História Verso
História do Brasil · Primeira República

A Constituição de 1891

A primeira Carta republicana acabou com a exigência de renda para votar e chamou o voto de universal — e mesmo assim manteve a maioria do país fora das urnas. Entender como as duas coisas cabem no mesmo texto é entender o que essa Constituição resolveu e o que ela adiou.

189113 min de leitura4 fontes
Primeira folha de assinaturas da Constituição de 1891 · Governo do Brasil · 1981
Primeira folha do registro de assinaturas da Constituição de 1891. Todos os nomes ali são de homens que sabiam escrever — e o texto que assinavam tirava o voto de quem não sabia.
Primeira folha de assinaturas da Constituição de 1891 · 1981 · Wikimedia Commons · Public domain
Pergunta orientadora

A Carta de 1891 acabou com a exigência de renda para votar e chamou o resultado de voto universal. Se foi assim, por que a Primeira República atravessou décadas com um eleitorado minúsculo? A resposta não está no que o texto proclamou, e sim em quem ele listou como exceção.

A pressa tinha dois motivos, e nenhum era jurídico

Derrubado o Império, quem defendia uma república liberal ficou com um receio concreto: que o comando pessoal de Deodoro se acomodasse no lugar e a semiditadura deixasse de ser provisória. Apressar a convocação de uma Assembleia Constituinte era a forma de fechar essa porta.1

O segundo motivo era dinheiro. O regime recém-nascido fora recebido com desconfiança na Europa, e Rui Barbosa — naquele momento ministro da Fazenda do governo provisório — sustentava que sem uma forma constitucional o país não conseguiria duas coisas de que precisava com urgência: o reconhecimento da República e crédito no exterior.1

O caminho da redação foi curto. Uma comissão de cinco pessoas preparou um projeto; Rui Barbosa o revisou a fundo; a Constituinte discutiu, emendou e promulgou o texto em 24 de fevereiro de 1891. O molde declarado era o norte-americano, e o que dele saiu Fausto resume como república federativa liberal.1

Assinaturas dos constituintes, folha 4 · Governo do Brasil · 1891
Folha de assinaturas dos constituintes. Eles assinavam agrupados por bancada estadual — o que transforma essas páginas num retrato do peso de cada estado na Assembleia.
Assinaturas dos constituintes, folha 4 · 1891 · Wikimedia Commons · Public domain

Um parágrafo criou os estados fortes

A engenharia inteira do federalismo brasileiro cabe num dispositivo. O artigo 65, § 2º estabelecia que tudo o que a Constituição não negasse expressamente aos estados estava autorizado a eles. É uma regra de aparência técnica — e é o coração político do texto. As antigas províncias passaram a se chamar estados, e receberam de uma vez um campo de ação que o texto sequer precisou detalhar.1

Três poderes saíram dessa cláusula sem estarem escritos nela. Cada estado passou a poder organizar sua própria justiça; manter tropa armada própria — as forças públicas estaduais; e contrair empréstimos no exterior por conta própria.1

O quarto poder estava escrito, e era o mais rendoso: decretar imposto sobre a exportação das próprias mercadorias. É aqui que a autonomia deixa de ser retórica. Sem receita própria, um estado autônomo no papel continua dependente na prática — e o imposto de exportação deu a fonte de renda que tornava a autonomia exercível.1

Fausto é direto sobre quem ganhou com o arranjo: os grandes estados, e São Paulo acima de todos. E dá o desdobramento que fecha o raciocínio — a faculdade de tomar empréstimo fora do país seria vital para o governo paulista executar os planos de valorização do café. A Constituição não menciona café em lugar nenhum; ela apenas entregou o instrumento financeiro que o sustentaria.1

O ultrafederalismo foi derrotado, e não pela União
Havia quem quisesse ir mais longe. Fausto registra que a ideia de um ultrafederalismo era sustentada pelos positivistas gaúchos — e que ela foi combatida tanto pelos militares quanto pelos paulistas. Repare no detalhe: dois grupos com interesses diferentes chegaram à mesma recusa, porque nenhum deles queria correr o risco do esfacelamento do poder central. Federalismo forte, sim; federação frouxa, não.

