A crise do sistema colonial
Não foi a colônia que se rebelou primeiro — foi o chão que se mexeu debaixo de Portugal. Três transformações tornaram o exclusivo obsoleto, e a mais decisiva delas foi silenciosa. A resposta portuguesa: aplicar o mercantilismo com mais rigor, justo quando a Europa o abandonava.

Retrato do Marquês de Pombal · 0 · Wikimedia Commons · Public domain
Comece pela ponta que chegava às pessoas. A Coroa passou a exigir que o imposto sobre o ouro em Minas rendesse, todo ano, pelo menos cem arrobas do metal — um piso fixo, independente do que se extraísse. Um Estado só faz isso quando está apertado. O que estava apertando Portugal?
A cobrança que chegou a Minas
Duas frentes marcaram a política fiscal do período. Uma foi coibir o contrabando de ouro e de diamantes; a outra, melhorar a arrecadação de tributos.1
Em Minas Gerais, isso significou uma troca de mecanismo: saiu o imposto de capitação, voltou o antigo quinto do ouro — e voltou com a exigência de render anualmente ao menos cem arrobas.1
Repare no que essa exigência faz. Um imposto proporcional cai quando a produção cai; um piso fixo, não. Se as minas rendem menos, a cobrança continua a mesma — e o que era tributo vira dívida da região inteira.
Nos diamantes o caminho foi ainda mais direto: depois de uma série de falências, a Coroa passou a explorar as minas diretamente, em 1771.1
Por que faltava dinheiro
A resposta tem duas metades que agiram ao mesmo tempo, e é a simultaneidade que torna a situação grave.
De um lado, a receita caiu. Em meados do século XVIII a colônia entrou numa depressão econômica que só terminaria no fim da década de 1770. Duas causas principais a explicam. Uma é o açúcar em crise. A outra chega um pouco depois: desde 1760, tira-se menos ouro do chão a cada ano.1
De outro, a despesa disparou. Justamente enquanto as rendas da metrópole encolhiam, cresciam gastos extraordinários de duas naturezas. Foi preciso reconstruir Lisboa, arrasada pelo terremoto de 1755. E foi preciso bancar a guerra contra a Espanha, travada pelo domínio de uma faixa enorme — a que se estende de São Paulo para baixo até o Prata.1

Lisboa no terremoto de 1º de novembro de 1755 · 1755 · Wikimedia Commons · Public domain
Enquanto isso, o mundo saía do lugar
A pressão fiscal, porém, é sintoma. O que estava em crise era o próprio arranjo que dava sentido a ter colônias — e essa crise vinha de fora. Fausto aponta as transformações que balizaram o mundo ocidental a partir de meados do século XVIII, e vale examinar as três em ordem de estardalhaço.
A mais ruidosa veio da França: a partir de 1789, a Revolução Francesa pôs fim ao Antigo Regime naquele país — com repercussão em toda a Europa, e Fausto acrescenta o detalhe que costuma faltar: inclusive pela força das armas.1
Antes dela, em 1776, treze colônias da América do Norte haviam declarado sua separação da Inglaterra — o precedente de que uma colônia podia deixar de ser colônia.1
E a terceira é a que decide tudo, embora quase não faça barulho. Fausto a descreve como uma revolução silenciosa, sem data precisa, e ainda assim tão ou mais importante que as outras duas: a Revolução Industrial.1
Quatro fatores a compõem, e juntos fizeram da Inglaterra a maior potência mundial da época: o uso de novas fontes de energia; a invenção de máquinas, sobretudo para a indústria têxtil; o desenvolvimento agrícola; e o controle do comércio internacional.1
A contradição inglesa
Aqui está o ponto que mais rende numa dissertação. Precisando ampliar mercados, os ingleses passaram a impor ao mundo o livre comércio e o abandono dos princípios mercantilistas. E, ao mesmo tempo, faziam o oposto em casa: tarifa na porta, tanto para o mercado deles quanto para o das colônias que possuíam.1
Livre comércio para os outros, proteção para si. Não é hipocrisia avulsa — é a posição de quem já ganhou a corrida e agora precisa que ninguém feche as portas.
