História Verso
História do Brasil · Regime Militar

O governo Figueiredo e a anistia

A oposição pedia anistia havia anos. Em agosto de 1979 ela veio — e, na mesma frase que libertava presos e trazia exilados de volta, alcançava também quem havia torturado.

1979–198515 min de leitura4 fontes
Retrato oficial de João Figueiredo · Governo do Brasil · 1979
Retrato oficial de João Batista Figueiredo, o último presidente do regime militar. Chefiara o Gabinete Militar sob Médici e o SNI sob Geisel — currículo improvável para quem conduziria a abertura.
Retrato oficial de João Figueiredo · 1979 · Wikimedia Commons · Public domain
Pergunta orientadora

Como se tira uma bandeira das mãos do adversário? Aprovando-a — com uma cláusula a mais. É o que aconteceu com a anistia, em agosto de 1979.

A luta pela anistia era, havia anos, uma das principais bandeiras da oposição. Figueiredo a atendeu e, ao atendê-la, desarmou-a. A lei aprovada pelo Congresso trazia restrições e embutia uma concessão de peso à linha-dura.1

O general que veio do SNI

Ao contrário dos antecessores, Geisel conseguiu emplacar seu sucessor. O escolhido foi o general João Batista Figueiredo, com Aureliano Chaves, ex-governador de Minas, na vice. No Colégio Eleitoral reunido em 14 de outubro de 1978, a chapa bateu a oposicionista, que reunia o general Euler Bentes Monteiro e o senador gaúcho Paulo Brossard.1

Fausto observa, porém, que essa não foi a vitória que importou. A disputa decisiva de Geisel se deu dentro das Forças Armadas: o ministro do Exército Sylvio Frota lançara a própria candidatura como porta-voz da linha-dura, começando a articular em maio de 1977 — antes do calendário previsto — e acusando o governo de ser complacente com subversivos. Geisel respondeu demitindo-o do ministério e interrompendo sua escalada.1

Quanto ao escolhido, o currículo é revelador: Figueiredo chefiara o Gabinete Militar sob Médici e dirigira o SNI sob Geisel. Parecia, por isso mesmo, talhado para prosseguir na abertura lenta e ao mesmo tempo neutralizar a linha-dura — e era, nas palavras de Fausto, um dos paradoxos da liberalização brasileira.1

Figueiredo sobe a rampa do Congresso na posse · Senado Federal · 1979-03-15
Figueiredo sobe a rampa do Congresso na posse, em 15 de março de 1979. Duas semanas e meia antes, o AI-5 deixara de existir.
Figueiredo sobe a rampa do Congresso na posse · 1979 · Wikimedia Commons · CC BY 2.0

Agosto de 1979: a anistia

O texto aprovado anistiava, na fórmula que o próprio Fausto destaca, “crimes de qualquer natureza relacionados com crimes políticos ou praticados por motivação política”. Uma redação assim ampla tinha um efeito que não passou despercebido a ninguém: ela abrangia também os responsáveis pela prática da tortura.1

E, ainda assim, Fausto não descarta o ganho. A mesma lei permitiu que os exilados políticos voltassem e representou um passo importante na ampliação das liberdades. As duas leituras convivem, e uma resposta boa sobre o assunto segura as duas.1

Questão 01múltipla escolha · sem placar
Sobre a lei de anistia de agosto de 1979, é correto afirmar que:
  1. Incorreta. A fórmula adotada alcançava crimes de qualquer natureza relacionados a crimes políticos ou praticados por motivação política — o que incluía os responsáveis pela tortura.

  2. Incorreta. A anistia foi aprovada pelo Congresso, em agosto de 1979. O pacote de abril é anterior e pertence ao governo Geisel.

  3. Incorreta. Foi justamente a anistia que possibilitou a volta dos exilados — e Fausto a considera, por isso, um passo importante na ampliação das liberdades.

  4. Incorreta. Fausto descreve o movimento contrário: foi Figueiredo quem tirou das mãos da oposição uma de suas principais bandeiras ao encaminhar a anistia.

