História Verso
História Geral · Idade Antiga

Hebreus e o monoteísmo

Um povo pequeno, espremido entre o Egito, a Assíria e a Babilônia, perdeu o reino, o templo e a terra — e saiu disso com a ideia de um Deus único que nenhum império conseguia derrotar. O que os documentos permitem afirmar, e onde começa a disputa.

séc. XIII-V a.C.12 min de leitura7 fontes
Obelisco Negro de Salmanasar III: Jeú, rei de Israel, prostrado, c. 825 a.C. · Osama Shukir Muhammed Amin FRCP(Glasg) · 2014-01-30
No Obelisco Negro do rei assírio Salmanasar III, c. 825 a.C., Jeú, rei de Israel, aparece prostrado diante do soberano. Um rei israelita registrado numa fonte que não é a Bíblia — e registrado pagando tributo.
Obelisco Negro de Salmanasar III: Jeú, rei de Israel, prostrado, c. 825 a.C. · 2014 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
Pergunta orientadora

Em 701 a.C., o exército assírio cercou Jerusalém. O rei da Assíria mandou gravar a sua versão num prisma de argila; os hebreus registraram a deles nos livros que viriam a compor a Bíblia. As duas não batem. Como se escreve a história de um povo quando a principal fonte sobre ele é também o seu livro sagrado?

Essa pergunta não é um desvio: é o próprio assunto. O povo que a tradição chama de hebreus, ou israelitas, nunca foi uma grande potência. O que ele deixou de decisivo foi uma ideia — a de um Deus único — e um conjunto de textos que a sustenta. Para entender as duas coisas, é preciso saber o que os documentos permitem afirmar e onde a afirmação vira fé ou hipótese.

Como este artigo foi construído
Este texto foi escrito diretamente sobre documentos de época — inscrições assírias e egípcias, o cilindro de Ciro, passagens bíblicas — e sobre as notas do editor do Internet Ancient History Sourcebook, da Universidade Fordham. Não há obra de síntese por trás dele. Por isso é mais provisório que um artigo apoiado em historiografia consolidada, e várias datas aparecem com interrogação, como aparecem na fonte.

Dois relatos do mesmo cerco

Comece pelo lado assírio. No prisma, Senaquerib narra sua terceira campanha: o rei de Judá, Ezequias, “não se submeteu ao meu jugo”; por isso as cidades fortificadas e incontáveis aldeias foram tomadas com rampas, aríetes e minas, e 200.150 pessoas levadas como escravas. Ezequias ficou fechado em Jerusalém “como um pássaro numa gaiola” e, depois, mandou a Nínive 30 talentos de ouro, 800 de prata, marfim, as próprias filhas e concubinas.2

O segundo livro dos Reis confirma o começo: Senaquerib tomou as cidades fortificadas de Judá, e Ezequias pagou tributo — ali, 300 talentos de prata e 30 de ouro. O desfecho, porém, é outro. Naquela noite, o anjo do Senhor teria matado 185 mil homens no acampamento assírio, e Senaquerib voltou para Nínive, onde foi morto pelos próprios filhos.2

Os dois textos concordam no essencial — houve campanha, houve cerco, houve tributo — e discordam no que cada lado queria lembrar. O rei assírio não fala em derrota; a Bíblia transforma o recuo assírio em intervenção divina. Para o editor do Sourcebook, esse é o período em que Israel passa a ser documentado repetidas vezes fora da Bíblia.1 É justamente por isso que ele é um bom ponto de partida.

Prisma de Senaquerib (Prisma de Taylor), Assíria, séc. 7 a.C. · This image was produced by me, David Castor ( user:dcastor ). The pictures I submit to the Wikipedia Project are released to the public domain. This gives y
O prisma de Senaquerib, com os anais do rei assírio. A campanha de 701 a.C. contra Judá está nele, contada por quem atacava.
Prisma de Senaquerib (Prisma de Taylor), Assíria, séc. 7 a.C. · 2009 · Wikimedia Commons · Public domain

O que se pode datar, e desde quando

A primeira aparição do nome Israel numa fonte histórica não é hebraica: é egípcia. Está numa estela de vitória do faraó Merneptah, de c. 1220 a.C., segundo o editor.1 Dali até o século IX a.C., porém, quase tudo o que se conta vem de uma única fonte — a Bíblia.

O editor organiza a seção com as datas tradicionais, mas as marca com interrogação: conquista da terra entre 1250 e 1000 a.C., juízes de c. 1200 a 1050 a.C., Saul como primeiro rei por volta de 1020 a.C., Davi até 961 a.C. e Salomão, construtor do primeiro Templo, até 922 a.C.1 E faz um alerta que muda a leitura dessas datas.

