História Verso
História Geral · Idade Contemporânea

Guerra Fria

Chamou-se fria porque Estados Unidos e União Soviética nunca trocaram tiros diretamente. Na Coreia, no Vietnã e em Cuba, porém, ela foi tudo menos fria — e cada superpotência tratou com tanques ou com agentes secretos quem tentava sair do seu lado do mapa.

194715 min de leitura17 fontes
Churchill, Roosevelt e Stálin em Yalta, fevereiro de 1945 · US government photographer · 9 February 1945
Churchill, Roosevelt e Stálin em Yalta, em fevereiro de 1945. Ali os três prometeram eleições livres na Polônia libertada. Dois anos depois, o presidente americano acusava a URSS de descumprir o acordo — e a aliança que derrotou Hitler já era passado.
Churchill, Roosevelt e Stálin em Yalta, fevereiro de 1945 · 1945 · Wikimedia Commons · Public domain
Pergunta orientadora

Em junho de 1950, um político sul-coreano disse, diante de um enviado americano: “se não pudermos proteger a democracia na guerra fria, venceremos numa guerra quente”. Uma semana depois, a Coreia estava em guerra. Fria para quem?

Estados Unidos e União Soviética passaram mais de quatro décadas em confronto sem nunca combaterem diretamente um ao outro. É daí o adjetivo. Mas a frase acima — atribuída ao dirigente sul-coreano Syngman Rhee por um diplomata soviético que tinha todo interesse em citá-la — mostra que já na época se sabia que o frio dependia do lugar. Na Europa, a guerra ficou em tratados e muros. Na Ásia e na América Latina, em mortos.

De onde vem este artigo
Este texto foi construído sobre documentos de época — discursos, tratados, notas diplomáticas, um relatório da ONU, um manifesto de estudantes — reunidos pelo Internet History Sourcebooks Project, da Universidade Fordham, e sobre as sínteses do Office of the Historian, o serviço histórico do Departamento de Estado americano. Esta última é fonte oficial de um dos lados, e o artigo a trata assim. Não se apoia em obra de síntese historiográfica independente e é, por isso, mais provisório que um artigo que se apoie.

Onde ela ficou fria: a Europa dividida

Em 5 de março de 1946, em Fulton, nos Estados Unidos, Winston Churchill — já fora do governo britânico — descreveu a nova linha que cortava o continente: de Stettin, no Báltico, a Trieste, no Adriático, uma “cortina de ferro” havia descido. Varsóvia, Berlim, Praga, Viena, Budapeste, Belgrado, Bucareste e Sófia estavam do lado de lá, sob controle crescente de Moscou. A receita de Churchill era a união dos povos de língua inglesa e nenhuma política de apaziguamento.1

Stálin respondeu dias depois, em entrevista ao Pravda. Comparou o discurso à teoria racial de Hitler, só que trocando o alemão pelo inglês como língua dos “povos plenamente válidos”; disse que a URSS perdera na guerra várias vezes mais gente que Grã-Bretanha e Estados Unidos juntos; e perguntou o que havia de surpreendente em querer, nos países vizinhos, governos “leais” a ela.2 As duas falas descrevem o mesmo mapa. Uma o chama de dominação; a outra, de segurança.

A resposta americana ganhou forma em 12 de março de 1947. Ao pedir ao Congresso 400 milhões de dólares para a Grécia e a Turquia — que a Grã-Bretanha não podia mais sustentar —, o presidente Harry Truman dividiu o mundo em dois “modos de vida”: um baseado na vontade da maioria e em eleições livres; outro, na vontade de uma minoria imposta pelo terror. Os Estados Unidos deveriam apoiar “os povos livres que resistem a tentativas de subjugação”. O mesmo discurso acusava a URSS de violar o acordo de Yalta na Polônia, na Romênia e na Bulgária.3 É a Doutrina Truman, e o verbo que a resume é conter.

