História Verso
História do Brasil · Segundo Reinado

A crise do Segundo Reinado

A partir de 1870, quatro frentes começam a se abrir contra o Império ao mesmo tempo: republicanos, bispos, oficiais e abolicionistas. Nenhuma delas conversava com as outras — e é justamente por isso que o regime levou dezenove anos para cair.

187013 min de leitura4 fontes
Dom Pedro II fotografado em 1876 · Mathew Benjamin Brady / Levin Corbin Handy · 1876
Dom Pedro II fotografado nos Estados Unidos em 1876, no meio da década em que os sintomas de crise se acumulam. O prestígio pessoal que a imagem transmite era, ele próprio, uma das peças que seguravam o regime de pé.
Dom Pedro II fotografado em 1876 · 1876 · Wikimedia Commons · Public domain
Pergunta orientadora

Se a partir de 1870 quatro grupos diferentes já estavam em atrito com o Império, por que a Monarquia ainda levou dezenove anos para cair?

Porque as quatro brigas não eram a mesma briga. Republicanos, bispos, oficiais e abolicionistas queriam coisas distintas, em calendários distintos, e nenhum deles fez causa com o outro. É exatamente essa dispersão que explica a duração — e também explica por que, quando o desfecho veio, ele foi resolvido em uma única manhã por quem tinha armas.

Fausto marca a abertura do período com precisão: é da década de 1870 em diante que os sintomas de crise aparecem. Ele nomeia três — a chegada do republicanismo organizado, o azedamento das relações com o quartel e o mesmo azedamento com a Igreja —, somando a eles o desgaste que o tratamento dado à escravidão provocava entre o Estado e suas bases de apoio.1

Frente 1: a República deixa de ser só uma ideia

O ideal republicano não nasceu ali — vinha circulando desde os movimentos pela Independência, no fim do século 18, associado à ideia de revolução e de alguma reforma social. O que muda em 1870 é que ele ganha organização e manifesto, no Rio de Janeiro.1

Dentro do movimento, porém, havia duas respostas para a mesma pergunta — como chegar lá.1

Uma minoria defendia a revolução popular como caminho. Fausto cita dois nomes: Lopes Trovão, que assinou o manifesto de 1870, e Silva Jardim, já nos anos finais do Império. A grande maioria, porém, ficava com Quintino Bocaiúva: passagem sem violência de um regime ao outro, na expectativa — se desse — de que ela viesse depois da morte de Dom Pedro II.1

Esperar o imperador morrer é uma estratégia
Repare no que a posição majoritária revela. Ninguém pretendia derrubar Pedro II — a aposta era sobreviver a ele. Isso mede duas coisas ao mesmo tempo: o prestígio pessoal do imperador e a fragilidade de um movimento que preferia esperar um funeral a disputar o poder.

Quem eram esses republicanos nas cidades? Sobretudo profissionais liberais e jornalistas — um grupo que só existia porque o país havia passado por desenvolvimento urbano e por expansão do ensino. E o que eles associavam à República é uma lista de quatro itens: mais representação política para os cidadãos, direitos e garantias individuais, federação e fim do regime escravista.1

Quintino Bocaiúva · autoria não identificada · 2006-09-20 17:51:59
Quintino Bocaiúva. Representava a linha majoritária do republicanismo: transição pacífica entre os regimes, com a paciência de aguardar a morte do imperador.
Quintino Bocaiúva · 2006 · Wikimedia Commons · Public domain

1873: a novidade vem das províncias

A virada da década foi o surgimento de um movimento republicano conservador nas províncias — e sua expressão máxima é o Partido Republicano Paulista, fundado em 1873. Os quadros do PRP saíam, na maioria, da burguesia cafeeira. E o ponto fundamental do programa era um só: a federação — isto é, um país cujas unidades básicas fossem as províncias.1

Federalismo não implicava necessariamente República, aliás. Um dos grandes inspiradores dessa bandeira, Tavares Bastos, defendia uma monarquia federativa. Os republicanos paulistas é que se convenceram do contrário: para eles, o Império seria incompatível com a autonomia provincial — porque autonomia significava, entre outras coisas, controlar a política bancária, a imigração e a descentralização das rendas.1

As diferenças entre o republicanismo do Rio e o de São Paulo são três, e a terceira é a mais desconfortável. Os paulistas davam mais ênfase à federação; demonstravam menos interesse na defesa das liberdades civis e políticas; e tratavam a escravidão de outro jeito. Fausto não suaviza: dada a composição social do partido, o PRP evitou tomar posição clara sobre a escravatura — ou mesmo discutir o assunto — até as vésperas da Abolição.1

LembreRepublicano era necessariamente abolicionista?

