História Verso
História do Brasil · Nova República

A transição e o governo Sarney

O presidente eleito não chegou a tomar posse. Quem governou por cinco anos foi um vice que o próprio partido não queria — e que, até pouco antes, presidia a legenda do regime militar.

1985–198914 min de leitura4 fontes
A posse de José Sarney, 15 de março de 1985 · Senado Federal · 1985-03-15
A posse de José Sarney, em 15 de março de 1985. Ele assume no lugar do presidente eleito, internado às pressas na véspera — numa situação que todos acreditavam ser transitória.
A posse de José Sarney, 15 de março de 1985 · 1985 · Wikimedia Commons · CC BY 2.0
Pergunta orientadora

A Nova República começou com um presidente que não chegou a governar e um vice que o próprio partido aceitara a contragosto. Quanto disso explica os cinco anos seguintes?

Quase tudo. Fausto encerra a passagem sobre a formação da chapa com uma frase que funciona como aviso ao leitor: ninguém poderia imaginar, em 1984, o alcance daquela decisão. A decisão era aceitar José Sarney como vice.1

Como a chapa se formou

O caminho começa dentro do partido do governo. Paulo Maluf trabalhou intensamente os convencionais do PDS, com promessas de cargos e toda sorte de atenções, e conseguiu ser indicado em agosto de 1984, batendo Mário Andreazza. O preço foi alto: os grupos do PDS que apoiavam os outros nomes romperam de vez.1

Aureliano Chaves, aliás, já havia saído antes: retirara a própria candidatura em julho e passara a montar uma dissidência batizada de Frente Liberal — origem do PFL. Esse grupo se aproximou do PMDB, cujo candidato à presidência era Tancredo Neves. Do acordo entre as duas forças nasceu a Aliança Democrática, montada contra Maluf, com Tancredo na cabeça da chapa e Sarney na vice.1

Os militares saem do centro da decisão
Vale marcar a mudança institucional embutida nesse episódio. Em 1984, a escolha do candidato governista já não passava pela corporação militar, ainda que os militares tivessem algum peso na decisão. A disputa se resolveu numa convenção partidária — sinal de que a engrenagem do regime havia deixado de funcionar como antes.

Quem era o vice

O PMDB engoliu o nome com muitas restrições, e por um motivo evidente: até pouco antes, Sarney era uma das principais figuras do PDS. A trajetória é a de alguém que atravessou o regime por dentro. Saíra da “bossa nova” da UDN; depois de abril de 1964, elegeu-se governador do Maranhão; em seguida foi eleito e reeleito senador pela Arena; e, a partir de 1979, presidiu a Arena e, mais tarde, o PDS.1

Fausto é direto quanto ao desencontro: aquele nome estava muito longe da bandeira da democratização que o PMDB levantava. Só que a Frente Liberal não abriu mão dele, e coube ao PMDB recuar.1

Questão 01múltipla escolha · sem placar
Sobre a formação da chapa da Aliança Democrática em 1984, é correto afirmar que:
  1. Incorreta. Em 1984 a escolha do candidato governista já não passava pela corporação militar, ainda que os militares tivessem algum peso. Maluf foi indicado em convenção partidária.

  2. Incorreta. O PT não integrou a Aliança Democrática e se absteve na votação, em protesto contra a eleição indireta. A aliança foi entre o PMDB e a Frente Liberal, dissidência do PDS.

  3. Correta. É a sequência correta. Aureliano retirara sua candidatura em julho e passou a organizar a dissidência que originaria o PFL e comporia a chapa com Tancredo.

  4. Incorreta. Sarney foi aceito com muitas restrições: vinha da Arena e do PDS, que chegou a presidir. Foi a Frente Liberal que fechou questão em torno dele, e o PMDB cedeu.

