História Verso
História do Brasil · Período Democrático

Jânio Quadros e a renúncia

Por que ele renunciou? A resposta honesta é que não se sabe — a própria fonte diz que o episódio nunca foi esclarecido, e Jânio se recusou a explicá-lo. O que dá para fazer é examinar por que a versão mais aceita continua sendo só uma hipótese.

196113 min de leitura4 fontes
Jânio condecora Che Guevara, 21 de agosto de 1961 · Agência Nacional · Taken on 21 August 1961
Jânio condecora Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul, em 21 de agosto de 1961 — quatro dias antes de renunciar. Fausto adverte que não havia no gesto intenção de apoiar o comunismo: ele simbolizava a política externa independente.
Jânio condecora Che Guevara, 21 de agosto de 1961 · 1961 · Wikimedia Commons · Public domain
Pergunta orientadora

Por que Jânio renunciou? A resposta honesta é que não se sabe. E é justamente por isso que o assunto vale a pena: ele ensina a diferença entre o que está estabelecido e o que continua sendo suposição.

Fausto é categórico sobre esse ponto: “a renúncia não chegou a ser esclarecida”. O próprio Jânio nunca deu versão clara do que houve, limitando-se a falar em “forças terríveis” que o teriam empurrado ao ato — sem jamais dizer quais.1

Um presidente eleito por quase metade do país

Em outubro de 1960, Jânio venceu com 48% dos votos, contra 28% do general Lott e 23% de Ademar de Barros. Em termos proporcionais, o desempenho só ficou abaixo do de Dutra em 1945.1

E há uma peculiaridade decisiva no resultado: João Goulart elegeu-se vice apesar da derrota de Lott. Era possível, então, votar em presidente de uma chapa e em vice de outra — e foi o que boa parte do eleitorado fez.1

Nos meios operários, a votação em Jânio e Jango expressou o avanço do PTB, acompanhado de uma dissidência trabalhista surgida no sindicalismo paulista, que preferiu o candidato adversário. Daí nasceu o apelido do fenômeno: Jan-Jan. Fausto acrescenta o presságio — os acontecimentos logo mostrariam os riscos daquela combinação.1

Comício da campanha de Jânio, 1960 · Unknown Unknown · Taken in 1960
Comício da campanha de 1960, no acervo do Correio da Manhã. Jânio construiu a imagem do homem que varreria a corrupção — e chegou ao cargo sem partido que o sustentasse.
Comício da campanha de Jânio, 1960 · 1960 · Wikimedia Commons · Public domain

Uma terceira via no meio da Guerra Fria

Para entender o que veio depois é preciso olhar o continente. Em 1959, a Revolução Cubana venceu. Passada a euforia com a queda de Fulgêncio Batista, Fidel Castro foi se inclinando para o socialismo comunista — movido, escreve Fausto, tanto pela convicção das lideranças quanto pelo empurrão do embargo americano.1

A frase com que ele resume o efeito disso merece atenção: a ameaça comunista, até então agitada como espantalho para reprimir reivindicações das classes dominadas, convertia-se em realidade. Se um regime daqueles se firmava a menos de 150 quilômetros da Flórida, o que impediria o mesmo em outros pontos da América Latina?1

Jânio havia estado em Cuba, em março de 1960, manifestando de forma cifrada uma vaga simpatia pelo regime. Já presidente, provocou a fúria conservadora ao condecorar Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul.1

E aqui está a correção mais importante do assunto, e ela é do próprio Fausto: não havia naquele gesto intenção alguma de apoiar o comunismo. Para o grande público, o que ele simbolizava era outra coisa: a política externa independente que o governo vinha praticando.1

O chanceler era insuspeito de esquerdismo
Fausto faz questão de registrar em que mãos essa política estava: as do ministro do Exterior Afonso Arinos de Melo Franco, que ele qualifica de insuspeitas. O programa consistia em buscar uma terceira via para o Brasil entre os dois blocos em confronto — capitalista e comunista. Não era adesão a um lado; era recusa de alinhamento automático.
Questão 01múltipla escolha · sem placar
Sobre a condecoração de Che Guevara e a política externa do governo Jânio Quadros, é correto afirmar que:
  1. Incorreta. Fausto afirma expressamente que não havia no gesto intenção de demonstrar apoio ao comunismo. E o Brasil obtinha, naquele momento, novos empréstimos americanos com apoio do presidente Kennedy.

