As Cruzadas
Em 1095, um papa prometeu perdão dos pecados a quem pegasse em armas rumo a Jerusalém. Dois séculos depois, a expedição já tinha sido pregada contra hereges, contra um imperador cristão e servido de pretexto para saquear Constantinopla. O que os próprios contemporâneos — cristãos, judeus e muçulmanos — escreveram sobre isso.

Urbano II prega no Concílio de Clermont, iluminura de c. 1474 · 1474 · Wikimedia Commons · Public domain
Em 1095, o papa pediu socorro para os cristãos do Oriente. Em 1204, um exército que tinha feito voto de cruzado saqueou Constantinopla, a capital cristã do Império Bizantino. Como uma coisa levou à outra — e por que o próprio papa da época condenou o saque?
A resposta passa por perceber que a cruzada não era só uma viagem militar a Jerusalém. Era também um estatuto: um conjunto de vantagens espirituais e jurídicas que a Igreja concedia a quem fizesse o voto. E estatuto que dá vantagem tende a ser estendido. Este artigo segue essa extensão pelos textos de quem a viveu — dos dois lados do mar.
Este artigo foi escrito a partir de documentos da própria época — sermões, bulas, crônicas, uma autobiografia — e das notas dos editores que os reuniram no Internet Medieval Sourcebook, da Universidade Fordham. Não há livro de síntese por trás. Isso tem vantagem (você lê as vozes diretamente) e custo: o texto é mais provisório que um artigo apoiado em historiografia, e deixa de fora o que essas fontes não cobrem.
O que Clermont prometia, e a quem
As atas do concílio de Clermont não sobreviveram. O que se tem do discurso de Urbano II são cinco relatos escritos por gente que o editor do Sourcebook descreve como presente na ocasião — cada um com a sua versão.1 O pano de fundo, segundo a mesma introdução: o imperador bizantino Aleixo I Comneno pedira ajuda ao papa contra os turcos seljúcidas, que haviam tomado quase toda a Ásia Menor.1
A versão de Fulquério de Chartres é a mais reveladora, porque mostra a ordem do sermão. Urbano fala primeiro da desordem na própria Europa: estradas onde não se anda sem ser assaltado, a necessidade de renovar a trégua entre senhores em guerra. Só depois passa ao Oriente, onde turcos e árabes teriam vencido os cristãos em sete batalhas. E a proposta junta as duas coisas numa frase:
“Que se tornem cavaleiros os que até agora foram ladrões. Que lutem, como convém, contra os bárbaros os que combatiam seus irmãos e parentes.”
Urbano II, segundo Fulquério de Chartres. Tradução nossa a partir da versão inglesa de Thatcher e McNeal (1905).
A recompensa vem explícita: remissão imediata dos pecados a quem morresse no caminho ou na batalha.1 O editor do Sourcebook, ao apresentar o texto, deixa uma pergunta ao leitor: ligar a paz interna da cristandade ao chamado para a guerra externa equivaleria a exportar a violência? É uma interpretação proposta, não um fato — mas é a que a ordem do sermão sugere.
Outro relato, o de Roberto, o Monge, escrito talvez 25 anos depois, acrescenta um argumento material: a terra dos francos seria estreita demais para tanta gente e mal daria comida a quem a cultivava — “por isso vos matais uns aos outros”. É nessa versão que a multidão grita “Deus o quer!” e que aparece o sinal: a cruz na roupa, no peito ao partir, nas costas ao voltar.1
LembreQue problema europeu o sermão de Urbano II, na versão de Fulquério, pretendia resolver junto com o socorro ao Oriente?
A violência entre os próprios cristãos do Ocidente: assaltos nas estradas, guerras privadas entre senhores, mercenários. O sermão propõe redirecionar essa violência para fora, com a promessa de remissão dos pecados. A leitura de que isso seria “exportar a violência” é uma pergunta levantada pelo editor, não uma conclusão do documento.