A contenção também tinha versão econômica. Segundo o Office of the Historian, o secretário de Estado George Marshall propôs em junho de 1947 um programa de reconstrução da Europa, e o Congresso aprovou em 1948 verbas que passariam de 12 bilhões de dólares. A participação soviética e leste-europeia chegou a ser cogitada, mas não aconteceu, e o Plano Marshall ficou restrito à Europa Ocidental — o que, na avaliação do próprio órgão, também abria mercados para produtos americanos.4

Berlim, dividida em setores e cercada pela zona soviética, foi onde as duas linhas primeiro se chocaram. Em junho de 1948, depois que americanos e britânicos introduziram um novo marco alemão nas zonas ocidentais e em Berlim Ocidental, os soviéticos bloquearam todas as ligações por terra e por água. Os ocidentais responderam com uma ponte aérea de comida e combustível, e o bloqueio foi levantado em maio de 1949.4

Nesse intervalo nasceu a aliança militar do Ocidente. Pelo artigo 5 do Tratado do Atlântico Norte, assinado em Washington em 4 de abril de 1949, um ataque armado a um dos membros na Europa ou na América do Norte seria considerado um ataque a todos. O artigo 6 incluía na área protegida os “departamentos argelinos da França” — a colônia norte-africana entrava no mapa da defesa ocidental.5 Em maio de 1955, Albânia, Bulgária, Hungria, Alemanha Oriental, Polônia, Romênia, URSS e Tchecoslováquia assinaram em Varsóvia um tratado com cláusula equivalente: o Pacto de Varsóvia.6

LembreO que tinham em comum o artigo 5 da Otan e o artigo 4 do Pacto de Varsóvia?

Os dois transformavam o ataque a um membro em ataque a todos, com base no direito de legítima defesa coletiva previsto no artigo 51 da Carta da ONU. É essa simetria que explica por que as superpotências evitavam o choque direto na Europa: qualquer tiro acionaria uma aliança inteira.

Onde ela esquentou: Coreia, Vietnã, Cuba

A península coreana, ocupada pelos japoneses até 1945, foi dividida no paralelo 38 entre soviéticos, ao norte, e americanos, ao sul. Em 25 de junho de 1950 começou a guerra — e sobre quem a começou há dois documentos oficiais que se contradizem.

A comissão da ONU para a Coreia, em relatório de setembro, concluiu que as forças do Norte invadiram o Sul “sem aviso e sem provocação”, segundo um plano preparado; e situou a origem do conflito na “divisão artificial” do país e no fracasso das potências ocupantes em combinar sua independência.7 O vice-chanceler soviético Andrei Gromyko, em julho, afirmou o contrário: o Sul teria atacado primeiro, armado e treinado pelos americanos, e os Estados Unidos teriam intervindo antes mesmo de o Conselho de Segurança se reunir, transformando a ONU em instrumento — a resolução de 27 de junho seria “ilegal”.8

O Office of the Historian, por sua vez, registra que o exército de Kim Il Sung atacou o Sul e quase conquistou a península; que uma força autorizada pela ONU e liderada pelos EUA empurrou o Norte de volta; que a China entrou na guerra no fim de 1950; e que só em 1953 se chegou a uma trégua, que cristalizou a divisão existente até hoje.9

Questão 01múltipla escolha · sem placar
Sobre o início da Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, a comissão da ONU afirmou que o Norte invadiu o Sul sem aviso nem provocação; o diplomata soviético Andrei Gromyko afirmou que o Sul atacou primeiro, com apoio americano. Diante de duas fontes oficiais contraditórias, o procedimento adequado ao historiador é:
  1. Incorreta. Nenhuma fonte dispensa crítica. A própria URSS contestava a legitimidade da ação da ONU naquele momento — o que não torna Gromyko correto, mas mostra que a neutralidade precisa ser examinada, não presumida.

  2. Incorreta. Contradição entre fontes não leva ao relativismo total: leva ao cruzamento com outras evidências. A síntese do Office of the Historian, por exemplo, também registra o ataque do Norte.

  3. Correta. É o método: a comissão da ONU, o governo soviético e o Departamento de Estado eram partes de uma disputa. Confrontar as versões e buscar evidência independente é o que permite chegar a uma conclusão justificada.

  4. Incorreta. Proximidade no tempo não garante veracidade. Uma declaração feita no calor da crise, por uma das partes, pode ser tão interessada quanto qualquer outra.

