Fenícios e a invenção do alfabeto
Mercadores de Tiro e Sídon levaram ao Mediterrâneo ocidental colônias, mercadorias e uma escrita que os gregos adotaram e chamaram de “letras fenícias”. A maior dessas colônias, Cartago, virou potência africana — e quase tudo o que sabemos dela foi escrito por quem a destruiu.

Os portos púnicos de Cartago vistos do alto, em Salammbô, subúrbio de Túnis · 2010 · Wikimedia Commons · CC BY 3.0
No século V a.C., o historiador grego Heródoto parou diante de trípodes num templo de Tebas e reconheceu ali letras muito parecidas com as que ele próprio usava. Concluiu que os gregos tinham aprendido a escrever com estrangeiros vindos da Fenícia. Quem eram esses estrangeiros — e por que quase tudo o que sabemos deles foi escrito por gregos e romanos, que os tinham como rivais?
Quem conta esta história
Antes dos fatos, o problema. Os fenícios escreveram — afinal, o assunto aqui é a escrita deles —, mas quase nada do que escreveram chegou até nós. Da literatura de Cartago, a maior de suas colônias, não sobrou nada.1
O historiador britânico B. H. Warmington, autor do capítulo sobre Cartago na coleção da UNESCO, lista os outros obstáculos. As inscrições fenícias são numerosas, mas quase todas são dedicatórias a deuses ou epitáfios, e dizem pouco. As antigas colônias ficaram enterradas sob cidades romanas muito maiores. E as narrativas que restam foram escritas por gregos e romanos, que tinham nos fenícios do oeste seus piores inimigos — daí a imagem tão negativa.1
Para as cidades da costa do Levante, a situação é ainda mais estreita. A coleção da UNESCO é uma história da África e trata dos fenícios a partir do momento em que chegam ao Norte da África. O que este artigo diz sobre Tiro e Sídon vem de um observador de fora: Heródoto, lido como fonte primária — com tudo o que ele viu, ouviu dizer e às vezes não acreditou.34
Os três termos aparecem neste artigo e não são sinônimos perfeitos. Fenício designa o povo das cidades do Levante e sua língua. Cartaginês é quem vive em Cartago ou sob seu governo. Púnico é o adjetivo usado para Cartago e o mundo fenício do Ocidente — daí Guerras Púnicas e inscrição púnica. Os gregos ainda chamavam os fenícios da África de líbio-fenícios.1
As cidades do Levante, vistas de fora
Por volta de 1000 a.C., Tiro, Sídon e Biblos eram os centros comerciais mais ativos do Oriente Próximo e do Egeu oriental. Entre elas, Tiro tinha a primazia — a Bíblia, entre outros textos, o confirma — e foi de lá, segundo a tradição, que partiram as expedições para o oeste.1
A ligação com o Egito é antiga. O capítulo de Rashid El-Nadoury registra que mercadores egípcios mantinham um santuário em Biblos, que o Egito dependia da Fenícia para obter madeira para templos e monumentos e que os fenícios espalharam motivos da arte egípcia pelo Mediterrâneo, misturados aos seus — há peças assim em Chipre e na Grécia.2
Heródoto abre suas Histórias com os fenícios. Na versão que ele atribui aos persas, foram eles os primeiros a fazer longas viagens levando mercadorias do Egito e da Assíria, e numa dessas escalas, em Argos, teriam raptado a princesa Io — o começo, nessa versão, de uma série de ofensas entre os dois lados.3 É mito, e Heródoto o apresenta como relato alheio. Mas o retrato de fundo, o do fenício como negociante de longa distância, é o mesmo que os gregos guardariam por séculos.
Tiro. Heródoto foi pessoalmente à cidade para investigar o templo de um deus que ele chama pelo nome grego de Héracles. Viu ali duas colunas, uma de ouro puro e outra de uma pedra verde que brilhava à noite. Os sacerdotes lhe disseram que o templo era tão velho quanto a cidade, fundada 2.300 anos antes.4 O número é o que os sacerdotes afirmavam, não uma data confirmada.
