O candidato eleito recebia um diploma — e esse diploma era frequentemente contestado.1

Passo 2. Como não existia justiça eleitoral, quem decidia se o diploma valia era uma comissão de verificação de poderes, formada por deputados escolhidos pelo plenário da Câmara.1

Passo 3. Quem tinha papel decisivo na escolha dos membros dessa comissão era o presidente temporário da nova Câmara. E é exatamente aí que a reforma mexeu.1

Passo 4. Antes, o presidente temporário era o mais velho entre os deputados diplomados — ou seja, um nome imprevisível. Depois da mudança, o cargo passou a caber ao deputado que havia presidido a Câmara na legislatura encerrada, desde que tivesse se reelegido. Em regra, uma figura afinada com o presidente da República.1

Passo 5. Com um presidente temporário de confiança influindo na composição da comissão, garantia-se o mandato a quem representasse os grupos dominantes nos estados e fosse fiel ao governo federal. Quem não merecesse essa confiança era excluído — ou “degolado”, como se dizia na gíria política da época.1

Nenhuma lei foi mudada
É o detalhe mais elegante e mais perturbador do assunto. A Constituição continuou a mesma. O que mudou foi quem preside a sessão de abertura da Câmara — e isso bastou para decidir quem toma posse. Sistemas de poder raramente precisam alterar a lei: basta controlar quem aplica o procedimento.

O eleitorado que sobrava

À primeira vista, pareceria que a massa da população poderia quebrar o domínio das oligarquias pelo voto. Fausto explica por que isso não acontecia.1

O voto não era obrigatório, e o povo em regra encarava a política como jogo entre os grandes ou como troca de favores. O desinteresse aumentava quando os partidos estaduais se acertavam e lançavam candidatura única, ou quando a oposição não tinha chance alguma.1

O resultado está nos números, e eles se movem numa faixa estreita. No piso, 1,4% de toda a população do país compareceu à eleição de Afonso Pena, em 1906. No teto, 5,7% na de Júlio Prestes, em 1930.1

E o número apurado dizia pouco sobre a vontade de quem votou. Como se votava a descoberto, o eleitor ficava exposto ao chefe político da sua região — a quem, ainda por cima, convinha agradar. Some a isso a fraude escancarada: ata falsificada, defunto votando, estrangeiro votando. Nada disso era invenção republicana — era herança direta das práticas do Império.1

Duas ressalvas que valem nota

Fausto faz questão de não deixar o retrato completamente escuro, e quem responde bem repete as duas ressalvas.1

Primeira: comparativamente, o comparecimento cresceu em relação ao Império. Confrontando a eleição para a legislatura imperial de 1886 com a eleição presidencial de 1898, a participação eleitoral aumentou 400%.1

Segunda: nem toda eleição presidencial foi simples ratificação de um nome combinado. Houve bastante disputa em 1910, 1922 e 1930 — os pleitos que elegeram, respectivamente, Hermes da Fonseca, Artur Bernardes e Júlio Prestes.1

Como usar isso numa redação
A frase pronta “na Primeira República ninguém votava e tudo era fraude” perde ponto por imprecisão. A formulação correta é outra: a participação era baixíssima e o voto era controlado, e ainda assim ela cresceu em relação ao Império e houve disputa real em 1910, 1922 e 1930.
Questão 02múltipla escolha · sem placar
A política dos governadores, concebida por Campos Sales, operava principalmente por meio:
  1. Incorreta. Não houve emenda nem alteração da Constituição. O arranjo funcionava por dentro do procedimento da Câmara, sem mudar o texto legal.

  2. Correta. É exatamente o mecanismo. Antes, presidia a sessão o mais velho dos diplomados; depois, o ex-presidente da Câmara reeleito — em regra afinado com o presidente da República.

  3. Incorreta. A ausência de justiça eleitoral é justamente a condição que tornava o arranjo possível: sem ela, quem validava o diploma era uma comissão de deputados.

  4. Incorreta. Voto secreto e obrigatório só viriam depois de 1930. Na Primeira República o voto era aberto, e o eleitor ficava sujeito à pressão dos chefes políticos.

  5. Incorreta. A intervenção federal existia e era um dos problemas que Campos Sales queria justamente reduzir — o arranjo buscava estabilidade por acordo, não por ocupação militar.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Pontos sensíveis deste artigo
  • A expressão engana — “República dos coronéis” é rótulo útil e impreciso. Fausto adverte que seria errôneo dizer que a República pertenceu aos coronéis: eles sustentavam a base do sistema, mas dependiam do governo estadual.
  • Definição que costuma ser mal dada — coronelismo é uma variante do clientelismo, e o clientelismo nasce da desigualdade social, da inefetividade dos direitos, da ausência de serviços assistenciais e da falta de carreira no serviço público.
  • O que a República acrescentou — não criou o fenômeno, que vinha da Colônia. Deu a ele dois instrumentos novos: mais impostos para os municípios e a eleição dos prefeitos.
  • O arranjo de 1898 não é lei — a política dos governadores operava por uma alteração no regimento interno da Câmara, que definia quem presidia a sessão de abertura e, por consequência, quem compunha a comissão de verificação de poderes.
  • Os números do voto, com as ressalvas — de 1,4% da população em 1906 a 5,7% em 1930. Ainda assim, a participação cresceu 400% em relação ao Império (comparando 1886 e 1898), e houve disputa real em 1910, 1922 e 1930.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 10evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