Não. No Rio, as duas bandeiras andavam juntas no mesmo programa. Em São Paulo, o partido formado por cafeicultores fugiu do tema quase até 1888. Tratar “republicanismo” como bloco único é o erro mais comum deste assunto.

As queixas paulistas contra a Corte, por sinal, soam atuais. São Paulo se considerava sub-representado e alegava outra coisa mais concreta: com a economia crescendo, mandava a cada ano mais dinheiro para os cofres imperiais e recebia de volta muito menos do que isso.1

Um contraste fecha o quadro. Na capital, o movimento produzia jornal e propaganda em quantidade — e, mesmo assim, jamais virou partido. Força partidária republicana, até a queda do regime, existiu em duas províncias: São Paulo, à frente, e Minas Gerais. Foi a paulista que, já em 1884, em aliança oposicionista com os conservadores, mandou para a Câmara Prudente de Morais e Campos Sales — os dois futuros primeiros presidentes civis da República.1

Lopes Trovão em ilustração de novembro de 1889 · Unknown author Unknown author · 1889-11
Lopes Trovão em ilustração de novembro de 1889. Signatário do manifesto de 1870, defendia a via revolucionária — corrente minoritária dentro do movimento republicano.
Lopes Trovão em ilustração de novembro de 1889 · 1889 · Wikimedia Commons · Public domain
Questão 01múltipla escolha · sem placar
Sobre o movimento republicano brasileiro entre 1870 e 1889, é correto afirmar que:
  1. Incorreta. A defesa da revolução popular, sustentada por nomes como Lopes Trovão e Silva Jardim, era minoritária. A maioria seguia Quintino Bocaiúva e a via da transição pacífica.

  2. Incorreta. O republicanismo carioca foi ativo na imprensa, mas nunca virou partido. Quem elegeu Prudente de Morais e Campos Sales, em 1884, foi o PRP.

  3. Incorreta. Ocorreu o contrário: dada sua composição social, o PRP evitou posição clara sobre a escravidão — e até mesmo o debate — até as vésperas da Abolição.

  4. Incorreta. Tavares Bastos, um dos grandes inspiradores do federalismo, sustentava a ideia de uma monarquia federativa. Foram os republicanos paulistas que julgaram as duas coisas incompatíveis.

  5. Correta. É a distinção central do assunto. A vertente paulista, saída da burguesia cafeeira, priorizava a federação e demonstrava menos interesse nas liberdades civis e políticas.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Frente 2: quando o Estado prendeu dois bispos

Esta é a frente que costuma sumir dos resumos, e é a mais reveladora sobre como o Império funcionava.1

Comece pelo desenho institucional. Amarrar altar e trono, como fazia a Constituição de 1824, já era por si só um conflito à espera de acontecer. O catolicismo era a religião do Estado — e o mesmo texto dava ao poder civil a prerrogativa de dizer se um decreto vindo de Roma valia ou não por aqui, contanto que ele não chocasse com a Constituição. Em outras palavras: quem tinha a última palavra sobre o que a Igreja aplicava no país era o governo.1

O que rompeu o equilíbrio veio de fora. A partir de 1848, no pontificado de Pio IX, o Vaticano mudou de rota: condenou as chamadas liberdades modernas e passou a afirmar o predomínio espiritual da Igreja no mundo. Em 1870, um Concílio reforçou o poder papal ao proclamar o dogma da infalibilidade.1

No Brasil, esse endurecimento produziu dois efeitos: padres mais rígidos em matéria de disciplina religiosa e uma reivindicação de autonomia diante do Estado.1

O estopim foi um gesto disciplinar. Obedecendo a determinação do papa, o bispo de Olinda, Dom Vital, decidiu proibir a entrada de maçons nas irmandades religiosas. E aqui é preciso entender por que isso virou crise de Estado: a maçonaria era numericamente pequena, porém influente nos círculos dirigentes — tanto que o Visconde do Rio Branco, então presidente do Conselho de Ministros, era maçom.1

A resposta do governo foi tratar o bispo como “funcionário rebelde”. Dom Vital foi preso e condenado, e em seguida o mesmo aconteceu com outro bispo.1

A tempestade só amainou com um arranjo negociado entre 1874 e 1875, e as três peças dele mostram que ninguém saiu inteiro: houve substituição do gabinete Rio Branco, anistia aos bispos e suspensão, pelo papa, das proibições aplicadas aos maçons.1

As outras duas frentes, e onde elas moram

Falta dizer o que aconteceu nas duas frentes restantes — e aqui este artigo faz um corte deliberado, porque cada uma delas tem página própria neste site.1