  5. Correta. É a leitura completa, e as duas metades são verdadeiras ao mesmo tempo. A concessão à linha-dura estava embutida na amplitude da fórmula legal.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

O que já mudara em janeiro

A anistia chegou a um país que, meses antes, já havia perdido o instrumento mais duro do regime. Com a revogação do AI-5, cidadãos voltaram a se manifestar com relativa liberdade e os controles sobre a imprensa desapareceram.1

Mas a mesma emenda que devolveu garantias criou outra coisa. Ao lado do estado de sítio, que já existia, surgiram as chamadas “salvaguardas”: o Executivo passou a poder decretar estado de emergência e medidas de emergência — estas últimas aplicáveis a locais determinados, para restabelecer a ordem pública em caso de calamidade ou de graves perturbações. Foi por causa dessas ressalvas que o MDB se absteve na votação.1

Ficava assim desenhado o limite do período: a oposição tinha campo de manobra, mas não podia alcançar seu objetivo lógico, que era chegar ao poder.1

A abertura sob ataque

A liberalização foi perturbada o tempo todo pela ação da linha-dura, e a lista de atentados registrada por Fausto é concreta. Explodiram bombas em redações de jornais oposicionistas e também na Câmara Municipal do Rio. O presidente da OAB recebeu uma carta-bomba, que detonou na sede da entidade e matou a secretária. E houve sequestros de figuras ligadas à Igreja, entre elas o bispo de Nova Iguaçu, Dom Adriano Hipólito, e o jurista Dalmo Dallari.1

É nesse contexto que aparece o episódio do Riocentro. Sobre ele, Fausto registra uma coisa e apenas uma: Figueiredo contemporizou com a linha-dura no caso. O que a fonte deste artigo não fornece é a narrativa dos fatos nem o desfecho da apuração — e essa ausência não é detalhe editorial.

O que se apurou e o que não se apurou
Vale separar duas coisas que costumam se confundir. Uma é o que aconteceu; outra é o que foi oficialmente estabelecido. No caso do Riocentro, a fonte usada aqui sustenta a postura do governo — a contemporização com a linha-dura — mas não descreve o episódio. Este artigo, por isso, não narra o caso. Quando um assunto chega ao estudante cercado de versões, saber de onde vem cada afirmação vale mais que decorar uma delas.

Dezembro de 1979: acabam Arena e MDB

Para enfraquecer a oposição, o governo obteve do Congresso, ainda em dezembro de 1979, a Nova Lei Orgânica dos Partidos. Ela extinguiu MDB e Arena e exigiu que as novas legendas trouxessem a palavra “partido” no nome.1

A reação dos dois lados é quase cômica e diz muito. A Arena, cujo nome era impopular, aproveitou para trocar de fachada e virou PDS. Já os dirigentes do MDB tiveram a esperteza de apenas acrescentar a palavra exigida, preservando a sigla conhecida: nasceu o PMDB.1

O cálculo do governo, no entanto, tinha fundamento. Os tempos de oposição unida haviam passado: as várias tendências permaneceram juntas enquanto existia um inimigo comum todo-poderoso, e, à medida que o regime se abria, as diferenças ideológicas e pessoais começaram a aparecer.1

LembrePor que Arena e MDB deixaram de existir em 1979?

Por uma lei do próprio governo — a Nova Lei Orgânica dos Partidos, de dezembro de 1979 —, cujo objetivo era fragmentar a oposição. A Arena, com nome desgastado, virou PDS; o MDB apenas somou a palavra exigida e virou PMDB.

O ABC entra na conta

A pressão social mais nova do período não veio dos partidos. Sua origem está numa confissão do governo: em agosto de 1977, admitiu-se que os índices oficiais de inflação de 1973 e 1974 haviam sido manipulados. Como esses índices regulavam os reajustes, o cálculo da perda apareceu: 31,4% do salário real.1

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema abriu campanha pela correção, e daí saíram as grandes greves de 1978 e 1979, que mobilizaram milhões de trabalhadores. Foi nesse cotidiano e nas assembleias do estádio da Vila Euclides que se afirmou a liderança de Luís Inácio da Silva, presidente do sindicato.1

As reivindicações combinavam pauta econômica e política: aumento salarial, garantia de emprego, reconhecimento das comissões de fábrica e liberdades democráticas. A extensão do movimento em 1979 desmentiu a tese conservadora de que São Bernardo seria um mundo à parte.1

Ainda assim, o sindicalismo do ABC nasceu com marcas próprias, e Fausto lista três: maior independência diante do Estado, um índice alto de organização — em torno de 1978, 43% da categoria estava sindicalizada — e a afirmação de líderes fora da influência da esquerda tradicional.1

Questão 02múltipla escolha · sem placar
Sobre o sindicalismo do ABC no fim dos anos 1970, é correto afirmar que:
  1. Incorreta. Uma das marcas próprias desse sindicalismo, segundo Fausto, é justamente a afirmação de seus líderes fora da influência da esquerda tradicional.

