História Verso
História Geral · Idade Contemporânea

Primeira Guerra Mundial

Começou com dois tiros em Sarajevo e terminou com um tratado que entregava ao Japão direitos numa província chinesa. Entre uma coisa e outra, alianças negociadas com mapas da África e da Ásia, trincheiras de lama e três promessas diferentes para a mesma terra.

191414 min de leitura16 fontes
O atentado de Sarajevo na capa da Domenica del Corriere, 12 de julho de 1914 · Achille Beltrame · 1914-07-12
O atentado de Sarajevo na capa da Domenica del Corriere, semanário italiano, em 12 de julho de 1914: o atirador dispara contra o carro do arquiduque Francisco Ferdinando. Duas semanas depois do crime, ninguém nessa capa sabia ainda que ele abriria uma guerra mundial.
O atentado de Sarajevo na capa da Domenica del Corriere, 12 de julho de 1914 · 1914 · Wikimedia Commons · Public domain
Pergunta orientadora

O artigo 156 do Tratado de Versalhes, de 1919, transferia ao Japão os direitos que a Alemanha tinha numa província da China. O que uma guerra começada nos Bálcãs tinha a ver com a China?

Tudo, se a guerra for lida pelos papéis que a produziram. Os tratados de aliança dos anos anteriores foram negociados com mapas da África e da Ásia sobre a mesa; a guerra recrutou soldados nas colônias; e a paz redistribuiu colônias como parte do pagamento. A Europa foi o campo de batalha principal, mas não o único assunto.

De onde vem este artigo
Este texto foi construído sobre documentos de época — tratados, cartas diplomáticas, um diário de soldado, um poema, um panfleto escrito na prisão, memórias — e sobre as notas de editor do Internet History Sourcebooks Project, da Universidade Fordham, com complementos do Avalon Project (Yale) e do Project Gutenberg. Não se apoia em obra de síntese historiográfica e é, por isso, mais provisório que um artigo que se apoie. Por esse mesmo motivo, ele não traz número de mortos: nenhum dos documentos lidos dá esse total.

Antes do tiro: alianças feitas sobre mapas alheios

Em outubro de 1879, Áustria-Hungria e Alemanha assinaram em Viena um tratado secreto: se uma das duas fosse atacada pela Rússia, a outra entraria na guerra com toda a sua força, e só fariam a paz juntas.1 É a peça mais antiga do sistema de alianças, e ela já tem nome de inimigo.

Do outro lado, os acordos que aproximaram França, Grã-Bretanha e Rússia quase não falam da Europa. A Entente Cordiale, de abril de 1904, tinha título oficial de declaração “a respeito do Egito e do Marrocos”: a Grã-Bretanha deixava a França agir no Marrocos, a França deixava a Grã-Bretanha agir no Egito, e as duas garantiam a passagem pelo canal de Suez.2 O acordo anglo-russo de 1907 fez o mesmo com a Pérsia: traçou duas linhas no mapa do país, reservou o norte às concessões russas e o sudeste às britânicas — tudo depois de declarar respeito à “integridade e independência” persas.3

Em 1911, o Marrocos quase levou à guerra. O editor do Sourcebook, numa nota ao panfleto de Rosa Luxemburgo, resume a crise: a Alemanha mandou uma canhoneira, a Panther, ao porto de Agadir para contestar o protetorado francês, e acabou aceitando-o em troca de uma faixa da África Equatorial Francesa.9 Os povos do Marrocos, do Egito e da Pérsia não assinaram nenhum desses papéis.

O pavio: de Sarajevo ao tratado secreto de 2 de agosto

O jornalista americano Frederic Wile, que estava na Alemanha naquele verão, registrou a data em livro publicado em 1916: o 28 de junho de 1914, domingo em que o arquiduque Francisco Ferdinando, da Áustria-Hungria, foi morto em Sarajevo.4

Guilherme II, o imperador alemão, conta nas memórias que soube do assassinato do “amigo”, desistiu da regata de Kiel, acabou viajando para a Noruega a conselho do chanceler e que leu nos jornais noruegueses a notícia do ultimato da Áustria à Sérvia. No mesmo livro, publicado depois da derrota, ele afirma que a Sérvia havia “encenado” o crime e que a guerra fora preparada sistematicamente, durante dezessete anos, pelos países da Entente.5 É a defesa de um réu, e deve ser lida como tal — mas mostra que a disputa sobre a culpa começou nos próprios documentos.

