História Verso
História Geral · Idade Contemporânea

A Revolução Russa

Em março de 1917, uma ordem de sete itens mandou os soldados de Petrogrado elegerem comitês e não entregarem as armas aos oficiais. Em novembro, o poder mudou de mãos em uma noite. A revolução lida pelos papéis de quem a fez, de quem a assistiu e de quem a herdou.

191715 min de leitura11 fontes
Soldados em manifestação em Petrogrado, fevereiro de 1917 · Unknown author Unknown author · 1917-02
Soldados em manifestação nas ruas de Petrogrado, em fevereiro de 1917. A faixa da esquerda saúda “os camaradas nas trincheiras”. Quando a tropa marcha junto com quem protesta, o regime perde o último instrumento que tinha.
Soldados em manifestação em Petrogrado, fevereiro de 1917 · 1917 · Wikimedia Commons · Public domain
Pergunta orientadora

Em março de 1917, o Soviete de Petrogrado mandou que as armas dos quartéis ficassem com comitês eleitos pelos soldados e não fossem entregues aos oficiais. Por que essa ordem importava mais do que qualquer decreto do novo governo?

Porque, numa revolução, a pergunta decisiva costuma ser simples: a quem o soldado obedece? A Revolução Russa pode ser lida como três respostas sucessivas a uma pergunta parecida — quem manda no quartel, quem manda no Estado e quem manda no partido. É essa a ordem deste artigo.

De onde vem este artigo
Este texto foi construído sobre documentos de época — escritos de Lênin e de Stálin, uma ordem militar, telegramas de um embaixador, um tratado de paz — e sobre as notas de editor do Internet History Sourcebooks Project, da Universidade Fordham, com complemento do Avalon Project (Yale). Não se apoia em obra de síntese historiográfica e é, por isso, mais provisório que um artigo que se apoie. Onde a nota do editor tem erro evidente, o artigo diz.

O império antes de 1917

O roteiro de revisão do editor do Sourcebook descreve a Rússia tsarista com poucas palavras: um governo autocrático, uma população de maioria camponesa, e camponeses que em sua maioria foram servos até 1861. Libertos, foram obrigados a viver no mir, uma comunidade de posse coletiva da terra. Entre 1860 e 1900, a população teria passado de 50 para 100 milhões, e o país conheceu uma industrialização muito rápida sob o ministro Serguei Witte.1

A oposição se dividiu em vários partidos, e um deles se dividiu outra vez. Em Que fazer?, de 1902, Lênin sustenta que os operários, sozinhos, chegam só à consciência sindical — lutar por salário e por leis trabalhistas — e que a revolução exige uma organização pequena, centralizada e o mais secreta possível, de revolucionários profissionais.2 O editor observa que se pode ver nessa proposta uma compreensão profunda do que uma revolução exige, ou um desprezo profundo pela classe operária. Em 1903, segundo a mesma nota, o partido social-democrata rachou entre bolcheviques (“maioria”) e mencheviques (“minoria”).1

O Domingo Sangrento diante do Palácio de Inverno, 1905, segundo o pintor Ivan Vladimirov · Ivan Vladimirov · before 1947
O Domingo Sangrento de 1905, pintado por Ivan Vladimirov: a tropa em linha atira contra a multidão diante do Palácio de Inverno. O episódio antecipa 1917, com uma diferença decisiva: o lado em que os soldados estavam.
O Domingo Sangrento diante do Palácio de Inverno, 1905, segundo o pintor Ivan Vladimirov · 1947 · Wikimedia Commons · Public domain

Em janeiro de 1905, uma marcha liderada pelo padre Gapon foi ao Palácio de Inverno. A revolução que se seguiu criou os primeiros sovietes, conselhos de trabalhadores, e o tsar Nicolau II respondeu com o Manifesto de Outubro, que concedia uma Duma, um parlamento, e algumas liberdades civis.1 Outra nota do Sourcebook, ao panfleto de Rosa Luxemburgo, completa: os sovietes chegaram a controlar São Petersburgo e Moscou por pouco tempo, até as forças do tsar sufocarem o movimento e restabelecerem uma autocracia apenas um pouco modificada.11

Quem manda no quartel: fevereiro de 1917

A Rússia estava na Primeira Guerra desde 1914, e o roteiro do editor resume o problema em três palavras: preparo, botas, fuzis. Às causas longas — a fome de terra dos camponeses, o crescimento da população, o descontentamento operário — somou-se a revolta dos operários de 23 de fevereiro de 1917. Formaram-se ao mesmo tempo o Soviete de Trabalhadores e Soldados de Petrogrado e um Governo Provisório saído da Duma.1 O índice da seção registra a abdicação do tsar em 15 de março de 1917.

