História Verso
História Geral · Idade Média

Bizâncio e o Império do Oriente

Em Constantinopla, os súditos do imperador se chamavam de romanos — e, em 968, a corte imperial disse na cara de um bispo italiano que romanos eram eles, não os ocidentais. Este artigo mostra esse império por dentro, com as duas versões de um mesmo historiador, e por fora, com os olhos de um diplomata árabe e dos anais da China.

324-séc. X15 min de leitura9 fontes
Justiniano e sua corte, mosaico de San Vitale, Ravena · Georges Jansoone · 2006-04-05
Justiniano entre clérigos e oficiais, no mosaico da igreja de San Vitale, em Ravena. O imperador de Constantinopla aparece numa igreja da Itália: o retrato é, por si, um sinal do programa de recuperar o Ocidente.
Justiniano e sua corte, mosaico de San Vitale, Ravena · 2006 · Wikimedia Commons · Public domain
Pergunta orientadora

Em 968, um bispo italiano em missão a Constantinopla ouviu do próprio imperador, Nicéforo: “vocês não são romanos, são lombardos”. Quem eram, então, os romanos — e por que nós os chamamos de bizantinos?

O bispo era Liutprando de Cremona, enviado do imperador Oto, o Grande, e a frase o enfureceu. Mas ela resume o ponto de partida deste artigo: o império que tinha capital em Constantinopla não se via como herdeiro de Roma — via-se como Roma. Nos documentos da época, seus súditos são simplesmente “os romanos”.61

De onde vem o que está escrito aqui
Este artigo foi montado sobre documentos da própria época — Procópio, as leis de Justiniano, os concílios sobre as imagens, um bispo latino, um diplomata árabe, os anais chineses — e sobre as introduções do editor do Internet Medieval Sourcebook, da Universidade Fordham. Não se apoia em obra de síntese de historiador atual. É, por isso, mais provisório que um artigo apoiado em historiografia.

Uma segunda Roma, de propósito

O historiador cristão Sozomeno, que morreu por volta de 450, conta que Constantino quis fundar uma cidade com o próprio nome que igualasse Roma em fama. Começou a traçá-la perto de Troia, mas, segundo o relato, Deus lhe indicou outro lugar: a cidade de Bizâncio, na Trácia. Ali ele ampliou a cidade antiga, cercou-a de muralhas altas e o encheu de edifícios de capital — hipódromo, fontes, pórticos.2

O resto do projeto foi político. Constantino trouxe de Roma e de outras regiões famílias de posição para povoar a cidade, criou impostos especiais para pagar a obra e instituiu um segundo Senado, com as mesmas honras do de Roma. Chamou-a Constantinopla e Nova Roma. Sozomeno acrescenta, como cristão, que a cidade nasceu sem templos nem sacrifícios pagãos.2 O editor do Sourcebook data a fundação de 324.9 O nome antigo, porém, não sumiu: dois séculos depois, Procópio ainda chama a capital de Bizâncio.1 É desse nome da cidade que deriva o rótulo “bizantino”, hoje aplicado ao império inteiro.

Quando o Ocidente perdeu seu último imperador, em 476, a Nova Roma continuou de pé. É dela que trata o resto deste artigo.

Justiniano em duas versões

Quase tudo o que se sabe sobre Justiniano — nascido em 483, imperador de 527 a 565, segundo o editor — vem de um só homem, Procópio de Cesareia. O problema é que Procópio escreveu dois retratos que não combinam.9

Nas obras oficiais, o imperador é um construtor guiado por Deus. Ao descrever a igreja de Santa Sofia, dedicada em 537, Procópio elogia os arquitetos Antêmio de Trales e Isidoro de Mileto, fala de uma cúpula que parece “suspensa do céu por uma corrente de ouro” e calcula em quarenta mil libras de prata só o santuário.1 O editor lembra que a dedicação é a Cristo como “Sabedoria Divina” — não a uma santa chamada Sofia.9

A nave de Santa Sofia, litografia de Gaspare Fossati e Louis Haghe, 1852 · Gaspare Fossati (artist, 1809-1883) Louis Haghe (lithographer, 1806-1885) Adam Cuerden (restoration) · 1852
A nave de Santa Sofia em litografia de Gaspare Fossati e Louis Haghe, de 1852, quando o edifício funcionava como mesquita. A cúpula é a que Procópio descreveu treze séculos antes.
A nave de Santa Sofia, litografia de Gaspare Fossati e Louis Haghe, 1852 · 1852 · Wikimedia Commons · Public domain

Na História secreta, o mesmo autor diz o oposto. Justiniano seria mentiroso, cruel, incapaz de ouvir bom conselho; teria mudado leis e cargos só para pôr neles o próprio nome; teria pago chefes hunos para comprar a paz e, com isso, convidado novos ataques; e teria perseguido hereges, samaritanos e pagãos a ponto de esvaziar regiões inteiras.1 O editor do Sourcebook classifica o livro como um ataque maciço ao imperador e a Teodora, tão violento que por muito tempo só circulou traduzido para o latim.9

Para o estudante, a lição é de método: a mesma testemunha pode servir ao poder e atacá-lo, e nenhum dos dois retratos deve ser lido sozinho.