Como a crise austro-sérvia virou guerra geral aparece num papel de 2 de agosto de 1914, assinado em Constantinopla. Nele, a Alemanha e o Império Otomano prometem neutralidade no “conflito entre a Áustria-Hungria e a Sérvia”, mas combinam que, se a Rússia interviesse e obrigasse a Alemanha a socorrer a aliada, a obrigação valeria também para os turcos. A missão militar alemã ganharia “influência efetiva” sobre o exército otomano, e o tratado deveria ficar secreto.6 Cada aliança puxava a seguinte.

LembrePor que um conflito entre Áustria-Hungria e Sérvia podia envolver Alemanha, Rússia e Império Otomano?

Porque as alianças eram automáticas e encadeadas. A Dupla Aliança de 1879 obrigava a Alemanha a lutar se a Rússia atacasse a Áustria-Hungria; o tratado secreto de 2 de agosto de 1914 estendia a mesma obrigação aos otomanos caso a Rússia interviesse. Um conflito regional acionava, em sequência, compromissos assumidos anos antes.

Na trincheira

A guerra que o Estado-Maior alemão imaginava era rápida. O editor do Sourcebook lembra que o plano Schlieffen previa seis semanas para vencer no Ocidente e foi abandonado em outubro de 1914, quando a guerra de movimento virou guerra de trincheiras.9

O soldado canadense Donald Fraser anotou no diário, em setembro de 1915, como era viver ali. A faixa entre as linhas inimigas, a terra de ninguém, tinha em média de 150 a 250 jardas e em alguns pontos encolhia para 35. Os abrigos eram pequenos, úmidos, frios e cheios de ratos. Ao nascer e ao pôr do sol todos ficavam de prontidão, porque eram as horas preferidas para o ataque. Com chuva, o fundo da trincheira virava lama líquida, e a pá não dava conta. Para Fraser, não era de admirar que a permanência média de um homem na trincheira fosse de poucos meses.7

Bosque de Château, perto de Ypres, 29 de outubro de 1917, fotografia de Frank Hurley · Frank Hurley · 1917-10-29
Bosque de Château, perto de Ypres, em outubro de 1917: artilheiros australianos sobre passarelas de madeira, entre troncos sem copa. Fraser descreve as mesmas tábuas postas sobre a lama — e os soldados que caíam ao pisar na ponta, no escuro.
Bosque de Château, perto de Ypres, 29 de outubro de 1917, fotografia de Frank Hurley · 1917 · Wikimedia Commons · Public domain

O poeta Wilfred Owen (1893–1918) escreveu sobre um ataque com gás visto de perto: um homem que não conseguiu ajustar o capacete antigás a tempo, jogado numa carroça, sufocando. O poema termina devolvendo ao leitor um verso latino que se repetia às crianças sedentas de glória — dulce et decorum est pro patria mori, “é doce e honroso morrer pela pátria” — e o chamando de “a velha mentira”.8 As datas que o Sourcebook dá para Owen dizem o resto: ele morreu em 1918.

Na retaguarda: o voto de 4 de agosto

Muitos socialistas acreditavam que o movimento operário organizado seria capaz de barrar a guerra. Segundo o editor do Sourcebook, a votação dos créditos de guerra em agosto de 1914 desmentiu isso: os principais partidos social-democratas da Alemanha, da França e da Inglaterra correram para defender as respectivas pátrias.9 Na Alemanha, os partidos do Reichstag votaram os créditos e declararam uma trégua política, a Burgfrieden, suspendendo eleições até o fim da guerra; os generais que comandavam os distritos militares podiam suspender direitos civis e censurar a imprensa.