Um estatuto que só crescia
O Sourcebook reúne, numa página só, os privilégios do cruzado de 1095 a 1270. Lidos em sequência, mostram o pacote engordando.2
Em 1095, a fórmula atribuída a Urbano é curta: para quem fosse a Jerusalém “por devoção, e não por honra ou ganho”, a viagem substituiria toda penitência. Na convocação de Eugênio III, em 1146 — escrita depois da queda de Edessa, um dos Estados cruzados —, entram garantias terrenas: mulher, filhos e bens sob proteção da Igreja; nenhum processo sobre as terras do cruzado até que se soubesse da sua volta ou morte; dívidas sem juros; e licença para hipotecar terras a igrejas mesmo contra a vontade do senhor feudal.2
Em 1188, o rei Filipe Augusto da França converte isso em lei civil: dois anos de moratória nas dívidas, pagas em três parcelas, com os credores nomeados — “judeus ou cristãos”. O IV Concílio de Latrão, em 1215, estende a remissão a quem não fosse pessoalmente mas pagasse soldados. E dois documentos mostram o salto decisivo: privilégios de cruzado para a guerra contra hereges no Languedoc, em 1207-1208, e, em 1248, uma cruzada pregada contra o imperador Frederico II — um soberano cristão — com a mesma remissão concedida a quem ia à Terra Santa.2

Os Estados cruzados e seus vizinhos em 1135 · 2013 · Wikimedia Commons · CC BY 3.0
1096: a primeira violência foi na Europa
Antes de chegar a qualquer muçulmano, parte dos cruzados atacou as comunidades judaicas da Renânia. Dois cristãos e um judeu escreveram sobre isso, e o Sourcebook os põe lado a lado.34
O cronista Alberto de Aachen conta que o massacre começou pelos cidadãos de Colônia, que mataram judeus, destruíram casas e sinagogas e repartiram o dinheiro. Em Mainz, o conde Emico chegou com um bando; os judeus haviam confiado seus bens ao bispo e se escondido no salão da casa dele. O salão foi arrombado. Alberto fala em cerca de 700 mortos, conta que mães mataram os próprios filhos para que não caíssem nas mãos dos atacantes, e julga severamente os seus: aqueles cruzados teriam matado “por cobiça de dinheiro, mais do que pela justiça de Deus” — e o Senhor, escreve ele, não obriga ninguém a aceitar a fé à força.3 Outro cronista, Ekkehard de Aura, atribui a Emico cerca de 12 mil seguidores, que pelo caminho matavam judeus ou os forçavam ao batismo.3
A crônica hebraica de Salomão bar Sansão, escrita por volta de 1140, narra o mesmo dia — 27 de maio de 1096 — por dentro. Ali os judeus pegam em armas no pátio do bispo, liderados por Kalonymus ben Meshullam; os homens do bispo são os primeiros a fugir; e as mortes, inclusive as que as próprias famílias se infligiram, são narradas como martírio pela santificação do nome de Deus.4
“Houve algum dia, desde o primeiro Adão, onze centenas de oferendas num só dia, cada uma como o sacrifício de Isaac, filho de Abraão?”
Salomão bar Sansão, crônica hebraica, c. 1140. Tradução nossa a partir da versão inglesa de Jacob R. Marcus (1938).
