Roma: da República ao Império
Em 212 d.C., trinta milhões de pessoas viraram cidadãos romanos da noite para o dia. Para entender por que um império faria isso, é preciso voltar mil anos — e aceitar que Roma não sabe em que dia nasceu. Este artigo separa o que se pode provar do que foi contado.

A Loba Capitolina · 0 · Wikimedia Commons · Public domain
Num único ano, 212 d.C., mais de trinta milhões de pessoas — da Escócia à Síria — tornaram-se cidadãs romanas. Por que um império faria isso? A resposta obriga a recuar mil anos — e a aceitar de saída que Roma não sabe em que dia nasceu.
Roma não sabe quando começou
Comecemos pelo constrangimento que os manuais escondem. Mary Beard é categórica: não existe nenhuma data independente e segura para qualquer material arqueológico da Roma arcaica ou de sua região. A idade de quase todo achado importante ainda é objeto de discussão acalorada.1
O esquema cronológico que se usa hoje custou décadas de trabalho ao longo do século XX, e foi montado por comparação indireta: a cerâmica feita em torno — presumida posterior à modelada à mão —, a presença ocasional de cerâmica grega em túmulos, cuja datação se conhece melhor, e o cotejo minucioso entre sítios.1
O que esse método produziu foi isto: os primeiros sepultamentos no fórum por volta de 1000 a.C., e as cabanas do Palatino entre 750 e 700 a.C. — data, observa a autora, notavelmente próxima de 753 a.C., como muitos já repararam.1
Só que a coincidência não resolve nada, porque essas datações também não são seguras. O radiocarbono sugere que todas elas são cerca de um século jovens demais. Uma cabana de Fidenas, datada de meados do século VII a.C. pelos critérios tradicionais, recua para o fim do século IX a.C. quando medida por carbono. Nas palavras de Beard, Roma parece estar envelhecendo.1
O que se pode afirmar com firmeza é bem menos, e bem mais honesto. No século VI a.C., Roma era uma comunidade urbana, com centro e alguns edifícios públicos. Antes disso, achados dispersos da Idade do Bronze Médio — entre cerca de 1700 e 1300 a.C. — indicam gente morando ali, e não apenas de passagem.1
E então vem a frase que deveria estar em todo livro didático: não se pode saber quando os habitantes daqueles povoados separados se sentiram pela primeira vez uma comunidade única — e não se tem a menor ideia de quando chamaram aquilo de Roma.1
LembreRoma foi fundada em 753 a.C.?
Essa é uma data convencional, não um fato documentado. Não há datação arqueológica segura para a Roma arcaica, e o radiocarbono sugere que as estimativas tradicionais são cerca de um século jovens demais. O que a evidência sustenta é que no século VI a.C. Roma já era uma cidade. Beard chama de fantasia arqueológica a tentativa de ligar muralhas antigas ao mito, e de manobra o esforço de ajustar datações para chegar ao 21 de abril de 753 a.C.
Sobre os fundadores, a fonte não faz concessão: as construções primitivas de taipa encontradas no Palatino não têm relação alguma com Rômulo e Remo, que ela trata como personagens inexistentes.1
Há um lugar em toda a cidade onde restos materiais primitivos podem ser ligados diretamente à tradição literária: um retângulo de lajes de pedra negra, com cerca de 4 por 3,5 metros, assentado no piso do fórum antes do fim do século I a.C., junto à plataforma de onde os oradores falavam ao povo. O arqueólogo Giacomo Boni escavou por baixo dele na virada do século XX e encontrou estruturas bem mais antigas — um altar, parte de uma coluna e um pilar de pedra.1 E o resultado do encontro entre a arqueologia e o texto não foi acordo: foi, na expressão da autora, um abismo largo e enigmático.
Para que servia a lenda
Se o mito não descreve o passado, resta a pergunta mais interessante: o que ele fazia por quem o contava?