Rosa Luxemburgo (1871–1919), da ala esquerda da social-democracia alemã, escreveu da prisão, em 1916, um panfleto assinado “Junius” que trata o 4 de agosto como uma queda. Para ela, a guerra era uma disputa entre capitalismos maduros pela exploração das regiões do mundo ainda não capitalistas — e a violência que a Europa exportava tinha voltado para casa. Na frase dela: “pela primeira vez, as feras que a Europa capitalista soltou sobre todos os cantos do globo irromperam dentro da própria Europa”.9 No mesmo trecho, ela lembra que o “mundo civilizado” assistira calado à destruição dos hererós no deserto do Kalahari — a guerra colonial alemã no sudoeste da África, de 1903 a 1907, segundo a nota do editor.

O controle da opinião não foi exclusivo dos impérios. Nos Estados Unidos, a emenda de maio de 1918 à Lei de Espionagem punia com até vinte anos de prisão quem, em tempo de guerra, publicasse linguagem “desleal” ou ofensiva sobre o governo, a Constituição, as forças armadas ou a bandeira, ou defendesse a redução da produção bélica.10

Granadeiros da infantaria indiana em Saint-Floris, França, 23 de julho de 1915 · H. D. Girdwood · 23 July 1915
Granadeiros da infantaria indiana em Saint-Floris, na França, em julho de 1915. O Sourcebook de história indiana registra a proclamação de Vitória como imperatriz da Índia em 1877: estes homens lutavam na Europa por um império que governava o país deles.
Granadeiros da infantaria indiana em Saint-Floris, França, 23 de julho de 1915 · 1915 · Wikimedia Commons · Public domain
Questão 01múltipla escolha · sem placar
Em 1916, Rosa Luxemburgo escreveu que, pela primeira vez, as feras que a Europa capitalista soltara sobre o globo haviam irrompido dentro da própria Europa, e lembrou a destruição dos hererós no sudoeste da África. A relação que a autora estabelece é a de que:
  1. Incorreta. É o oposto do argumento: para Luxemburgo, a guerra era a continuação, dentro da Europa, da violência que as potências já praticavam nas colônias.

  2. Correta. É a tese do panfleto Junius: a guerra é imperialista, uma disputa pela exploração do mundo não capitalista, e o massacre que a Europa tolerou na África agora acontecia em seu território.

  3. Incorreta. Luxemburgo condena o voto dos créditos em 4 de agosto de 1914 e trata a decisão dos social-democratas como uma queda, não como defesa da civilização.

  4. Incorreta. Ela usa o caso dos hererós para mostrar a indiferença do “mundo civilizado”, não como causa imediata da guerra. O estopim imediato foi a crise aberta pelo atentado de Sarajevo.

  5. Incorreta. Luxemburgo não trata o colonialismo como missão civilizadora; descreve-o como violência e exploração. E nada no texto fala de apoio africano à guerra.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Três promessas para a mesma terra

Para derrotar o Império Otomano, a Grã-Bretanha assinou papéis que precisam ser lidos lado a lado.

Em 24 de outubro de 1915, Henry McMahon, alto-comissário britânico no Egito, escreveu ao xerife de Meca que a Grã-Bretanha estava pronta a reconhecer e apoiar a independência dos árabes nas regiões pedidas por ele — ressalvadas as áreas em que precisava respeitar os interesses da aliada França, e com “arranjos administrativos especiais” para Bagdá e Basra. Os árabes, em troca, aceitariam conselheiros só britânicos.11

Em 1916, o acordo Sykes-Picot, entre Grã-Bretanha e França, dividiu a mesma região em zonas. Na azul, a França poderia estabelecer a administração que quisesse; na vermelha, a Grã-Bretanha. Nas zonas A e B haveria um Estado árabe, mas com prioridade econômica e conselheiros franceses numa e britânicos noutra. Uma zona marrom ficaria sob administração internacional. O texto prevê ainda informar a Rússia, considerar as pretensões da Itália e avisar o Japão.12