Nas relações com a América espanhola e portuguesa, esse movimento se traduziu em brechas cada vez maiores no sistema colonial, abertas por três caminhos: acordos comerciais, contrabando e aliança com os comerciantes locais.1
A ofensiva contra a escravidão
Um quarto fator atingiu o mundo colonial: a tendência a limitar ou extinguir a escravidão, manifestada pelas duas maiores potências do período — Inglaterra e França.1
E aqui a fonte faz uma correção importante. A explicação corrente é econômica: os britânicos queriam mais gente comprando, e podiam disputar esse mercado com vantagem porque a Revolução Industrial já os colocara à frente. Fausto não descarta o argumento, mas o limita — ele responde por apenas parte da verdade.1
O que falta na explicação puramente econômica são duas coisas. A primeira: os novos movimentos nascidos nos países mais avançados da Europa, sob a influência do pensamento ilustrado e também do pensamento religioso — este último, sublinha a fonte, é o caso da Inglaterra. A segunda vale para a França: o levante que negros — escravizados e libertos — promoveram nas Antilhas.1
As datas são duas, e a primeira teve volta atrás. Quem agiu antes foi a França revolucionária: em fevereiro de 1794, aboliu o cativeiro em seus domínios coloniais — mas Napoleão desfez a medida em 1802. A Inglaterra só tomaria decisão equivalente em 1807.1
LembreA campanha antiescravista britânica foi apenas cálculo econômico?
Não, e a fonte é explícita. A ligação com o interesse em ampliar mercados consumidores contém apenas parte da verdade. Entram também os movimentos surgidos na Europa mais avançada, sob influência do pensamento ilustrado e religioso — e, no caso francês, a insurreição de libertos e escravizados nas Antilhas. Reduzir tudo a interesse é perder metade da explicação.
Vale o contraste com quem tinha acabado de fazer uma revolução. Nos Estados Unidos, depois de 1776, o resultado foi outro: apesar do caráter liberal e anticolonialista daquele movimento, prevaleceram os interesses dos grandes proprietários rurais. A escravidão só desapareceu em alguns Estados do norte — e justamente naqueles em que os cativos tinham pouca significação econômica.1
Fausto resume todo esse processo como uma etapa de formação do capitalismo industrial, ligada à ascensão da burguesia ao poder. Mas emenda logo um aviso, e ele vale para qualquer resposta de prova: amarrar as duas coisas de forma simples é erro. Que a aristocracia acabasse e que a burguesia virasse classe dirigente foi resultado de um percurso complicado, que mudou conforme o país e que se armou a partir de alianças entre classes e da ação do próprio Estado.1 Ou seja: burguesia industrial não sobe em bloco nem no mesmo ritmo em toda parte.
A resposta portuguesa: mais mercantilismo
Como Portugal chegava a esse mundo novo? Mal. Em meados do século XVIII era um país atrasado diante das grandes potências europeias e dependia da Inglaterra, que em troca lhe dava proteção diante da França e da Espanha. E, mesmo nessa posição, Lisboa tentava duas coisas ao mesmo tempo: segurar de pé o sistema colonial e conter os ingleses, cuja presença no Brasil não parava de crescer.1
O marco do período é a subida de Dom José I ao trono, em 1750 — mas Fausto adverte que a importância não está propriamente no rei, e sim no ministro que ele escolheu. O nome de batismo era Sebastião José de Carvalho e Melo; a história o guardaria pelo título que viria depois — Marquês de Pombal.1
A biografia dele até ali tem um detalhe que costuma surpreender: quando foi indicado ao ministério, já passava dos cinquenta anos e vinha de uma carreira relativamente obscura — representara Portugal na Inglaterra e servira como diplomata na Corte austríaca.1
Sua obra se estendeu de 1750 a 1777, e teve dois objetivos: tornar mais eficaz a administração portuguesa e modificar o relacionamento entre Metrópole e Colônia.1
E a fórmula que ele usou é o coração deste artigo. Fausto vê nela uma mistura peculiar entre o antigo e o moderno, que as condições de Portugal explicam: de um lado o absolutismo ilustrado; de outro, o esforço de levar a sério, enfim, o receituário mercantilista.1