O que o centro guardou para si

Seria erro de leitura imaginar que a União saiu de mãos vazias. Quatro competências desenham a força que restou ao centro. Ela ficou com o imposto de importação — ou seja, com o tributo sobre o que entrava pelos portos, enquanto os estados taxavam o que saía. Com o direito de criar bancos emissores de moeda. Com a organização das forças armadas nacionais, contrapeso às tropas estaduais. E com a faculdade de intervir nos estados, seja para restabelecer a ordem, seja para manter a forma republicana federativa, entre outras hipóteses.1

LembreFederalismo de 1891 significa União fraca?

Não. Significa estados fortes, o que é diferente. Os estados ganharam justiça, tropa, crédito externo e imposto de exportação; a União manteve o imposto de importação, a emissão de moeda, as forças armadas nacionais e o poder de intervenção. O projeto de União fraca existia — era o ultrafederalismo dos positivistas gaúchos — e perdeu, derrotado por militares e paulistas.

Presidencialismo: o que substituiu o imperador

A Carta organizou o Estado em três poderes, na fórmula que ela mesma consagrou: “harmônicos e independentes entre si”. Some um em relação ao Império — o Moderador desapareceu.1

O Executivo, que antes cabia ao imperador, passou a um presidente da República eleito para quatro anos. E aqui está o traço que define o sistema: o presidente passou a nomear e demitir seus ministros com inteira liberdade, porque o cargo dependia da confiança dele, e de mais ninguém. Não respondiam à Câmara — respondiam a ele. É a diferença exata entre presidencialismo e parlamentarismo.1

O Legislativo manteve o formato imperial de duas casas, Câmara e Senado, com uma alteração que não é decorativa: os senadores deixaram de ser vitalícios. Passaram a ser três por estado. Os deputados, eleitos em cada estado em número proporcional aos habitantes, cumpriam três anos de mandato.1

O trâmite das leis merece atenção porque cai em prova. Um projeto podia nascer em qualquer das duas casas. Aprovado, seguia para a sanção do presidente. E se ele vetasse, a palavra final não era dele: o projeto voltava ao Congresso, que podia aprová-lo mesmo sem a assinatura presidencial, desde que reunisse dois terços dos votos dos presentes na sessão que examinasse o veto.1

Assinaturas dos constituintes, folha 7 · Governo do Brasil · 1891
Folha 7 do registro de assinaturas. A Assembleia Constituinte reuniu-se no Rio de Janeiro e havia sido eleita ainda sob o governo provisório.
Assinaturas dos constituintes, folha 7 · 1891 · Wikimedia Commons · Public domain
Questão 01múltipla escolha · sem placar
Sobre a organização federativa estabelecida pela Constituição de 1891, é correto afirmar que:
  1. Incorreta. Foi o contrário: o artigo 65, § 2º atribuía aos estados os poderes que não lhes fossem negados pela Constituição. A competência era residual, e por isso mesmo ampla e não enumerada.

  2. Incorreta. Esse projeto existiu e foi derrotado — combatido tanto por militares quanto por paulistas, que não queriam o esfacelamento do poder central. A União ficou com o imposto de importação, a emissão de moeda, as forças armadas nacionais e o poder de intervenção.

  3. Correta. É o núcleo do arranjo. O imposto de exportação dava a renda que tornava a autonomia exercível, e o crédito externo seria vital para os planos paulistas de valorização do café.

  4. Incorreta. O imposto de importação ficou com a União. Aos estados coube tributar a exportação de suas mercadorias.

  5. Incorreta. A União manteve a faculdade de intervir, entre outras hipóteses para restabelecer a ordem e para manter a forma republicana federativa.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

O voto que se chamou universal

Vale começar pelo avanço, porque ele foi real. Para eleger, a Carta fixou o voto direto e suprimiu o censo econômico — quer dizer, ninguém mais precisava provar renda para votar. Diante do Império, é ruptura, não retoque. E a palavra que se usou para descrever o resultado foi universal.1

O problema mora na frase seguinte. Eram eleitores os cidadãos brasileiros maiores de 21 anos, excluídas certas categorias. E a lista dessas categorias é o que decide tudo: analfabetos, mendigos e praças militares.1

Num país em que saber ler era privilégio de poucos, retirar o analfabeto do eleitorado não é uma exceção — é a regra disfarçada de exceção. O censo de renda caiu; entrou no lugar um censo de alfabetização, que produzia efeito semelhante sem precisar mencionar dinheiro.