A chamada arqueologia bíblica nasceu para provar que a Bíblia estava certa. Muitos estudiosos atuais, observa o editor, não a veem mais assim. Ele reproduz uma avaliação arqueológica dura: os israelitas não teriam estado no Egito, não teriam vagado pelo deserto nem conquistado a terra militarmente; a monarquia unida de Davi e Salomão teria sido, no máximo, um pequeno reino tribal. O próprio editor tempera: isso não nega que haja núcleos de história nos livros que vão até meados do século VIII a.C. — mas só a partir da dinastia de Omri outras fontes permitem confirmar o que a Bíblia narra.1

O Obelisco Negro é um exemplo dessa virada. Nele, os príncipes vassalos levam tributo ao rei assírio Salmanasar III, morto em 823 a.C., e Jeú de Israel está entre eles.7 Um rei israelita registrado numa fonte externa aparece, portanto, de joelhos.

LembrePor que as datas de Davi e Salomão vêm com interrogação, e as de 722 e 586 a.C. não?

Porque as primeiras dependem quase só da narrativa bíblica, que a arqueologia citada pelo editor contesta. As outras são confirmadas por fontes de fora — assírias e babilônicas. A regra do editor: a partir da dinastia de Omri, no século IX a.C., é possível conferir; antes disso, não.

Um reino pequeno entre impérios grandes

A própria Bíblia registra a monarquia como imitação. No primeiro livro de Samuel, os anciãos pedem ao profeta: “dá-nos um rei para nos julgar, como têm todas as nações”.4 Segundo a cronologia tradicional, o reino se divide em 922 a.C. em dois: Israel, cuja capital era Samaria, e Judá, a de Jerusalém.1

Os dois caíram para impérios mesopotâmicos, com mais de um século de distância. Israel foi o primeiro: o rei da Assíria tomou Samaria e levou a população para a Assíria e para as cidades dos medos — o editor data a queda em 722 a.C.41 Judá resistiu mais, inclusive ao cerco de 701 a.C., e caiu para a Babilônia em 586 a.C. Um comandante de Nabucodonosor queimou a casa do Senhor — o Templo —, o palácio e as casas de Jerusalém, derrubou os muros e levou o resto do povo.41

O livro de Jeremias soma três deportações e chega a 4.600 pessoas.4 O número parece pequeno perto dos 200.150 do prisma assírio, e convém não comparar os dois: são episódios diferentes, e cada um conta à sua maneira. O que importa é o que o exílio produziu. O Salmo 137 guarda a memória: “junto aos rios da Babilônia, ali nos sentamos e choramos, lembrando-nos de Sião”.4

Estela de Merneptah, Museu Egípcio do Cairo, c. 1220 a.C. · Olaf Tausch · 2019-10-16
A estela de vitória do faraó Merneptah, hoje no Museu Egípcio do Cairo. Numa das linhas está a primeira menção conhecida ao nome Israel, c. 1220 a.C.
Estela de Merneptah, Museu Egípcio do Cairo, c. 1220 a.C. · 2019 · Wikimedia Commons · CC BY 3.0

Um Deus só: desde quando?

O núcleo do monoteísmo está formulado em frases curtas. No Êxodo: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim”. No Deuteronômio: “Ouve, Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor”.4 Note o detalhe da primeira frase: o primeiro mandamento não ordena acreditar que outros deuses não existem — ordena não tê-los.

Quando essa ideia virou regra é uma disputa aberta, e o vestibular precisa das duas posições. A leitura tradicional, que segue o texto bíblico, situa a aliança com o Deus único no tempo de Moisés, no Sinai. A leitura crítica, reproduzida pelo editor, sustenta que a religião israelita adotou o monoteísmo só no período final da monarquia — e que o Deus de Israel chegou a ser cultuado ao lado de uma consorte feminina.1

A cronologia que o editor monta para a emergência do judaísmo vai nessa direção. Primeiro, as reformas do rei Ezequias (r. 715-687 a.C.), que ele descreve como a imposição do monoteísmo. Depois, a “descoberta” do Deuteronômio, por volta de 621 a.C. Por fim, já no exílio, o chamado Segundo Isaías, de c. 550 a.C., que o editor identifica com o monoteísmo absoluto.1 É ali que aparece a fórmula sem ambiguidade: “Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há Deus”.4

Questão 01múltipla escolha · sem placar
Sobre a origem do monoteísmo hebraico, a seção do Internet Ancient History Sourcebook dedicada a Israel apresenta posições diferentes. Assinale a alternativa que descreve corretamente o estado da questão:
  1. Incorreta. A avaliação arqueológica reproduzida pelo editor vai no sentido oposto: não confirma a estada no Egito nem a travessia do deserto, e situa a adoção do monoteísmo no fim da monarquia.