  5. Incorreta. Documentos oficiais são fontes centrais — desde que lidos criticamente, como expressão de um ponto de vista.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

No Vietnã, segundo a mesma síntese americana, a conferência de Genebra de 1954, depois da derrota francesa em Dien Bien Phu, dividiu o país e marcou eleições de reunificação. Os comunistas pareciam ter mais chance de vencê-las, e os EUA apoiaram o dirigente do Sul, Ngo Dinh Diem, quando ele se recusou a realizá-las. Em agosto de 1964, depois de dois ataques relatados contra destróieres americanos no golfo de Tonkin — sobre o segundo dos quais surgiram dúvidas depois —, o Congresso deu ao presidente Johnson autorização para as medidas que julgasse necessárias. A retirada americana veio com o acordo de janeiro de 1973, e a guerra só terminou quando tanques do Norte entraram no palácio presidencial de Saigon, em 30 de abril de 1975.9

Em Cuba, a revolução de 1959 rompeu com os Estados Unidos e se aproximou da URSS. Em 17 de abril de 1961, exilados cubanos treinados e financiados pela CIA desembarcaram na Baía dos Porcos e foram derrotados em dois dias.12 Em outubro de 1962, aviões americanos fotografaram bases de mísseis soviéticos na ilha. No pronunciamento de 22 de outubro, o presidente John Kennedy anunciou uma “quarentena” naval e avisou que qualquer míssil lançado de Cuba seria tratado como ataque soviético aos Estados Unidos.10

No Conselho de Segurança, no dia seguinte, o delegado soviético V. A. Zorin respondeu com a história da América Latina: o “big stick” de presidentes americanos, o caso do canal do Panamá, o general que se gabava de poder fazer eleições em qualquer país latino-americano com seus fuzileiros, e o desembarque na Baía dos Porcos, dois dias depois de o delegado americano negar qualquer plano de agressão. Negou também que a URSS tivesse mandado armas ofensivas a Cuba.11 Os mísseis estavam lá.

Fotografia aérea americana da base de mísseis nº 2 de San Cristóbal, Cuba, 1º de novembro de 1962 · see above · 1962-11-01
Base de San Cristóbal, em Cuba, fotografada por avião americano em 1º de novembro de 1962. As setas indicam “antigas posições de lançamento”: os mísseis já estavam sendo retirados.
Fotografia aérea americana da base de mísseis nº 2 de San Cristóbal, Cuba, 1º de novembro de 1962 · 1962 · Wikimedia Commons · Public domain

A saída, segundo o Office of the Historian, combinou um acordo público e outro secreto. Em 28 de outubro, Khruschev anunciou que os mísseis seriam desmontados; Kennedy havia proposto a retirada sob supervisão da ONU e a garantia de não invadir Cuba. Em conversa reservada, o governo americano indicou que retiraria seus mísseis Júpiter da Turquia — o que fez em abril de 1963 —, com a condição de que isso não fizesse parte do acordo público. Depois da crise, criou-se uma linha direta entre a Casa Branca e o Kremlin.12

Dentro de cada bloco: quem saía da linha

Em 22 de outubro de 1956, estudantes de Budapeste aprovaram dezesseis reivindicações: retirada das tropas soviéticas, eleições com voto secreto e vários partidos, direito de greve, liberdade de imprensa, a remoção da estátua de Stálin e o direito de vender o urânio húngaro a preço de mercado.13 Em 30 de outubro, o governo soviético reconheceu reivindicações “justas” dos trabalhadores, mas denunciou a “reação negra” e prometeu negociar a presença de suas tropas. Em 4 de novembro, o primeiro-ministro Imre Nagy mandou sua última mensagem: as forças russas esmagavam a resistência húngara “contra todos os tratados”, e hoje era a Hungria, amanhã seriam outros.13

Barricada de paralelepípedos em Budapeste, 1956 · Fortepan adományozó NAGY GYULA · 1956
Barricada de paralelepípedos em Budapeste, 1956. Na parede, em branco, a palavra húngara “sztrájk” — greve, um dos direitos reivindicados pelos estudantes.
Barricada de paralelepípedos em Budapeste, 1956 · 1956 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0

Em 13 de agosto de 1961, as autoridades da Alemanha Oriental fecharam a passagem entre os setores de Berlim. Na nota de 17 de agosto, os Estados Unidos chamaram a medida de ilegal e lembraram que ela fora tomada porque um número crescente de pessoas queria deixar o lado oriental. A resposta soviética, no dia seguinte, defendia o controle da fronteira contra a “subversão” vinda de Berlim Ocidental e garantia que as medidas eram temporárias.14 O muro ficou de pé por 28 anos.

