História Verso
História do Brasil · Primeiro Reinado

A consolidação da Independência

O grito de 7 de setembro não expulsou ninguém. Havia tropas portuguesas na Bahia, no Maranhão, no Pará e no extremo sul — e foi preciso mais de um ano de guerra, um almirante inglês contratado e uma indenização de 2 milhões de libras para que o país existisse de fato.

182313 min de leitura4 fontes
O Caboclo, símbolo da independência da Bahia · Toluaye · 2009-03
O Caboclo, figura que simboliza a independência da Bahia. Para muitos baianos, a data que encerra o domínio português não é 7 de setembro de 1822, e sim 2 de julho de 1823 — quando as tropas de Lisboa deixaram Salvador.
O Caboclo, símbolo da independência da Bahia · 2009 · Wikimedia Commons · Public domain
Pergunta orientadora

Declarar independência é uma coisa; ficar com o território é outra. Quem ainda estava armado dentro do Brasil depois do 7 de setembro, e quanto custou tirá-lo daqui?

Guarnições portuguesas continuavam instaladas em várias províncias quando a ruptura foi declarada. Tirá-las exigiu combate, dinheiro e gente contratada no exterior — e o país só passou a existir aos olhos das outras nações quase três anos depois do grito.

Os choques de maior peso se deram em duas pontas do território: a Bahia e o Sul.1

Quem comandava as tropas do novo Império

Um detalhe embaraçoso abre este assunto: as forças que garantiriam a Independência estavam, em boa parte, sob comando de oficiais estrangeiros contratados. Isso mudou em maio de 1823, quando um motim das tropas levou à substituição do comandante europeu pelo general brasileiro José Joaquim de Lima e Silva.1

No mar, a escolha recaiu sobre um personagem de biografia difícil de resumir. Lorde Cochrane foi contratado pelo imperador para enfrentar a esquadra lusa. Aristocrata inglês, ele carregava uma ficha incômoda: a Marinha britânica o havia expulsado em 1814, por um escândalo envolvendo a Bolsa de Valores. Depois disso, virou figura central nas independências do Chile e do Peru.1

Um profissional das independências
Cochrane não era voluntário de causa alguma: era militar contratado, e o Brasil foi o terceiro país sul-americano a comprar seus serviços. Vale reter isso quando o livro didático fala em heroísmo — o que houve foi, também, um mercado de comandantes navais disponível a quem pudesse pagar.
Thomas Cochrane, o lorde contratado pelo Império · Maull & Polyblank · circa 1855
Thomas Cochrane em fotografia por volta de 1855, décadas depois de comandar a esquadra brasileira. Expulso da Marinha britânica após um escândalo na Bolsa, atuara antes nas independências do Chile e do Peru.
Thomas Cochrane, o lorde contratado pelo Império · 1855 · Wikimedia Commons · Public domain

Bahia: o 2 de julho

Em Salvador, a disputa foi longa. Uma esquadra portuguesa dominava a entrada da cidade pelo mar, e as forças em terra precisaram de dois apoios para vencer: o dos senhores de engenho do Recôncavo e o da frota comandada por Cochrane. A retirada final dos portugueses ocorreu em 2 de julho de 1823.1

E aqui vem o dado que este site considera obrigatório. Fausto registra que muitos baianos tratam aquele dia como marco de Independência equivalente ao 7 de setembro — quando não mais importante que ele.1

LembrePor que o 2 de julho não entrou no calendário nacional?

Porque a memória oficial foi construída a partir do Rio de Janeiro, onde estava a Corte, e privilegiou o gesto do príncipe. A data baiana marca o que a data paulista não marca: a expulsão efetiva das tropas. Uma celebra a declaração; a outra, a vitória.

A Festa do Dois de Julho no interior da Bahia · André Koehne · 2022-07-01 20:24:52
A Festa do Dois de Julho, no interior da Bahia, em registro contemporâneo. Dois séculos depois, a data continua sendo celebrada como marco de independência — e não como nota de rodapé do calendário nacional.
A Festa do Dois de Julho no interior da Bahia · 2022 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

Norte: províncias que olhavam para Lisboa

Resolvida a Bahia, a esquadra subiu o litoral: Maranhão e Pará vieram em seguida. Por que essas províncias exigiram operação militar? Por um motivo que Fausto expõe sem rodeios — o trato delas corria mais com Lisboa do que com o restante do país.1

Ou seja, o problema não era apenas de guarnição armada. Havia regiões cuja vida econômica se organizava em torno de Lisboa, e para as quais aderir ao Rio de Janeiro não era consequência natural de nada.1