Os números não batem — 700 num relato, 1.100 no outro — e não há como decidir entre eles com estas fontes. O que os dois concordam é no essencial: houve massacre, houve conversão forçada, e a proteção prometida pelo bispo falhou. Jacob Marcus, editor da versão inglesa, acrescenta em nota que o arcebispo fora pago para defender os judeus e depois foi acusado de ficar com parte do saque.4
1099: Jerusalém contada pelos vencedores
A tomada de Jerusalém, em 15 de julho de 1099, chegou até o Sourcebook por três narradores latinos, e os três escrevem do lado de quem entrou na cidade.5
A Gesta Francorum descreve o cerco por dentro do acampamento: torres de madeira arrastadas até os muros, tanta falta d’água que um denário não comprava o bastante para matar a sede, e uma procissão de jejum em volta da cidade antes do assalto final. Depois que um cavaleiro chamado Letoldo alcançou o alto do muro, a matança seguiu até o chamado Templo de Salomão, “com sangue até os tornozelos”.5
Raimundo de Aguilers vai além nas duas direções: descreve cabeças, mãos e pés empilhados nas ruas, sobe a medida do sangue para “os joelhos e as rédeas” — e chama tudo isso de “justo e esplêndido julgamento de Deus”. Fulquério fala em quase 10 mil mortos só no Templo, sem poupar mulheres nem crianças, e registra o saque: cadáveres queimados para recuperar moedas de ouro que as vítimas teriam engolido, e a regra de que quem entrasse primeiro numa casa ficava com ela — “assim, muitos pobres ficaram ricos”.5
Esses números e imagens são de vencedores celebrando, e não contagem. A divergência entre tornozelo e joelho já mostra que a cena foi escrita para impressionar. O que nenhuma das três versões contesta é o massacre da população da cidade.

O cerco de Jerusalém em 1099, inicial iluminada do século 13 · 0 · Wikimedia Commons · Public domain
Viver ao lado dos francos
Os Estados latinos duraram quase dois séculos, e nesse tempo houve vizinhança, não só guerra. A melhor testemunha disso no Sourcebook é Usama ibn Munqidh (1095-1188), aristocrata sírio que lutou contra os cruzados e, segundo o editor, chegou a fazer amigos entre eles. Sua autobiografia é de por volta de 1175.6
O tom de Usama é de desprezo divertido. Os francos, escreve ele, são como “animais que possuem as virtudes da coragem e da luta, e nada mais”. Conta o caso de um médico franco que mandou amputar a machado a perna de um cavaleiro — que morreu no segundo golpe — e descreve um julgamento por ordálio de água em Nablus que lhe parece absurdo. Mas o mesmo Usama registra uma receita franca contra escrófula que ele próprio usou com sucesso, e um cavaleiro que lhe pedia para levar seu filho de 14 anos à Europa, para “aprender cavalaria”.6
E faz uma distinção que interessa a quem estuda o período:
“Entre os francos há os que se aclimataram e conviveram longamente com os muçulmanos. Estes são muito melhores que os recém-chegados das terras francas.”
Usama ibn Munqidh, autobiografia, c. 1175. Tradução nossa a partir da versão inglesa publicada no Medieval Sourcebook.
O exemplo que ele dá é de um velho cavaleiro de Antioquia, da geração das primeiras expedições, que tinha cozinheiras egípcias e não deixava carne de porco entrar em casa.6 Os textos de Usama desmontam a imagem de dois blocos fechados frente a frente.

Raimundo de Poitiers recebe Luís VII em Antioquia, iluminura do século 15 · 0 · Wikimedia Commons · Public domain
1187-1192: Hattin, Jerusalém, Acre
Para a virada de 1187, as fontes lidas são todas cristãs — e por isso mesmo valem pelo que admitem. Um relato latino da batalha de Hattin descreve o exército do reino de Jerusalém acampado num lugar sem água, cercado pelo fogo que os muçulmanos atearam no mato, e a infantaria se recusando a voltar ao combate: “estamos morrendo de sede e não vamos lutar”. A relíquia da Santa Cruz, levada à batalha, foi capturada.7 A introdução de Brundage lembra outro dado incômodo: o conde Raimundo III de Trípoli, um dos chefes cristãos, havia feito aliança com Saladino para proteger seu condado.7
O mesmo texto narra o cerco de Jerusalém, iniciado em 20 de setembro de 1187 — o autor diz ter sido ferido no nariz por uma flecha. A rendição veio com uma tabela de resgate: dez besantes por homem, cinco por mulher, um por criança de até sete anos, com quarenta dias para pagar; quem não pagasse viraria cativo. O acordo foi lido nas ruas em 2 de outubro. O cronista fecha com um balanço: os cristãos haviam tido a cidade por “uns oitenta e nove anos”.7
A expedição que veio em resposta terminou em acordo, não em reconquista. Em 1191, depois de tomar Acre e esperar três semanas além do prazo pela devolução da Santa Cruz, o rei Ricardo I da Inglaterra mandou decapitar 2.700 reféns muçulmanos — o cronista cristão narra o fato como vingança justa.8 Em 1192, por intermédio de Saif ad-Din, irmão de Saladino, firmou-se a paz: Ascalon demolida, Jaffa aos cristãos, e passagem livre e sem tributo para os peregrinos ao Santo Sepulcro, além de comércio livre. Jerusalém continuou com Saladino.8
LembreComo terminou a disputa por Jerusalém entre Ricardo I e Saladino?