Sídon. Na guerra persa contra a Grécia, Heródoto descreve as cidades fenícias como súditas do rei Xerxes — e como a base da sua frota. Os navios que navegavam melhor eram os fenícios, e os melhores entre eles, os de Sídon. Numa regata montada para o rei, venceram os sidônios; e foi num navio de Sídon que Xerxes passou a frota em revista. No conselho de guerra, o primeiro lugar coube ao rei de Sídon, e o segundo, ao rei de Tiro.4

Estela de calcário com inscrição fenícia, de Tiro, séc. 4 a.C., Museu Nacional de Beirute · 2019 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
O alfabeto: o que os gregos diziam, e o que se diz hoje
Comece pelo testemunho grego, porque ele é o mais antigo. Para Heródoto, os fenícios que vieram com o lendário Cadmo para a Beócia trouxeram consigo, entre muitos outros saberes, as letras — que, na opinião dele, os gregos ainda não conheciam. Com o tempo, o som e a forma dos sinais mudaram. Os jônios aprenderam as letras, adaptaram algumas formas e continuaram a chamá-las de “fenícias”, como era justo, diz ele, já que tinham vindo de lá.3
Heródoto acrescenta uma prova de que é testemunha: diz ter visto no templo de Apolo Ismênio, em Tebas, letras “cadmeias”gravadas em trípodes, em sua maioria parecidas com as letras jônicas.3 Cadmo é personagem de mito; o empréstimo da escrita, não. O próprio nome que os gregos davam às letras guardava a memória de onde elas vinham.
O capítulo da UNESCO sobre o legado egípcio recua um passo. Para El-Nadoury, os hieróglifos egípcios influenciaram a escrita proto-sinaítica, desenvolvida no Sinai em contato com povos semitas, que simplificou os sinais até deixá-los próximos de símbolos alfabéticos. Essa escrita teria sido um passo em direção ao alfabeto fenício — e, por meio dele, ao grego e ao europeu.2
As duas explicações não se excluem: uma fala do caminho da Fenícia para a Grécia, a outra, do caminho do Egito para a Fenícia. O que elas têm em comum é o ponto que a prova costuma cobrar: o alfabeto não nasceu na Grécia. Os fenícios estão no meio de uma corrente de empréstimos, e a maneira como transformaram e difundiram os sinais é o que fez deles o elo decisivo.
LembrePor que se diz que os gregos “aprenderam a escrever com os fenícios”?
Porque é o que os próprios gregos diziam. Heródoto conta que as letras chegaram com os fenícios de Cadmo, que os jônios as adaptaram e que continuaram a chamá-las de letras fenícias. O capítulo da UNESCO acrescenta a etapa anterior: o alfabeto fenício descende de uma escrita do Sinai que simplificou sinais egípcios.
Por que ir tão longe para o oeste
A resposta curta de Warmington é metal. Os negociantes fenícios buscavam ouro, prata, cobre e estanho, e a busca os levou à Espanha, que continuaria sendo uma das grandes fontes de prata do Mediterrâneo até a época romana.1 O historiador grego Diodoro, citado no capítulo, descreve o negócio: os nativos da Espanha não davam valor à prata, os fenícios a obtinham em troca de pouca mercadoria e enriqueciam revendendo-a — e com esse lucro fundaram colônias na Sicília, na Sardenha, na África e na própria Espanha.1
Navegar naquele tempo era seguir a costa e, à noite, ancorar ou puxar o barco para a praia. Por isso a rota precisava de pontos de apoio. Havia duas: uma pelo norte, contornando Sicília, Sardenha e Baleares; outra pelo sul, ao longo da costa africana, onde se supõe que houvesse uma escala a cada 50 quilômetros, mais ou menos. Os lugares preferidos eram ilhotas junto à costa e promontórios abordáveis pelos dois lados.1 Até os nomes ficaram: localidades do Norte da África guardaram por séculos o prefixo fenício rus, “cabo”.1
A mais antiga dessas fundações, pela tradição, é a atual Cádiz, do fenício Gadir, “forte”. Um dado corrige a imagem de grandes cidades: ao contrário das colônias gregas da mesma época, os estabelecimentos fenícios continuaram pequenos por gerações, talvez com algumas centenas de colonos cada.1
Cartago: a “cidade nova”
O nome já indica a ambição. Cartago vem do fenício Kart Hadasht, “cidade nova”.1