  2. Incorreta. As greves reuniam aumento de salários, garantia de emprego, reconhecimento das comissões de fábrica e também liberdades democráticas.

  3. Correta. É a origem concreta do movimento. A campanha do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema pela correção abriu caminho para as greves de 1978 e 1979.

  4. Incorreta. A extensão das greves de 1979 mostrou o contrário: o que ocorria em São Bernardo repercutia no resto do país.

  5. Incorreta. A maior independência diante do Estado é apontada por Fausto como a primeira das marcas próprias desse sindicalismo.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

1982: o voto vinculado e as urnas

O calendário previa eleições para novembro de 1982, e Figueiredo o manteve — obtendo do Congresso, ao mesmo tempo, medidas para cortar as asas da oposição. A principal foi o voto vinculado: o eleitor ficava obrigado a manter uma só legenda do vereador ao governador, sob pena de ter o voto anulado. A regra favorecia o PDS, mais forte no plano municipal, na aposta de que o voto para vereador puxaria os demais.1

Não funcionou onde mais importava. Nas disputas por governo estadual, as oposições fizeram vitórias expressivas: o PMDB elegeu Franco Montoro em São Paulo, Tancredo Neves em Minas e José Richa no Paraná; no Rio de Janeiro venceu Brizola, e uma tentativa de fraudar a contagem de votos pelos computadores foi descoberta pelo PDT e fracassou. O PDS, por sua vez, triunfou na maioria dos estados e bateu os adversários em dois redutos oposicionistas: Rio Grande do Sul e Pernambuco. No caso gaúcho, ajudou a divisão entre PMDB e PDT.1

Diretas Já, e a derrota

Em 1983, o PT elegeu como prioridade a campanha por eleições diretas para presidente e, pela primeira vez, aceitou compor uma frente com outros partidos. A cúpula nacional do PMDB tomou a mesma decisão em junho.1

Dali em diante o movimento ultrapassou as organizações partidárias e virou quase unanimidade nacional. As ruas do Rio e de São Paulo receberam milhões de pessoas, com um entusiasmo raramente visto no país.1

Sócrates em ato pelas Diretas Já · Jorge Henrique Singh · 1984-04-16
O jogador Sócrates em ato pelas Diretas Já, em 16 de abril de 1984. A campanha ultrapassou os partidos e arrastou figuras de fora da política.
Sócrates em ato pelas Diretas Já · 1984 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0

Fausto faz aqui uma leitura que vale reter, porque é ao mesmo tempo elogiosa e crítica: a campanha expressava a vitalidade da manifestação popular e, junto, a dificuldade dos partidos para exprimir reivindicações. A população depositava nas diretas todas as suas esperanças — não só a de uma representação autêntica, mas também a solução de problemas como salário baixo, segurança e inflação, que eleger um presidente diretamente não resolveria sozinho.1

Tancredo Neves e Ulysses Guimarães nas Diretas Já · Senado Federal · 2010-09-10 15:23
Tancredo Neves e Ulysses Guimarães em manifestação pelas diretas. Os dois nomes que conduziriam a transição estavam na campanha que seria derrotada.
Tancredo Neves e Ulysses Guimarães nas Diretas Já · 2010 · Wikimedia Commons · CC BY 2.0

E havia uma distância entre a rua e o Congresso, onde o PDS tinha maioria. A eleição direta exigia alteração constitucional, isto é, dois terços dos votos — o que obrigava muitos congressistas do PDS a votar a favor. A proposta levava o nome de quem a apresentou — Dante de Oliveira, deputado do PMDB por Mato Grosso — e entrou para a história como Emenda Dante de Oliveira.1

A votação, em 25 de abril de 1984, ocorreu sob estado de emergência imposto por Figueiredo em Brasília e executado pelo general Newton Cruz — que tentou impedir um buzinaço saindo a cavalo pelas ruas e chicoteando o capô dos automóveis. A emenda não passou.1

Manifestação pelas diretas na Câmara dos Deputados · Senado Federal · 2010-09-16 17:16
Manifestação pelas diretas na Câmara dos Deputados. A emenda dependia de dois terços dos votos, e o PDS tinha maioria — a distância entre a praça e o plenário decidiu o desfecho.
Manifestação pelas diretas na Câmara dos Deputados · 2010 · Wikimedia Commons · CC BY 2.0