Beard responde com uma cena precisa. Em 8 de novembro de 63 a.C., Cícero convocou o Senado para o templo de Júpiter Stator — e a escolha do lugar era o argumento. Segundo a tradição, aquele templo fora prometido por Rômulo ao deus que “mantém os homens firmes”, quando os romanos recuavam diante dos sabinos.1
No discurso contra Catilina, Cícero apelou explicitamente a Júpiter Stator e lembrou à plateia a fundação do templo, invocando o deus consagrado por Rômulo no mesmo ano em que a cidade nascera.2 Ele estava, deliberadamente, vestindo-se de novo Rômulo.
O detalhe que fecha o raciocínio é que seus contemporâneos entenderam — e alguns devolveram a jogada em forma de deboche, chamando-o de “o Rômulo de Arpino”, alusão à cidadezinha de onde ele vinha.1
Ou seja: o mito de fundação não era história infantil. Era instrumento político em uso, e quem o manejava sabia exatamente o que estava fazendo.

Busto de Augusto, do tipo Prima Porta · 0 · Wikimedia Commons · CC BY 2.5
A República não caiu num dia
Passemos à transição que dá título ao assunto. E aqui a fonte desmonta outra expectativa: não houve um momento em que a República tenha sido derrubada por um projeto.
A avaliação de Beard sobre o desfecho das guerras civis é seca: quem quer que saísse vencedor, o resultado não seria o retorno ao modelo tradicional de poder compartilhado, e sim alguma forma de autocracia. A prova que ela oferece é elegante — já em 43 a.C., até Bruto, o tiranicida, cunhava moedas com o próprio rosto.1
O que não estava definido era outra coisa: que forma esse governo de um homem só assumiria, e como faria para dar certo.1
Quanto à batalha que a tradição fixou como marco, a leitura é igualmente desmistificadora. Ácio, em 2 de setembro de 31 a.C., foi apresentada como um confronto muito mais impressionante do que realmente foi, e engrandecida até virar o momento fundador do regime — cujo início ainda hoje se data de 31 a.C.1
A construção desse marco foi material e deliberada. Ergueu-se, perto do local, uma cidade chamada Nicópolis — “cidade da vitória” — e um monumento gigantesco voltado para o mar, decorado com os esporões dos navios capturados. Soldados comuns do lado vencedor passaram a acrescentar ao próprio nome o epíteto Acciaco, “homem de Ácio”.1
E a memória fez o resto: o combate virou, quase de imediato, um choque entre tropas romanas disciplinadas e hordas orientais selvagens — apesar de Marco Antônio ter tido o apoio de várias centenas de senadores.1
Augusto inventou o cargo improvisando
A descrição que a fonte faz da construção do poder imperial é o oposto da imagem do estadista com um plano. Otaviano não voltou do Egito com um projeto autocrático pronto para aplicar. O que houve foi uma longa série de experimentos práticos, improvisações, começos falsos e alguns fracassos.1
E dessa tentativa e erro saiu um resultado desproporcional ao método: ele acabou concebendo um padrão de como ser imperador romano que se manteria, nos detalhes mais significativos, pelos duzentos anos seguintes — e, em linhas gerais, por muito mais. Beard acrescenta que algumas dessas invenções seguem embutidas nos nossos próprios mecanismos de poder político.1
Até o nome foi cálculo. “Augusto” evocava auctoritas e correta observância religiosa, com eco no título dos augures, um dos principais colégios sacerdotais. Soava imponente e — detalhe decisivo — não carregava as associações fratricidas nem monárquicas de “Rômulo”, outro nome que ele teria recusado.1
Ninguém se chamara assim antes. Todos os imperadores seguintes adotariam o termo em sua titulatura. E, ainda assim, a fonte é impiedosa quanto ao conteúdo dele: na prática, não significava nada. A tradução aproximada seria “o Reverenciado”.1

Augusto de Prima Porta · 2007 · Wikimedia Commons · Public domain
Quem sustentava tudo isso
Nada do que foi descrito até aqui funcionaria sem trabalho escravizado, e a fonte trata o assunto como estrutura, não como episódio.
