Axum e a Etiópia cristã
Um reino do planalto etíope que cunhava moeda de ouro no padrão de Bizâncio, controlava a saída do mar Vermelho e mandava exércitos à Arábia. No século IV, a cruz tomou o lugar do crescente nas suas moedas, e o cristianismo que dali nasceu continua sendo a Igreja da Etiópia.

Estela 3 de Axum, a única das grandes estelas decoradas que continua de pé · 2018 · Wikimedia Commons · CC BY 3.0
No século III, a fama de um reino africano já tinha chegado à Pérsia: o profeta Mani o pôs na lista dos maiores impérios do mundo. Esse reino cunhava moeda de ouro, mandava navios à Arábia e, no século IV, trocou de deus em plena moeda — o crescente saiu e entrou a cruz. Como um Estado do planalto etíope chegou a esse lugar, e o que a conversão mudou nele?
Como se sabe alguma coisa sobre Axum
Comece pelo problema, porque ele molda tudo o que vem depois. Não existe nenhum manuscrito axumita anterior ao século XIII. O que o reino deixou escrito sobreviveu em dois suportes duros: pedra e metal.3
O metal são as moedas. Delas sai a maior parte dos nomes de reis que conhecemos — dezoito, segundo o arqueólogo Francis Anfray, autor do capítulo da UNESCO sobre os sítios. Os achados se contam aos milhares, quase sempre nos campos lavrados em volta de Axum, quando a chuva revira a terra.1 A pedra são as inscrições reais, poucas e lacônicas no começo, longas e narrativas no tempo de Ezana.1
Do lado de fora, os testemunhos são escassos e vagos. O nome Axum aparece pela primeira vez no Périplo do Mar da Eritreia, um guia de navegação e comércio redigido no fim do século I por um mercador do Egito. Antes dele, o naturalista romano Plínio já mencionava o porto de Adulis — o que faz do porto um personagem mais antigo, nos registros, que a própria capital.1
A arqueologia sistemática só começou com o Instituto Etíope de Arqueologia, criado em 1952. Conhecem-se hoje uns quarenta sítios importantes, e Anfray admite sem rodeio que os dados ainda não bastam nem para traçar as linhas gerais da civilização.1 Tudo o que segue deve ser lido com essa margem.
As moedas de Axum não trazem ano. A ordem dos reis é reconstruída pelo estilo, pelo metal, pelos símbolos e pela língua das legendas. Por isso este artigo fala em séculos, e não em anos, sempre que a fonte não oferece coisa melhor.
Onde ficava, e o que herdou
O núcleo do reino era um retângulo de cerca de 300 por 160 quilômetros no norte da Etiópia e na atual Eritreia, entre o litoral do mar Vermelho, onde ficava Adulis, e as proximidades do rio Taqqase, a oeste.1
Axum não brotou do nada. Cinco séculos antes de Cristo, o planalto já abrigava uma cultura agrícola com marcas da Arábia do Sul — a chamada fase pré-axumita. Dela o reino guardou a escrita, o emblema do disco sobre o crescente, o nome da deusa Astar, técnicas de construção e, provavelmente, o arado. E a maioria dos povoados axumitas ocupa os mesmos lugares dos pré-axumitas.1
Ao mesmo tempo, muito muda nos primeiros séculos da Era Cristã: a grafia, os deuses, a cerâmica, a presença de objetos importados. E o sítio de Axum, curiosamente, parece não ter passado relevante antes do século I.1
De onde vinha a riqueza
Vale separar o assunto em três andares, porque a riqueza de Axum não vinha de um lugar só.