Abertura e crise, ao mesmo tempo

Resta o paradoxo econômico, e Fausto o trata como uma lição de método. O período combinou dois traços que muita gente julgava incompatíveis: ampliar a abertura e, ao mesmo tempo, afundar na crise econômica. Esperava-se que as dificuldades gerassem conflito social e, com ele, novos controles autoritários. O erro desse raciocínio, escreve ele, estava em fazer da política simples decorrência da economia.1

Os números explicam por que a expectativa parecia razoável. Em agosto de 1979, Simonsen deixou o Planejamento e Delfim Netto assumiu, prestigiado como o homem do milagre. Só que o cenário era outro: veio um segundo choque do petróleo, as taxas internacionais de juros seguiram subindo e obter novos empréstimos ficou cada vez mais difícil, com prazos que se estreitavam.1

O balanço final é duro. Quando Figueiredo deixou o governo, no início de 1985, havia alívio financeiro temporário e o país voltara a crescer — mas a inflação, que em 1978 era de 40,8%, fechou 1984 em 223,8%, e a dívida externa subira de 43,5 para 91 bilhões de dólares.1

Pontos sensíveis deste artigo
  • A anistia valeu para os dois lados — ao anistiar crimes de qualquer natureza relacionados a crimes políticos ou praticados por motivação política, a lei de agosto de 1979 alcançou também os responsáveis pela tortura. Ela permitiu a volta dos exilados e ampliou liberdades — as duas coisas são verdadeiras.
  • As Diretas Já perderam — a Emenda Dante de Oliveira foi derrotada em 25 de abril de 1984, porque dependia de dois terços do Congresso e o PDS tinha maioria. A eleição seguinte ainda seria indireta.
  • Riocentro: limite de fonte declarado — o material usado aqui registra que Figueiredo contemporizou com a linha-dura no episódio, mas não narra os fatos nem o resultado da apuração. Este artigo não completa a lacuna — e distinguir o que foi estabelecido do que nunca foi apurado é parte do assunto, não um detalhe dele.
  • Abertura e crise não se excluem — Fausto usa o período para desmontar a ideia de que a política decorre da economia: a liberalização avançou justamente enquanto a inflação disparava e a dívida externa dobrava.
  • Quem acabou com o bipartidarismo foi o governo — a Nova Lei Orgânica dos Partidos, de dezembro de 1979, extinguiu Arena e MDB para fragmentar a oposição. A Arena virou PDS; o MDB apenas acrescentou a palavra exigida e virou PMDB.
  • A violência do regime continuou na abertura — bombas em jornais de oposição e na Câmara Municipal do Rio, uma carta-bomba que matou a secretária da OAB e sequestros de Dom Adriano Hipólito e Dalmo Dallari. Abertura não significou fim da violência de Estado.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 10evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

De 1978 a 1984, em sete marcos

out 1978ColégioEleitoralescolheFigueiredojan 1979Emenda nº 11revoga o AI-5ago 1979Lei de anistiaaprovada peloCongressodez 1979Nova lei dospartidosextingue Arenae MDB1979Grandes grevesdo ABC reúnemmilhõesnov 1982Oposiçõesvencem em SãoPaulo, Minas eRio25 abr 1984Emenda Dantede Oliveira éderrotadaSeis anos entre a revogação do AI-5 e a saída do último general. A abertura avançou junto com a pior crise econômica do período.
Os dois marcos em destaque delimitam o período: começa com a anistia, que desarma a oposição concedendo-lhe o que ela pedia, e termina com a derrota da emenda que pedia o voto direto.

Os dois lados da anistia

O que a anistia abriuVolta dos exilados políticosPasso importante nas liberdadesTira da oposição sua principal bandeiraEncerra uma pauta de anosReintegra nomes banidos à vida públicaAvanço real, e Fausto o reconheceO que a anistia fechouAlcança quem praticou torturaA lei traz restriçõesConcessão explícita à linha-duraFórmula ampla: “crimes de qualquer natureza”Vale para os dois lados do balcãoFecha a via da responsabilização
As duas colunas descrevem a mesma lei. Nenhuma resposta sobre 1979 fica completa citando só uma delas.