Foi aí que entrou a ordem da pergunta inicial. A Ordem nº 1, datada de 1º de março — 14, no calendário novo —, mandava cada unidade militar eleger um comitê; subordinava a tropa ao Soviete em toda ação política; dizia que as ordens da comissão militar da Duma só seriam cumpridas quando não contrariassem as do Soviete; e determinava que fuzis, metralhadoras e carros blindados ficassem com os comitês e “não fossem em caso algum entregues aos oficiais, mesmo sob ordem deles”.3 Abolia também a continência fora do serviço e os títulos de “Vossa Excelência”.

O resultado foram dois centros de poder na mesma cidade: um governo que tinha os ministérios e um soviete que tinha os quartéis. O Governo Provisório manteve a Rússia na guerra; Lênin e outros bolcheviques voltaram ao país; Alexander Kerensky virou chefe do governo em julho; e uma conspiração de Kornilov, segundo o editor, expôs a fraqueza dele.1

LembrePor que a Ordem nº 1 enfraquecia o Governo Provisório?

Porque tirava do governo o controle efetivo da tropa. Os soldados passavam a eleger comitês, a obedecer ao Soviete em toda ação política e a guardar as armas longe dos oficiais. A Duma tinha o governo; o Soviete tinha os quartéis.

Quem manda no Estado: outubro e depois

Em 24 de outubro de 1917, Lênin escreveu aos camaradas que a situação era crítica ao extremo e que “adiar a insurreição seria fatal”. Era preciso prender o governo naquela mesma noite; quem tomaria o poder importava menos — o Comitê Militar Revolucionário ou “alguma outra instituição”. E acrescentava que tomar o poder não seria agir contra os sovietes, mas em nome deles.4 Os lemas bolcheviques, segundo o editor, eram “Paz, pão e terra” e “Todo o poder aos sovietes”.1

O embaixador americano David Francis acompanhou os dias seguintes de dentro de Petrogrado. No telegrama de 7 de novembro, às seis da tarde, escreveu que “os bolcheviques parecem ter o controle de tudo aqui”: dois ministros presos no Instituto Smolny, quartel-general bolchevique; Lênin fazendo discurso pela paz e pela divisão da propriedade; jornais suprimidos. No dia 8, contou que o Palácio de Inverno se rendera depois de bombardeado pelo navio Aurora e defendido por um regimento de mulheres e um batalhão de cadetes. No dia 9, que os ministros estavam na fortaleza de Pedro e Paulo, Lênin chefiava o novo governo e Trótski cuidava das relações exteriores.5

Ficar no poder exigiu sair da guerra. O tratado de Brest-Litovsk, de 3 de março de 1918, encerrou o estado de guerra com Alemanha, Áustria-Hungria, Bulgária e Turquia a um preço alto: a Rússia perdeu a soberania sobre os territórios a oeste de uma linha traçada em mapa, desmobilizou o exército, reconheceu a paz da República Popular da Ucrânia com as potências centrais e retirou tropas da Ucrânia, da Finlândia, da Estônia e da Livônia, e dos distritos de Kars, Ardahan e Batum.6 O tratado ainda declara a Pérsia e o Afeganistão “Estados livres e independentes”, e manda a Rússia sair da Anatólia oriental — sinal de que a guerra e a paz russas também se decidiam na Ásia.

Lênin discursa às tropas em Moscou, 5 de maio de 1920 · Grigory Petrovich Goldstein · 1920
Lênin discursa às tropas em Moscou, em 5 de maio de 1920, diante de comunistas de Petrogrado que partiam para a frente polonesa. A paz com a Alemanha não encerrou a guerra: o governo soviético passou os anos seguintes combatendo.
Lênin discursa às tropas em Moscou, 5 de maio de 1920 · 1920 · Wikimedia Commons · Public domain

A paz externa não trouxe paz interna. O roteiro do editor lista o que veio: a Assembleia Constituinte dissolvida; a Tcheka, polícia política, a partir de dezembro de 1917; a nacionalização das fábricas em 1918; a execução do tsar e de sua família, também em 1918; e uma guerra civil entre o Exército Vermelho, comandado por Trótski, e os “brancos”, de 1917 a 1921.1 As medidas de emergência desse período ganharam o nome de comunismo de guerra.