A data que os livros repetem, 814 a.C., é a da tradição. A arqueologia conta outra coisa: os primeiros vestígios indiscutíveis da cidade são de meados do século VIII a.C., cerca de duas gerações depois. As datas tradicionais de Cádiz e Útica, ainda mais antigas, Warmington considera lendárias; e das lendas gregas e romanas sobre a fundação, diz ele, não se tira nenhum dado histórico confiável. A conclusão do autor é que não houve colônia permanente na costa do Magreb antes de 800 a.C.1
A virada veio no século VI a.C., quando Cartago se tornou autônoma e passou a liderar os fenícios do Ocidente. Dois fatores ajudaram: Tiro e a Fenícia tinham caído sob o domínio babilônico, e as colônias gregas da Sicília, em rápido crescimento, pressionavam — este último, para Warmington, o fator mais decisivo.1
Depois de uma derrota pesada para os gregos em Hímera, em 480 a.C., Cartago voltou-se para a África. Conquistou o cabo Bon e as terras férteis ao sul da cidade, que passaram a alimentá-la. Um autor grego posterior, Díon Crisóstomo, disse do líder dessa expansão, Hanão, que ele “transformou os cartagineses de tírios em africanos”.1

Estáter de ouro de Cartago com cabeça de Tanit coroada de espigas, c. 350-270 a.C., Münzkabinett de Berlim · 2015 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
Quem pagava o império
O domínio cartaginês tinha andares, e cada um pagava de um jeito. As cidades fenícias antigas e as colônias da própria Cartago eram as mais favorecidas: tinham instituições próprias, mas pagavam taxas sobre o comércio e cediam soldados — e, depois de 348 a.C., ao que parece, só podiam negociar com Cartago.1
Os líbios do interior pagavam mais caro. Conservavam a organização tribal, mas funcionários cartagineses fiscalizavam o tributo e o alistamento. O imposto normal devia ser de um quarto das colheitas e chegou à metade durante a primeira guerra contra Roma. Houve várias revoltas, e Warmington aceita que a crítica dos autores antigos tinha fundamento: Cartago nunca encontrou um modo de fazer os povos submetidos aceitarem o domínio.1
Como Cartago ganhava dinheiro
Para gregos e romanos, o cartaginês típico era um negociante, e Cartago passava pela cidade mais rica do Mediterrâneo. Curiosamente, essa riqueza deixou poucos vestígios — menos que os de cidades gregas e etruscas da mesma época. Warmington explica: o grosso do comércio era de coisas que não sobrevivem no solo, como metal bruto, tecidos, escravizados e, mais tarde, produtos agrícolas.1
O Estado conduzia os grandes negócios e defendia o monopólio com dureza: navio estrangeiro flagrado nas águas de Cartago podia ser afundado, e a nenhum estrangeiro se permitia comerciar a oeste da cidade. Mercadorias de fora chegavam ao porto e eram passadas para navios cartagineses antes de seguir viagem. Com etruscos e com Roma, o caminho foi o tratado comercial.1
Heródoto deixou a descrição mais antiga que se conhece do chamado “comércio mudo”, praticado pelos cartagineses além de Gibraltar. Eles deixavam as mercadorias na praia, voltavam aos navios e faziam um sinal de fumaça; os nativos vinham, depositavam ouro ao lado e se afastavam. Se o ouro bastasse, os cartagineses o levavam; se não, esperavam que os nativos acrescentassem mais. Nenhum dos lados, garante o relato, tocava no que era do outro antes do acordo.1
Já o famoso relato da viagem de Hanão pela costa do Marrocos é visto com desconfiança. Warmington acha pouco plausível que Cartago, tão ciosa das próprias rotas, tivesse divulgado um documento tão revelador, e suspeita que as passagens sobre povos ferozes e “rios de fogo” serviam para assustar concorrentes. A arqueologia não encontrou vestígio cartaginês além de Mogador (Essauíra).1
A cidade
Do que restou da cidade, o mais notável é o porto artificial duplo: um para os navios mercantes, outro com cais e abrigos para 220 navios de guerra e uma torre de onde se vigiava o mar. As muralhas tinham cerca de 40 quilômetros; no trecho que fechava o istmo, chegavam a 12 metros de altura. Por dentro, ruas estreitas e tortuosas, com prédios de até seis andares, como em Tiro.1
Quantos viviam ali? O geógrafo Estrabão falou em 700 mil, o que Warmington considera impossível para a cidade sozinha. Um número de 400 mil, contando escravizados, lhe parece mais razoável.1 É estimativa, e deve ser lida como tal.