O mapa do acordo Sykes-Picot, assinado em 8 de maio de 1916 · Royal Geographical Society (Map), Mark Sykes & François Georges-Picot (Annotations) · 2011-10-07
O mapa do acordo, assinado por Mark Sykes e François Georges-Picot em 8 de maio de 1916. As cores do lápis são as mesmas do texto: azul francês, vermelho britânico, A e B para o Estado árabe tutelado, e a área em torno da Palestina reservada a uma administração internacional.
O mapa do acordo Sykes-Picot, assinado em 8 de maio de 1916 · 2011 · Wikimedia Commons · Public domain

Em 2 de novembro de 1917, o secretário do Exterior Arthur Balfour comunicou a Lord Rothschild que o governo britânico via com simpatia a criação na Palestina de um “lar nacional para o povo judeu”, ressalvando que nada deveria prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judias já existentes ali.13 O editor do Sourcebook observa que a carta visava obter o apoio judeu aos Aliados.

A paz dos vencedores

Em 8 de janeiro de 1918, o presidente americano Woodrow Wilson apresentou, num discurso, os Quatorze Pontos. Os primeiros falam de método: acordos de paz feitos às claras, sem entendimentos secretos; liberdade dos mares; redução dos armamentos de todos. O quinto pede um ajuste “imparcial” das questões coloniais, em que os interesses das populações tivessem peso igual ao dos governos. O último propõe uma associação geral de nações.14

O tratado apresentado à Alemanha em 28 de junho de 1919, em Versalhes, guardou parte disso e inverteu outra. Pelo artigo 231, a Alemanha aceitava a responsabilidade, sua e de seus aliados, por todas as perdas causadas por uma guerra imposta “pela agressão da Alemanha e de seus aliados”; pelo 232, pagaria os danos à população civil dos vencedores. O exército alemão ficaria limitado a 100 mil homens; a margem esquerda do Reno, sem fortificações; as minas do Sarre, entregues à França; a Alsácia-Lorena, devolvida à França a partir do armistício de 11 de novembro de 1918.15

E há os artigos que respondem à pergunta do começo. Pelo 119, a Alemanha renunciava a todas as suas possessões ultramarinas em favor dos vencedores. Pelo 156, passava ao Japão os direitos obtidos da China em 1898 na província de Shantung — e não à China. E pelo 22, comunidades do antigo Império Turco seriam reconhecidas como nações “provisoriamente”, sob a tutela de um “mandatário” — uma potência ocidental, esclarece o editor — até poderem “ficar de pé sozinhas”.15

Questão 02múltipla escolha · sem placar
O quinto dos Quatorze Pontos de Wilson (1918) defendia que, nas questões coloniais, os interesses das populações tivessem peso igual ao dos governos. O Tratado de Versalhes (1919), no entanto, transferiu as possessões ultramarinas alemãs aos vencedores e, no artigo 156, passou ao Japão os direitos alemães na província chinesa de Shantung. A comparação permite afirmar que:
  1. Incorreta. O artigo 156 transfere os direitos alemães em Shantung ao Japão, e não à China.

  2. Incorreta. O tratado menciona a Liga das Nações: pelo artigo 49, por exemplo, o governo do Sarre passa à Liga como curadora. Parte do programa de Wilson entrou; outra parte não.

  3. Incorreta. Nada nos artigos citados pune a China. O artigo 156 trata de direitos que a Alemanha havia obtido dos chineses e os transfere ao Japão, não à China.

  4. Correta. É o contraste entre os dois documentos: as colônias alemãs foram para os vencedores, Shantung foi para o Japão e os antigos territórios turcos ficaram sob mandato de potências ocidentais.