Lênin dera a moldura teórica em O Estado e a revolução: o Estado burguês seria uma “força especial de repressão” dos ricos sobre os trabalhadores, e precisava ser substituído por outra força de repressão, a dos trabalhadores sobre a burguesia — a ditadura do proletariado. Só esse Estado proletário, depois, iria “definhar”.7

Em março de 1921, duas coisas aconteceram juntas: a rebelião de Kronstadt foi esmagada, e o governo adotou a Nova Política Econômica, a NEP. Para aumentar a produção de comida, os camponeses puderam plantar para vender com lucro, e pequenas empresas com até doze trabalhadores foram permitidas. O editor anota que a economia se recuperou até 1927 e que os cúlaques, camponeses ricos, ganharam importância.1

Questão 01múltipla escolha · sem placar
Em 1921, o governo soviético substituiu o chamado comunismo de guerra pela Nova Política Econômica (NEP), que permitia aos camponeses vender a produção com lucro e autorizava pequenas empresas privadas. Essa mudança se explica, sobretudo:
  1. Incorreta. A Assembleia Constituinte foi dissolvida pelos bolcheviques, e a NEP foi decisão do próprio governo bolchevique, não imposição de outro partido.

  2. Incorreta. O tratado, de 1918, trata de territórios, desmobilização, navegação e prisioneiros. Não impõe regime econômico.

  3. Correta. É o objetivo que o editor do Sourcebook atribui à NEP: aumentar a produção de comida por meio de incentivos. A economia se recuperou até 1927, e os camponeses ricos ganharam peso.

  4. Incorreta. A rebelião de Kronstadt foi reprimida no mesmo mês em que a NEP foi adotada. O partido manteve o controle político; a abertura foi econômica.

  5. Incorreta. Inverte a cronologia e o conteúdo: a NEP é de 1921, e o plano quinquenal de 1928 priorizou a industrialização rápida, não a agricultura camponesa.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Quem manda no partido: de Lênin a Stálin

No fim de 1922, Lênin escreveu notas sobre os dirigentes do partido que ficaram conhecidas como seu testamento. Ele temia um racha provocado pela relação entre Stálin e Trótski. De Stálin, que como secretário-geral concentrara “autoridade ilimitada”, dizia não ter certeza de que saberia usá-la com cautela; de Trótski, que era talvez o homem mais capaz do Comitê Central, mas confiante demais em si. Num acréscimo ao texto, foi direto: “Stálin é rude demais”, e propôs aos camaradas pensar num modo de tirá-lo do cargo.8

Não aconteceu. Segundo o editor, Stálin venceu pelo controle da organização do partido, numa disputa em que Trótski defendia industrialização rápida e Bukharin uma política favorável aos camponeses. Veio a doutrina do “socialismo em um só país” e, a partir de 1928, os planos quinquenais.1 No discurso de novembro de 1928, Stálin argumentou que a URSS era o único país da “ditadura do proletariado”, cercado de potências capitalistas mais avançadas, e que por isso precisava alcançá-las e ultrapassá-las depressa: “ou fazemos isso, ou seremos encurralados contra a parede”.9

“Confiscando grãos dos cúlaques”, Ucrânia, novembro de 1930 · Alpert / Макс Альперт · Taken on 1 November 1930
Ucrânia, novembro de 1930: jovens comunistas desenterram grãos escondidos num cemitério, segundo a legenda da época, “dos cúlaques”. O camponês rico que a NEP fortalecera virou alvo quando a terra passou a ser coletivizada.
“Confiscando grãos dos cúlaques”, Ucrânia, novembro de 1930 · 1930 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0

O custo aparece nas notas do editor, não nos discursos. Ele escreve que, em 1939, a URSS só ficava atrás dos Estados Unidos e da Alemanha em produção industrial, e que o custo humano foi enorme; para a coletivização forçada da terra, fala em “talvez 10 milhões” de mortos — estimativa que ele mesmo marca como incerta e que este artigo não tem como conferir em outra fonte.1 Entre 1936 e 1938 vieram os expurgos e os processos-espetáculo. A versão oficial dos manuais soviéticos, reproduzida no Sourcebook, culpava os “lacaios” de Bukharin e Trótski por explodir minas, incendiar fábricas e sabotar fazendas coletivas.10

Questão 02múltipla escolha · sem placar
Em dezembro de 1922, Lênin registrou que Stálin, como secretário-geral, havia concentrado autoridade ilimitada e propôs que os camaradas pensassem em tirá-lo do cargo. Nos anos seguintes, Stálin consolidou seu poder. Os documentos reunidos no Sourcebook indicam que essa consolidação se apoiou:
  1. Correta. Combina a nota do editor (Stálin vence controlando a organização do partido), a disputa com Trótski e Bukharin e a explicação oficial dos expurgos, que acusava os seguidores deles de sabotagem.