  2. Incorreta. A política externa estava nas mãos de Afonso Arinos de Melo Franco, que Fausto qualifica justamente de insuspeitas.

  3. Incorreta. Não houve isolamento: o Clube de Haia e os credores americanos reescalonaram a dívida brasileira em 1961, e novos empréstimos foram contraídos nos Estados Unidos.

  4. Correta. É a leitura de Fausto. O gesto teve efeito simbólico junto ao grande público e enfureceu os conservadores, mas seu conteúdo era de não alinhamento, não de adesão.

  5. Incorreta. A política externa provocou oposição dos conservadores, especialmente da maioria da UDN — que, além disso, não havia conseguido chegar ao poder.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

O aperto que ele mesmo escolheu

No discurso de posse, Jânio classificou a situação financeira como terrível, e apresentou os números herdados do governo anterior: um déficit no balanço de pagamentos de 410 milhões de dólares para exportações de 1,27 bilhão; uma dívida externa de 3,8 bilhões, dos quais 600 milhões venceriam em 1961; um déficit orçamentário acima de 100 bilhões de cruzeiros, equivalente a cerca de um terço da arrecadação prevista; e uma inflação que, em 1959 e 1960, passara de 30% ao ano — perto do dobro da média do período 1950–1958.1

A resposta foi um pacote ortodoxo de estabilização: forte desvalorização cambial, contenção dos gastos públicos e freio na expansão monetária. E veio a medida que se sentiu no bolso — o corte dos subsídios à importação de trigo e petróleo, que fez o preço do pão e dos combustíveis dobrar.1

Do lado de fora, o plano agradou. Credores e FMI receberam bem as medidas. O Clube de Haia, que reunia os credores europeus, e também os americanos reescalonaram a dívida brasileira em 1961, e novos empréstimos foram tomados nos Estados Unidos com apoio do presidente Kennedy.1

A razão desse apoio é reveladora: Jânio era visto como o caminho para impedir que o maior país da América Latina escorregasse rumo à instabilidade e ao comunismo. O mesmo presidente que condecorava Che era, para Washington, a garantia contra outra Cuba.1

Jânio com o presidente argentino Arturo Frondizi, abril de 1961 · Unknown author Unknown author · 1961-04-21
Jânio com o presidente argentino Arturo Frondizi, em abril de 1961. A política externa independente aproximou o Brasil de vizinhos e de países fora do alinhamento automático.
Jânio com o presidente argentino Arturo Frondizi, abril de 1961 · 1961 · Wikimedia Commons · Public domain

Em agosto de 1961, ele começou a afrouxar as medidas de contenção — mas não chegou a executar uma eventual mudança de rumo. Foi naquele mesmo mês que, com um gesto, pôs fim ao próprio governo.1

Um governo sem chão

A fragilidade era estrutural: ele governava sem base de apoio. Quem dominava o Congresso eram PSD e PTB. E Lacerda passara para a oposição, atacando-o — anota Fausto — com a mesma veemência com que antes o apoiara.1

Nem a UDN, que o elegera, estava satisfeita. As queixas eram três: ele quase não consultava a liderança udenista no Congresso; a política externa independente preocupava; e havia ainda a simpatia presidencial pela reforma agrária.1

24 e 25 de agosto

Na noite de 24 de agosto de 1961, Carlos Lacerda — já eleito governador da Guanabara — foi ao rádio denunciar uma tentativa de golpe janista que teria sido articulada pelo ministro da Justiça, Oscar Pedroso Horta. E acrescentou um detalhe estranho: ele próprio teria sido convidado a aderir. Pedroso Horta negou a acusação.1

No dia seguinte, Jânio deixou o cargo: comunicou ao Congresso Nacional que renunciava à presidência.1

Jânio em reunião de governadores, junho de 1961 · Unknown author Unknown author · 29 June 1961
Jânio em reunião de governadores no Itamaraty, em junho de 1961. Dois meses depois, o governo mais curto do período democrático estaria encerrado.
Jânio em reunião de governadores, junho de 1961 · 1961 · Wikimedia Commons · Public domain

A explicação que continua sendo hipótese

Aqui é preciso ir devagar, porque este é o ponto em que resumo escolar costuma afirmar mais do que se sabe.