Num tratado, em 1192. Jerusalém permaneceu sob Saladino; os cristãos ficaram com uma faixa costeira (Jaffa), Ascalon foi demolida, e os peregrinos cristãos ganharam acesso livre e sem tributo ao Santo Sepulcro, com liberdade de comércio. Uma guerra religiosa encerrada por negociação.
Cruzadas que não chegaram a Jerusalém
Duas expedições mostram como o voto podia servir a outros fins.
A primeira interessa diretamente à história de Portugal. Em maio de 1147, uma frota de anglo-normandos e flamengos, parte da expedição convocada por Eugênio III, saiu de Dartmouth e parou na península Ibérica. Ali fechou acordo com Afonso I, rei de Portugal: os cruzados ficariam com os bens e os resgates dos inimigos, o rei com a cidade de Lisboa, então sob domínio muçulmano. Depois de quase dezessete semanas de cerco, no fim de outubro, a cidade se rendeu por acordo — e, segundo o próprio cronista cruzado, os contingentes de Colônia e de Flandres desrespeitaram o que fora jurado e saquearam as casas.9 A guerra contra os muçulmanos da Ibéria foi tratada, portanto, como parte da mesma empresa.
A segunda é a Quarta Cruzada. Segundo Villehardouin, um de seus chefes, os barões contrataram com Veneza transporte para 4.500 cavaleiros, 9 mil escudeiros e 20 mil infantes, por 85 mil marcos — com destino secreto ao Egito.10 Apareceu muito menos gente do que o combinado, e a dívida ficou: Roberto de Clari, cavaleiro pobre do mesmo exército, registra que ainda faltavam 36 mil marcos. O doge propôs que pagassem com conquistas, a começar por Zara. Quando o ataque foi decidido, em novembro de 1202, um abade cisterciense se levantou e o proibiu “em nome do papa”, porque os moradores “são cristãos, e vós sois peregrinos”. A cidade se rendeu ao doge assim mesmo.10 Em 1204, o exército estava em Constantinopla. O historiador bizantino Nicetas Choniates descreve relíquias atiradas ao chão e o altar de Santa Sofia quebrado em pedaços e dividido entre os soldados.10
A reação mais dura veio de Inocêncio III, em carta ao seu legado. O papa acusa os cruzados de terem as espadas, destinadas aos pagãos, “pingando sangue cristão”, e prevê o efeito: a Igreja grega passaria a detestar os latinos “mais do que cães”.10 Brundage acrescenta, porém, que a raiva papal passou: Inocêncio acabou por reconhecer e abraçar a nova ordem latina em Constantinopla. Para Halsall, o resultado foram principados latinos na Grécia e o rompimento duradouro entre as Igrejas católica e ortodoxa.10

A entrada dos cruzados em Constantinopla, de Eugène Delacroix, 1840 · 1840 · Wikimedia Commons · Public domain
O fim, visto do Egito
No século 13, o alvo passou a ser o Egito. O historiador egípcio al-Maqrizi, nascido cerca de 120 anos depois dos fatos, narra a expedição do rei Luís IX da França: a tomada de Damieta, a retirada desastrosa de abril de 1250, a captura do próprio rei, levado acorrentado a Mansura. Na luta, diz ele, destacaram-se os soldados-escravos mamelucos sob o comando de Baibars. O resgate do rei e de seus nobres custou 400 mil peças de ouro, e Damieta foi devolvida.11 Os números de mortos que al-Maqrizi dá variam no próprio texto — dez mil, “alguns dizem trinta mil” —, o que mostra que a inflação de cifras não era vício de um lado só.
