História Verso
História do Brasil · Primeira República

Proclamação: um golpe militar

Na manhã de 15 de novembro de 1889, Deodoro marchou com a tropa até o Ministério da Guerra. Até hoje não se sabe ao certo se naquele dia ele proclamou a República ou apenas deu o ministério por derrubado — e essa incerteza diz mais sobre o episódio do que qualquer quadro heroico.

188914 min de leitura4 fontes
A Proclamação da República, por Oscar Pereira da Silva · Oscar Pereira da Silva · circa 1889
A Proclamação da República, por Oscar Pereira da Silva. A pintura organiza em cena solene um episódio que as próprias testemunhas descreveram como confuso — é documento sobre como a República quis ser lembrada, não sobre a manhã de 15 de novembro.
A Proclamação da República, por Oscar Pereira da Silva · 1889 · Wikimedia Commons · Public domain
Pergunta orientadora

Se ninguém sabe ao certo se Deodoro proclamou a República naquela manhã, como é que o 15 de novembro virou a data fundadora de um regime que durou mais de quarenta anos?

A dúvida não é provocação retórica: está no próprio Fausto. Ele descreve o que se passou no Ministério da Guerra como episódio confuso, com versões divergentes, e diz que não se sabe se naquele dia Deodoro proclamou a República ou apenas deu por derrubado o ministério. O que é certo é o resultado: no dia seguinte, a Monarquia estava liquidada.1

A questão militar: seis anos de atrito

O caminho até ali passa pelo quartel, e começa longe do 15 de novembro. Depois da Guerra do Paraguai o Exército saiu fortalecido como corporação, e mudou o modo como o oficial falava: ele passou a se pronunciar como militar, e não como militar que também fazia política. Fausto usa duas figuras para marcar a diferença de geração — Caxias, que era liderança do Partido Conservador e chegou à chefia do Conselho de Ministros, e Floriano, cuja lealdade principal estava na instituição militar.1

A partir de 1883 os desentendimentos se acumularam. O mais expressivo veio em 1884, com o tenente-coronel Sena Madureira — oficial prestigiado e amigo do imperador —, que convidou para visitar a Escola de Tiro sob seu comando um dos jangadeiros cearenses envolvidos na luta pela libertação de escravizados. A punição foi transferi-lo para o Rio Grande do Sul; de lá, ele publicou no jornal republicano A Federação um artigo contando o caso, o que só piorou os ânimos.1

O ministro da Guerra então proibiu militares de discutir pela imprensa assuntos de política ou da corporação. Os oficiais aquartelados no Sul responderam com uma grande reunião de protesto em Porto Alegre. E aqui entra o personagem central: Deodoro da Fonseca, à frente do governo da província gaúcha, negou-se a aplicar a punição, e por isso foi chamado ao Rio de Janeiro. A saída encontrada favoreceu os militares: a proibição caiu e o gabinete foi censurado pelo Congresso.1

O que a “questão militar” significa
Não é uma questão só: é um conjunto de atritos entre governo, parlamentares e oficialidade a partir de 1883. O padrão se repete — o oficial fala publicamente, o governo pune, a corporação se solidariza, o governo recua. Cada rodada dessas ensinava ao Exército que pressão organizada funcionava.

Foi disso que nasceu, em junho de 1887, o Clube Militar, criado como associação permanente de defesa dos interesses da categoria — e com Deodoro eleito presidente. No mesmo mês da fundação, ele pediu ao ministro da Guerra que o Exército deixasse de ser obrigado a capturar escravos fugidos. O ministro negou o pedido, e mesmo assim foi o que passou a acontecer na prática.1

Uma doutrina que caiu no gosto da caserna

A Escola Militar da Praia Vermelha havia se convertido, na prática, em centro de estudos de matemática, filosofia e letras. Foi nesse ambiente que a crítica ao governo virou crítica ao próprio regime monárquico — e nele ganhou terreno o positivismo, sobretudo a partir de 1872, quando Benjamim Constant passou a lecionar ali.1