A lei, reunida num só corpo

A obra de Justiniano que mais durou não foi de pedra. No prólogo do Digesto, o imperador ordena ao jurista Triboniano que reúna e corrija o direito acumulado desde a fundação de Roma, que achava “tão confuso” que escapava à capacidade humana. As Institutas, o manual do conjunto, definem a justiça como “a vontade constante de dar a cada um o que é seu” e afirmam que o que o imperador decide tem força de lei, porque o povo lhe transferiu todo o seu poder.3

O editor do Sourcebook explica por que isso importa: foi por essa compilação, o Corpus Iuris Civilis, que o direito romano chegou à Idade Média e ao mundo moderno — e ele aponta o direito de base romana como um dos três grandes sistemas jurídicos ainda em uso, ao lado do direito comum anglo-americano e da sharia.9

532: a cidade contra o imperador

Constantinopla tinha um hipódromo, e o hipódromo tinha torcidas. Os Azuis e os Verdes, diz Procópio, eram facções que se odiavam sem saber por quê, a ponto de romper casamentos e parentescos — “uma doença da alma”. Em janeiro de 532, as duas se uniram contra o governo, libertaram presos e incendiaram a cidade aos gritos de Nika, “vence!”.1

No sexto dia, a multidão proclamou imperador um sobrinho de um antigo soberano, Hipácio. No palácio, discutia-se a fuga por mar. Foi Teodora, a imperatriz, quem a vetou. Procópio põe na boca dela que, para quem já foi soberano, ser fugitivo é insuportável, e que concordava com um ditado antigo: “a realeza é uma boa mortalha”.1

A imperatriz Teodora e seu séquito, mosaico de San Vitale, Ravena · Meister von San Vitale in Ravenna · 547
Teodora com seu séquito, no mosaico de San Vitale que faz par com o de Justiniano. Procópio atribui a ela a frase que decidiu a revolta de Nika — e, na História secreta, alguns dos seus ataques mais violentos.
A imperatriz Teodora e seu séquito, mosaico de San Vitale, Ravena · 547 · Wikimedia Commons · Public domain

A corte decidiu resistir. Os generais Belisário e Mundo entraram no hipódromo por dois lados e atacaram a multidão amontoada. Morreram, segundo Procópio, mais de trinta mil pessoas; Hipácio foi executado no dia seguinte.1

LembrePor que o retrato de Justiniano depende de qual livro de Procópio se lê?

Porque o mesmo autor escreveu obras oficiais — sobre as guerras e as construções —, em que o imperador é guiado por Deus, e uma História secreta, em que ele é mentiroso, cruel e causa da pobreza geral. Nenhuma das duas é neutra. Ler só uma é herdar a intenção dela.

Reconquista, seda e peste

O editor do Sourcebook descreve o reinado como um programa de renovatio — renovação do império — expresso nas obras, na lei e, mais claramente, nas guerras para “reconquistar” o Ocidente.9 A primeira vitória foi na África. Em 534, Belisário voltou com o último rei vândalo, Gelimer, e recebeu um triunfo como não se via havia séculos. Entre os despojos estavam os tesouros que os vândalos tinham tirado de Roma — e, entre eles, os objetos do Templo de Jerusalém. Um judeu advertiu que dava azar guardá-los no palácio, e Justiniano, com medo, mandou-os às igrejas cristãs de Jerusalém. Gelimer, prostrado diante do imperador, repetia: “vaidade das vaidades”.1

Do Oriente veio outra conquista, sem guerra. Por volta de 550, segundo Procópio, monges vindos da Índia ofereceram a Justiniano o segredo da seda, que os romanos compravam dos persas, inimigos. Tinham aprendido a técnica numa região que chamavam Serinda; voltaram lá, trouxeram ovos do bicho-da-seda e ensinaram a criá-los com folhas de amoreira. Assim começou a produção de seda no império.1

E do sul veio a peste. Procópio diz que ela começou entre os egípcios de Pelúsio, espalhou-se por Alexandria e pela Palestina e chegou à capital em 542. Durou quatro meses; no pior momento, os mortos chegaram a cinco mil por dia, depois dez mil e mais. Sem lugar para enterrar, encheram de cadáveres as torres das muralhas.1 São números de cronista, sem registro que os confirme, e devem ser lidos como ordem de grandeza do horror que ele presenciou.