O chão. A grande maioria dos axumitas vivia do campo, de modo muito parecido com os camponeses do Tigré de hoje. Faziam terraços nas encostas, irrigados por canais; construíam cisternas e barragens para guardar a chuva — em Kohaito sobrevive uma de 67 metros. Plantavam trigo e outros cereais, cultivavam a vinha, aravam com bois e criavam bois, carneiros, cabras, asnos e mulas.21 Para Yuri Kobishanov, autor do capítulo sobre economia, a inovação técnica decisiva foi a difusão das ferramentas de ferro.2
O interior. Daqui saía o que o mundo romano mais queria. Em primeiro lugar, o marfim: Plínio e o Périplo o põem no topo das exportações de Adulis, e Axum era o grande centro onde ele era reunido. Nonnosus, que visitou o reino no tempo do imperador Justiniano, disse ter cruzado uma manada de 5 mil elefantes no caminho.1 Saíam também chifre de rinoceronte, couro de hipopótamo, carapaça de tartaruga, obsidiana, incenso e escravizados — estes, em boa parte, prisioneiros das guerras do reino.2
E havia o ouro. Segundo o viajante Cosmas Indicopleustes, a cada ano ou dois o rei despachava para uma região chamada Sassu, no sudoeste, uma caravana armada de mais de quinhentas pessoas, que levava bois, sal e ferro e voltava com pepitas. A rota era guardada em segredo dos bizantinos.2
O mar. Nos dois primeiros séculos da Era Cristã, o tráfego no mar Vermelho cresceu muito, puxado pela presença romana e pelo uso dos ventos na navegação rumo à Índia. O geógrafo Estrabão conta que, no tempo de Augusto, 120 navios por ano partiam de Myos Hormos.1 Adulis ficava no caminho. Pelo porto entravam tecidos do Egito, vidro, cobre, ferro, ferramentas, vinho e azeite; da Índia vinham ferro, aço e algodão.2 Nas escavações apareceram moedas romanas, 104 moedas de ouro da dinastia indiana kuchana, e até estatuetas de Buda.2

Pedra com inscrição do rei Ezana, em Axum · 2011 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 2.0
Por cima dos três andares estava o rei. Kobishanov sustenta que o comércio era tratado como negócio de Estado: provavelmente o soberano detinha o monopólio do marfim e do ouro, só ele e seus vassalos tinham estoque para vender a estrangeiros, e o Périplo chama Adulis de “mercado oficialmente estabelecido”.2 Com a expansão, Axum passou a vigiar o estreito de Bab el-Mandeb, que liga o mar Vermelho ao oceano Índico e que o autor coloca, ao lado de Gibraltar e Malaca, entre as três grandes passagens marítimas do mundo antigo.2
LembrePor que Adulis importava tanto para Axum?
Porque era a porta de saída do que o interior produzia — marfim, ouro, chifre de rinoceronte — e a porta de entrada do que vinha do Egito, da Arábia e da Índia. Sob o rei, virou mercado oficial; no século V, segundo Kobishanov, era o porto mais importante entre o Egito e a Índia. A prosperidade do porto não era espontânea: dependia da proteção do Estado axumita.
Como o poder se organizava
O título diz quase tudo: rei dos reis. Abaixo do soberano de Axum havia uma escada de reis menores — cada povo, cidade ou principado tinha o seu negus, e todos deviam tributo.2 Alguns eram minúsculos: um dos principados vassalos reunia mil a mil e quinhentas pessoas, e os reis de quatro tribos beja governavam cerca de 1.100 súditos cada.2
O tributo chegava de dois jeitos. Ou o vassalo o mandava todo ano, ou o rei ia buscar, percorrendo os domínios com uma comitiva numerosa que comia pelo caminho. Com o tempo, firmou-se um meio-termo: o vassalo levava a sua parte a pontos marcados no trajeto real.2
A administração, segundo Kobishanov, era rala. Pesavam muito os parentes do rei — tanto que um imperador romano endereçou uma carta a Ezana e ao irmão dele, Saizana. Cada novo soberano precisava, muitas vezes, abrir o reinado com uma campanha militar para arrancar dos principados ao menos uma submissão formal.2 O autor chama o conjunto de “protofeudal”, termo que é dele e que deve ser lido como comparação, não como equivalência com a Europa.