  5. Incorreta. A Emenda Dante de Oliveira foi derrotada em abril de 1984. A eleição de 1985 ocorreu no Colégio Eleitoral, de forma indireta.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

15 de janeiro de 1985

No Colégio Eleitoral, a vitória foi nítida: 480 votos contra 180 dados a Maluf. Os números por dentro contam a história melhor. Tancredo levou 275 dos 280 votos do PMDB e recolheu ainda 166 votos vindos de parlamentares que haviam sido eleitos pelo PDS e estavam agora na dissidência. Também o PDT votou nele, sem fazer parte da Aliança Democrática.1

O PT escolheu abster-se, em protesto contra a eleição indireta e contra o que considerava um arranjo de cúpula — embora três de seus deputados tenham descumprido a orientação e votado em Tancredo.1

Manifestação diante do Congresso durante a eleição de Tancredo · Senado Federal · 2010-09-10 15:23
Manifestação diante do Congresso durante a eleição de Tancredo, em 15 de janeiro de 1985. A escolha era indireta, mas a rua acompanhava do lado de fora.
Manifestação diante do Congresso durante a eleição de Tancredo · 2010 · Wikimedia Commons · CC BY 2.0

Vale notar como Tancredo conduziu a campanha. Ainda que disputasse uma eleição indireta, ele apareceu na televisão e foi a comícios, reforçando o próprio prestígio e a pressão popular a favor de sua candidatura — isto é, usou instrumentos de eleição direta para vencer uma eleição fechada.1

Tancredo Neves em campanha · cidadão de minas · 2004-04-06 15:17:41
Tancredo Neves em campanha. Concorria num colégio de 686 votos e, mesmo assim, fez comício — a pressão da rua era parte da estratégia.
Tancredo Neves em campanha · 2004 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 2.0

A posse que não houve

Tancredo manteve, entre a eleição e a data marcada para a posse — 15 de março de 1985 —, uma agenda pesada de contatos pelo país e uma viagem ao exterior. Àquela altura, já se sentia doente.1

A explicação que Fausto dá para o silêncio tem duas partes, e a segunda é politicamente reveladora. Uma é de temperamento. A outra é de cálculo: a passagem de faixa não podia dar sinal de fragilidade, sob risco de virar pretexto para os inconformados das Forças Armadas. Por isso ele resolveu tratar-se só depois de assumir.1

Nunca assumiu. Levado com urgência a um hospital de Brasília, Tancredo passou por uma primeira cirurgia — depois muito discutida —, e havia políticos e amigos dentro da sala. Enquanto isso, Sarney subia a rampa do Planalto e tomava posse no lugar do presidente eleito, numa situação que se acreditava transitória.1

Seguiu-se a agonia: transferência para São Paulo e uma sequência de operações, com o país pendente de boletins médicos, alguns deles alimentando um falso otimismo. Tancredo morreu em 21 de abril. O corpo saiu de São Paulo acompanhado por multidões, passou por Brasília e por Belo Horizonte e foi sepultado em São João del Rei.1

Fausto avalia que parte daquelas manifestações vinha da comoção pela morte de um presidente em circunstâncias tão penosas. Mas havia também a percepção, bem fundamentada, de que se perdera uma figura política importante num momento delicado. Ele credita a Tancredo qualidades raras no mundo político: honestidade, equilíbrio e coerência de posições.1

Um presidente sem autoridade própria

A ausência de Tancredo pesou ainda mais porque o substituto chegava cercado de restrições. Sarney fora imposto ao PMDB, era oposicionista de última hora e não tinha autoridade dentro da Aliança Democrática que o elegera.1

O começo do governo reflete isso de modo quase literal: ele governou com a sombra de Tancredo sobre tudo e nomeou o ministério que o morto escolhera.1

Sarney e Ulysses Guimarães na cerimônia de posse · Senado Federal · 1985-03-15
Sarney e Ulysses Guimarães na cerimônia de posse. Ulysses, presidente da Câmara, figurava como substituto legal — e tinha, na Aliança, a autoridade que faltava ao presidente.
Sarney e Ulysses Guimarães na cerimônia de posse · 1985 · Wikimedia Commons · CC BY 2.0
LembreTancredo Neves chegou a governar o Brasil?

Não. Ele foi eleito em 15 de janeiro de 1985, mas nunca tomou posse: foi internado na véspera da cerimônia e morreu em 21 de abril. Quem assumiu em 15 de março foi o vice, José Sarney. Dizer que Tancredo foi presidente é erro frequente e caro.