  2. Incorreta. Nada nas fontes atribui aos persas a criação do monoteísmo hebraico. Ciro aparece como quem autorizou o retorno e a reconstrução do Templo.

  3. Incorreta. O Segundo Isaías, de c. 550 a.C., já formula o monoteísmo absoluto — “fora de mim não há Deus”. A ideia é muito anterior ao cristianismo.

  4. Correta. É o estado da questão. As duas posições convivem: uma segue o texto bíblico, a outra lê o texto como resultado de um processo — e é essa segunda que organiza a cronologia do editor.

  5. Incorreta. O Código de Hamurabi invoca vários deuses — Anu, Bel, Marduk, Shamash. É um texto politeísta.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Uma lei que olha para baixo

O “olho por olho” também está no Êxodo: “vida por vida, olho por olho, dente por dente”.4 Em 1915, Charles Horne viu nisso uma herança direta da Babilônia: no Código de Hamurabi, escreveu, “podemos ver onde os hebreus aprenderam” a regra.5 É a opinião de um comentarista daquele tempo, e a comparação dos textos mostra semelhança — mas também uma diferença de direção.

Em Hamurabi, quem arranca o olho de um escravo paga metade do valor dele ao dono.6 No Êxodo, quem fere o olho do próprio servo tem de libertá-lo por causa do olho; o mesmo vale para o dente.4 Na lei babilônica, o prejuízo é do proprietário. Na hebraica, a reparação vai para quem sofreu.

O mesmo deslocamento aparece na proteção aos fracos. O epílogo de Hamurabi apresenta o rei como protetor das viúvas e dos órfãos. O Êxodo faz da proteção um mandamento de Deus e acrescenta um terceiro: “não oprimirás o estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egito”.4

Os profetas levaram isso adiante. Amós, do século VIII a.C. — o primeiro profeta a deixar escritos, segundo o editor1 —, põe na boca de Deus o desprezo pelas festas e pelos sacrifícios, e termina: “corra o direito como as águas, e a justiça como um ribeiro perene”.4 É o que costuma ser chamado de monoteísmo ético: o Deus único cobra conduta, não só culto.

Do exílio ao judaísmo

Em 539 a.C., Ciro, rei da Pérsia, tomou Babilônia. O livro de Isaías o chama de “ungido” do Senhor — título dado a um rei estrangeiro.4 O livro de Esdras diz que, no primeiro ano de seu reinado, Ciro mandou proclamar, de viva voz e por escrito, que se reconstruísse em Jerusalém a casa do Deus do céu.43

O documento persa conta a mesma política de outro jeito, e o detalhe é instrutivo. No cilindro de Ciro, o rei diz ter entrado em Babilônia “como amigo”, ter devolvido as imagens dos deuses a cidades cujos santuários estavam em ruínas e ter reconduzido os antigos habitantes às suas casas.3 O cilindro não cita os judeus. Quem liga os dois textos é o editor, que dá ao conjunto o título de “decreto de retorno”. O retorno dos exilados de Judá aparece, assim, como caso particular de uma política geral persa.

Grande Rolo de Isaías, de Qumran, c. séc. 2 a.C. (capítulo 53) · Photography by Ardon Bar Hama (see [2] , author of original document is unknown. · +/- 2nd century BC
Trecho do Grande Rolo de Isaías, achado em Qumran, junto ao Mar Morto. Os manuscritos do Mar Morto são as cópias em hebraico mais antigas do texto bíblico.
Grande Rolo de Isaías, de Qumran, c. séc. 2 a.C. (capítulo 53) · 0 · Wikimedia Commons · Public domain

O Templo foi reconstruído entre c. 520 e 515 a.C. No século seguinte, Neemias, governador de c. 445 a 433 a.C., e o escriba Esdras definiram quem pertencia à comunidade.1 Uma cena do livro de Neemias mostra o que tinha mudado: o livro da lei é lido diante do povo e explicado para que todos entendam. O editor anota que o hebraico precisava ser traduzido para o aramaico — a língua falada já era outra.41

É nesse período que o editor situa a emergência do judaísmo como religião centrada num texto. A primeira menção a uma Torá de cinco livros está bem depois, em Josefo, no século I d.C.1 Um povo sem rei e espalhado por vários impérios passou a se reconhecer por uma lei escrita — e por um Deus que não dependia de território.