Questão 01múltipla escolha · sem placar
Procópio de Cesareia é a principal fonte sobre o reinado de Justiniano (527-565). Em suas obras oficiais, elogia a construção de Santa Sofia e os triunfos militares; na História secreta, descreve o imperador como mentiroso, cruel e causador da pobreza geral. Para o historiador, essa contradição indica que:
  1. Incorreta. Nada nas fontes lidas sustenta falsificação. O editor do Sourcebook trata a obra como de Procópio — um ataque maciço ao imperador e a Teodora.

  2. Incorreta. Encomenda oficial não garante isenção; ao contrário, é um motivo a mais para cautela. Nenhum dos dois retratos é neutro.

  3. Correta. É a lição de método. As obras oficiais celebram; a História secreta denuncia. Leis, decretos e relatos de estrangeiros ajudam a medir o que cada versão exagera.

  4. Incorreta. Teodora tem papel decisivo em episódios como a revolta de Nika, segundo Procópio, mas as leis, as guerras e as obras são atribuídas ao imperador pelos próprios documentos do reinado.

  5. Incorreta. O próprio Procópio registra a revolta de Nika em 532, com mais de trinta mil mortos, e a peste de 542.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

A guerra das imagens

Entre 726 e 843, segundo o editor do Sourcebook, o império se dividiu sobre uma pergunta: é lícito pintar Cristo e os santos e honrar essas imagens? A ofensiva começou com o imperador Leão III.9 Em 754, um concílio de 338 participantes reunido em Constantinopla condenou a “arte ilícita de pintar seres vivos”: quem pinta Cristo, dizia o texto, ou separa nele o humano do divino, ou pretende retratar a própria divindade.5

O defensor mais conhecido dos ícones escrevia de fora do império. João Damasceno vivia sob governo muçulmano, observa o editor — e por isso podia escrever livremente.9 Seu argumento separava duas coisas: a adoração, devida só a Deus, e a veneração, que se pode prestar a pessoas e objetos santos. E apoiava tudo na encarnação: se Deus se fez visível em carne, pode ser representado. “Não adoro a matéria; adoro o Deus da matéria, que se fez matéria por mim.”4

Em 787, sob a imperatriz Irene, o II Concílio de Niceia restaurou as imagens com a mesma distinção: o ícone recebe honra, não a adoração devida a Deus, e “a honra prestada à imagem passa para aquilo que ela representa”.5 Houve um segundo período iconoclasta, e a restauração definitiva veio em 843, com outra imperatriz Teodora.9

Saltério Chludov, segunda metade do século IX · unknown Byzantinian · middle of the 9th Century
Página do Saltério Chludov, da segunda metade do século IX, já depois da restauração de 843. Embaixo, um iconoclasta apaga com uma esponja na ponta de uma vara a imagem de Cristo — e o pintor põe a cena ao lado da crucificação, onde a esponja também aparece.
Saltério Chludov, segunda metade do século IX · 0 · Wikimedia Commons · Public domain

O império visto de fora

Bizâncio não era um mundo fechado, e três olhares estrangeiros mostram isso.

Os anais chineses. A Nova história dos Tang, do século XI, registra que em 643 o rei de Fu-lin — nome que o tradutor F. Hirth identifica com o império de Constantinopla — mandou uma embaixada à corte chinesa com vidro vermelho e pedras preciosas, e recebeu de volta sedas. O texto descreve uma capital de muralhas de granito, um palácio com um relógio em forma de homem de ouro que deixava cair uma bola a cada hora, e informa que os árabes cercaram a capital e impuseram tributo e sujeição.8 Mistura informação e lenda, como toda descrição de terra distante, mas mostra que as duas pontas da Eurásia trocavam embaixadas.