A introdução de Brundage ao último documento completa o quadro: em 1260, o sultão do Egito venceu os mongóis em Ain Jalut, e o sultão Baibars ficou livre para atacar o que restava dos Estados latinos — Antioquia caiu em 1268, Trípoli em 1289. Em 1291, o sultão al-Ashraf tomou Acre, a última grande cidade latina da costa.12 O relato desse fim vem de Ludolfo de Suchem, autor de uma descrição da Terra Santa que fala de Acre como deserta “até hoje”: ele data a queda de 1292, e não de 1291, e fala em 300 mil muçulmanos mortos — relato que precisa ser lido como lamento, não como estatística.12
- Fonte de vencedor não é contagem — os números de mortos em Jerusalém (1099), em Mansura (1250) e em Acre (1291) vêm de cronistas que celebram ou lamentam. Eles divergem entre si e às vezes dentro do mesmo texto. O artigo os cita como afirmação do cronista, nunca como dado.
- Os judeus da Renânia não são nota de rodapé — os massacres de 1096 foram a primeira violência em massa associada à expedição, e aconteceram na Europa. Há relatos cristãos e judeus; o artigo usa os dois e mostra onde divergem.
- “Cristãos contra muçulmanos” simplifica demais — houve aliança de um chefe cristão com Saladino antes de Hattin, convivência descrita por Usama, tratado de paz em 1192, e um exército cruzado saqueando a capital bizantina em 1204.
- Linguagem das fontes — os documentos chamam o outro lado de “raça vil”, “infiéis”, “animais”. São citados para mostrar como cada lado via o outro — não como descrição aceitável.
- Base documental, não síntese — o artigo foi construído sobre traduções antigas de documentos de época e notas de editores. Interpretações estão atribuídas a quem as fez; o que essas fontes não sustentam ficou de fora.
Ficam de fora, por falta de fonte lida, várias coisas que um livro de síntese traria. Nenhum relato muçulmano da tomada de Jerusalém em 1099 foi usado: os que existem no Sourcebook tratam de outros momentos, e a versão árabe daquele dia não está aqui. Também não se discutem as motivações sociais e econômicas dos cruzados além do que os próprios sermões dizem, o papel das ordens militares (templários, hospitalários), as cruzadas no Báltico (a tradução disponível tem direitos próprios) nem o impacto das cruzadas no comércio mediterrâneo, que os livros didáticos costumam afirmar e que estas fontes não sustentam. E a numeração em “oito cruzadas” não é usada: o próprio Sourcebook fala em primeira a quarta e “quinta e posteriores”.
Material de estudo
Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.