O império cresceu sobre essa base. Do fim do século II ao começo do IV, Axum entrou nas guerras da Arábia do Sul; submeteu os povos entre o planalto e o Nilo; e, no século IV, conquistou Méroe, então já em declínio. Ezana se intitulava rei de Axum, de Himiar e de Sabá, reinos do outro lado do mar.23
É tentador ver Axum como satélite do Império Romano do Oriente, já que os dois foram aliados. Kobishanov rejeita isso: a política axumita era independente e só coincidia com a bizantina quando os interesses econômicos batiam. Prova disso é a rota do ouro de Sassu, mantida em segredo do próprio aliado.2
O que as pedras e as moedas dizem
Duas obsessões marcam a cultura material do reino, e as duas são políticas.
A primeira é o colossal. Em Axum há sete estelas gigantes decoradas; a maior tem uns 33 metros e imita, numa das faces, um prédio de nove andares, com portas, janelas e pontas de viga.1 Diante delas há uma laje de pedra de cerca de 17 metros, e espalham-se bases de tronos de pedra — 27 registradas.1 Ninguém sabe ao certo o que as estelas significavam; a hipótese mais aceita é que marcassem túmulos, com tamanhos ligados à posição social do morto. Mas uma coisa é segura: erguê-las exigia uma organização coletiva poderosa.1 Para Kobishanov, o gigantismo era propaganda em pedra, feita para provocar admiração e temor.2

A Grande Estela de Axum, caída e partida no chão do campo de estelas · 2007 · Wikimedia Commons · CC BY 2.0
A segunda obsessão é a moeda. Axum foi, segundo Kobishanov, o primeiro Estado da África tropical a cunhar moeda — em ouro, prata e cobre —, a partir do rei Endybis, na segunda metade do século III. Peso e formato acompanhavam a moeda de Bizâncio.2 Cunhar ouro era também um recado: o reino anunciava ao mundo sua independência, sua prosperidade e o nome de seus reis.2
As legendas vinham em grego — a língua do comércio internacional — ou em etíope, que passa a aparecer a partir do rei Wazeba; nunca em sul-arábico.1
Uma escrita que ainda está em uso
A escrita etíope descende da sul-arábica e ganhou forma própria no século II, ainda só com consoantes. A inscrição mais antiga foi achada em Matara, na Eritreia. No século IV, com Ezana, aparecem as vogais integradas às consoantes: cada sinal passa a indicar uma sílaba. A língua é o geês, do ramo meridional da família semítica.1
De onde veio a ideia de vocalizar? Kobishanov considera bastante provável uma inspiração em alfabetos da Índia, com os quais o sistema etíope tem semelhanças; a influência grega não está provada, embora os algarismos sejam de origem grega. Mas ele insiste num ponto: o alfabeto reproduz com tanta precisão os sons do geês que só um etíope poderia tê-lo criado. Com acréscimos, é usado na Etiópia até hoje.2
A conversão: o que aconteceu e o que não se sabe
Antes da cruz, a corte cultuava um panteão próximo ao da Arábia do Sul: Astar, ligada ao planeta Vênus; Beher e Meder, associados à terra; e, acima de todos, Mahrem, deus da guerra, protetor da dinastia e tido como ancestral do rei — nas inscrições gregas, chamado de Ares. Ezana chegou a erguer-lhe estátuas de ouro, de prata e de bronze.21
A história da mudança vem de autores cristãos antigos, sobretudo Rufino, e é quase um romance. Um viajante de Tiro, Merópio, voltava da Índia com dois jovens parentes, Frumêncio e Edésio. O navio foi atacado numa escala, Merópio morreu, e os rapazes foram entregues ao rei de Axum. Edésio virou copeiro; Frumêncio, por saber grego, chegou a secretário e tesoureiro — e, depois da morte do rei, ajudou a rainha regente e educou o herdeiro.3
Mais tarde, Frumêncio foi a Alexandria pedir um bispo para Axum. O patriarca Atanásio preferiu consagrar o próprio Frumêncio, que conhecia a língua e os costumes. De volta, ele batizou o rei e a família real. Esse rei parece ter sido Ezana. Na Etiópia, Frumêncio ficou conhecido como Abba Selama, o “Pai da Paz”.3

Moeda de ouro do rei Ezana com o disco e o crescente, c. 300-340, Museu Britânico · 2020 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