Falta a exclusão mais silenciosa. Fausto a formula com precisão: a Constituição não fez referência às mulheres, e considerou-se implicitamente que elas estavam impedidas de votar. Metade da população ficou de fora sem que nenhum artigo precisasse dizê-lo.1

Última folha do registro de assinaturas · Governo do Brasil · 1891
Última folha do registro de assinaturas. Encerrado o registro, a mesma Assembleia converteu-se em Congresso comum para escolher, por voto indireto, o primeiro presidente da República.
Última folha do registro de assinaturas · 1891 · Wikimedia Commons · Public domain

Liberdades, pena de morte e o fim da religião oficial

No capítulo de direitos, o texto assegurou a brasileiros e a estrangeiros residentes no país — a extensão aos estrangeiros é o detalhe que costuma escapar — a liberdade, a segurança individual e a propriedade. E extinguiu a pena de morte, sobre a qual Fausto acrescenta uma ressalva honesta: ela era raramente aplicada no Império. O avanço é jurídico mais do que estatístico.1

A mudança de maior alcance social foi outra: o Brasil deixou de ter religião oficial, e as duas instituições, Estado e Igreja, passaram a ser separadas. Funções até então monopolizadas pela Igreja Católica migraram para o poder público. Dali em diante, só o casamento civil teria reconhecimento; a guarda dos cemitérios coube às administrações municipais, onde todas as crenças ganharam culto livre. Em 1893, uma lei completou esses preceitos ao criar o registro civil.1

Assinaturas dos constituintes, folha 9 · Governo do Brasil · 1891
Folha 9 do registro. O texto assinado nessas páginas vigoraria, com emendas, até a Revolução de 1930.
Assinaturas dos constituintes, folha 9 · 1891 · Wikimedia Commons · Public domain

O que resolveu, o que adiou

Uma Constituição se julga por duas perguntas: que disputa ela encerrou e que disputa ela empurrou para frente.

Resolveu a forma do Estado e a do governo, e resolveu de modo duradouro. Federação em vez de Estado unitário; presidente eleito em vez de imperador vitalício; ministros do presidente em vez de gabinete. Essas escolhas atravessaram todas as Cartas seguintes e continuam em vigor. Resolveu também a relação com a Igreja, ao encerrar o vínculo oficial entre as duas instituições.

Adiou a questão da inclusão política. Ao trocar o filtro da renda pelo filtro da leitura, manteve o eleitorado como fração da população — e deixou intacta a base sobre a qual se montaria a política real da Primeira República, feita de redutos eleitorais controlados, não de disputa aberta.

E adiou a questão social por inteiro. Trabalho, salário, jornada, sindicato: nada disso entra numa Carta liberal de 1891, que trata de liberdade, segurança e propriedade, e não de direitos do trabalho. Essa lacuna não seria enfrentada por emenda — precisaria de outra Constituição, quatro décadas depois.

Questão 02múltipla escolha · sem placar
A Constituição de 1891 suprimiu o censo econômico e instituiu o voto direto. Ainda assim, o eleitorado da Primeira República permaneceu reduzido. A explicação está:
  1. Correta. É a chave do assunto. O filtro da renda foi substituído pelo filtro da alfabetização, de efeito semelhante. E o texto simplesmente não mencionou as mulheres, considerando-se que estavam impedidas de votar.

  2. Incorreta. O censo econômico foi suprimido, e não rebaixado. Nenhuma exigência de renda permaneceu no texto de 1891.

  3. Incorreta. O voto indireto foi exceção aplicada apenas à escolha do primeiro presidente e do primeiro vice, feita pela Constituinte transformada em Congresso comum.