O que permitiu continuar, e o que o período produziu

O QUE PERMITIU CONTINUARO QUE O PERÍODO PRODUZIULinha-dura derrotadaGeisel demite Frota ecorta sua candidaturaAI-5 revogadoemenda nº 11 vale desde1º de janeiro de 1979Sociedade organizadagreves do ABC reúnemmilhões de trabalhadoresGoverno Figueiredo · 1979–1985abertura ampliada em meioà pior crise econômicaAnistia de 1979exilados voltam; torturadorestambém são alcançadosFim do bipartidarismoArena vira PDS eMDB vira PMDBDiretas Jáa rua ultrapassa ospartidos em 1984Violência da linha-durabombas, carta-bomba na OABe sequestros
A última caixa da direita costuma sumir das respostas: a abertura conviveu com atentados a bomba e sequestros praticados por setores do próprio regime.

A inflação no período Figueiredo

197840,8%1984223,8%inflação anual, em %
A inflação quintuplicou em seis anos, e a dívida externa passou de 43,5 para 91 bilhões de dólares — e mesmo assim a abertura avançou. É o dado que desmonta a ideia de que a política decorre da economia.

Mapa mental do assunto

Governo Figueiredo1979–1985A aberturaAnistia em agosto de 1979Fim de Arena e MDBGolbery e Petrônio PortelaA resistência armada do regimeBombas em jornais da oposiçãoCarta-bomba mata secretária da OABSequestros de figuras da IgrejaA sociedadeGreves do ABC em 1978 e 197943% dos operários sindicalizadosDiretas Já vira unanimidadeO que a prova erraA anistia não foi só para a oposiçãoAs Diretas Já foram derrotadasAbertura e crise andaram juntas
O ramo destacado reúne os três enganos mais caros, e o segundo é o mais comum de todos: lembrar da campanha das Diretas Já e esquecer que ela foi derrotada.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
EleiçãoColégio Eleitoral de 14 de outubro de 1978; vice, Aureliano Chaves
Chapa derrotadageneral Euler Bentes Monteiro e senador Paulo Brossard, pelo MDB
A disputa que importoudentro das Forças Armadas: Geisel demitiu o ministro Sylvio Frota e cortou sua candidatura
Currículo de FigueiredoGabinete Militar sob Médici e chefia do SNI sob Geisel
Condutores da aberturao general Golbery e o ministro da Justiça Petrônio Portela
Anistiaagosto de 1979, aprovada pelo Congresso
Fórmula da leicrimes de qualquer natureza relacionados a crimes políticos ou praticados por motivação política
O que ela concedeualcançou também os responsáveis pela tortura
O que ela abriuvolta dos exilados políticos e ampliação das liberdades
Salvaguardasestado de emergência e medidas de emergência, ao lado do estado de sítio; o MDB se absteve
Violência da linha-durabombas em redações e na Câmara do Rio; carta-bomba à OAB mata a secretária; sequestros de Dom Adriano Hipólito e Dalmo Dallari
Riocentroa fonte registra que Figueiredo contemporizou com a linha-dura, sem narrar os fatos nem a apuração
Fim do bipartidarismodezembro de 1979: Arena vira PDS e MDB vira PMDB
Origem das greves do ABCmanipulação admitida dos índices de 1973 e 1974, com perda de 31,4% do salário real
Greves de 1978 e 1979milhões de trabalhadores; liderança de Lula nas assembleias da Vila Euclides
Marcas do sindicalismo do ABCindependência diante do Estado, 43% de sindicalizados em 1978 e líderes fora da esquerda tradicional
Voto vinculadoobriga uma só legenda do vereador ao governador; favorecia o PDS
Eleições de 1982Montoro em SP, Tancredo em MG, Richa no PR e Brizola no RJ; PDS vence em PE e no RS
Diretas JáPT e PMDB puxam a campanha em 1983; vira quase unanimidade nacional
Emenda Dante de Oliveiravotada em 25 de abril de 1984 e derrotada, sob estado de emergência em Brasília
Balanço econômicoinflação em 40,8% no ano de 1978 e em 223,8% no de 1984; dívida externa de 43,5 a 91 bilhões de dólares
A lição de métodoabertura e crise conviveram — a política não é simples decorrência da economia
Cada linha responde a uma pergunta que a questão de vestibular costuma fazer sobre o último governo do regime militar.

Fontes

  1. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp. Fonte principal deste artigo.
  2. GASPARI, Elio. A Ditadura Acabada. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016.
  3. SADER, Eder. Quando Novos Personagens Entraram em Cena. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
  4. KUCINSKI, Bernardo. Abertura, a História de uma Crise. São Paulo: Brasil Debates, 1982.