Vale entender por que a doutrina de Auguste Comte agradava tanto a militares. Comte considerava que a melhor forma de governo para o seu tempo era a ditadura republicana. Não confunda com despotismo: seria um governo de salvação, exercido no interesse do povo, com um dirigente escolhido para toda a vida e capaz de influir na própria sucessão. É o oposto da República liberal, que se apoia na soberania popular e no mandato renovado por eleição.1

No Brasil, quase ninguém adotou isso de forma ortodoxa. Oficiais, estudantes e professores pegaram do positivismo o que combinava com o que já pensavam. A tal ditadura republicana virou, na cabeça militar, a defesa de um Executivo forte e intervencionista, capaz de modernizar o país — ou, sem rodeios, a defesa da ditadura militar mesmo. Fausto resume a atração numa fórmula certeira: era um projeto de modernização conservadora.1

LembrePor que o positivismo agradava aos militares brasileiros?

Porque oferecia justificativa doutrinária para um Executivo forte capaz de modernizar o país neutralizando os políticos tradicionais — modernização sem democratização. A adesão raramente era ortodoxa: cada um pegava o pedaço que servia à própria visão.

O republicanismo civil era pequeno — e paulista

Do lado civil, o quadro é mais modesto do que a memória sugere. No Rio de Janeiro, o movimento republicano foi ativo na propaganda e na imprensa, mas não conseguiu virar partido. Até a queda do regime, apenas dois partidos republicanos tiveram significação: o de São Paulo e o de Minas Gerais, com clara vantagem do primeiro.1

Em 1884, numa aliança oposicionista com os conservadores, o PRP levou à Câmara dois nomes que voltariam à cena: Prudente de Morais e Campos Sales, que seriam os dois primeiros presidentes civis da República.1

E os números de 1889 ajudam a calibrar o tamanho da coisa. As estimativas indicam que um quarto do eleitorado paulista — algo como 3.593 pessoas — era republicano. Ainda assim, os republicanos vinham atrás dos liberais, com 6.637, e dos conservadores, com 3.957. E lembre-se: São Paulo era o reduto mais forte do republicanismo no país.1

Leia o gráfico duas vezes
O primeiro dado é que os republicanos eram um quarto do eleitorado — não é pouco. O segundo é que somavam menos de quatro mil pessoas num estado inteiro. Os dois dados juntos explicam por que a República não veio pelo voto: o eleitorado do Império era minúsculo, e mesmo dentro dele os republicanos eram minoria.

Junho a novembro de 1889

Em junho de 1889, com o descontentamento nos quartéis em alta e a propaganda republicana ganhando espaço, o imperador chamou um liberal — o Visconde de Ouro Preto — para montar novo gabinete. Ouro Preto apresentou um pacote de reformas, mas ateou fogo justamente onde não devia: nomeou para presidir o Rio Grande do Sul Silveira Martins, desafeto pessoal de Deodoro.1

Contatos entre lideranças republicanas paulistas e gaúchas e militares vinham ocorrendo de forma esporádica desde 1887. Em 11 de novembro de 1889, um grupo de civis e militares — Rui Barbosa, Benjamim Constant, Aristides Lobo e Quintino Bocaiúva entre eles — sentou com o marechal para convencê-lo a encabeçar o movimento. A adesão de Deodoro importava pelo prestígio que ele tinha na tropa. E ele resistia, por um motivo que humaniza a história toda: era amigo do imperador.1

O que destravou a decisão foi boato. Correram entre os jovens oficiais versões de que Deodoro seria preso, de que os efetivos seriam reduzidos, até de que o Exército seria extinto. Diante disso, o marechal se decidiu — ao menos — a derrubar Ouro Preto.1