O caso mais lembrado começa em 73 a.C., quando cerca de cinquenta gladiadores escravizados, armados com utensílios de cozinha improvisados, fugiram de uma escola de gladiadores em Cápua, no sul da Itália. Nos dois anos seguintes, sob a liderança de Espartaco, reuniram apoio e resistiram a vários exércitos romanos, até serem esmagados em 71 a.C. Os sobreviventes foram crucificados numa procissão macabra ao longo da Via Ápia.1
Agora a parte que a fonte faz questão de corrigir, e que vale mais que o episódio. Os autores romanos exageraram o número de seguidores — há cálculos que chegam a 120 mil —, porque para eles a insurreição escrava era o sinal mais alarmante de um mundo de cabeça para baixo.1
E os relatos modernos cometem o erro simétrico: tentam fazer de Espartaco um herói ideológico, alguém que combatia a instituição da escravidão. Beard responde que isso é quase impossível. Muitos escravizados queriam a liberdade para si, mas toda a evidência indica que a escravidão como instituição era tida como natural — inclusive pelos próprios escravizados.1
Se o grupo tinha objetivo formulado, o mais provável é que fosse voltar para casa: Espartaco à Trácia, no norte da Grécia; outros, à Gália. O que é certo, conclui ela, é que resistiram às forças romanas por um tempo vergonhosamente longo.1
A escravidão moldou até o modo como a elite romana julgava o trabalho livre. Cícero dirigia desprezo a quem trabalhava para viver: o dinheiro obtido com a venda do próprio trabalho seria vulgar e inaceitável para um cavalheiro, porque os salários são, efetivamente, as correntes da escravidão.2 O vocabulário registrou a hierarquia: o estado desejável era o otium — não tanto “ócio”, adverte a fonte, quanto ser dono do próprio tempo —, e qualquer negócio era seu contrário indesejável, o negotium, literalmente “não-otium”.1
212 d.C.: o dia em que todos viraram romanos
Chegamos ao fecho. Em 212 d.C., o imperador Caracalla decretou que todos os habitantes livres do Império Romano, onde quer que vivessem, da Escócia à Síria, eram cidadãos romanos.1
A fonte qualifica a decisão como revolucionária: ela eliminou de um golpe a diferença legal entre governantes e governados. Mais de trinta milhões de provinciais tornaram-se legalmente romanos da noite para o dia — uma das maiores concessões de cidadania, se não a maior, de que se tem notícia.1
Só que ela não veio do nada. Durante séculos, inimigos derrotados haviam virado romanos; escravizados obtinham a cidadania ao serem libertados; e provinciais, soldados e civis, iam recebendo-a como recompensa por lealdade e serviço. Tudo isso sem faltar polêmica nem conflito — havia romanos abertamente desconfiados dos estrangeiros, e o satírico Juvenal pôs em palavras a queixa: “não suporto uma cidade cheia de gregos”.1
E houve o inverso, mais grave: o desejo de aliados itálicos por uma cidadania de que se sentiam excluídos levou, em parte, a uma das guerras mais sangrentas da história romana — a chamada Guerra Social, no início do século I a.C.1
O arco que a autora desenha é este: Caracalla completou em 212 d.C. um processo que o mito atribuía a Rômulo mil anos antes. O fundador só conseguira estabelecer sua cidade oferecendo cidadania a todos que a ela acorressem, convertendo estrangeiros em romanos.1

Caracalla ainda jovem · 2007 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0
Generosidade, imposto — ou nenhum dos dois
A razão do gesto, adverte a fonte, desconcerta os historiadores desde então.1 E há duas leituras que o estudante precisa saber sustentar.
A primeira é a leitura fiscal, e ela tem defensores de peso: Cássio Dião e Edward Gibbon suspeitaram que a medida fosse movida por necessidade de arrecadar dinheiro, já que os novos cidadãos passavam automaticamente a dever o imposto romano de herança.3
A segunda é a objeção da própria Beard, e é de ordem prática: se o objetivo fosse esse, teria sido uma forma extremamente trabalhosa de resolver a questão — não era preciso conceder cidadania a mais de trinta milhões de pessoas apenas para aumentar receita.1
Convém somar um dado de caráter. A carreira de Caracalla não recomenda a hipótese generosa: ele começou o reinado em 211 mandando assassinar o irmão mais novo e rival, Geta, nos braços da própria mãe — o que a fonte descreve como sórdida repetição do fratricídio que marca a origem da cidade. E terminou em 217, aos vinte e nove anos, apunhalado por um dos próprios guarda-costas à beira da estrada.1
LembreO édito de 212 foi um gesto de generosidade imperial?