Sul: uma guerra que só estava começando

Na faixa que então se chamava Província Cisplatina, hoje Uruguai, a guarnição portuguesa aguentou mais tempo: só largou a posição em novembro de 1823.1

Só que a saída delas não encerrou conflito nenhum ali: começava, naquele momento, uma longa guerra pela independência uruguaia — agora contra os brasileiros, e não mais contra os portugueses. É a semente do desastre militar que ajudaria a derrubar Dom Pedro I anos depois.1

Questão 01múltipla escolha · sem placar
Sobre a consolidação militar da Independência, é correto afirmar que:
  1. Incorreta. Houve combate em várias frentes. Os conflitos mais importantes ocorreram no Sul e na Bahia, e a ação militar alcançou ainda o Maranhão e o Pará.

  2. Incorreta. Oficiais estrangeiros contratados tiveram papel central. Só em maio de 1823, após um motim, o general brasileiro José Joaquim de Lima e Silva assumiu o comando das tropas.

  3. Correta. É a descrição correta — e Fausto registra que, para muitos baianos, essa data marca a Independência tanto quanto o 7 de setembro de 1822.

  4. Incorreta. Ao contrário: ali começava uma longa guerra pela independência uruguaia, travada agora contra os brasileiros.

  5. Incorreta. Essas províncias tinham contatos mais próximos com Portugal do que com o resto do Brasil — e por isso a ação de Cochrane precisou se estender até elas.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

O reconhecimento, país por país

Ganhar a guerra não bastava. Sem reconhecimento externo, o Brasil não conseguiria crédito, tratado comercial nem segurança diplomática — e a ordem em que os reconhecimentos vieram diz muito sobre os interesses em jogo.1

Quem veio primeiro foram os Estados Unidos, em maio de 1824. Londres, por sua vez, já reconhecia a Independência na prática, sem papel assinado: o que interessava aos ingleses era ordem na antiga colônia e a manutenção das vantagens de comércio num país que, naquela altura, já ocupava a terceira posição entre os mercados externos deles.1

Por que o reconhecimento formal britânico demorou, então? Por um motivo específico e revelador: os ingleses tentaram obter do Brasil, em troca, a extinção imediata do tráfico de escravos. De todo modo, direta ou indiretamente, estiveram presentes na consolidação — inclusive mediando o reconhecimento por Portugal.1

O tráfico como moeda diplomática
Guarde este ponto para o assunto do fim do tráfico: já em 1824 a Inglaterra usava o reconhecimento diplomático como instrumento de pressão contra o comércio de africanos. O Brasil adiou o quanto pôde — e a fatura dessa demora seria cobrada nas décadas seguintes.

Agosto de 1825: o preço cobrado por Portugal

O reconhecimento pela antiga metrópole veio em agosto de 1825, por tratado — e com duas cláusulas que merecem leitura atenta.1

A primeira é financeira. Pela perda da antiga colônia, ficou acertada uma compensação de 2 milhões de libras a Portugal. Como o país não tinha esse dinheiro, a saída foi tomar emprestado — e é assim que nasce o primeiro empréstimo externo brasileiro, contraído em Londres.1

A segunda parece esquisita à primeira vista: o Brasil se comprometeu a não permitir a união de qualquer outra colônia portuguesa ao seu território. A explicação está do outro lado do Atlântico. Havia gente do comércio de escravizados com posição firmada em regiões da África — e, assim que a notícia da separação alcançou Angola, apareceram impressos chamando Benguela para o lado brasileiro. O receio português, conclui Fausto, tinha fundamento.1

Foi fácil? A tese e as objeções

Comparar o caso brasileiro com o da América espanhola é lugar-comum na historiografia daqui. De um lado, uma consolidação relativamente fácil; de outro, um processo de emancipação complicado. E há o desfecho territorial: o Brasil ficou inteiro, enquanto o espaço espanhol se partiu em vários países.1

Objeções a essa tese existem, e Fausto as apresenta. Os críticos observam que a união em torno do Rio de Janeiro saiu de uma luta, e não de consenso geral: nas províncias foram vencidos tanto os movimentos autonomistas quanto os setores que defendiam a permanência com Portugal — como aconteceu no Pará.1

Fausto reconhece o mérito da objeção: ela lembra que não houve passagem pacífica. Mas conclui que isso não derruba a constatação principal — contadas as armas empregadas e as vidas perdidas, o processo ainda assim se fechou em poucos anos e sem desgaste maior. E há um argumento adicional, mais forte que todos: a emancipação não produziu alterações maiores na ordem social e econômica, nem na forma de governo.1

Daí a fórmula com que Fausto resume o desfecho — e que vale citada por inteiro: o Brasil se tornou, sem paralelo no continente, “uma monarquia entre repúblicas”.1