O que está estabelecido é pouco e é isto: o episódio seguiu sem esclarecimento, e o próprio protagonista se recusou a explicá-lo.1

O que existe além disso é uma hipótese — e Fausto a apresenta exatamente com esse nome, chamando-a de “a hipótese explicativa mais provável”. Ela combina dois elementos: uma personalidade instável e um cálculo político equivocado.1

Segundo essa leitura, ele esperaria obter, por meio de uma espécie de “tentativa de renúncia”, uma soma maior de poderes que o desobrigasse em parte de Congresso e partidos. O raciocínio se apoiaria em duas convicções pessoais: ele se considerara imprescindível aos partidos durante a campanha e se julgava imprescindível ao país como presidente. E numa pergunta que parecia retórica — conservadores e militares aceitariam entregar o país a João Goulart?1

LembreEstá provado que Jânio renunciou esperando ser chamado de volta?

Não. Isso é hipótese, e a fonte a rotula assim — “a hipótese explicativa mais provável”. O que está estabelecido é apenas que a renúncia nunca foi esclarecida e que o próprio Jânio se recusou a explicá-la. Numa dissertação, apresentar a hipótese como hipótese vale mais do que afirmá-la como fato.

Por que a hipótese é plausível: ele já tinha feito isso

O que dá força à explicação não é intuição psicológica — é um precedente concreto. Em novembro de 1959, Jânio abriu mão da própria candidatura. Os partidos que o apoiavam tiveram de pedir publicamente que reconsiderasse — e ele voltou à campanha com as mãos mais livres.1

Dois anos depois, o mesmo movimento produziu resultado oposto. Fausto é direto sobre o desfecho: o ato de renunciar à presidência resultaria em desastre — não só para ele, mas principalmente para o país.1

O aeroporto onde ninguém apareceu

Renunciado o cargo, ele deixou Brasília às pressas e foi descer em São Paulo — no Aeroporto de Cumbica, à época uma base militar.1

Ali recebeu o apelo de dois governadores para que reconsiderasse: o mineiro Magalhães Pinto e o paulista Carvalho Pinto. E Fausto encerra o assunto com a frase que decide tudo: afora isso, não houve nenhuma outra ação significativa pelo retorno do presidente.1

O motivo é o que já se acumulara: havia queixa de todos os lados — e, em vez de pedirem sua volta, os grupos já se acomodavam ao cenário novo.1

Faltava um detalhe jurídico, e ele é decisivo. Renúncia não se submete a voto: apenas se comunica. Ao Congresso restou tomar conhecimento do ato — não havia o que aceitar ou recusar. E, nas palavras do autor, a partir daí a disputa pelo poder começou.1

Retrato oficial de Jânio Quadros · Governo do Brasil · 1961
Retrato oficial de Jânio Quadros. Governou sete meses, entre janeiro e agosto de 1961, com quase metade dos votos e nenhum partido que o sustentasse.
Retrato oficial de Jânio Quadros · 1961 · Wikimedia Commons · Public domain

A Constituição não deixava dúvida sobre quem deveria assumir: o vice-presidente João Goulart. Mas a posse ficou em suspenso — e o que veio depois é assunto do próximo artigo.1

Questão 02múltipla escolha · sem placar
Sobre a renúncia de Jânio Quadros e seus desdobramentos imediatos, é correto afirmar que:
  1. Incorreta. Fausto afirma que a renúncia nunca foi esclarecida e apresenta essa explicação como hipótese — a mais provável, mas hipótese. Jânio recusou-se a dar versão clara dos fatos.

  2. Correta. É o ponto jurídico que define o desfecho: não havia o que aceitar ou recusar. Restava definir a posse do vice, que ficou em suspenso.

  3. Incorreta. Além do apelo de governadores como Carvalho Pinto e Magalhães Pinto no aeroporto de Cumbica, não houve nenhuma outra ação significativa pelo retorno.

  4. Incorreta. O pacote não foi derrotado: as medidas agradaram credores e FMI, e o próprio Jânio começara a afrouxá-las em agosto de 1961.