A fonte não fecha a questão, e você também não deve. Registre as duas leituras: a fiscal, sustentada por Cássio Dião e Gibbon, ligada ao imposto de herança; e a objeção prática de que dar cidadania a trinta milhões seria meio absurdamente trabalhoso de aumentar arrecadação. O que não se sustenta é apresentar o édito como simples bondade — nem tratá-lo como golpe fiscal comprovado.
E a igualdade durou o quê?
Aqui está a parte que quase nenhum resumo escolar conta, e é a mais instrutiva de todas.
O decreto mudou o mundo romano para sempre — e é por isso que a história de Beard termina ali, ao fim do primeiro milênio romano. A grande questão que orientara a política durante séculos, sobre a fronteira entre os romanos e aqueles que eles governavam, tinha sido respondida.1
Mas não se seguiu uma era de igualdade pacífica. A fonte é direta sobre o mecanismo: derrubada uma barreira de privilégio, ergueu-se outra em seu lugar, em termos diferentes. E o motivo é quase aritmético — uma vez concedida a todos, a cidadania tornou-se irrelevante.1
A nova divisão foi escrita formalmente na legislação romana, e separava os honestiores — literalmente “os mais honoráveis”, ou seja, a elite enriquecida e também os soldados veteranos — dos humiliores, “a classe mais baixa”.1
E a diferença não era simbólica. Apenas os honestiores ficaram isentos de castigos degradantes ou especialmente cruéis, como a crucifixão e a flagelação — isenção que antes valia para todos os cidadãos. Os cidadãos da classe mais baixa passaram a estar expostos a penas antes reservadas a escravizados e não cidadãos.1
A conclusão da autora é a frase que este artigo existe para entregar: a nova fronteira entre os de dentro e os de fora passou a seguir a linha da riqueza, da classe e do status.1
Dito de outro modo: Roma resolveu, em 212, a questão que a ocupara por mil anos — e imediatamente inventou outra. A cidadania deixou de separar as pessoas; o dinheiro assumiu a função.

A imperatriz Plautília · 0 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 2.0
- 753 a.C. é convenção, não evidência — não há datação independente segura para material arqueológico da Roma arcaica, e o radiocarbono sugere que as estimativas tradicionais são cerca de um século jovens demais. O que se sustenta é que no século VI a.C. Roma já era comunidade urbana.
- Rômulo e Remo são personagens inexistentes — a fonte usa esse termo. Construções primitivas de taipa foram de fato encontradas, mas não têm relação alguma com o mito, e ajustar datações para chegar a 21 de abril de 753 a.C. é descrito como manobra.
- Os gêmeos da Loba Capitolina são do século XV — a loba é antiga e sua data é disputada; os gêmeos foram acrescentados para tornar explícito o mito. As cópias espalhadas pelo mundo devem-se em boa parte a Mussolini, que as distribuía como símbolo da Romanità.
- Espartaco não combatia a escravidão — essa é leitura moderna que a fonte considera quase impossível. Muitos escravizados queriam liberdade para si, mas a instituição era tida como natural, inclusive por eles. O objetivo provável do grupo era voltar para casa — Espartaco à Trácia, outros à Gália.
- Ácio foi ampliada depois do fato — o combate foi apresentado como muito mais impressionante do que foi e engrandecido até virar marco fundador do regime, com cidade comemorativa e monumento. E Marco Antônio contava com o apoio de várias centenas de senadores, ao contrário da imagem de choque entre romanos e orientais.
- Augusto improvisou, não planejou — não houve plano autocrático pronto. O padrão de como ser imperador saiu de experimentos práticos, improvisações, começos falsos e alguns fracassos — e assim mesmo durou cerca de duzentos anos nos detalhes principais.
- O édito de 212 tem duas leituras, e nenhuma é conclusiva — a fiscal, de Cássio Dião e Gibbon, ligada ao imposto de herança; e a objeção prática da própria fonte, de que seria meio trabalhoso demais para esse fim. Apresentar o decreto como simples generosidade imperial é o erro mais comum.