O Exército. Ao longo da década de 1880, sucederam-se atritos entre governo, parlamentares e oficiais, com punições a militares que se manifestavam pela imprensa e com a criação do Clube Militar em 1887. O detalhamento desses episódios, e a análise do peso deles, está no artigo sobre a Proclamação.1

A escravidão. Cada passo legal — a Lei do Ventre Livre, os Sexagenários, a Abolição — feriu interesses de proprietários rurais e foi corroendo a relação entre o Estado e sua principal base social. O processo, com a campanha abolicionista e a fuga em massa, está no artigo sobre a Abolição.1

Joaquim Nabuco em 1878 · José María Mora · 1878
Joaquim Nabuco em 1878. Parlamentar e escritor vindo de família de políticos e grandes proprietários pernambucanos, é o exemplo da elite branca que aderiu à campanha abolicionista.
Joaquim Nabuco em 1878 · 1878 · Wikimedia Commons · Public domain
Como este site divide o assunto
Um artigo sobre “a crise” que reconte tudo vira índice do capítulo. Aqui, as duas frentes desenvolvidas são a republicana e a religiosa; as outras duas aparecem nomeadas, com o peso que têm, e remetem às páginas onde são tratadas a fundo. Se você está revisando para prova, leia as três em sequência.

Por que quatro rachaduras não derrubam sozinhas

Vale terminar medindo o alcance de cada frente, porque a soma engana.1

A questão religiosa terminou em acordo, com anistia e recuo dos dois lados: contribuiu para o desgaste, mas não produziu adversário permanente. O republicanismo, nas cidades, não passou de imprensa e propaganda; nas províncias, virou partido — só que um partido que, em São Paulo, se calava sobre o tema mais explosivo da época. E as duas frentes restantes seguiam calendários próprios: a militar, feita de queixas corporativas; a servil, movida por gente que não votava nem tinha assento em lugar nenhum.1

Some tudo e o resultado é o que a data de 1889 mostra: um regime sem inimigo capaz de derrubá-lo e, ao mesmo tempo, sem aliado disposto a defendê-lo. Quando o empurrão veio, não houve resistência — e a razão está menos na força de quem empurrou do que no vazio que se formara em volta do trono ao longo daqueles dezenove anos.1

Questão 02múltipla escolha · sem placar
A chamada questão religiosa, na década de 1870, resultou:
  1. Incorreta. O catolicismo permaneceu religião oficial até o fim do Império. A separação entre Estado e Igreja só viria com a República.

  2. Incorreta. Os bispos agiam justamente em obediência ao papa. Quem se opôs a eles foi o governo imperial, que os tratou como funcionários insubordinados.

  3. Correta. É a descrição correta. A maçonaria era pequena mas influente nos círculos dirigentes: o próprio Visconde do Rio Branco, presidente do Conselho, era maçom.

  4. Incorreta. O conflito não teve origem na escravidão. Nasceu de disciplina religiosa e de autonomia da Igreja diante do Estado.

  5. Incorreta. Não houve tal medida. O arranjo de 1874 e 1875 envolveu a substituição do gabinete, a anistia aos bispos e a suspensão papal das proibições aos maçons.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Pontos sensíveis deste artigo
  • Republicanismo no plural — havia pelo menos duas vertentes: a carioca, urbana, ligada a liberdades e ao fim da escravidão, e a provincial e conservadora do PRP, centrada na federação e silenciosa sobre a escravatura até quase 1888.
  • A via majoritária era a espera — revolução popular era posição minoritária, defendida por nomes como Lopes Trovão e Silva Jardim. A maioria seguia Quintino Bocaiúva: transição pacífica, aguardando se possível a morte de Dom Pedro II.
  • Federalismo não é sinônimo de República — Tavares Bastos, inspirador do federalismo, defendia uma monarquia federativa. A incompatibilidade entre Império e autonomia provincial foi conclusão dos republicanos paulistas, não um dado óbvio da época.
  • O que estava em jogo na questão religiosa — não era teologia, e sim autoridade: a Constituição de 1824 dava ao Estado o direito de validar ou não decretos eclesiásticos. Dom Vital foi tratado como “funcionário rebelde” e preso.
  • Desgaste não é queda — a questão religiosa terminou em acordo com anistia, e o republicanismo carioca nunca virou partido. Nenhuma das frentes derrubou o regime sozinha — o que elas produziram foi o isolamento do trono.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 10evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

Dezenove anos de desgaste, em sete marcos

1848Pio IX condenaas chamadasliberdadesmodernas1870Manifestorepublicano noRio de Janeiro1870Concílioproclama ainfalibilidadedo papa1873Fundação doPartidoRepublicanoPaulista1873–1874Bispos presose condenadosna questãoreligiosa1874–1875Arranjoanistia osbispos ederruba ogabinete1884PRP elegePrudente deMorais eCampos SalesDezenove anos entre o primeiro manifesto republicano e a queda. Nenhuma das frentes abertas em 1870 derruba o regime sozinha.
Os dois marcos em destaque são de frentes diferentes e quase do mesmo momento — e é justamente por não se somarem que o regime resistiu tanto.