  5. Incorreta. O artigo 22 reconhece essas comunidades apenas provisoriamente e as põe sob a tutela de um mandatário até que possam “ficar de pé sozinhas”.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Pontos sensíveis deste artigo
  • Base documental, não historiográfica — o artigo foi escrito a partir de documentos de época e de notas de editor. Mostra o que governos, soldados e militantes escreveram, não o balanço dos historiadores sobre causas e consequências.
  • Nenhum número de mortos — nenhum dos documentos lidos traz total de baixas. Em vez de repetir uma cifra de memória, o artigo deixa a lacuna declarada.
  • A culpa está em disputa desde 1919 — o artigo 231 atribui a responsabilidade à Alemanha e a seus aliados; Guilherme II, nas memórias, culpa a Sérvia e a Entente. Os dois textos são parte interessada.
  • Uma testemunha não neutra — Frederic Wile, que fornece a data do atentado, escrevia em 1916 um livro hostil à Alemanha. A data não depende da opinião dele, mas o tom sim.
  • As três promessas não são equivalentes — a carta de McMahon, o acordo Sykes-Picot e a carta de Balfour têm naturezas diferentes — correspondência, tratado secreto entre potências, declaração de simpatia. O artigo os põe lado a lado sem afirmar que um anula o outro.
  • Mandato não é independência — o artigo 22 de Versalhes reconhece as comunidades do antigo Império Turco apenas provisoriamente, sob tutela de um mandatário.
Onde este artigo para
Ficam de fora, por falta de documento entre os lidos: as batalhas (Marne, Verdun, Somme, Galípoli), a data e os motivos detalhados da entrada dos Estados Unidos, o trabalho feminino nas fábricas, a gripe de 1918 e o número de vítimas. Também não se trata do genocídio armênio, que é parte da guerra no Império Otomano e exige fonte própria — não foi encontrado documento sobre ele na seção usada, e o tema não entra de memória. A saída da Rússia e o tratado de Brest-Litovsk são do artigo sobre a Revolução Russa.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 10evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

Quarenta anos de papéis, de Viena a Versalhes

1879DuplaAliança,secreta,contra aRússia1904EntenteCordiale:Egito eMarrocos1907Rússia eGrã-Bretanhadividem aPérsia28/6/1914Atentado deSarajevo4/8/1914Socialistasalemãesvotam oscréditos1915–17McMahon,Sykes-Picote Balfour8/1/1918Os QuatorzePontos deWilson11/11/1918Armistício28/6/1919Tratado deVersalhesDatas tiradas dos próprios documentos. Os três marcos em destaque são os que costumam virar questão: o atentado, o primeiro ano de guerra decidido no voto dos parlamentos e o tratado que encerrou o conflito com a Alemanha.
Os três primeiros marcos são anteriores ao atentado em até 35 anos. A guerra começou em 1914, mas os compromissos que a espalharam foram assinados muito antes.

O programa e o tratado

O que Wilson propôs (jan. 1918)Acordos abertos, sem diplomacia secretaArmamentos reduzidos por todosColônias: interesse da população pesa igualLiga das Nações para grandes e pequenosPolônia independente com saída ao marO que Versalhes fez (jun. 1919)Responsabilidade pela guerra só da AlemanhaExército alemão limitado a 100 mil homensColônias alemãs entregues aos vencedoresDireitos alemães na China passados ao JapãoEx-territórios turcos sob mandato
A coluna em destaque não é o oposto da outra em tudo: a Liga das Nações e a Polônia entraram na paz. O que mudou foi quem pagou e quem ficou com as colônias.