  2. Incorreta. O testamento faz o oposto: aponta o risco da autoridade de Stálin e propõe sua remoção do cargo de secretário-geral.

  3. Incorreta. A Assembleia Constituinte havia sido dissolvida no início do governo bolchevique. Não houve eleição desse tipo.

  4. Incorreta. Stálin abandonou esse caminho: a partir de 1928 vieram os planos quinquenais e a coletivização. A posição pró-camponesa, segundo o editor, era a de Bukharin.

  5. Incorreta. Brest-Litovsk, de 1918, encerrou a guerra com a Alemanha e impôs perdas territoriais à Rússia. Não tem relação com a ascensão de Stálin.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Pontos sensíveis deste artigo
  • Base documental, não historiográfica — o artigo foi escrito a partir de documentos de época, de telegramas diplomáticos e de notas de editor. As grandes interpretações da revolução — golpe de minoria ou revolução popular, continuidade ou ruptura entre Lênin e Stálin — não estão aqui.
  • A nota de editor tem erros — o roteiro do Sourcebook dá Lênin como morto em 1923 (o índice da mesma seção diz 1924), troca Nicolau II por “Nicolau I” e data a dissolução da Assembleia Constituinte em dezembro de 1918. O artigo não usa esses dados.
  • Testemunha estrangeira — os telegramas do embaixador Francis são relato contemporâneo, mas de um diplomata de país aliado do governo deposto, escrito sob boatos — ele mesmo marca o que é “relatado” e o que foi “apurado”.
  • Dois calendários — as revoluções de fevereiro e de outubro de 1917 caem em março e novembro no calendário ocidental. Datas misturadas dos dois são a fonte mais comum de erro sobre o tema.
  • O número da coletivização — a cifra de “talvez 10 milhões” de mortos é do editor do Sourcebook, que a apresenta como incerta. O artigo não a confirma em outra fonte e não a apresenta como dado fechado.
  • A fome na Ucrânia — o índice do Sourcebook descreve um memorando de 1932 como indício do início deliberado da fome na Ucrânia. O documento está em acervo externo, não foi lido para este artigo, e a questão fica registrada como ponto a aprofundar.
Onde este artigo para
Ficam de fora, por falta de documento entre os lidos: as Teses de Abril e o programa dos outros partidos de 1905 (no Sourcebook, só em acervo externo); a vida das mulheres e a obra de Alexandra Kollontai; a fundação da URSS como federação e a política para as nacionalidades não russas; a Ásia Central; e a Internacional Comunista, que aparece na nota do editor só como o racha de 1919 entre comunistas e social-democratas. A fome de 1932–33 está registrada nos pontos sensíveis, não narrada.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 10evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

De 1905 aos expurgos

1905Marcha aoPalácio deInverno;sovietes;Dumafev. 1917Revoltaoperária;Soviete eGovernoProvisório1º (14) mar.Ordem nº 1do Sovieteout. (nov.) 1917Bolcheviquestomam opoder3 mar. 1918Brest-Litovsk:fim daguerra coma Alemanha1917–1921Guerracivil ecomunismode guerramar. 1921Kronstadt;NovaPolíticaEconômica1928Primeiroplanoquinquenal1936–38Expurgos eprocessos-espetáculoDatas de 1917 pelo calendário antigo, então usado na Rússia, com o equivalente novo entre parênteses quando o documento o traz. Os três marcos em destaque são os pontos de virada que mais aparecem em prova.
Os três marcos em destaque dividem o assunto: a queda do tsar, a tomada do poder pelos bolcheviques e a virada econômica de 1921. Repare que fevereiro e outubro de 1917 estão no calendário antigo.

Duas políticas econômicas do mesmo governo

Comunismo de guerra (1918–1921)Fábricas nacionalizadasProdução sob controle do EstadoTcheka: polícia políticaPartido comunista controla o EstadoOposição reprimida (Kronstadt)Nova Política Econômica (1921)Objetivo: produzir mais comidaCamponês pode vender com lucroPequena empresa privada, até 12 empregadosEconomia recuperada até 1927Cúlaques, camponeses ricos, ganham peso
A coluna em destaque é a mais cobrada e a mais confundida: a NEP não foi o abandono do poder bolchevique, e sim uma abertura econômica feita no mesmo mês em que a revolta de Kronstadt era esmagada.