Questão 02múltipla escolha · sem placar
Sobre a posse de 1985 e o início do governo Sarney, é correto afirmar que:
  1. Correta. É a descrição exata. Tancredo adiou o tratamento da doença para depois da posse, em parte para não dar pretexto de intervenção aos inconformados das Forças Armadas.

  2. Incorreta. Ele nunca chegou a exercer o cargo: foi internado às pressas antes da cerimônia de posse, que estava marcada para 15 de março.

  3. Incorreta. Ocorreu o contrário: fora imposto ao PMDB, era oposicionista de última hora e carecia de autoridade dentro da própria aliança que o elegera.

  4. Incorreta. Não houve nova eleição. Sarney já havia tomado posse em 15 de março, na condição de vice, numa situação que se acreditava transitória.

  5. Incorreta. A transição prosseguiu. O receio de dar pretexto a setores inconformados das Forças Armadas é justamente uma das razões apontadas para Tancredo ter adiado o tratamento.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

O que avançou — e o elo que não se cortou

Fausto aponta como ponto alto do governo o respeito às liberdades públicas. E, na mesma frase, registra que o presidente deixou intactos alguns vínculos com o regime anterior: o SNI foi mantido e continuou recebendo recursos substanciais.1

Do lado do avanço, maio de 1985 concentra três mudanças de peso na legislação. Foram restabelecidas as eleições diretas para presidente. Aprovou-se o direito de voto aos analfabetos. E todos os partidos políticos foram legalizados, o que trouxe à legalidade o PCB e o PC do B — que se converteram, observa Fausto, em organizações minoritárias diante da crise do stalinismo.1

A agenda política do período se fixava em dois pontos: revogar as leis herdadas do regime militar que ainda limitavam liberdades — o chamado “entulho autoritário” — e eleger uma Assembleia Constituinte, cujo pleito foi marcado para novembro de 1986.1

A Assembleia Nacional Constituinte reunida, 1987 · Senado Federal · 1987
A Assembleia Nacional Constituinte reunida, em 1987. Os trabalhos da Constituinte e a Carta de 1988 são assunto próprio, tratado em outro artigo.
A Assembleia Nacional Constituinte reunida, 1987 · 1987 · Wikimedia Commons · CC BY 2.0

As urnas de novembro de 1985

Antes da Constituinte, houve eleição para prefeito em 201 cidades, capitais incluídas. Em número, o PMDB foi bem: venceu em 19 das 25 capitais e em 110 das 201 cidades.1

Só que o resultado escondia um recado. Começava a aparecer a erosão do partido nas capitais de maior peso. Fernando Henrique Cardoso foi batido em São Paulo por Jânio Quadros, o que desanimou a ala social-democrata do PMDB. Os candidatos de Brizola — Saturnino Braga e Alceu Collares — venceram no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. E no Recife uma frente de esquerda elegeu Jarbas Vasconcelos.1

A herança econômica

O quadro que Sarney recebeu era menos grave do que o de anos anteriores. O impulso das exportações permitira retomar o crescimento, e a combinação de importações em queda com exportações em alta produziu um saldo comercial de 13,1 bilhões de dólares — suficiente para pagar os juros da dívida. Havia ainda reservas de 9 bilhões acumuladas até o fim de 1984.1

Isso dava folga para negociar: o governo podia dispensar as idas ao FMI, com o mal-estar que provocavam, e tratar diretamente com os bancos credores privados. Mas os problemas de fundo continuavam — dívida externa e interna a longo prazo e, sobretudo, a inflação, que marcara 223,8% em 1984 e chegou a 235,5% em 1985.1

O primeiro ministro da Fazenda foi Francisco Dornelles, sobrinho de Tancredo, e sua receita foi ortodoxa. Identificando a origem do problema nos gastos públicos desordenados, cortou de saída 10% do orçamento da União e congelou contratos e empréstimos.1

A austeridade não sobreviveu à política. Pressionado e envolvido na disputa por cargos estratégicos, Dornelles caiu em fins de agosto de 1985, depois de um embate com João Sayad, do Planejamento. Para substituí-lo veio Dilson Funaro, então presidente do BNDES.1

Quando Funaro e Sayad assumiram o comando, a situação do governo era das mais difíceis. As disputas partidárias cresciam; aumentavam as acusações de que amigos e grupos econômicos estavam sendo favorecidos; e instalara-se na população a imagem de um presidente imóvel, que só se mexia para atender interesses particulares. Para completar, a inflação de janeiro de 1986 marcou 17,5%, e já se falava abertamente no risco de hiperinflação.1

É desse impasse que sairia, no mês seguinte, a tentativa mais espetacular do período — assunto de artigo próprio.