Mapa mental do assunto

Primeira Guerra1914–1918, lida em documentosAntes do tiroAlianças secretas (1879)Acordos sobre Egito, Marrocos, PérsiaCrise de Agadir (1911)O pavioSarajevo, 28 de junho de 1914Ultimato austríaco à SérviaTratado secreto Alemanha–TurquiaDuas frentesTrincheira: lama, ratos, gásRetaguarda: créditos votados, censuraLuxemburgo: guerra imperialistaA paz e as promessasÁrabes, França-Grã-Bretanha, sionistasVersalhes: artigo 231 e reparaçõesMandatos e Shantung: o mundo fora da Europa
O ramo destacado é o que mais aparece em questões recentes: a paz e as promessas fora da Europa. É também o que o ensino tradicional costuma abreviar.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
Dupla Aliança (1879)Áustria-Hungria e Alemanha, secreta, contra ataque russo
Entente Cordiale (1904)França e Grã-Bretanha trocam liberdade de ação no Marrocos e no Egito
Acordo anglo-russo (1907)Pérsia dividida em zonas de concessão
Agadir (1911)Alemanha aceita protetorado francês no Marrocos em troca de faixa da África Equatorial
AtentadoSarajevo, 28 de junho de 1914; morto o arquiduque Francisco Ferdinando
Alemanha–Turquiatratado secreto de 2 de agosto de 1914, acionado por intervenção russa
Plano alemãovitória no Ocidente em seis semanas; abandonado em outubro de 1914
Trincheiraterra de ninguém de 150 a 250 jardas; lama, ratos, prontidão no amanhecer e no anoitecer (Fraser)
Retaguardacréditos de guerra votados em agosto de 1914; Burgfrieden; censura
OposiçãoRosa Luxemburgo, Panfleto Junius (1916): guerra imperialista
EUALei de Espionagem (1918): até 20 anos de prisão por linguagem “desleal”
Oriente MédioMcMahon (1915), Sykes-Picot (1916), Balfour (1917)
Quatorze Pontosdiplomacia aberta, desarmamento geral, questão colonial, Liga das Nações
Versalhesart. 231 culpa; exército de 100 mil; Alsácia-Lorena à França; colônias aos vencedores; Shantung ao Japão; mandatos
Cada linha remete a um documento lido. As citações completas estão no corpo do artigo.

Fontes

  1. Dupla Aliança entre Áustria-Hungria e Alemanha, Viena, 7 de outubro de 1879. Avalon Project, Yale Law School. avalon.law.yale.edu/19th_century/dualalli.asp
  2. Entente Cordiale: declaração franco-britânica sobre o Egito e o Marrocos, 8 de abril de 1904. Avalon Project. avalon.law.yale.edu/20th_century/entecord.asp
  3. Entente anglo-russa: acordo sobre a Pérsia, 1907. Avalon Project. avalon.law.yale.edu/20th_century/angrusen.asp
  4. WILE, Frederic William. The Assault: Germany Before the Outbreak and England in War-Time (1916). Project Gutenberg, ebook 41252.
  5. GUILHERME II. The Kaiser’s Memoirs, trad. inglesa de T. R. Ybarra (1922), cap. 10. Project Gutenberg, ebook 43522.
  6. Tratado de aliança entre a Alemanha e a Turquia, Constantinopla, 2 de agosto de 1914. Avalon Project. avalon.law.yale.edu/20th_century/turkgerm.asp
  7. FRASER, Donald. Diário, setembro de 1915, em R. H. Roy (ed.), The Journal of Private Fraser (1985), cópia permitida. Internet Modern History Sourcebook, Fordham University. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1918Fraser.asp
  8. OWEN, Wilfred. “Dulce et Decorum Est”, em World War I Poetry. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1914warpoets.asp
  9. LUXEMBURGO, Rosa. “A crise da social-democracia” (Panfleto Junius, 1916), trad. inglesa de Richard S. Levy, com notas do editor. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1916luxemburg-junius.asp
  10. ESTADOS UNIDOS. Lei de Espionagem, emenda de 16 de maio de 1918. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1916espionageact.asp
  11. McMAHON, Henry. Carta ao xerife de Meca, 24 de outubro de 1915. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1915mcmahon.asp
  12. Acordo Sykes-Picot, 1916. Avalon Project. avalon.law.yale.edu/20th_century/sykes.asp
  13. BALFOUR, Arthur James. Carta a Lord Rothschild, 2 de novembro de 1917. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/balfour.asp
  14. WILSON, Woodrow. Discurso dos Quatorze Pontos, 8 de janeiro de 1918. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1918wilson.asp
  15. Tratado de Versalhes, 28 de junho de 1919, excertos. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1919versailles.asp
  16. HALSALL, Paul (ed.). Internet Modern History Sourcebook, seção “World War I”, e Internet Indian History Sourcebook, seção “British Rule”. Fordham University. Fonte das notas de editor citadas.