Questão 02múltipla escolha · sem placar
O prisma do rei assírio Senaquerib e o segundo livro dos Reis narram o cerco de Jerusalém de 701 a.C. O prisma afirma que o rei Ezequias ficou preso “como um pássaro numa gaiola” e pagou pesado tributo; a Bíblia relata o tributo, mas atribui a retirada assíria à morte de 185 mil soldados por um anjo. A comparação dos dois relatos permite concluir que:
  1. Incorreta. O prisma também é propaganda: celebra o rei e omite qualquer revés. E o relato bíblico confirma pontos do assírio, como a tomada das cidades e o tributo.

  2. Correta. É a leitura crítica de fontes. A concordância nos fatos básicos reforça que eles ocorreram; a divergência no desfecho mostra o ponto de vista de cada lado.

  3. Incorreta. Nenhum dos dois relatos fala em destruição de Jerusalém em 701 a.C. O Templo foi destruído pela Babilônia em 586 a.C.

  4. Incorreta. Nem o texto bíblico descreve vitória militar de Judá: atribui a retirada a uma intervenção divina, depois de o rei ter pago tributo.

  5. Incorreta. Ao contrário: é justamente o cruzamento de fontes independentes que permite separar o que ambos confirmam do que cada um interpreta.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Pontos sensíveis deste artigo
  • Base em documentos, não em síntese — o artigo foi construído sobre fontes primárias e notas de editor. É mais provisório que um artigo apoiado em obra de síntese.
  • A Bíblia como fonte — é texto religioso, escrito e editado ao longo de séculos. O editor do Sourcebook registra que só a partir da dinastia de Omri fontes externas confirmam os acontecimentos narrados.
  • Datas tradicionais — as datas de Saul, Davi e Salomão vêm da cronologia bíblica e aparecem com interrogação na própria fonte. Não devem ser tratadas como fato verificado.
  • Quando surgiu o monoteísmo — é disputa aberta. A tradição situa a aliança no Sinai; a leitura crítica, reproduzida pelo editor, o vê consolidado no fim da monarquia e no exílio.
  • Herança babilônica — a ideia de que os hebreus “aprenderam” o olho por olho em Hamurabi é de Charles Horne, em 1915. Os textos mostram semelhança, mas também diferenças de sentido.
  • O cilindro de Ciro não cita os judeus — ele descreve uma política geral de devolver deuses e habitantes às suas cidades. O vínculo com o retorno de Judá vem do livro de Esdras e do editor.
Onde este artigo para
Ficam de fora, por falta de base nos documentos lidos: a história dos patriarcas (Abraão, Isaac, Jacó) e do êxodo como narrativa, que a fonte apenas indica; a origem do nome “hebreus”; a vida econômica e social do antigo Israel; e o período helenístico e romano, com os macabeus, as seitas e a destruição do segundo Templo. As datas anteriores ao século IX a.C. são as da tradição, e o artigo não as afirma como fato.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 10evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

Do nome numa estela ao Templo reconstruído

c. 1220 a.C.Estela deMerneptah:primeiramenção a“Israel”c. 1020 a.C.?Saul,primeirorei,segundo aBíbliac. 1000-922 a.C.?Davi eSalomão; oprimeiroTemploc. 825 a.C.Jeú pagatributo àAssíria(ObeliscoNegro)722 a.C.AssíriatomaSamaria:fim doreino deIsrael701 a.C.SenaqueribcercaJerusalém586 a.C.Babilôniadestrói oTemplo:começa oexílio539-538 a.C.Ciro tomaBabilônia;retornoautorizadoc. 520-515 a.C.TemploreconstruídoAté o século IX a.C., as datas são as da tradição bíblica, que o editor do Sourcebook reproduz com ponto de interrogação. A partir de Omri e de Jeú, fontes assírias permitem conferir.
As datas com interrogação vêm da tradição bíblica. Os três marcos destacados são confirmados por fontes externas — e são os que a prova mais cobra.

O mesmo cerco, contado pelos dois lados

Prisma de SenaqueribCidades fortificadas de Judá tomadas200.150 pessoas levadas como escravasEzequias preso “como pássaro na gaiola”Tributo de 30 talentos de ouro e 800 de prataNenhuma derrota mencionada2 Reis 18-19Cidades fortificadas de Judá tomadasEzequias admite o erro e paga30 talentos de ouro e 300 de prataAnjo mata 185 mil assírios numa noiteSenaquerib volta e é morto pelos filhos
A primeira linha das duas colunas é igual: é o fato que ambos confirmam. As últimas são o que cada lado quis que fosse lembrado.