Duzentos anos em oito marcos
Mainz, 1096: duas contas do mesmo dia
Mapa mental do assunto
Quadro-resumo para revisão rápida
| Item | Dado |
|---|---|
| Pedido de origem | Aleixo I Comneno pede ajuda contra os seljúcidas (1094-1095) |
| Clermont, 1095 | Urbano II promete remissão dos pecados; liga paz interna e guerra externa |
| Sinal | cruz costurada na roupa; o grito “Deus o quer”, na versão de Roberto, o Monge |
| Privilégios | 1146: proteção de bens e juros suspensos; 1188: moratória; 1215: remissão a quem financia |
| Ampliação | 1207-1208 contra hereges do Languedoc; 1248 contra o imperador Frederico II |
| Renânia, 1096 | massacres de judeus; Mainz: 700 mortos para Alberto, 1.100 para Salomão bar Sansão |
| Jerusalém, 1099 | tomada em 15 de julho; massacre narrado com orgulho pelos cronistas latinos |
| Convivência | Usama ibn Munqidh distingue francos aclimatados dos recém-chegados |
| Hattin e Jerusalém, 1187 | derrota cristã, perda da Santa Cruz; rendição com tabela de resgate |
| Acre e paz, 1191-1192 | 2.700 reféns executados por Ricardo I; tratado com acesso livre ao Sepulcro |
| Lisboa, 1147 | cruzados do norte ajudam Afonso I de Portugal a tomar a cidade |
| Quarta Cruzada | dívida com Veneza → Zara (1202) → saque de Constantinopla (1204) |
| Reação papal | Inocêncio III condena o saque, depois reconhece a nova ordem |
| Egito, 1250 | Luís IX capturado; resgate de 400 mil peças de ouro, segundo al-Maqrizi |
| Fim, 1291 | mamelucos tomam Acre, última grande cidade latina da costa |
Fontes
- HALSALL, Paul (ed.). Urban II: Speech at Council of Clermont, 1095 — Five Versions. Internet Medieval Sourcebook, Fordham University. Versões de Fulquério de Chartres (trad. O. J. Thatcher e E. H. McNeal, 1905), Roberto, o Monge (trad. D. C. Munro, 1895) e Gesta Francorum (trad. A. C. Krey, 1921). Fonte principal deste artigo, como as demais desta lista.
- HALSALL, Paul (ed.). Evolution of Crusader Privileges, 1095-1270, trad. D. C. Munro (1895); e Eugene III: Summons to a Crusade, trad. E. F. Henderson (1910). Internet Medieval Sourcebook.
- HALSALL, Paul (ed.). Emico and the Slaughter of the Rhineland Jews — Alberto de Aachen e Ekkehard de Aura, trad. A. C. Krey (1921). Internet Medieval Sourcebook.
- HALSALL, Paul (ed.). The Crusaders in Mainz, May 27, 1096 — crônica hebraica de Salomão bar Sansão, trad. e notas de Jacob R. Marcus, The Jew in the Medieval World (1938). Internet Medieval Sourcebook.
- HALSALL, Paul (ed.). The Siege and Capture of Jerusalem: Collected Accounts — Gesta Francorum e Raimundo de Aguilers (trad. Krey, 1921), Fulquério de Chartres (trad. Duncan e Krey, 1912). Internet Medieval Sourcebook.
- HALSALL, Paul (ed.). Usamah Ibn Munqidh: Autobiography — Excerpts on the Franks, c. 1175. Internet Medieval Sourcebook (tradutor inglês não identificado na página).
- HALSALL, Paul (ed.). The Battle of Hattin, 1187 e The Capture of Jerusalem by Saladin, 1187 — De expugnatione Terrae Sanctae per Saladinum, trad. James Brundage, The Crusades: A Documentary History (1962). Internet Medieval Sourcebook.
- HALSALL, Paul (ed.). Muslim Hostages Slain at Acre, 1191 e Richard the Lionheart Makes Peace with Saladin, 1192 — Itinerarium Peregrinorum et Gesta Regis Ricardi, trad. Brundage (1962). Internet Medieval Sourcebook.
- HALSALL, Paul (ed.). De expugnatione Lyxbonensi [The Capture of Lisbon], trad. Brundage (1962). Internet Medieval Sourcebook.
- HALSALL, Paul (ed.). The Fourth Crusade 1204: Collected Sources — Villehardouin e Roberto de Clari (D. C. Munro); Nicetas Choniates: The Sack of Constantinople (trad. Munro, 1912); Innocent III: Letter 136 (trad. Brundage, 1962). Internet Medieval Sourcebook.
- HALSALL, Paul (ed.). Al-Makrisi: Account of the Crusade of St. Louis, em Chronicles of the Crusades (Londres: Bohn, 1848). Internet Medieval Sourcebook.
- HALSALL, Paul (ed.). Ludolph of Suchem: The Fall of Acre, 1291, trad. Aubrey Stewart (1895), com introdução de Brundage (1962). Internet Medieval Sourcebook.