Os três irmãos Carvalho · 2022 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
As companhias privilegiadas
A tradução prática dessa fórmula foram duas empresas com monopólio. Ambas seguiam, nas palavras da fonte, as concepções do mercantilismo.1
A primeira, de 1755, foi a Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão. Seu objetivo era desenvolver a região Norte, e o método foi oferecer preços atraentes por mercadorias produzidas ali e consumidas na Europa — arroz, algodão, canela, cravo e cacau —, todas transportadas com exclusividade nos navios da própria companhia.1
Ela introduziu também escravos negros na região. Mas a fonte registra o desvio que se seguiu: dada a pobreza local, a maior parte deles acabou reexportada para as minas de Mato Grosso.1
A segunda veio em 1759: a Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba, criada para reativar o Nordeste na mesma linha de atuação.1
Quem perdeu com isso? Os setores comerciais brasileiros marginalizados pelas companhias. Mas Fausto faz questão de desfazer uma leitura fácil: perseguir a elite colonial nunca esteve entre os objetivos de Pombal. O que ele fez foi o contrário — abriu lugar para ela na farda, na toga e nos postos de administração e de fazenda do governo.1
E o balanço do programa econômico é sóbrio: ele foi em grande medida frustrado — não por erro de concepção, mas porque bateu de frente com a depressão descrita no início deste artigo.1
O confisco e o buraco no ensino
A medida mais controvertida do período foi a expulsão dos jesuítas de Portugal e de seus domínios, com confisco de bens, em 1759 — episódio que tem artigo próprio. O que interessa aqui é a lógica e o saldo.1
A lógica era de centralização. Não se toleraria que uma ordem religiosa mantivesse território próprio de ação quando seus objetivos não fossem os da Coroa. Prova de que o alvo era o modelo, e não apenas uma ordem: os mercedários, que vinham logo atrás dos jesuítas em peso na Amazônia, levaram o mesmo destino por volta de 1765 — expulsos, e com os bens tomados.1
O saldo material é revelador de quem mandava na colônia. A maioria das propriedades urbanas e rurais confiscadas foi arrematada em leilão por grandes fazendeiros e comerciantes. As maiores igrejas passaram a bispos não integrados nas ordens religiosas. E muitos colégios viraram palácios de governadores ou hospitais militares.1
Fausto encerra o balanço com uma frase seca: houve um grande desperdício, em especial de bens culturais — e cita o exemplo que dói, o das bibliotecas, tidas como coisa de pouco valor.1
Uma comparação que explica muita coisa
A expulsão abriu um vazio no já pobre ensino da colônia. E ao explicar por que o ensino era pobre, a fonte oferece a comparação mais eloquente do capítulo. Havia, em Lisboa, receio de que se formasse aqui dentro uma camada de gente instruída — receio que Madri não compartilhava.1
Os números confirmam. Ainda no século XVI, três universidades já funcionavam na América sob domínio espanhol: em 1538 a de São Domingos, e em 1551 a Cidade do México e São Marcos, em Lima. Do lado português, não se fundou nenhuma em três séculos de colônia.1
Com a imprensa, a história se repete. Ela apareceu nas maiores cidades coloniais espanholas também no século XVI. Aqui, houve uma tentativa isolada — uma oficina gráfica que funcionou no Rio a partir de 1747 e que ordem régia mandou fechar pouco depois. Fora isso, a impressão só começaria no século XIX, quando chegou Dom João.1
Para remediar o vazio vieram três providências. Em Olinda, o bispo de Pernambuco abriu um seminário com espaço para matemática e ciências naturais. No Rio e na Bahia, formaram-se pequenos clubes de intelectuais. E o Estado criou um tributo próprio para bancar as escolas que mantinha — o subsídio literário.1

Pombal, com a Universidade de Coimbra ao fundo · 0 · Wikimedia Commons · Public domain
A “viradeira”, e o que ela não foi
Com a morte de Dom José e a queda de Pombal, em 1777, começou o reinado de Dona Maria I. E aqui é preciso desmontar uma imagem consolidada.