  5. Incorreta. A Constituição não deixava dúvidas: deveria assumir o vice-presidente João Goulart. A crise veio da resistência à posse, não de lacuna no texto.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Pontos sensíveis deste artigo
  • A motivação da renúncia não está estabelecida — Fausto afirma que o episódio nunca foi esclarecido e que Jânio se recusou a explicá-lo, falando apenas em “forças terríveis”. A versão do presidente que esperava voltar com mais poder é apresentada por ele como hipótese — a mais provável, mas hipótese. Numa prova, dizer que há disputa vale mais que decorar uma explicação.
  • Condecorar Che não era apoiar o comunismo — a afirmação é explícita na fonte. O gesto simbolizava a política externa independente, conduzida por Afonso Arinos de Melo Franco, cujo objetivo era uma terceira via entre os blocos — recusa de alinhamento automático, não adesão a um lado.
  • Renúncia se comunica, não se vota — o Congresso apenas tomou conhecimento do ato. Esse detalhe jurídico é o que torna a saída irreversível e o que transfere a crise, imediatamente, para a questão da posse do vice.
  • O precedente de 1959 é o que dá força à hipótese — Jânio já renunciara à candidatura em novembro de 1959 e fora chamado de volta pelos partidos, retornando com mais liberdade. A diferença em 1961 não está na jogada, e sim em quem precisava de quem.
  • O governo não caiu por causa da esquerda — as queixas que o cercavam vinham sobretudo da direita que o elegera: a UDN reclamava de não ser consultada, da política externa independente e da simpatia presidencial pela reforma agrária. E o pacote econômico que ele adotou era ortodoxo, aprovado por credores e pelo FMI.
  • Washington via Jânio como anteparo, não como ameaça — os credores reescalonaram a dívida em 1961 e novos empréstimos vieram com apoio de Kennedy, porque ele era encarado como o caminho para evitar que o maior país da América Latina escorregasse para a instabilidade e o comunismo.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 10evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

De 1959 a 1961, em sete marcos

nov 1959Renuncia àcandidatura eé chamado devoltamar 1960Visita Cuba einsinuasimpatia peloregimeout 1960Eleito com 48%dos votosjan 1961Posse, compacoteortodoxo deestabilização21 ago 1961Condecora CheGuevara eenfurece adireita24 ago 1961Lacerdadenuncia golpepelo rádio25 ago 1961Renuncia àpresidênciaSete meses de governo. O ensaio de 1959 tinha dado certo; a repetição de 1961 não teve quem pedisse a volta.
Os dois marcos em destaque são a mesma jogada feita duas vezes. O primeiro deu certo; o segundo encerrou o governo — e a diferença entre eles é o assunto do artigo.

Duas renúncias, dois resultados

Novembro de 1959: o ensaioRenuncia à candidatura, não ao cargoOs partidos precisam dele para vencerPedem publicamente que reconsidereEle volta à campanhaVolta com as mãos mais livresA jogada funcionaAgosto de 1961: a repetiçãoRenuncia à presidência da RepúblicaCada grupo já tem queixa contra eleSó dois governadores apelam, em CumbicaNenhuma outra ação pelo seu retornoOs grupos tomam pé da nova situaçãoA jogada, se foi jogada, fracassa
Leia as linhas em pares. Nada muda no gesto; o que muda é a coluna do meio de cada lado — se os outros precisavam dele ou já tinham queixa.

O que cercou o governo, e o que a renúncia abriu

O QUE CERCOU O GOVERNOO QUE A RENÚNCIA ABRIUSem base no CongressoPSD e PTB dominam a casa;a UDN não é consultadaAperto impopularpão e combustível dobramde preço com o corte de subsídioDireita hostilizadapolítica externa independentee simpatia pela reforma agráriaRenúncia · 25 ago 1961comunicada ao Congresso,não submetida a votoNinguém pede a voltasó dois governadores apelamno aeroporto de CumbicaCongresso só registrarenúncia não se vota:apenas se comunicaMotivação sem respostaele fala em “forças terríveis”e nunca explica quaisComeça a disputaa posse do vice ficaem suspenso
Repare que as três causas da esquerda vêm de lados opostos: Congresso adversário, população apertada pelo custo de vida e direita hostilizada. Governar assim exige base, e ele não tinha.