Marechal Deodoro da Fonseca em 1889 · Governo do Brasil · 1889
Deodoro da Fonseca em 1889. Presidente do Clube Militar desde 1887, foi convencido a agir por um grupo de civis e militares quatro dias antes do golpe — e resistia por amizade pessoal com Dom Pedro II.
Marechal Deodoro da Fonseca em 1889 · 1889 · Wikimedia Commons · Public domain

A manhã de 15 de novembro

Nas primeiras horas daquele dia, Deodoro tomou o comando da tropa e seguiu para o Ministério da Guerra, onde estavam reunidos os chefes monarquistas. O que aconteceu ali é justamente o ponto nebuloso: as versões divergem, e permanece em aberto se houve proclamação da República naquele momento ou apenas a queda do gabinete. De um jeito ou de outro, no dia seguinte a Monarquia já era passado. Poucos dias depois, a família real embarcava para o exílio.1

A praça em 16 de novembro de 1889 · Not stated · 1889-11-16
A praça diante do palácio em 16 de novembro de 1889, um dia depois do movimento. Fotografia tomada no calor da hora — compare a sobriedade da cena real com a solenidade da pintura de abertura.
A praça em 16 de novembro de 1889 · 1889 · Wikimedia Commons · Public domain
Questão 01múltipla escolha · sem placar
Sobre o episódio de 15 de novembro de 1889, é correto afirmar que:
  1. Incorreta. Não houve insurreição popular. O episódio foi conduzido pela tropa, e a participação da população na cena é justamente o que os relatos contemporâneos descrevem como ausente.

  2. Incorreta. O PRP participou da articulação, mas o ato foi militar. E os republicanos eram cerca de um quarto do eleitorado paulista — atrás de liberais e conservadores.

  3. Incorreta. Fausto sustenta que o episódio da Abolição em si teve pouco peso no fim do regime: os barões fluminenses, únicos adversários frontais da medida, já eram força social inexpressiva em 1888.

  4. Correta. É exatamente o que a fonte registra. A dúvida é parte do fato histórico, e ajuda a entender por que a memória do episódio precisou ser construída depois, em pintura e feriado.

  5. Incorreta. Não houve bombardeio, e a unanimidade não existia: o Exército foi o artífice do novo regime, e havia rivalidade entre ele e a Marinha desde o início.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

O balanço das causas, com pesos diferentes

Fausto é explícito ao dizer que o fim da Monarquia teve várias causas, e que elas não pesam igual. Em primeiro plano, duas forças bem distintas entre si: o Exército e um setor expressivo da burguesia cafeeira paulista, organizada politicamente no PRP.1

A divisão de trabalho entre as duas é o coração do assunto. O ato de 15 de novembro saiu de iniciativa quase exclusiva do Exército, que deu um empurrão pequeno, porém decisivo, para apressar uma queda já em curso. Já a burguesia do café ofereceu ao regime novo uma coisa que nem os quartéis nem a população urbana do Rio poderiam dar sozinhos: base social estável. Uma força derrubou; a outra sustentou o que veio depois.1

Há ainda o que Fausto chama de fatores humanos, lembrando que História é feita por gente de carne e osso. O imperador estava doente — diabetes —, e sua presença funcionava como amortecedor das queixas militares: com o prestígio pessoal e o do trono, ele absorvia atritos. Fora de cena, os oficiais passaram a encarar diretamente a elite imperial, de quem tinham péssima opinião. Essa mesma elite não abria mão do predomínio da autoridade civil, e entregava o Ministério da Guerra a civis até nas horas em que o bom senso desaconselhava fazê-lo. E faltava horizonte: um terceiro reinado significaria a princesa Isabel no trono, casada com o Conde d’Eu — francês e, no mínimo, personalidade muito discutida.1

Duas causas que a escola infla

Costuma-se atribuir grande peso a dois outros fatores. Vale medir cada um.1

O conflito entre Igreja e Estado contribuiu em alguma medida para o desgaste do regime, mas Fausto adverte contra o exagero: a queda se resolveu numa disputa entre elites divergentes, e a Igreja não exercia influência forte nem entre monarquistas nem entre republicanos.1