Fausto explica a origem dela: a grande controvérsia entre historiadores portugueses a favor e contra Pombal produziu a visão de um corte profundo entre as duas épocas. A própria expressão “viradeira” é indício dessa leitura.1
Mudanças houve, e pesadas. Acabaram-se as companhias de comércio. E fechou-se a porta da indústria têxtil na colônia: nem fábrica nem manufatura de tecido seriam toleradas — salvo uma exceção que vale ler com atenção, a do pano grosso de algodão destinado a vestir os escravizados.1
Isso, somado à repressão aos integrantes da Inconfidência Mineira, deixou na historiografia brasileira uma imagem muito negativa do período posterior a Pombal.1
A ressalva de Fausto é o que corrige o quadro. Nos trinta anos que separam 1777 de 1808, o esforço de reforma não parou — e tinha finalidade declarada: acompanhar os novos tempos para salvar o colonialismo mercantilista.1
E, ao contrário do reinado anterior, este pegou conjuntura favorável. A produção de açúcar valorizou-se e se expandiu, beneficiada pela insurreição dos escravos em São Domingos. E outro produto entrou em cena: o algodão, que a companhia de comércio criada por Pombal havia desenvolvido e que a guerra de independência norte-americana ajudou a impulsionar. Por algum tempo, ele fez do Maranhão a região mais próspera de toda a América portuguesa.1

Dona Maria I, rainha de Portugal · 1783 · Wikimedia Commons · Public domain
- Pombal não foi um liberal — sua reforma combinou absolutismo ilustrado com a aplicação mais consequente que Portugal já fizera do mercantilismo — criando monopólios, e não abrindo mercado. Tratá-lo como modernizador em sintonia com a Europa inverte o quadro.
- A Revolução Industrial é a transformação decisiva — a fonte a chama de revolução silenciosa e sem data precisa, e a considera tão ou mais importante que a independência americana e a Revolução Francesa. Responder sobre a crise do sistema colonial citando só as revoluções políticas deixa de fora o motor.
- Livre comércio para os outros, tarifa para si — a Inglaterra impunha ao mundo o abandono do mercantilismo enquanto protegia seu mercado e o de suas colônias com tarifas. É essa assimetria que abre brechas no sistema colonial ibérico, por acordos, contrabando e aliança com comerciantes locais.
- O antiescravismo não se explica só por interesse — a associação com a ampliação de mercados consumidores contém, nas palavras da fonte, apenas parte da verdade. Entram os movimentos nascidos na Europa mais avançada, sob influência ilustrada e religiosa, e a insurreição nas Antilhas.
- Cuidado com a equação burguesia = capitalismo industrial — Fausto sintetiza o processo como etapa de formação do capitalismo industrial ligada à ascensão da burguesia, mas adverte contra a associação simplista: foi processo complexo, variável de país a país, tecido por alianças de classe e pelo papel do Estado.
- A “viradeira” não paralisou a Coroa — a imagem negativa do período pós-Pombal vem da extinção das companhias, da proibição de manufaturas e da repressão à Inconfidência. Mas entre 1777 e 1808 a Coroa seguiu tentando reformas, e a conjuntura econômica foi favorável — o açúcar se valorizou e o algodão fez do Maranhão a zona mais próspera.
- O ensino era pobre por decisão, não por acaso — a Coroa portuguesa, ao contrário da espanhola, temia a formação de uma elite letrada na colônia. A Espanha criou universidades na América já no século XVI; a América portuguesa não teve nenhuma em todo o período colonial, e a imprensa só chegou no século XIX.
Material de estudo
Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.