Moeda de ouro do rei Ezana com cruzes, c. 340-400, Museu Britânico · 2020 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
Mekouria, porém, não aceita que um tesoureiro estrangeiro baste para explicar a troca de religião de um Estado inteiro. Ele dá mais peso às relações com Constantinopla: o comércio, a presença de etíopes na corte de Constantino e o prestígio de um imperador que favorecia o cristianismo teriam preparado o terreno.3
E a mudança foi gradual. A inscrição tida pelos etíopes como o primeiro testemunho cristão de Ezana começa invocando o “Senhor do céu e da terra” — sem citar Cristo. Para Mekouria, o rei tentava aproximar a fé nova da antiga crença em Beher e Meder. Na mesma inscrição, o rei se gaba de ter matado centenas de homens e mulheres na guerra contra os núbios, graças ao novo deus.3 A primeira moeda a nomear Cristo é de um rei posterior, chamado Lyouel, com a legenda “Cristo está conosco”.3
Não se sabe. A tradição etíope fala em 315; outros textos, em 333, 343 ou 350 — datas que Mekouria chama de arbitrárias. O cálculo do próprio autor põe o batismo de Ezana entre 350 e 360, mas ele conclui que o prudente é dizer século IV. Uma inscrição achada em Filas, no Egito, registra em 360 a visita de um vice-rei axumita já cristão.3
Uma Igreja ligada a Alexandria
Como o bispo vinha do Egito, a Igreja etíope ficou sob a jurisdição de Alexandria — e isso decidiu de que lado ela estaria nas brigas teológicas do século V. Quando o Concílio de Calcedônia, em 451, condenou a tese de que Cristo tem uma natureza única, os adeptos dela, os monofisitas, passaram a ser perseguidos no Império Bizantino. Axum ficou com Alexandria e com a natureza única, que na Etiópia ganhou o nome de Tewahdo.3
Desse conflito veio a segunda onda de cristianização. Monges perseguidos chegaram ao reino e a tradição os lembra como os Nove Santos. Fundaram mosteiros, muitos no alto de rochedos — o de Debre Damo só é alcançado por corda —, e os antigos templos, quase sempre em lugares altos, foram convertidos em igrejas. Com eles a fé avançou do norte para outras províncias do planalto.3
Caleb do outro lado do mar
No século VI, a religião e o comércio se cruzaram na Arábia do Sul. Ali conviviam judeus, cristãos aliados de Axum e árabes de cultos tradicionais. O rei de Himiar, Dhu-Nuwas, judeu, voltou-se contra os cristãos; em 523, segundo os relatos cristãos da época, massacrou a comunidade de Najran.3
O imperador bizantino Justino I pediu ao rei de Axum, Caleb, que reagisse. Em 525 Caleb embarcou perto de Adulis, desembarcou na Arábia, venceu e executou Dhu-Nuwas; suas tropas devastaram as cidades inimigas e uma guarnição ficou no país.3 O tamanho da expedição é incerto: um relato fala em 120 mil homens e sessenta navios cedidos por Bizâncio; outros, em 30 mil soldados embarcados em navios do próprio Caleb. Mekouria registra que esses números são tidos como imprecisos.3
O fim de Caleb também tem duas versões. A tradição diz que ele abdicou, recolheu-se a um mosteiro e mandou a coroa a Jerusalém; outro texto o mantém no trono até 542.3
LembreO que as moedas de Ezana permitem afirmar sobre a conversão?
Que ela aconteceu na corte, no século IV, e que foi visível o suficiente para mudar o símbolo oficial do reino: o disco e crescente da religião antiga dá lugar à cruz. O que as moedas não dão é o ano exato — elas não trazem data. Por isso o que se afirma com segurança é o século, não o ano.
- Fonte quase só material — não há manuscrito axumita anterior ao século XIII. O que se sabe vem de moedas, inscrições, arqueologia e de relatos estrangeiros vagos. Afirmação muito detalhada sobre a vida em Axum deve ser recebida com desconfiança.
- Origem: local ou árabe? — os próprios autores da coleção da UNESCO divergem. Anfray enfatiza a raiz africana e a continuidade com o pré-axumita; Mekouria descreve grupos semitas vindos da Arábia que assumem o poder. A influência sul-arábica é certa; o peso dela é debate.