A Abolição exige uma distinção fina, e é aqui que a maioria erra. As iniciativas do imperador para extinguir gradualmente a escravidão geraram ressentimento entre proprietários rurais, e os fazendeiros de café do Vale do Paraíba se desiludiram do Império, de quem aguardavam proteção. Foi assim que a Monarquia ficou sem o seu principal sustentáculo social. Mas o episódio da Abolição em si não foi determinante no desfecho: os barões fluminenses, os únicos que se opuseram frontalmente à medida, já haviam se tornado inexpressivos como força social em 1888.1

Ressentimento ≠ causa imediata
A distinção é sutil e vale nota: a política abolicionista da Coroa corroeu a base social do Império ao longo dos anos; o ato de 13 de maio de 1888, isoladamente, não derrubou o regime. Confundir as duas coisas transforma uma causa de longo prazo em gatilho imediato.
A família imperial parte para o exílio, 17 de novembro de 1889 · Urias Antonio da Silveira · 1890
A família imperial embarca para o exílio em 17 de novembro de 1889. Dois dias depois do movimento, e sem resistência armada: a rapidez é o dado mais eloquente sobre o quanto o regime já estava esvaziado.
A família imperial parte para o exílio, 17 de novembro de 1889 · 1890 · Wikimedia Commons · Public domain

Como o mundo recebeu — e o que veio depois

A notícia repercutiu de modo desigual. Na Inglaterra houve restrições, e a Europa recebeu o novo regime com desconfiança; na Argentina, ao contrário, a mudança foi saudada com entusiasmo. E ela aproximou o Brasil dos Estados Unidos: a queda da Monarquia ocorreu enquanto se realizava em Washington a Primeira Conferência Internacional Americana, e o representante brasileiro no encontro foi substituído por Salvador de Mendonça, republicano histórico.1

Charge argentina sobre a República brasileira, novembro de 1889 · Unknown author Unknown author · 1889-11-24
Charge publicada no El Mosquito, de Buenos Aires, poucos dias depois do golpe. Documento da recepção sul-americana ao novo regime — bem diferente da desconfiança europeia.
Charge argentina sobre a República brasileira, novembro de 1889 · 1889 · Wikimedia Commons · Public domain

Essa desconfiança externa teve consequência prática. Como argumentava Rui Barbosa, ministro da Fazenda do governo provisório, era preciso dar forma constitucional ao país para que a República fosse reconhecida e para que se conseguisse crédito no exterior. Uma comissão de cinco pessoas redigiu um projeto, que o próprio Rui revisou a fundo antes de seguir para a Assembleia Constituinte — o texto seria promulgado em 24 de fevereiro de 1891.1

Enquanto isso, a troca de regime tinha sido fácil demais para resolver alguma coisa. Fausto trata o 15 de novembro como episódio de custo baixíssimo — e é essa facilidade que deixa tudo em aberto depois. Quem disputava o poder no dia seguinte não tinha o mesmo projeto nem o mesmo desenho de regime em mente; a instabilidade dos anos seguintes é o tema do artigo sobre os dois marechais.1

Entre os próprios militares havia rachaduras. Deodoro assumiu a chefia do governo provisório, e várias dezenas de oficiais chegaram à Constituinte pelo voto — o que não fez deles um bloco: existia rivalidade entre Exército e Marinha — o primeiro fora o artífice do novo regime —, e havia diferença de geração e de ideia separando os que se reuniam em torno de Deodoro dos que gravitavam ao redor de Floriano.1

Questão 02múltipla escolha · sem placar
Ao avaliar as forças que derrubaram a Monarquia, Fausto atribui pesos diferentes a cada uma. Segundo essa avaliação:
  1. Correta. É a distinção central do assunto: uma força executou o ato, a outra sustentou o regime que nasceu dele — algo que nem o Exército nem a população urbana do Rio poderiam fazer sozinhos.