Como Cartago se governava
Havia uma coisa em Cartago que até os inimigos admiravam: o regime político, que parecia garantir estabilidade.1
No começo houve reis — o cargo era eletivo, embora várias gerações da família dos magônidas o ocupassem. A partir do século V a.C., o poder real perdeu força para os sufetes, magistrados que reuniam funções de juiz e governador e que, no século III a.C., eram eleitos em dupla, todo ano, o que os aproxima dos cônsules romanos. Ao lado deles, um conselho aristocrático e um tribunal de cem membros que fiscalizava o governo. A assembleia de cidadãos só era chamada quando os dirigentes discordavam.1
Era, portanto, um governo dos ricos. O filósofo Aristóteles criticava justamente o peso da fortuna nas escolhas. E Warmington chama atenção para um dado curioso: Cartago nunca sofreu golpe de um general, algo comum nas cidades gregas.1
Desde meados do século VI a.C., com Magon, Cartago passou a lutar sobretudo com mercenários: líbios na infantaria ligeira, cavaleiros númidas e mouros, e soldados da Espanha, da Gália, da Itália e da Grécia. Os cidadãos ficaram, salvo exceções, dispensados do serviço — o que, sugere Warmington, talvez os tenha impedido de tomar consciência da própria força. Havia também uma fragilidade: quando um corpo de 3 mil cidadãos foi destruído na Sicília, em 341 a.C., a derrota foi tida como a maior da história da cidade.1
A religião, e a questão do sacrifício
Os cultos de Cartago vinham da Fenícia. O deus maior era Baal Hamon; no século V a.C., no culto popular, ele foi superado por Tanit, deusa ligada à fertilidade, de nome provavelmente líbio, cujo culto cresceu junto com a conquista de terras na África. Cultuavam-se ainda Astarte, Eshmoun e Melqart, o protetor de Tiro, a cidade-mãe.1 Até os nomes próprios eram preces: Amílcar quer dizer “protegido de Melqart”, e Aníbal, “protegido de Baal”.1

Estela votiva com inscrição púnica, de Cartago, Museu do Louvre · 2026 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
O ponto mais delicado é o sacrifício de crianças, que os autores gregos e romanos usaram contra Cartago. Warmington não o trata como calúnia: considera a prática comprovada pela arqueologia, com urnas de ossos calcinados de crianças enterradas junto a estelas nos recintos sagrados de Cartago e de outros sítios. Mas também adverte que os detalhes dados pelas fontes literárias — que as vítimas fossem sempre meninos, que o rito fosse anual — são duvidosos. A prática caiu em desuso e reapareceu em momentos de crise.1

Estela do tofet de Cartago com a figura de braços erguidos · 1975 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0
O fim de Cartago, e o que sobreviveu a ela
As guerras contra Roma foram longas; aqui basta o desfecho. Depois de perder a Sicília (264-242 a.C.) e de ver Aníbal vencer em solo italiano e ser derrotado em Zama (202 a.C.), Cartago foi proibida de guerrear sem licença romana. Mesmo assim se recuperou — e Roma, já com Catão repetindo que a cidade devia ser destruída, atacou em 149 a.C. Em 146 a.C., Cartago foi arrasada e seu solo declarado maldito.1
A cultura púnica, porém, não morreu com ela. Nos reinos da Numídia e da Mauritânia, a língua fenícia em sua forma tardia, o neopúnico, se espalhou como nunca. No século II d.C., ainda havia inscrições em neopúnico, e o título de sufete designava o magistrado principal de pelo menos trinta cidades do Norte da África.1 Para Warmington, a chegada fenícia marca a entrada do Magreb na história escrita do Mediterrâneo; e o que se formou nos séculos seguintes foi uma cultura de raiz líbia e fenícia ao mesmo tempo.1
LembrePor que é arriscado estudar Cartago só pelos autores antigos?
Porque quase todos são gregos e romanos, inimigos da cidade, e nada da literatura cartaginesa sobreviveu. A imagem negativa — cidade de mercadores cruéis — vem deles. A arqueologia ajuda a corrigir, mas também é limitada: as colônias estão sob cidades romanas e as inscrições são quase só votivas.
- A fonte é do inimigo — quase tudo o que se escreveu sobre Cartago na Antiguidade é de gregos e romanos, que a combatiam. Nada da literatura cartaginesa sobreviveu. Isso explica a imagem negativa e exige leitura crítica.
- 814 a.C. é tradição — a data clássica da fundação de Cartago fica cerca de duas gerações antes dos primeiros vestígios seguros, de meados do século VIII a.C. As datas de Cádiz e Útica são tidas como lendárias.
- Colônia não é metrópole — os estabelecimentos fenícios foram, por gerações, pequenos, com algumas centenas de colonos. Cartago é a exceção que cresceu, não o modelo.
- O alfabeto não nasceu na Grécia — os gregos diziam ter recebido as letras dos fenícios e as chamavam de fenícias. O capítulo da UNESCO liga o alfabeto fenício a uma escrita do Sinai inspirada em sinais egípcios.