Pontos sensíveis deste artigo
  • Tancredo nunca foi presidente — foi eleito em 15 de janeiro de 1985 e morreu em 21 de abril sem jamais ter tomado posse. Quem assumiu em 15 de março foi o vice. É o erro mais comum do assunto.
  • A eleição de 1985 foi indireta — ocorreu no Colégio Eleitoral, por 480 votos a 180. As eleições diretas para presidente só seriam restabelecidas pela legislação de maio de 1985 — depois, portanto, da própria eleição.
  • Sarney vinha do partido do regime — foi governador do Maranhão após 1964, senador pela Arena e presidente da Arena e depois do PDS. Fausto registra que seu nome pouco ou nada tinha a ver com a bandeira da democratização do PMDB.
  • A Aliança Democrática não incluía o PT — ela uniu o PMDB à Frente Liberal, dissidência do PDS que originaria o PFL. O PT absteve-se na votação, em protesto contra a eleição indireta, embora três de seus deputados tenham votado em Tancredo.
  • Liberdades ampliadas, aparato preservado — o respeito às liberdades públicas é apontado como ponto alto do governo — e, ao mesmo tempo, o SNI foi mantido e continuou recebendo recursos substanciais. As duas coisas convivem.
  • O que este artigo deliberadamente não cobre — o Plano Cruzado, de fevereiro de 1986, e os trabalhos da Assembleia Constituinte são assuntos próprios, tratados em artigos separados. Aqui o relato para em janeiro de 1986.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 10evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

De agosto de 1984 a janeiro de 1986, em sete marcos

ago 1984Maluf vence aconvenção doPDS15 jan 1985ColégioEleitoralelege Tancredoe Sarney15 mar 1985Sarney tomaposse no lugardo eleito21 abr 1985Morte deTancredo Nevesmai 1985Voto deanalfabetos ediretasrestabelecidasnov 1985Eleições em201 cidades,inclusivecapitaisjan 1986Inflação domês marca17,5%Da convenção do PDS ao limiar do Plano Cruzado, dezoito meses — e a transição já havia mudado de dono duas vezes.
Os dois marcos em destaque estão a dois meses um do outro, e entre eles a transição mudou de dono: quem foi eleito em janeiro não é quem tomou posse em março.

O Colégio Eleitoral de 1985

Tancredo e Sarney480Paulo Maluf180votos no Colégio Eleitoral, 15 de janeiro de 1985
A margem foi ampla, mas repare de onde ela veio: 166 dos votos de Tancredo saíram de congressistas eleitos pelo próprio PDS, já em dissidência.

A bandeira e a biografia

A bandeira do PMDBDemocratização como programaOposição ao regime desde 1966Fim do entulho autoritárioAssembleia ConstituinteEleições diretas para presidenteRuptura com o ciclo militarA trajetória de SarneyVem da “bossa nova” da UDNGovernador do Maranhão após 1964Eleito e reeleito senador pela ArenaPresidiu a Arena a partir de 1979Depois presidiu o PDSOposicionista de última hora
Este quadro explica sozinho a fragilidade dos cinco anos seguintes: o presidente da Nova República tinha currículo de dirigente do partido do regime anterior.