  2. Incorreta. A disputa entre Igreja e Estado contribuiu para o desgaste, mas Fausto adverte que seu peso não deve ser exagerado: a Igreja não tinha forte influência entre monarquistas nem entre republicanos.

  3. Incorreta. É justamente o contrário: nem o Exército nem a população urbana carioca podiam, por si mesmos, oferecer base social estável — quem a ofereceu foi a burguesia cafeeira organizada no PRP.

  4. Incorreta. O republicanismo carioca foi ativo na propaganda e na imprensa, mas não chegou a se organizar como partido. Os partidos republicanos relevantes eram o paulista e o mineiro.

  5. Incorreta. O Exército foi o artífice do regime, e a rivalidade com a Marinha é um dos fatores de instabilidade dos primeiros anos — não de estabilidade.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Pontos sensíveis deste artigo
  • Incerteza que é fato, não lacuna — não se sabe se Deodoro proclamou a República em 15 de novembro ou se apenas deu o ministério por derrubado. As versões divergem, e a fonte trata isso como parte do episódio.
  • Abolição: causa de longo prazo, não gatilho — a política abolicionista da Coroa afastou os proprietários rurais e custou ao Império sua principal base social. Mas o ato de 1888 em si teve pouco peso no desfecho: os barões fluminenses já eram força inexpressiva.
  • Tamanho do republicanismo civil — em São Paulo, o reduto mais forte, os republicanos somavam 3.593 eleitores em 1889 — um quarto do eleitorado, atrás de liberais (6.637) e conservadores (3.957).
  • Positivismo mal citado — a adesão dos militares brasileiros raramente era ortodoxa. A “ditadura republicana” de Comte virou, na prática, defesa de Executivo forte e modernizador — e nem todos os oficiais eram positivistas: os tarimbeiros de Deodoro estavam distantes da doutrina.
  • Vitória militar não é vitória de projeto — os oficiais que fizeram o 15 de novembro não tinham projeto comum de República. A divisão entre tarimbeiros e florianistas, mais a rivalidade com a Marinha, explica a instabilidade dos primeiros anos.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 10evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

Do primeiro atrito ao embarque para o exílio

1884Caso SenaMadureira abrea chamadaquestãomilitarjun 1887Fundado oClube Militar,com Deodoro napresidência1888Aboliçãoafasta doImpério osfazendeiros doValejun 1889Ouro Pretoforma gabinetee irritaDeodoro11 nov 1889Civis emilitaresconvencemDeodoro a agir15 nov 1889Deodoro marchaao Ministérioda Guerra17 nov 1889A famíliaimperial partepara o exílioSeis anos entre o primeiro atrito sério com a oficialidade e a queda do regime. O desfecho consumiu uma manhã; o desgaste, quase uma década.
Repare na distância entre os dois marcos em destaque: quatro dias separam a reunião que convenceu Deodoro da manhã em que a Monarquia acabou.

O que corroeu o Império, e o que se abriu depois

O QUE CORROEU O IMPÉRIOO QUE SE ABRIUQuestão militaroficiais punidos por falar;Clube Militar em 1887Positivismo na casernaExecutivo forte emodernização conservadoraElite rural desiludidafazendeiros do Vale rompemcom o regime após 1888O amortecedor someimperador doente deixa deconter as queixas militares15 de novembro de 1889iniciativa quase exclusivado ExércitoFim da Monarquiafamília imperial embarcadois dias depoisGoverno provisórioDeodoro à frente; oficiaiseleitos constituintesBase social paulistaburguesia do café dá aoregime o apoio que faltavaDisputa de projetostarimbeiros, florianistase federalistas em choque
As quatro causas da esquerda têm pesos diferentes — e a caixa central diz qual foi decisiva no ato: a iniciativa partiu quase só do Exército.