  4. Incorreta. O ponto não está entre as exclusões citadas pela fonte, que são analfabetos, mendigos e praças militares. O texto, aliás, estendeu a estrangeiros residentes as garantias de liberdade, segurança individual e propriedade.

  5. Incorreta. A idade fixada foi de 21 anos.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Pontos sensíveis deste artigo
  • “Voto universal” não quer dizer voto de todos — a expressão aparece porque caiu a exigência de renda. Mas a Carta excluiu analfabetos, mendigos e praças militares — e, num país de baixa alfabetização, a primeira exclusão sozinha já esvazia a palavra “universal”. Numa redação, use o termo entre aspas e explique por quê.
  • As mulheres não foram proibidas por artigo — foram excluídas pelo silêncio. A fonte é explícita: o texto não fez referência a elas, e considerou-se implicitamente que estavam impedidas de votar. Dizer que “a Constituição proibia o voto feminino” erra o mecanismo, e o mecanismo é o que interessa.
  • Federalismo forte não é União fraca — o ultrafederalismo dos positivistas gaúchos foi derrotado por militares e paulistas, que temiam o esfacelamento do poder central. A União manteve o imposto de importação, a emissão de moeda, as forças armadas nacionais e a faculdade de intervir nos estados.
  • O imposto de exportação é o item decisivo — autonomia sem receita é autonomia no papel. Foi o direito de tributar as próprias exportações que deu aos estados a renda necessária para exercer os poderes que o artigo 65, § 2º lhes abriu.
  • A Carta não trata de café — ela cria o instrumento — a valorização do café não está no texto constitucional. O que está é a faculdade de contrair empréstimos no exterior, que a fonte aponta como vital para que o governo paulista pudesse executar aqueles planos. Confundir as duas coisas é atribuir ao texto o que foi uso posterior dele.
  • A pena de morte foi extinta, mas era pouco aplicada — a fonte faz questão da ressalva. O ganho é de princípio jurídico; não corresponde a uma mudança grande na prática penal do Império.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 10evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

Da queda do Império ao registro civil

nov 1889Fim do Império egovernoprovisório sobDeodoro1890Comissão de cincoredige o projeto;Rui Barbosa orevisa a fundo1890-91A AssembleiaConstituintediscute e emendao texto24 fev 1891Promulgação daprimeiraConstituiçãorepublicanalogo depoisA Constituintevira Congresso eelege opresidente porvoto indireto1893Lei cria oregistro civil ecompleta ospreceitos sobrereligiãoDa queda do Império à lei que completou a separação entre Estado e Igreja: quatro anos.
Repare no último marco: a separação entre Estado e Igreja só ficou completa em 1893, com a lei que criou o registro civil. Constituição promulgada não é assunto encerrado.

O que mudou de 1824 para 1891

Carta de 1824 · ImpérioEstado unitário, com provínciasImperador vitalício e hereditárioPoder Moderador acima dos demaisSenadores vitalíciosCatolicismo como religião oficialPena de morte prevista em leiVoto condicionado a renda mínimaCarta de 1891 · RepúblicaFederação, com estados autônomosPresidente eleito para quatro anosTrês poderes “harmônicos e independentes”Senadores com mandato, três por estadoNenhuma religião oficialPena de morte extintaRenda deixa de ser exigida — mas a leitura passa a ser
Leia as linhas em pares. Seis mudanças são rupturas limpas; a última é a que engana — a renda saiu, mas a exclusão continuou, trocando de critério.

O eleitorado que a Carta desenhou

Quem a Carta admitiuCidadão brasileiro homemMaior de 21 anosSem qualquer exigência de rendaAlfabetizadoVoto direto, inclusive para presidenteQuem continuou de foraAnalfabetos — a maioria da populaçãoMendigosPraças das forças militaresMulheres, por omissão do textoE, na eleição de estreia, todo o eleitorado
A coluna da esquerda explica por que se falou em voto universal; a da direita explica por que o eleitorado seguiu pequeno. As duas descrevem o mesmo texto.