Por que tudo continuou parecido

A explicação dessa continuidade começa antes de 1822, e Fausto a liga diretamente à vinda da família real e ao modo como a independência se processou.1

Com a abertura dos portos, Dom João VI já havia criado um elo entre a Coroa e as camadas que mandavam na Colônia — com destaque para as do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Minas Gerais. Os benefícios trazidos à região fluminense pela presença do rei alimentaram a expansão de uma economia assentada em açúcar, café e tráfico de escravizados.1

Descontentamentos com a Corte continuaram existindo, claro. Mas nada que se comparasse à insatisfação de algumas regiões do Nordeste, onde as ideias de república despontavam. E a elite que promoveu a Independência não tinha interesse em rupturas capazes de pôr em risco a estabilidade da antiga colônia.1

Repare no detalhe que Fausto considera significativo: a busca de autonomia que desembocou na Independência teve como ponto de convergência a pessoa do monarca — o rei primeiro, o príncipe regente depois. Nos anos iniciais do país novo, a monarquia virou símbolo de autoridade, mesmo quando Dom Pedro I era contestado.1

Duas conclusões erradas

Fausto encerra o assunto desarmando duas leituras tentadoras. Vale guardá-las porque as duas aparecem em prova.1

A primeira: dizer que nada mudou, já que o país passaria da dependência inglesa por intermédio de Portugal à dependência direta da Inglaterra. O erro está em ignorar que essa mudança de forma de dependência alterava o modo como a antiga colônia se inseria no sistema econômico internacional — e em esquecer que a Independência impunha uma tarefa nova e enorme: construir um Estado nacional capaz de organizar o país e garantir sua unidade.1

A segunda: supor que existisse uma elite política homogênea, com base social firme e projeto claro para a nova nação. Não existia. Mesmo dentro do núcleo que promoveu a Independência, com José Bonifácio à frente, não havia acordo sobre as linhas básicas da organização do Estado. Prova disso é o que vem a seguir: os anos entre 1822 e 1840 seriam de enorme flutuação política, com uma série de rebeliões e tentativas contrastantes de organizar o poder.1

Questão 02múltipla escolha · sem placar
Sobre o reconhecimento internacional da Independência do Brasil, é correto afirmar que:
  1. Incorreta. Portugal foi dos últimos: reconheceu em agosto de 1825, e a mediação coube à Inglaterra, não à Santa Sé.

  2. Incorreta. A Inglaterra já reconhecia informalmente a Independência: tinha interesse em garantir a ordem na antiga colônia e preservar vantagens num país que era seu terceiro mercado externo.

  3. Incorreta. O reconhecimento formal foi retardado justamente porque os ingleses tentaram obter, em troca, a extinção imediata do tráfico de escravos.

  4. Incorreta. Não houve tal condição. Os Estados Unidos reconheceram a Independência em maio de 1824, e o Brasil permaneceu monarquia.

  5. Correta. É a descrição correta. O tratado trazia ainda a cláusula que proibia a união de qualquer outra colônia portuguesa ao Brasil.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Pontos sensíveis deste artigo
  • O 7 de setembro não encerra o processo — guarnições portuguesas permaneceram no país, e a expulsão exigiu combate na Bahia, no Maranhão, no Pará e na Cisplatina ao longo de 1823.
  • Duas datas para a mesma Independência — Fausto registra que, para muitos baianos, o 2 de julho de 1823 marca a Independência tanto quanto o 7 de setembro de 1822. Uma celebra a declaração; a outra, a expulsão efetiva das tropas.
  • A origem da dívida externa — a indenização de 2 milhões de libras paga a Portugal em 1825 deu origem ao primeiro empréstimo externo brasileiro, contraído em Londres.
  • A cláusula africana — o tratado proibia unir ao Brasil qualquer outra colônia portuguesa. A razão era concreta: houve impressos convidando Benguela a aderir, e interesses ligados ao tráfico atuavam nas duas margens do Atlântico.
  • “Sem abalos” não quer dizer sem violência — a tese da transição fácil convive com o reconhecimento de que houve luta e mortes. O que Fausto sustenta é que a ordem social, a economia e a forma de governo não foram alteradas.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 10evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

Do grito ao reconhecimento, em sete marcos

set 1822Rupturadeclarada, comtropasportuguesas nopaísmai 1823Motim leva umgeneralbrasileiro aocomando dastropas2 jul 1823PortuguesesdeixamSalvador apóscerco1823Cochrane levaa ação aoMaranhão e aoParánov 1823Tropasportuguesas seretiram daCisplatinamai 1824Estados Unidosreconhecem aIndependênciaago 1825Portugalreconhece,mediante 2milhões delibrasDo grito ao reconhecimento português, quase três anos. A guerra terminou antes; o preço só ficou acertado depois.
Os dois marcos em destaque separam a vitória militar do acerto diplomático: a Bahia é resolvida em 1823, mas Portugal só reconhece o país dois anos depois — e cobrando.