De 1750 à Revolução Francesa
O que a Inglaterra pregava e o que praticava
O que se mexeu, e o que veio disso
Mapa mental do assunto
Quadro-resumo para revisão rápida
| Item | Dado |
|---|---|
| 1776 | colônias da América do Norte declaram separação da Inglaterra |
| A partir de 1789 | a Revolução Francesa encerra o Antigo Regime na França e repercute pela Europa, inclusive pelas armas |
| Revolução Industrial | silenciosa e sem data precisa — e tão ou mais importante que as outras duas |
| Seus fatores | novas fontes de energia, máquinas (sobretudo têxteis), avanço agrícola e controle do comércio internacional |
| A contradição inglesa | prega livre comércio fora e mantém tarifa na porta, para si e para suas colônias |
| Como abre brechas | acordos comerciais, contrabando e aliança com comerciantes locais |
| Ofensiva antiescravista | Inglaterra e França; explicação só econômica contém apenas parte da verdade |
| O que mais explica | movimentos ilustrados e religiosos na Europa; no caso francês, a insurreição nas Antilhas |
| Fevereiro de 1794 | a França revolucionária extingue a escravidão nas colônias — Napoleão revoga em 1802 |
| 1807 | a Inglaterra faz o mesmo |
| Contraste dos EUA | escravidão extinta só em alguns Estados do norte, onde os cativos pouco pesavam economicamente |
| Advertência de método | cuidado com a associação simplista entre capitalismo industrial e ascensão da burguesia |
| Portugal em 1750 | país atrasado e dependente da Inglaterra, que lhe dava proteção diante de França e Espanha |
| O marco de 1750 | Dom José I no trono — mas o que importa é o ministro Sebastião José de Carvalho e Melo |
| Carreira anterior | obscura: representante em Londres e diplomata na Corte austríaca; assumiu com mais de cinquenta anos |
| Período de governo | 1750 a 1777 |
| Fórmula da reforma | absolutismo ilustrado mais aplicação consequente do mercantilismo |
| Companhia de 1755 | a do Grão-Pará e Maranhão — cacau, cravo, canela, algodão e arroz, só em navios dela |
| Efeito colateral | escravos introduzidos foram, na maior parte, reexportados para as minas de Mato Grosso |
| Companhia de 1759 | Pernambuco e Paraíba, para reativar o Nordeste |
| Quem foi prejudicado | os setores comerciais brasileiros marginalizados pelas companhias |
| A elite colonial | não foi alvo — ganhou lugar na farda, na toga e nos postos de administração e fazenda |
| Por que o programa falhou | depressão de meados do século até o fim da década de 1770 |
| Causas da depressão | o açúcar em crise e, desde 1760, cada vez menos ouro extraído |
| Despesas extraordinárias | erguer Lisboa de novo depois de 1755 e bancar a guerra com a Espanha no extremo sul |
| Aperto fiscal em Minas | o quinto do ouro substitui a capitação, exigindo cem arrobas por ano |
| Diamantes | após série de falências, a Coroa passa a explorar as minas diretamente, em 1771 |
| Expulsão dos jesuítas | 1759, com confisco; por volta de 1765 os mercedários sofrem o mesmo na Amazônia |
| Destino dos bens | leiloados a fazendeiros e comerciantes; colégios viraram palácios e hospitais; bibliotecas tidas por coisa de pouco valor |
| Política indígena | escravidão indígena extinta em 1757; aldeias amazônicas viram vilas civis; incentivo a casamentos mistos |
| Ensino | a Coroa temia uma elite letrada na colônia: nenhuma universidade em todo o período |
| Comparação | sob domínio espanhol já havia três universidades no século XVI — 1538 e 1551 |
| Imprensa | uma oficina funcionou no Rio desde 1747 até ordem régia mandar fechá-la; só começa no XIX, com Dom João |
| Remédios | subsídio literário, seminário de Olinda e pequenos clubes de intelectuais no Rio e na Bahia |
| 1777 | morte de Dom José e queda de Pombal: começa a “viradeira” |
| O que mudou | fim das companhias e porta fechada à indústria têxtil, salvo o pano grosso que vestia os escravizados |
| A ressalva | nos trinta anos até 1808 o esforço de reforma não parou, para salvar o colonialismo mercantilista |
| Conjuntura favorável | o açúcar se valoriza com a insurreição em São Domingos; o algodão faz do Maranhão a zona mais próspera |
Fontes
- FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp. Fonte principal deste artigo.
- NOVAIS, Fernando A. Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial. São Paulo: Hucitec.
- MAXWELL, Kenneth. Marquês de Pombal: paradoxo do Iluminismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
- FALCON, Francisco. A época pombalina. São Paulo: Ática.