O diplomata árabe. Segundo a introdução do editor, no fim do século X os Estados mais poderosos da Eurásia ocidental eram Bizâncio e o califado abássida, e os dois trocavam embaixadas o tempo todo. Um enviado de Bagdá à corte de Basílio II deixou o relato de uma negociação minuciosa, cláusula por cláusula, sobre fortalezas, impostos e um pretendente ao trono bizantino refugiado entre os árabes.79

O bispo latino. Liutprando foi a Constantinopla em 968 pedir uma princesa para o filho de Oto. Passou 120 dias vigiado numa casa sem água, ouviu que uma princesa “nascida na púrpura” não se casava com estrangeiros e viu o enviado dos búlgaros sentado acima dele à mesa do imperador. Respondeu como pôde: disse que lombardos, saxões e francos não conheciam insulto pior do que chamar alguém de “romano”, palavra que para eles resumia covardia, avareza e mentira.6 O desprezo era mútuo, e é ele que ajuda a entender a distância que crescia entre o Ocidente latino e a Roma grega.

Questão 02múltipla escolha · sem placar
No século X, um bispo enviado por Oto I a Constantinopla ouviu da corte imperial que os ocidentais “não eram romanos, mas lombardos”. Na mesma época, a corte recebia regularmente embaixadas do califado abássida, e anais chineses registram embaixadas de “Fu-lin” desde o século VII. Esses registros permitem afirmar que o Império Bizantino:
  1. Correta. É o que os três registros mostram juntos: a corte reivindicava para si o nome de romanos e negociava com Bagdá e com a China.

  2. Incorreta. Ocorria o contrário: a corte chamou o soberano de Oto de “rei”, não de imperador, e tratou o enviado dele como inferior ao dos búlgaros.

  3. Incorreta. Os relatos mostram negociações minuciosas com os abássidas e embaixadas à corte chinesa.

  4. Incorreta. Os documentos chamam os súditos de “romanos”. Constantino batizou a cidade de Nova Roma, e a corte de 968 negava aos ocidentais justamente o nome de romanos.

  5. Incorreta. O relato chinês fala em cerco, tributo e sujeição, mas não em ocupação da cidade. A corte imperial seguia em Constantinopla no século X, como mostram o bispo latino e o diplomata árabe.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Pontos sensíveis deste artigo
  • A base é documental, não historiográfica — o artigo usa documentos de época e introduções do editor do Sourcebook. Cada autor tinha lado: Sozomeno escreve como cristão, Procópio escreve tanto a favor quanto contra o imperador, Liutprando escreve furioso com a recepção que teve.
  • “Bizantino” não é como eles se chamavam — nos documentos, os súditos do império são “romanos”, e a cidade de Constantino é a “Nova Roma”. Em 968, a corte negou esse nome aos ocidentais.
  • Números de Procópio são de cronista — os mais de trinta mil mortos de Nika e os dez mil mortos por dia da peste de 542 vêm de um único autor, sem registro independente. Indicam escala, não contagem.
  • Iconoclastia não era desprezo pela arte — os dois lados discutiam teologia: para os iconoclastas, retratar Cristo deformava a doutrina da encarnação; para os defensores, a encarnação era justamente o que autorizava o retrato.
  • O império se relacionava com a Ásia — a seda chegou por monges vindos da Índia; os anais chineses registram embaixadas de Fu-lin; o califado abássida negociava com a corte de igual para igual.
  • O cisma de 1054 fica de fora — os únicos documentos do Sourcebook sobre ele estão em tradução protegida por direito autoral e não foram usados. O artigo não o narra.
Onde este artigo para
Este texto vai da fundação de Constantinopla ao século X. Não trata do cisma de 1054 entre as Igrejas de Roma e de Constantinopla, nem da conversão dos eslavos e da Rus: os documentos disponíveis sobre esses temas estão em traduções protegidas e não foram usados. Também não se tratam o “fogo grego”, as reformas militares por províncias nem a economia do império, sobre os quais nenhum documento foi lido. As conquistas árabes, as Cruzadas e a tomada de 1453 têm artigos próprios.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 11evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

De 324 ao século X

324Constantinofunda a“Nova Roma”527Justinianoassume otrono532Revolta deNika; maisde 30 milmortos534Belisáriovolta daÁfrica com orei vândalo537Santa Sofiaé dedicada542A pestechega aConstantinopla726-843A disputadas imagens968Liutprando:“vocês nãosão romanos”Seis séculos em oito marcos. Só aparecem as datas que os documentos ou as notas do editor fornecem.
Os dois marcos em destaque abrem os dois grandes blocos do artigo: o reinado de Justiniano e a disputa das imagens. O último lembra que, quatro séculos depois, Constantinopla ainda se dizia Roma.