- Sacrifício de crianças: nem negar, nem exagerar — a arqueologia sustenta a prática; detalhes das fontes literárias são duvidosos. Repetir a propaganda romana sem crítica é tão errado quanto apagar a evidência.
- Heródoto é fonte, não verdade pronta — os 2.300 anos de Tiro são o que os sacerdotes disseram a ele; a viagem em torno da África é relato que ele próprio põe em dúvida; Cadmo é personagem de mito.
As fontes usadas aqui são uma história da África e um viajante grego. Nenhuma delas sustenta uma história política das cidades do Levante, e por isso este artigo não trata dos reis de Tiro, Sídon e Biblos, nem da sequência de domínios assírio, babilônico e persa sobre elas além do que Heródoto e Warmington mencionam. Também não se afirma aqui quando nem onde exatamente surgiu o alfabeto fenício, quantos sinais tinha ou como passou a outras escritas do Oriente — a fonte só dá o elo proto-sinaítico e o testemunho grego. Ficam de fora ainda a origem do nome “Fenícia”, a produção de púrpura nas cidades do Levante (a fonte só cita a tintura púrpura numa colônia africana) e a técnica de construção dos navios. São lacunas da base, não do assunto.
Material de estudo
Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.
Do Levante à destruição de Cartago
Duas explicações para o alfabeto
Por que Cartago virou potência
Mapa mental do assunto
Quadro-resumo para revisão rápida
| Item | Dado |
|---|---|
| Cidades do Levante | Tiro, Sídon e Biblos; Tiro com primazia por volta de 1000 a.C. |
| Laços com o Egito | santuário egípcio em Biblos; madeira fenícia para templos egípcios |
| Sídon em Heródoto | os melhores navios da frota de Xerxes |
| Tiro em Heródoto | templo que os sacerdotes diziam ter 2.300 anos |
| Alfabeto, versão grega | trazido pelos fenícios de Cadmo; os gregos o chamavam de “letras fenícias” |
| Alfabeto, versão da UNESCO | hieróglifos → escrita proto-sinaítica → alfabeto fenício → grego |
| Motivo da expansão | metais: ouro, prata, cobre e estanho; prata da Espanha |
| Navegação | costeira, com escalas em ilhotas e promontórios |
| Colônias | pequenas, com algumas centenas de colonos por gerações |
| Cartago | Kart Hadasht, “cidade nova” |
| Fundação | 814 a.C. pela tradição; vestígios seguros de meados do séc. VIII a.C. |
| Liderança no Ocidente | séc. VI a.C., com Tiro sob domínio babilônico e pressão grega |
| Virada africana | depois de Hímera (480 a.C.), conquista de terras férteis |
| Tributo dos líbios | cerca de um quarto das colheitas; metade em guerra |
| Comércio | monopólio, metal bruto, tecidos, escravizados; moeda só no séc. IV a.C. |
| Governo | sufetes, conselho aristocrático e tribunal de cem; governo dos ricos |
| Exército | mercenários desde Magon, em meados do séc. VI a.C. |
| Religião | Baal Hamon, Tanit, Astarte, Eshmoun e Melqart |
| Sacrifício de crianças | comprovado pela arqueologia; detalhes literários duvidosos |
| Fim | arrasada por Roma em 146 a.C. |
| Herança | neopúnico na Numídia e Mauritânia; sufetes em 30 cidades no séc. II d.C. |
Fontes
- WARMINGTON, B. H. O período cartaginês. In: MOKHTAR, G. (coord.). História Geral da África, II: África antiga. Brasília: UNESCO, 2010, cap. 18, pp. 473-499. Fonte principal deste artigo.
- EL-NADOURY, Rashid (com a colaboração de J. Vercoutter). O legado do Egito faraônico. In: MOKHTAR, G. (coord.). História Geral da África, II: África antiga. Brasília: UNESCO, 2010, cap. 5, pp. 119-159 (sobre a Fenícia e a escrita, pp. 124 e 156-158).
- HERÓDOTO. Hellenes & Phoenicians (Histórias, I, 1-2 e V, 57-59). Trad. G. Rawlinson (1862). Internet Ancient History Sourcebook, Fordham University: sourcebooks.fordham.edu/ancient/430phoenicia.asp. Fonte primária.
- HERÓDOTO. The History of Herodotus, vols. 1 e 2 (II, 44; II, 161; IV, 42-43; VII, 44, 96 e 100; VIII, 67). Trad. G. C. Macaulay. Project Gutenberg, e-books 2707 e 2456. Fonte primária.