Duas leis antigas, lado a lado

Código de HamurabiOlho por olho, entre iguais (§ 196)Olho de escravo: metade do valor ao donoRei protege viúva e órfão (epílogo)Lei dada por Hamurabi, chamado pelos deusesÊxodo 20-22Olho por olho, sem distinção de classe (21:24)Olho de servo: o servo sai livre (21:26)Deus protege viúva, órfão e estrangeiroLei dada por um Deus único, sem rival
A fórmula “olho por olho” é a mesma. O que muda é para quem vai a reparação e quem garante a lei.

Mapa mental do assunto

Hebreusdo séc. XIII ao V a.C.FontesBíblia: narrativa religiosaAssírias: conferem desde OmriMerneptah: “Israel”, c. 1220 a.C.Entre impériosIsrael cai para a Assíria, 722Judá cai para a Babilônia, 586Ciro autoriza o retorno, 538Monoteísmo“Não terás outros deuses”Ezequias e o DeuteronômioIsaías: “não há outro”Erros que a prova cobraLer a Bíblia como crônicaDatar o monoteísmo sem debateIgnorar o peso do exílio
O ramo destacado reúne as simplificações mais comuns — todas nascem de tratar o texto religioso como se fosse crônica.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
Primeira menção a Israelestela de Merneptah, Egito, c. 1220 a.C.
Monarquia (tradição)Saul c. 1020 a.C.; Davi até 961; Salomão e o 1º Templo até 922 — datas com interrogação
Debate arqueológicopara a leitura crítica, monarquia unida no máximo pequeno reino tribal
Confirmação externaa partir da dinastia de Omri; Jeú no Obelisco Negro, c. 825 a.C.
DivisãoIsrael (norte, Samaria) e Judá (sul, Jerusalém)
Queda de Israel722 a.C., para a Assíria
Cerco de 701 a.C.Senaquerib contra Ezequias; dois relatos divergentes
Queda de Judá586 a.C., para a Babilônia; Templo queimado
Exílio587-538 a.C.; Jeremias conta 4.600 deportados em três levas
Monoteísmo“não terás outros deuses”; Ezequias; Deuteronômio c. 621; Segundo Isaías c. 550
Monoteísmo éticoprofetas, como Amós (séc. VIII a.C.): justiça acima do culto
Lei e escravoÊxodo 21:26 — servo ferido no olho sai livre
RetornoCiro toma Babilônia em 539 a.C.; Esdras 1; cilindro de Ciro não cita os judeus
Segundo Temploreconstruído c. 520-515 a.C.
Judaísmo do livroEsdras e Neemias; lei lida em público e traduzida para o aramaico
Datas anteriores ao século IX a.C. são tradicionais. As demais são confirmadas por fontes externas à Bíblia.

Fontes

  1. HALSALL, Paul (ed.). Internet Ancient History Sourcebook: Israel. Fordham University. sourcebooks.fordham.edu/halsall/ancient/asbook06.asp. Notas do editor sobre periodização, arqueologia bíblica, profetas e a formação do judaísmo. Fonte principal deste artigo.
  2. Accounts of the Campaign of Sennacherib, 701 BCE: prisma de Senaquerib (trad. em O. J. Thatcher, The Library of Original Sources, 1907) e 2 Reis 18-19 e 2 Crônicas 32 (versão Douai-Rheims, 1914). In: Internet Ancient History Sourcebook, 701sennach.asp.
  3. Kurash (Cyrus) the Great: The Decree of Return for the Jews, 539 BCE: cilindro de Ciro e Esdras 1. In: Internet Ancient History Sourcebook, 539cyrus1.asp. Tradução do cilindro sem indicação de tradutor.
  4. The Holy Bible, King James Version (1611). Project Gutenberg, e-book nº 10. Êxodo 20-22; Deuteronômio 6; 1 Samuel 8; 2 Reis 17 e 25; Jeremias 52; Salmo 137; Isaías 45; Amós 5; Esdras 1; Neemias 8.
  5. HORNE, Charles F. Introdução ao Código de Hamurabi (1915). In: Internet Ancient History Sourcebook, hamcode.asp. Interpretação de época, atribuída no texto.
  6. HAMURABI. Código de Hamurabi. Trad. L. W. King. In: Internet Ancient History Sourcebook, hamcode.asp. Para a comparação com a lei mosaica.
  7. HALSALL, Paul (ed.). Internet Ancient History Sourcebook: Mesopotamia and Syria, asbook03.asp. Nota sobre o Obelisco Negro de Salmanasar III.