Por que a Carta veio, e o que ela produziu

O QUE EMPURROU A CONSTITUINTEO QUE O TEXTO PRODUZIUMedo da semiditadurao comando pessoal de Deodoropodia se acomodar no lugarDesconfiança externasem forma constitucional,nem reconhecimento nem créditoInteresse dos grandes estadosSão Paulo quer renda própriae crédito no exteriorConstituição · 24 fev 1891república federativa liberal,inspirada no modelo dos EUAEstados fortespodem o que o texto nãolhes proibir — artigo 65, § 2ºImposto de exportaçãoa renda que sustentaa autonomia estadualPresidencialismoministros nomeados e demitidospelo presidenteExclusão que sobrevivecai o censo de renda,fica o de alfabetização
As três causas da esquerda não são jurídicas: são medo do poder pessoal, necessidade de crédito externo e interesse dos grandes estados. O texto é a resposta a elas.

Mapa mental do assunto

Constituição de 189124 de fevereiroForma de EstadoFederação de estados autônomosArtigo 65, § 2º: competência residualForça pública e justiça própriasEmpréstimo externo e imposto de exportaçãoO que ficou com a UniãoImposto de importaçãoCriar bancos emissores de moedaForças armadas nacionaisIntervir nos estadosForma de governoPresidente eleito para 4 anosCâmara e Senado, sem vitaliciedadeVeto derrubado por dois terçosMinistros de confiança do presidenteErros que a prova cobra“Voto universal” não era universalAnalfabeto excluído — não é detalheMulher fora por silêncio, não por artigoUltrafederalismo foi derrotado
O ramo destacado reúne os erros que mais aparecem em correção de prova. Os três primeiros são variações do mesmo engano: tomar a palavra “universal” pelo seu sentido atual.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
Promulgação24 de fevereiro de 1891
Redaçãocomissão de cinco pessoas, com revisão profunda de Rui Barbosa
Motivo políticoevitar o prolongamento da semiditadura sob comando pessoal de Deodoro
Motivo econômicoobter reconhecimento da República e crédito no exterior, diante da desconfiança europeia
Modelonorte-americano — república federativa liberal
Nome das unidadesas antigas províncias passam a se chamar estados
Chave do federalismoartigo 65, § 2º: aos estados cabe o que a Constituição não lhes negar
Poderes implícitos dos estadosjustiça própria, forças públicas estaduais e empréstimos no exterior
Renda dos estadosimposto sobre a exportação de suas mercadorias
Quem mais ganhouos grandes estados, sobretudo São Paulo — o crédito externo viabilizaria a valorização do café
Poderes da Uniãoimposto de importação, bancos emissores, forças armadas nacionais e intervenção nos estados
Ultrafederalismodefendido pelos positivistas gaúchos; derrotado por militares e paulistas
Poderestrês, “harmônicos e independentes entre si”; o Moderador desaparece
Executivopresidente da República eleito para quatro anos
Ministrosdependem só da confiança presidencial — livre nomeação e livre demissão
Senadotrês senadores por estado; acaba a vitaliciedade
Câmaradeputados eleitos por estado, em número proporcional aos habitantes, para três anos
Vetoderrubado por dois terços dos presentes na sessão que o examinar
Votodireto; suprimido o censo econômico
Idade mínima21 anos
Excluídosanalfabetos, mendigos e praças militares
Mulheresfora por omissão — o texto não as mencionou
Exceção do voto diretoo primeiro presidente e o primeiro vice foram eleitos indiretamente pela Constituinte
Direitosliberdade, segurança individual e propriedade, a brasileiros e estrangeiros residentes
Pena de morteextinta — embora fosse raramente aplicada no Império
ReligiãoEstado e Igreja separados; fim da religião oficial; casamento civil e cemitérios municipais
Complementolei de 1893 cria o registro civil
O que resolveua forma de Estado (federação) e a de governo (presidencialismo)
O que adioua inclusão eleitoral e a questão social, ausentes do texto liberal
Cada linha responde a uma pergunta que a prova costuma fazer sobre a primeira Carta republicana.

Fontes

  1. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp. Fonte principal deste artigo.
  2. BRASIL. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 24 de fevereiro de 1891.
  3. CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
  4. LESSA, Renato. A invenção republicana. Rio de Janeiro: Topbooks.