As quatro frentes e o que elas produzem

AS QUATRO FRENTESO QUE ELAS PRODUZEMRepublicanosmanifesto de 1870 no Rio;PRP nas províncias em 1873IgrejaVaticano endurece e doisbispos vão para a cadeiaExércitooficiais punidos por falare corporação em atritoEscravidãocada lei nova irrita abase proprietária do regimeCrise do Segundo Reinado · 1870–1889quatro desgastes simultâneose sem coordenação entre siBase social se afastafazendeiros deixam de vero Império como defensorExiste alternativa prontaa República deixa de serideia e vira partidoEstado sem aliado fortenem clero, nem quartel,nem lavoura ao ladoRegime expostosem amortecedor, o atritochega direto ao trono
Repare que nenhuma caixa da esquerda leva sozinha à queda. O que elas produzem, somadas, é a última caixa da direita: um trono sem proteção em volta.

Dois republicanismos, no mesmo país

Republicanismo do Rio de JaneiroBase: profissionais liberaise jornalistasAmpliação da representação edas garantias individuaisFederação e fim da escravidãono mesmo programaAtivo na imprensa, nunca viroupartido políticoRepublicanismo paulista (PRP, 1873)Base: burguesia cafeeiraFederação como ponto centraldo programaMenos interesse nas liberdadescivis e políticasEvitou posição clara sobre aescravidão até quase 1888Elegeu deputados já em 1884
Leia a penúltima linha de cada coluna: enquanto no Rio o fim da escravidão estava no programa, em São Paulo o assunto era evitado. Chamar os dois de “os republicanos” apaga a diferença que mais importa.

Mapa mental do assunto

Crise do Império1870–1889Frente republicanaManifesto de 1870Duas correntes: revolução ou esperaPRP de 1873, e a federaçãoFrente religiosaVaticano de Pio IX endureceDom Vital proíbe maçonsDois bispos presos e anistiadosAs outras duas frentesExército, tratado em outro artigoEscravidão, tratada em outro artigoCada uma com calendário próprioO que NÃO houveCoordenação entre as frentesAdesão popular ao republicanismoRuptura súbita e sem aviso
O ramo destacado é o que corrige a leitura mais comum: não houve frente única contra o Império, e não houve ruptura súbita.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
Marco iniciala partir da década de 1870 surgem os sintomas de crise
As quatro frentesmovimento republicano, Igreja, Exército e encaminhamento da escravidão
Manifesto republicano1870, no Rio de Janeiro
Corrente minoritáriarevolução popular — Lopes Trovão e Silva Jardim
Corrente majoritáriatransição pacífica, com Quintino Bocaiúva, aguardando a morte do imperador
Base social urbanaprofissionais liberais e jornalistas, vindos do crescimento das cidades e do ensino
Programa cariocarepresentação, garantias individuais, federação e fim da escravidão
PRPfundado em 1873, com quadros da burguesia cafeeira; federação como ponto central
Silêncio do PRPevitou posição sobre a escravidão até as vésperas da Abolição
Queixa paulistasub-representação e contribuição crescente sem retorno proporcional
Vitória eleitoral de 1884PRP elege Prudente de Morais e Campos Sales para a Câmara
Origem da questão religiosaVaticano de Pio IX endurece desde 1848; dogma da infalibilidade em 1870
EstopimDom Vital, bispo de Olinda, proíbe maçons nas irmandades
Reação do governotrata o bispo como “funcionário rebelde”; dois bispos presos e condenados
Desfecho religiosoarranjo de 1874–1875: gabinete Rio Branco cai, bispos anistiados, proibições suspensas pelo papa
Balançonenhuma frente derruba o regime sozinha; o efeito somado é o isolamento do trono
Cada linha responde a uma pergunta recorrente sobre a crise final do Império.

Fontes

  1. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp. Fonte principal deste artigo.
  2. CARVALHO, José Murilo de. A Formação das Almas: o imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
  3. COSTA, Emília Viotti da. Da Monarquia à República: momentos decisivos. São Paulo: Unesp.
  4. ALONSO, Angela. Ideias em Movimento: a geração 1870 na crise do Brasil-Império. São Paulo: Paz e Terra, 2002.