O que faltava resolver, e como se resolveu

O QUE FALTAVA RESOLVERCOMO SE RESOLVEUTropas ainda no paísguarnições portuguesas naBahia, no Norte e no SulProvíncias voltadas a LisboaMaranhão e Pará tinham maiscontato com PortugalInteresse inglêsLondres quer ordem evantagem comercial garantidaConsolidação · 1823–1825guerra nas províncias enegociação no exteriorPortugueses expulsosSalvador em julho de 1823;Cisplatina em novembroReconhecimento em cadeiaEstados Unidos em 1824,Portugal em 1825Nasce a dívida externaa indenização vira oprimeiro empréstimo em LondresNada muda por dentroordem social, economia eforma de governo seguem iguais
A última caixa da direita é a que explica o Brasil do século 19: expulsou-se o português, contraiu-se dívida em Londres e manteve-se intacta a estrutura interna.

A tese da transição fácil e suas objeções

A tese da transição sem abalosConsolidação feita em poucos anosPaís permaneceu unificado, aocontrário da América espanholaNenhuma alteração maior na ordemsocial e econômicaForma de governo preservada:monarquia entre repúblicasAs objeções a essa leituraA união em torno do Rio saiu deluta, e não de consensoMovimentos autonomistas foramvencidos nas provínciasSetores favoráveis à permanênciacom Portugal foram derrotados,como aconteceu no ParáHouve uso de força e houve mortes
As duas colunas não se anulam. Fausto aceita as objeções da direita e ainda assim sustenta a tese da esquerda — porque a medida que ele usa é a alteração da ordem social, não a ausência de violência.

Mapa mental do assunto

Consolidação1823–1825As frentes de guerraBahia: cerco e saída em 2 de julhoMaranhão e Pará, com CochraneCisplatina: retirada em novembroQuem reconheceu, e quandoEstados Unidos, maio de 1824Inglaterra, informalmente antesPortugal, agosto de 1825O preço2 milhões de libras a PortugalPrimeiro empréstimo externoCláusula sobre outras colôniasO que NÃO mudouA ordem social e econômicaA forma de governoA dependência em relação a Londres
O ramo destacado responde à pergunta que fecha o assunto: independência política sem mudança social é exatamente o que caracteriza o caso brasileiro.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
Frentes de conflitoSul e Bahia como principais; ação também no Maranhão e no Pará
Comando das tropasoficiais europeus contratados até maio de 1823, quando um motim leva José Joaquim de Lima e Silva ao posto
Cochranearistocrata inglês contratado para a esquadra; antes atuara no Chile e no Peru
Bahiasaída portuguesa de Salvador em 2 de julho de 1823, com apoio do Recôncavo e da frota
Peso da data baianapara muitos baianos equivale ao 7 de setembro como marco da Independência
NorteMaranhão e Pará tinham laços mais estreitos com Portugal do que com o resto do país
Cisplatinaretirada portuguesa em novembro de 1823; começa a guerra pela independência uruguaia
Estados Unidosreconhecem a Independência em maio de 1824
Inglaterrareconhecimento informal antecipado; formalização retardada pela pressão contra o tráfico
Portugalreconhece em agosto de 1825, mediante tratado
Preço2 milhões de libras — origem do primeiro empréstimo externo brasileiro, tomado em Londres
Cláusula africanaproibição de unir ao Brasil qualquer outra colônia portuguesa
Tese da consolidaçãofeita em poucos anos, sem alterar ordem social, economia ou forma de governo
Objeçõesa união em torno do Rio saiu de luta; movimentos autonomistas foram vencidos, como no Pará
Resultado singularo Brasil ficou sendo uma monarquia entre repúblicas
O que vem depois1822 a 1840 marcados por flutuação política, rebeliões e projetos contrastantes de poder
Cada linha responde a uma pergunta recorrente sobre o período entre o 7 de setembro e o reconhecimento internacional.

Fontes

  1. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp. Fonte principal deste artigo.
  2. COSTA, Emília Viotti da. Da Monarquia à República: momentos decisivos. São Paulo: Unesp.
  3. JANCSÓ, István (org.). Independência: história e historiografia. São Paulo: Hucitec, 2005.
  4. MOREL, Marco. Independência no Papel: a imprensa e a construção do Brasil. São Paulo: Hucitec.