Material de estudo
Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.
De uma data convencional a uma data certa
O que foi contado e o que se pode sustentar
O que vinha de trás, o que o édito produziu
Mapa mental do assunto
Quadro-resumo para revisão rápida
| Item | Dado |
|---|---|
| Data de fundação | 753 a.C. é convenção, sem apoio arqueológico independente |
| O que a arqueologia sustenta | no século VI a.C. Roma já era comunidade urbana, com centro e prédios públicos |
| Sepultamentos no fórum | por volta de 1000 a.C. |
| Cabanas do Palatino | entre 750 e 700 a.C. pelos critérios tradicionais |
| O que o radiocarbono muda | as datações seriam cerca de um século jovens demais |
| Rômulo e Remo | tratados pela fonte como personagens inexistentes |
| Loba Capitolina | os gêmeos são do século XV; cópias difundidas por Mussolini |
| O que não se sabe | quando aqueles povoados se sentiram uma comunidade única, nem quando a chamaram de Roma |
| Lapis Niger | único ponto que liga restos materiais à tradição literária — e o resultado é um abismo, não um acordo |
| Cícero, 63 a.C. | convoca o Senado ao templo de Júpiter Stator e se apresenta como novo Rômulo contra Catilina |
| O apelido | “o Rômulo de Arpino”, deboche dos contemporâneos |
| Guerra Social | início do século I a.C.; aliados itálicos lutam por cidadania de que se sentiam excluídos |
| Espartaco | 73 a.C., cerca de cinquenta gladiadores fogem de Cápua com armas improvisadas |
| Desfecho | esmagados em 71 a.C.; sobreviventes crucificados ao longo da Via Ápia |
| Correção necessária | Espartaco não combatia a instituição da escravidão; o objetivo provável era voltar para casa |
| Exagero antigo | autores romanos chegam a falar em 120 mil seguidores |
| Cícero sobre salário | vender o próprio trabalho seria vulgar; os salários são as correntes da escravidão |
| Otium e negotium | otium é ser dono do próprio tempo; negotium é literalmente “não-otium” |
| Fim da República | vencesse quem vencesse, viria autocracia; Bruto já cunhava moeda com o próprio rosto em 43 a.C. |
| Ácio | 2 de setembro de 31 a.C.; ampliada depois até virar marco fundador do regime |
| Construção do marco | cidade de Nicópolis, monumento com esporões de navios, soldados adotando o epíteto Acciaco |
| Marco Antônio | tinha apoio de várias centenas de senadores — a imagem de horda oriental é posterior |
| Método de Augusto | experimentos, improvisações e começos falsos; nenhum plano autocrático pronto |
| Duração do modelo | cerca de duzentos anos nos detalhes mais significativos |
| O nome | evoca auctoritas e os augures; recusou “Rômulo”; na prática não significava nada |
| Édito de Caracalla | 212 d.C.: todos os habitantes livres do império viram cidadãos, da Escócia à Síria |
| Alcance | mais de trinta milhões de provinciais, de uma vez |
| Leitura fiscal | Cássio Dião e Gibbon suspeitam do imposto de herança |
| Objeção da fonte | seria forma trabalhosa demais; não era preciso dar cidadania a trinta milhões para arrecadar |
| Caracalla | matou o irmão Geta em 211; assassinado em 217, aos 29 anos, por um guarda-costas |
| O que veio depois | a cidadania esvaziou-se, e surgiu a divisão entre honestiores e humiliores |
| A diferença prática | só os honestiores ficaram isentos de crucifixão e flagelação |
| A nova fronteira | passou a seguir riqueza, classe e status |
Fontes
- BEARD, Mary. SPQR: uma história da Roma antiga. Fonte principal deste artigo, consultada em edição espanhola.
- CÍCERO. Catilinárias, 63 a.C. Citado pela fonte principal.
- DIÃO, Cássio. História romana. Citado pela fonte principal a respeito do édito de 212.
- GIBBON, Edward. Declínio e queda do Império Romano. Citado pela fonte principal.