Como a chapa se formou, e o que a morte deixou

COMO A CHAPA SE FORMOUO QUE A MORTE DE TANCREDO DEIXOUMaluf vence a convençãoagosto de 1984: atropelaAndreazza e racha o PDSNasce a Frente LiberalAureliano Chaves organizaa dissidência, e vem o PFLAliança Democráticaa dissidência se junta aoPMDB de TancredoPosse de Sarney · 15 mar 1985o vice assume no lugar dopresidente eleito, internadoPresidente sem autoridadeimposto ao PMDB e sempeso na AliançaMinistério herdadogoverna com a equipeescolhida por TancredoLiberdades preservadasponto alto do governo,mas o SNI permaneceInflação sem solução235,5% em 1985 e ahiperinflação no horizonte
A primeira caixa da esquerda é a origem de tudo: sem o racha provocado pela vitória de Maluf na convenção, não haveria dissidência para aliar-se ao PMDB.

Mapa mental do assunto

Governo Sarney1985–1989Como chegouAliança Democrática contra Maluf480 a 180 no Colégio EleitoralTancredo morre em 21 de abrilO que avançouRespeito às liberdades públicasVoto para analfabetos, maio de 1985PCB e PC do B legalizadosO que ficou do passadoSNI mantido e financiadoEntulho autoritário por revogarPresidente sem base própriaO que a prova erraTancredo nunca tomou posseA eleição de 1985 foi indiretaSarney vinha do partido do regime
O ramo destacado reúne os três enganos mais frequentes. O primeiro deles aparece em prova quase toda vez que o assunto cai.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
Convenção do PDSagosto de 1984: Maluf bate Mário Andreazza e racha o partido
Frente Liberaldissidência organizada por Aureliano Chaves; origem do PFL
Aliança DemocráticaPMDB mais Frente Liberal, contra Maluf
A chapaTancredo Neves na presidência, José Sarney na vice
Papel dos militaresem 1984 a escolha do candidato governista já não passava pela corporação militar
Trajetória de Sarney“bossa nova” da UDN, governador do Maranhão após 1964, senador pela Arena, presidente da Arena e do PDS
Eleição15 de janeiro de 1985, no Colégio Eleitoral: 480 a 180
Composição do voto275 dos 280 votos do PMDB, mais 166 de parlamentares eleitos pelo PDS
PDT e PTo PDT votou em Tancredo sem integrar a aliança; o PT absteve-se, com três deputados dissidentes
Data prevista da posse15 de março de 1985
Por que Tancredo adiou o tratamentopor temperamento e para não dar pretexto de intervenção aos inconformados das Forças Armadas
Quem assumiuo vice, José Sarney, em situação que se acreditava transitória
Morte de Tancredo21 de abril de 1985, data simbólica da morte de Tiradentes; enterro em São João del Rei
Avaliação de Fausto sobre Tancredohonestidade, equilíbrio e coerência de posições — qualidades raras no meio político
Fragilidade de Sarneyimposto ao PMDB, oposicionista de última hora e sem autoridade na Aliança Democrática
Como começou a governarcom o ministério que Tancredo havia escolhido
Ponto alto do governoo respeito às liberdades públicas
Elo mantido com o passadoo SNI, preservado e financiado com recursos substanciais
Legislação de maio de 1985diretas para presidente restabelecidas, voto de analfabetos e legalização de todos os partidos
Agenda políticarevogar o “entulho autoritário” e eleger a Constituinte, marcada para novembro de 1986
Eleições de novembro de 1985PMDB vence em 19 das 25 capitais e em 110 das 201 cidades, mas perde São Paulo para Jânio Quadros
Herança econômicasaldo comercial de 13,1 bilhões de dólares e reservas de 9 bilhões ao fim de 1984
Inflação223,8% em 1984, 235,5% em 1985 e 17,5% só no mês de janeiro de 1986
Ministros da FazendaFrancisco Dornelles, ortodoxo, até fins de agosto de 1985; depois Dilson Funaro, do BNDES
Cada linha responde a uma pergunta que a questão de vestibular costuma fazer sobre a transição de 1985.

Fontes

  1. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp. Fonte principal deste artigo.
  2. SALLUM JR., Brasilio. Labirintos: dos generais à Nova República. São Paulo: Hucitec, 1996.
  3. COUTO, Ronaldo Costa. História Indiscreta da Ditadura e da Abertura. Rio de Janeiro: Record, 1998.
  4. SOLA, Lourdes. Estado, Mercado e Democracia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993.