Um imperador, dois Procópios

Procópio oficialSanta Sofia: beleza indescritívelArquitetos escolhidos com sabedoriaTriunfo à moda antiga para BelisárioOuro e prata sem conta na igrejaDeus favorece o imperadorProcópio secretoMentiroso, cruel e dissimuladoMudou tudo só para pôr o próprio nomeComprava a paz dos hunos e a perdiaPerseguiu hereges, samaritanos e pagãosCausa da pobreza geral
As duas colunas foram escritas pelo mesmo homem. A da esquerda celebra; a da direita acusa. Nenhuma basta sozinha.

Mapa mental do assunto

Bizâncio324 ao século XA cidadeNova Roma, com Senado próprioHipódromo, Azuis e VerdesSanta Sofia, dedicada em 537JustinianoLei romana reunida no CorpusColono preso à terraÁfrica retomada; peste de 542As imagensIconoclastas: o ícone é ídoloDamasceno: venero, não adoroNiceia II restaura os íconesErros que a prova cobraAchar que se diziam bizantinosLer Procópio numa versão sóVer o império isolado do mundo
O ramo destacado reúne os atalhos mais caros. Os três nascem de olhar Bizâncio a partir do Ocidente latino.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
324Constantino funda Constantinopla, a “Nova Roma”, com Senado próprio
Nomeos súditos se diziam romanos; “bizantino” vem do nome antigo da cidade
Justinianonasce em 483; reina de 527 a 565
Procópioobras oficiais elogiosas e uma História secreta hostil
Santa Sofiadedicada em 537; arquitetos Antêmio de Trales e Isidoro de Mileto
Corpus Iuris CivilisDigesto e Institutas; o direito romano reunido e transmitido
Justiça, nas Institutasdar a cada um o que é seu
Colonospresos à terra e ao senhor do domínio, também na Palestina
Nika, 532Azuis e Verdes contra o governo; mais de 30 mil mortos
Teodoraveta a fuga: “a realeza é uma boa mortalha”
534Belisário triunfa sobre os vândalos; Gelimer diante do imperador
Sedamonges vindos da Índia trazem ovos do bicho-da-seda, c. 550
Peste, 542vinda do Egito; até 10 mil mortos por dia, segundo Procópio
Iconoclastia726-843; Leão III; concílio de 754 condena as imagens
Damascenoadoração só a Deus, veneração às imagens; escreve sob governo muçulmano
Niceia II, 787sob Irene, restaura as imagens; restauração final em 843
Chinaembaixada de Fu-lin em 643, registrada nos anais Tang
Abássidasembaixadas constantes; negociação detalhada na corte de Basílio II
968Liutprando humilhado; a corte nega aos ocidentais o nome de romanos
Cada linha responde a uma pergunta que a prova costuma fazer sobre o Império do Oriente. As citações estão no corpo do artigo.

Fontes

  1. PROCÓPIO DE CESAREIA. History of the Wars (revolta de Nika, livro I; peste, livro II; triunfo sobre os vândalos, livro IV), trad. H. B. Dewing; De Aedificiis (Santa Sofia), trad. W. Lethaby e H. Swainson, 1894; Secret History, trad. Richard Atwater, 1927; trecho sobre a seda. Internet Medieval Sourcebook. Fonte principal sobre Justiniano.
  2. SOZOMENO. História eclesiástica, II, 3 (fundação de Constantinopla). In: DAVIS, W. S. (ed.). Readings in Ancient History, 1912-13. Internet Ancient History Sourcebook.
  3. Corpus Iuris Civilis: prólogo do Digesto (ed. C. H. Monro, 1904) e Institutas (trad. J. B. Moyle, 1896); Código de Justiniano, XI, 51, 1. Internet Medieval Sourcebook.
  4. JOÃO DAMASCENO. Sobre as imagens sagradas, c. 730. Trad. Mary H. Allies, 1898. Internet Medieval Sourcebook.
  5. Concílio iconoclasta de Constantinopla, 754, e Decreto do II Concílio de Niceia, 787. Trad. H. R. Percival, Nicene and Post-Nicene Fathers, 2ª série, vol. XIV. Internet Medieval Sourcebook.
  6. LIUTPRANDO DE CREMONA. Relatório da missão a Constantinopla, 968. In: HENDERSON, E. F. Select Historical Documents of the Middle Ages, 1910. Internet Medieval Sourcebook.
  7. Um embaixador árabe em Constantinopla, fim do século X. Trad. H. Amedroz. Internet Medieval Sourcebook.
  8. Relatos chineses sobre Roma, Bizâncio e o Oriente Médio. In: HIRTH, F. China and the Roman Orient. Xangai e Hong Kong, 1885. Internet East Asian History Sourcebook.
  9. HALSALL, Paul (ed.). Internet Medieval Sourcebook: Byzantium. Fordham University. Introduções e datas do editor.