Do município fortalecido à eleição de 1930

1891Constituiçãoampliaimpostos eeleição deprefeitos1897Formação doPRM organizaos coronéismineiros1898Campos Salesmonta apolítica dosgovernadores1898Reforma doregimento criaa “degola” dediplomas1906Afonso Penaeleito com1,4% dapopulaçãovotando1920Coronéisbaianosderrotam asforças doestado1930Júlio Presteseleito com5,7% dapopulaçãovotandoO arranjo se monta em 1898 e sobrevive à década de 1920 — mas a insurreição baiana de 1920 mostra que ele nunca foi uniforme no território.
Os dois marcos em destaque são do mesmo ano: o acordo político com os estados e a mudança regimental que o tornou executável. Um sem o outro não funcionaria.

O problema que Campos Sales tinha, e o que o arranjo produziu

O PROBLEMA A RESOLVERO QUE O ARRANJO PRODUZIUEstados em guerra internagrupos rivais disputam opoder em vários estadosIntervenção federal frequentecontrole do poder estadualfica incertoCongresso indócilExecutivo não consegue seimpor ao LegislativoPolítica dos governadores · 1898apoio mútuo entre a Uniãoe os grupos dominantesGrupo forte, apoio certoo governo federal prestigiaquem já manda no estadoDiploma sob controlecomissão de verificaçãodecide quem toma posseA “degola”eleito hostil é excluídoantes de assumir a cadeiraSistema estávela República oligárquicaganha previsibilidade
Repare que nenhuma caixa menciona mudança de lei. O sistema foi estabilizado por procedimento interno, e é isso que o torna difícil de enxergar.

Quem votava na Primeira República

Afonso Pena, 19061,4% — o pisoJúlio Prestes, 19305,7% — o teto% da população total do país que votou
A barra destacada é o piso do período. E note o teto: mesmo no ponto mais alto, em 1930, votou menos de um em cada dezessete brasileiros.

Dois coronelismos, no mesmo país

Bahia e o sertão do São Francisco“Nações de coronéis” com forçasmilitares própriasGoverno estadual precisa seharmonizar com o sertão1920: coronéis derrotam as tropasdo estado e ameaçam SalvadorO árbitro vira o presidenteda República, não o governadorSão Paulo, Minas e Rio Grande do SulCoronéis dependem da máquinado governo e do Partido RepublicanoMinas: “Fora do PRM não há salvação”Rio Grande: “coronéis burocratas”,obedientes às ordens de cimaSão Paulo profissionaliza políciae magistratura a partir de 1921
A coluna da esquerda descreve chefes com exército próprio; a da direita, chefes subordinados a um partido. Chamar os dois pelo mesmo nome exige saber a diferença.

Mapa mental do assunto

Coronelismo1898–1930O que éVariante local do clientelismoCoronéis da Guarda NacionalTroca de voto por favorPor que existeDesigualdade social profundaEstado sem serviços de assistênciaServiço público sem carreiraO arranjo nacionalPolítica dos governadores, 1898Comissão de verificação de poderes“Degola” de eleitos hostisO que NÃO é verdadeA República “pertenceu” aos coronéisEles eram autônomos do governoToda eleição era carta marcada
O ramo destacado reúne os três erros mais comuns sobre o período. O segundo deles — a suposta autonomia dos coronéis — é o que mais aparece em prova.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
Origem da patentecoronéis da antiga Guarda Nacional, em geral proprietários rurais com base local
Definiçãovariante do clientelismo, relação existente tanto no campo quanto nas cidades
Causas estruturaisdesigualdade, direitos inefetivos, ausência de serviços assistenciais, serviço público sem carreira
O que a República acrescentoumais impostos aos municípios e eleição dos prefeitos
A troca eleitoralvotos por favores: um par de sapatos, uma vaga no hospital, um emprego de professora
Limite do poder do coroneldependia do governo estadual para os benefícios coletivos — estradas, escolas
Caso extremo“nações de coronéis” no sertão do São Francisco, com forças militares próprias
Bahia, 1920insurreição derrota as forças estaduais; Epitácio Pessoa arbitra; Horácio de Matos fica com doze municípios
Minas Gerais“Fora do PRM não há salvação”, desde a formação do partido em 1897
Rio Grande do Sul“coronéis burocratas”, obedientes ao governo estadual
São Pauloprofissionalização da magistratura sob Washington Luís, em 1921
Política dos governadoresarranjo de Campos Sales: a União apoia quem domina o estado, e o estado apoia o presidente
Instrumentomudança no regimento da Câmara sobre quem preside a sessão de abertura
Comissão de verificaçãovalidava os diplomas na ausência de justiça eleitoral; excluía os hostis — a “degola”
Comparecimentode 1,4% da população (1906) a 5,7% (1930)
Ressalvasparticipação cresceu 400% em relação ao Império (1886 × 1898); houve disputa real em 1910, 1922 e 1930
Cada linha corresponde a uma pergunta frequente sobre o funcionamento político da Primeira República.

Fontes

  1. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp. Fonte principal deste artigo.
  2. LEAL, Victor Nunes. Coronelismo, Enxada e Voto. São Paulo: Companhia das Letras.
  3. CARVALHO, José Murilo de. Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
  4. QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de. O Mandonismo Local na Vida Política Brasileira. São Paulo: Alfa-Ômega.