- Data da conversão — não existe ano seguro. A tradição etíope dá 315; outras fontes, 333, 343 ou 350; o cálculo de Mekouria, entre 350 e 360. O que se pode afirmar é o século IV.
- Axum não era satélite de Bizâncio — foi aliado, com moeda no padrão bizantino, mas com política própria. Kobishanov mostra que a aliança só valia quando os interesses econômicos coincidiam.
- Cristianismo antigo, mas não romano — a Igreja etíope nasce ligada a Alexandria e, depois de Calcedônia (451), fica do lado monofisita, chamado Tewahdo na Etiópia. Não deve ser confundida com a Igreja de Roma.
- Números de guerra são incertos — a expedição de Caleb aparece com 120 mil ou com 30 mil homens, conforme a fonte. Nenhum dos dois números é confiável.
A fonte deste artigo cobre bem os séculos I a VI e quase nada depois. Por isso não se trata aqui do declínio de Axum, da relação do reino com a expansão islâmica do século VII além da troca de línguas, nem das igrejas escavadas na rocha de períodos posteriores. A lenda que liga os reis da Etiópia a Salomão e à rainha de Sabá é citada pela fonte apenas para dizer que ela liga os reis a Salomão erroneamente; o artigo não a desenvolve. Também ficam de fora a história de Méroe e da Núbia, que têm página própria.
Material de estudo
Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.
Axum, do Périplo a Caleb
De onde vinha a riqueza, e no que ela virou
O que a conversão trocou
Mapa mental do assunto
Quadro-resumo para revisão rápida
| Item | Dado |
|---|---|
| Localização | planalto do norte da Etiópia e Eritreia; porto em Adulis, no mar Vermelho |
| Duração | cerca de um milênio a partir do século I d.C. |
| Primeira menção | Périplo do Mar da Eritreia, fim do século I |
| Herança anterior | cultura pré-axumita com marcas sul-arábicas, desde o século V a.C. |
| Base econômica | agricultura em terraços, trigo, vinha, arado de boi e rebanhos |
| Comércio | marfim, ouro de Sassu, chifre de rinoceronte; controle de Bab el-Mandeb |
| Papel do rei | comércio como negócio de Estado; provável monopólio de marfim e ouro |
| Organização | rei dos reis e reis vassalos (negus) que pagam tributo |
| Expansão | Arábia do Sul desde o fim do séc. II; conquista de Méroe no séc. IV |
| Moeda | primeira da África tropical, desde Endybis (séc. III), no padrão bizantino |
| Monumentos | estelas de até cerca de 33 m com andares esculpidos; tronos de pedra |
| Língua e escrita | geês; escrita vocalizada a partir de Ezana, usada até hoje |
| Religião antiga | Mahrem (deus da guerra e da dinastia), Astar, Beher e Meder |
| Conversão | século IV, com Frumêncio e o rei Ezana; ano incerto |
| Sinal material | o crescente das moedas é substituído pela cruz |
| Vínculo eclesiástico | patriarcado de Alexandria; monofisismo, chamado Tewahdo |
| Nove Santos | monges chegados depois de Calcedônia (451); mosteiros como Debre Damo |
| Caleb | 525: expedição à Arábia contra Dhu-Nuwas, após o massacre de Najran (523) |
Fontes
- ANFRAY, F. A civilização de Axum do século I ao século VII. In: MOKHTAR, G. (coord.). História Geral da África, II: África antiga. Brasília: UNESCO, 2010, cap. 14, pp. 375-397. Fonte principal deste artigo.
- KOBISHANOV, Y. M. Axum do século I ao século IV: economia, sistema político e cultura. In: MOKHTAR, G. (coord.). História Geral da África, II: África antiga. Brasília: UNESCO, 2010, cap. 15, pp. 399-423. Fonte principal deste artigo.
- MEKOURIA, Tekle Tsadik. Axum cristão. In: MOKHTAR, G. (coord.). História Geral da África, II: África antiga. Brasília: UNESCO, 2010, cap. 16, pp. 425-449. Fonte principal deste artigo.