A eleição presidencial de 1960

Jânio Quadros48%General Lott28%Ademar de Barros23%% dos votos na eleição presidencial de outubro de 1960
Quase metade dos votos — desempenho proporcional só inferior ao de Dutra em 1945. Votação alta e base parlamentar nula é a combinação que explica o resto.

Mapa mental do assunto

Jânio Quadros1961A eleição48% contra 28% de LottJango vice por voto separadoO movimento Jan-JanA política externaTerceira via entre os blocosAfonso Arinos no ItamaratyCondecoração de Che GuevaraAs finançasPacote ortodoxo de estabilizaçãoPão e combustível dobramFMI e credores aprovamO que a prova erraA motivação NÃO foi esclarecidaCondecorar Che não era apoio ao comunismoRenúncia se comunica, não se vota
O ramo destacado reúne os três erros mais caros. O primeiro é de método: tratar hipótese como fato estabelecido compromete qualquer resposta sobre 1961.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
Eleiçãooutubro de 1960: Jânio 48%, Lott 28% e Ademar de Barros 23%
Comparação históricaem percentual, só não superou o desempenho de Dutra em 1945
Eleição do viceJoão Goulart elege-se vice apesar da derrota de Lott — votava-se separado
Movimento Jan-Jandissidência sindical trabalhista de São Paulo que apoiou Jânio para presidente e Jango para vice
Contexto continentalvitória da Revolução Cubana em 1959 e inclinação de Fidel ao socialismo comunista
Visita a Cubamarço de 1960, com simpatia expressa de forma cifrada
Condecoração de CheOrdem do Cruzeiro do Sul; sem intenção de apoiar o comunismo, segundo Fausto
Política externa independenteterceira via entre os blocos, conduzida por Afonso Arinos de Melo Franco
Herança financeiradéficit externo de 410 milhões de dólares e dívida externa de 3,8 bilhões
Déficit orçamentário de 1961mais de 100 bilhões de cruzeiros — cerca de um terço do que se esperava arrecadar
Inflação herdadaacima de 30% ao ano em 1959 e 1960, quase o dobro da média de 1950–1958
Pacote de estabilizaçãoortodoxo: desvalorização cambial, contenção de gastos e freio monetário
Efeito no bolsocorte de subsídios ao trigo e ao petróleo dobra o preço do pão e dos combustíveis
Reação externaClube de Haia e credores americanos reescalonam a dívida em 1961; novos empréstimos com apoio de Kennedy
Por que os EUA apoiavamJânio era visto como o caminho para evitar que o maior país da região escorregasse para o comunismo
Base políticanenhuma: PSD e PTB dominavam o Congresso e Lacerda migrara para a oposição
Queixas da UDNficar de fora das decisões, a política externa independente e a simpatia pela reforma agrária
24 de agosto de 1961Lacerda denuncia pelo rádio um golpe janista atribuído a Oscar Pedroso Horta, que nega
25 de agosto de 1961renúncia, comunicada ao Congresso Nacional
O que está estabelecidoque o episódio nunca foi esclarecido e que Jânio falou apenas em “forças terríveis”
A hipótese mais provávelpersonalidade instável somada a cálculo político: obter mais poderes por meio de uma “tentativa de renúncia”
O precedentenovembro de 1959: renunciou à candidatura, foi chamado de volta e retornou com as mãos mais livres
Cumbicaapelo de Carvalho Pinto e Magalhães Pinto; afora isso, nenhuma ação significativa pelo retorno
Aspecto jurídiconão se submete a voto, apenas se comunica — ao Congresso restou tomar conhecimento
Sucessãoa Constituição previa a posse do vice João Goulart, que ficou em suspenso
Cada linha responde a uma pergunta que a questão de vestibular costuma fazer sobre os sete meses de 1961.

Fontes

  1. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp. Fonte principal deste artigo.
  2. SKIDMORE, Thomas. Brasil: de Getúlio a Castello. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
  3. BENEVIDES, Maria Victoria. O Governo Jânio Quadros. São Paulo: Brasiliense, 1981.
  4. FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucilia (orgs.). O Brasil Republicano, v. 3. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.