O eleitorado paulista em 1889

Liberais6.637Conservadores3.957Republicanos3.593 — um quartoeleitores em São Paulo, estimativa de 1889
A barra destacada mostra o reduto mais republicano do país — e mesmo ali os republicanos vinham em terceiro. É a resposta gráfica para quem imagina a República como resultado de vontade eleitoral.

Duas Repúblicas dentro do mesmo Exército

Em torno de Deodoro: os tarimbeirosQuase todos veteranos do ParaguaiMuitos não passaram pelaEscola MilitarDistantes das ideias positivistasDerrubaram a Monarquia parasalvar a honra do ExércitoSem visão elaborada de RepúblicaEm torno de FlorianoJovens formados na Escola MilitarInfluenciados pelo positivismoConcebiam-se soldados-cidadãosMissão de dar rumo ao paísRepública com ordem e progressoFloriano, porém, não era positivistae também lutou no Paraguai
Derrubar o Império foi consenso; o que fazer depois, não. Este contraste é a chave da instabilidade dos primeiros anos republicanos.

Mapa mental do assunto

15 de novembro de 1889A queda da MonarquiaAs duas forças principaisExército, autor do episódioBurguesia cafeeira no PRPBase social que o regime novo teveO desgaste militarCaso Sena Madureira, 1884Proibição de escrever na imprensaClube Militar, junho de 1887Fatores humanosDoença de Pedro IITerceiro Reinado sem atrativoConde d’Eu, francês e impopularO que pesou menosConflito entre Igreja e EstadoO episódio da Abolição em siParticipação popular no ato
O ramo destacado guarda os três fatores que o resumo escolar costuma inflar. Saber o que pesou pouco é tão avaliado quanto saber o que pesou muito.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
Data do episódio15 de novembro de 1889, nas primeiras horas da manhã
O que se sabe ao certoDeodoro marchou com a tropa ao Ministério da Guerra; no dia seguinte a Monarquia estava consumada
O que permanece em dúvidase ele proclamou a República naquele dia ou apenas considerou derrubado o ministério
Força que executouo Exército, em iniciativa quase exclusiva
Força que sustentoua burguesia cafeeira paulista, organizada no PRP
Questão militara partir de 1883; caso Sena Madureira em 1884; proibição de escrever na imprensa e recuo do governo
Clube Militarjunho de 1887, com Deodoro presidente; pedido para não caçar escravos fugidos
PositivismoComte; ditadura republicana; entra na Escola Militar com Benjamim Constant a partir de 1872
Gatilho de junho de 1889gabinete de Ouro Preto nomeia Silveira Martins, desafeto de Deodoro, para o Rio Grande do Sul
Reunião decisiva11 de novembro de 1889, com Rui Barbosa, Benjamim Constant, Aristides Lobo e Quintino Bocaiúva
O que decidiu Deodoroboatos sobre sua prisão, sobre redução de efetivos e sobre extinção do Exército
Eleitorado paulista, 1889liberais 6.637 · conservadores 3.957 · republicanos 3.593 (um quarto do total)
Fatores humanosdoença do imperador; falta de perspectiva para um terceiro reinado com Isabel e o Conde d’Eu
Peso da Igrejacontribuiu para o desgaste, mas sem exagero: a disputa se deu entre elites
Peso da Aboliçãocustou a principal base social ao regime; o episódio de 1888 em si teve pouco efeito no desfecho
Repercussão externarestrições na Inglaterra, entusiasmo na Argentina, aproximação com os Estados Unidos
Exílioa família imperial parte em 17 de novembro de 1889
Cada linha responde a uma pergunta recorrente sobre a queda da Monarquia.

Fontes

  1. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp. Fonte principal deste artigo.
  2. CARVALHO, José Murilo de. Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
  3. CARVALHO, José Murilo de. A Formação das Almas: o imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
  4. COSTA, Emília Viotti da. Da Monarquia à República: momentos decisivos. São Paulo: Unesp.