Mapa mental do assunto

Revolução Russado império dos tsares à URSS de StálinO império antesAutocracia do tsarMaioria camponesa; servidão até 18611905: sovietes e DumaQuem manda no quartel (1917)1917: o tsar abdicaOrdem nº 1: soldado obedece ao sovieteOutubro: bolcheviques tomam o poderQuem manda no EstadoBrest-Litovsk: paz com perdasGuerra civil: vermelhos contra brancosComunismo de guerra, depois NEPQuem manda no partidoTestamento: Lênin desconfia de StálinPlanos quinquenais e coletivizaçãoExpurgos de 1936–38
Os três últimos ramos seguem a pergunta do artigo: quem manda no quartel, no Estado e no partido. O ramo destacado é o que liga a revolução ao regime de Stálin.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
Regime tsaristaautocracia; maioria camponesa; servidão até 1861; mir
Que fazer? (1902)partido de revolucionários profissionais, centralizado e secreto
1903racha entre bolcheviques (maioria) e mencheviques (minoria)
1905marcha de Gapon; sovietes; Manifesto de Outubro e Duma
Fevereiro de 1917revolta operária; Soviete de Petrogrado e Governo Provisório; abdicação do tsar registrada em 15 de março
Ordem nº 11º (14) de março de 1917: tropa obedece ao Soviete; armas longe dos oficiais
Outubro de 1917bolcheviques tomam o poder; Palácio de Inverno se rende (7–8 de novembro, calendário novo)
Lemas“Paz, pão e terra”; “Todo o poder aos sovietes”
Brest-Litovsk3 de março de 1918: fim da guerra com a Alemanha, com grandes perdas territoriais
Guerra civil1917–1921; Exército Vermelho de Trótski contra os brancos; comunismo de guerra; Tcheka
NEPmarço de 1921: lucro camponês e pequenas empresas; recuperação até 1927
Testamentodezembro de 1922: Lênin pede a remoção de Stálin do cargo de secretário-geral
Stálinsocialismo em um só país; planos quinquenais desde 1928; coletivização
Expurgos1936–38; processos-espetáculo; versão oficial: sabotagem de trotskistas e bukharinistas
Cada linha remete a um documento lido ou à nota do editor. As citações completas estão no corpo do artigo.

Fontes

  1. HALSALL, Paul. “Crib Sheet: The Russian Revolution” (1997), e índice da seção “Russian Revolution”. Internet Modern History Sourcebook, Fordham University. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/RUSREV.asp — nota de editor, usada com as ressalvas descritas no artigo.
  2. LÊNIN, V. I. Que fazer? (1902), excertos, em Collected Works, vol. 5. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1902lenin.asp
  3. SOVIETE DE PETROGRADO. Ordem nº 1, 1º (14) de março de 1917. Avalon Project, Yale Law School. avalon.law.yale.edu/20th_century/soviet_001.asp
  4. LÊNIN, V. I. Chamado ao poder, 24 de outubro de 1917. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1917lenin1.asp
  5. FRANCIS, David R. (embaixador dos EUA na Rússia). Telegramas ao secretário de Estado, Petrogrado, 7 a 9 de novembro de 1917, em Foreign Relations of the United States, 1918. Avalon Project. avalon.law.yale.edu/subject_menus/ch5menu.asp
  6. Tratado de paz de Brest-Litovsk, 3 de março de 1918. Avalon Project. avalon.law.yale.edu/20th_century/brest.asp
  7. LÊNIN, V. I. O Estado e a revolução, excertos (ed. International Publishers, 1932). Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/lenin-staterev.asp
  8. LÊNIN, V. I. “Testamento”, dezembro de 1922, excertos. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/lenin-testament.asp
  9. STÁLIN, J. “A industrialização do país”, 19 de novembro de 1928, em Works, vol. 11. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1928stalin.asp
  10. Os expurgos de Stálin: a explicação oficial dos manuais soviéticos, excertos. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1936purges.asp
  11. LUXEMBURGO, Rosa. Panfleto Junius (1916), trad. inglesa de Richard S. Levy — nota 10 do editor, sobre a revolução de 1905. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1916luxemburg-junius.asp