Operários da Alemanha Oriental erguem o Muro de Berlim, 20 de novembro de 1961 · National Archives · 1961-11-20
Operários da Alemanha Oriental erguem o Muro de Berlim em novembro de 1961, três meses depois de a URSS ter chamado as medidas de “temporárias”.
Operários da Alemanha Oriental erguem o Muro de Berlim, 20 de novembro de 1961 · 1961 · Wikimedia Commons · Public domain

Quando a Tchecoslováquia de Alexander Dubček tentou reformas em 1968 — entre elas o fim da censura, segundo o editor do Sourcebook —, foi invadida. O texto que o Sourcebook apresenta como Doutrina Brejnev, publicado no Pravda em setembro daquele ano, dá a justificativa: a soberania de um país socialista não podia se opor aos interesses do “mundo do socialismo”, e uma “autodeterminação” que tirasse a Tchecoslováquia do bloco seria contrária à “autodeterminação socialista” dos povos.15

O outro bloco também tinha seus métodos. O Office of the Historian registra que o governo americano usou fundos secretos no Chile para impedir a eleição de Salvador Allende em 1970 e chegou a discutir o apoio a um golpe militar naquele ano. Allende foi eleito, nacionalizou o cobre e morreu durante o golpe de 11 de setembro de 1973, que levou Augusto Pinochet ao poder. Uma comissão do Senado americano, em 1975, confirmou as ações encobertas, mas concluiu haver pouca prova de apoio direto ao golpe de 1973 — ponto que, reconhece o próprio órgão, continua em debate.12

Como terminou

Segundo o Office of the Historian, a partir de 1985 o dirigente soviético Mikhail Gorbachev lançou a perestroika (reestruturação) e a glasnost (transparência) e deixou claro, primeiro em segredo e depois em público, que a URSS abandonara a Doutrina Brejnev: não haveria mais intervenção militar para sustentar regimes comunistas.16

Sem essa garantia, 1989 foi rápido. Na Polônia, o sindicato Solidariedade venceu as eleições de 4 de junho — o mesmo dia em que tanques chineses esmagavam os protestos de Pequim. Na Hungria, Imre Nagy foi enterrado de novo com honras. Em 9 de novembro, o governo da Alemanha Oriental anunciou a abertura das fronteiras, e o Muro de Berlim caiu. Só na Romênia a mudança foi violenta, com centenas de mortos e a execução de Ceaușescu.16

A própria URSS durou mais dois anos. Depois do golpe fracassado de agosto de 1991 contra Gorbachev, Ucrânia e Belarus declararam independência, e os países bálticos buscaram reconhecimento; em dezembro, Rússia, Ucrânia e Belarus criaram a Comunidade de Estados Independentes; e em 25 de dezembro de 1991 Gorbachev renunciou e a bandeira soviética desceu do Kremlin pela última vez.16

Questão 02múltipla escolha · sem placar
Em 1968, um texto publicado no Pravda justificou a invasão da Tchecoslováquia afirmando que a soberania de cada país socialista não podia se opor aos interesses do conjunto do bloco. Segundo o Office of the Historian, a partir de 1985 Gorbachev abandonou essa política. A relação entre os dois fatos ajuda a explicar:
  1. Correta. Sem a ameaça de intervenção militar que a Doutrina Brejnev formalizava, os governos do Leste perderam a garantia que os sustentara nas crises anteriores.

  2. Incorreta. Cronologia impossível: a Otan é de 1949 e o texto do Pravda, de 1968.

  3. Incorreta. Não houve invasão. A crise terminou com a retirada dos mísseis soviéticos, a garantia americana de não invadir Cuba e a retirada secreta dos mísseis americanos da Turquia.

  4. Incorreta. Foi o oposto: a tentativa de reforma foi esmagada por uma invasão, e o texto do Pravda condenava justamente a saída do bloco.

  5. Incorreta. A trégua de 1953 manteve a península dividida, divisão que existe até hoje.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Pontos sensíveis deste artigo
  • Fonte oficial de um dos lados — boa parte da sequência dos fatos vem do Office of the Historian, do Departamento de Estado americano. As avaliações dele — sobre o Plano Marshall, o Chile ou o Vietnã — estão atribuídas, não assumidas como verdade.
  • “Fria” é um ponto de vista europeu — na Europa as superpotências não trocaram tiros; na Coreia, no Vietnã e em Cuba, a disputa virou guerra ou quase guerra nuclear.
  • Nenhum número de mortos — nenhum documento lido traz balanço de vítimas da Coreia ou do Vietnã. A cifra de perdas soviéticas citada por Stálin em 1946 é uma afirmação política dele e não foi reproduzida.
  • Duas versões da Coreia — a ONU e a URSS deram versões opostas sobre quem atacou primeiro em 25 de junho de 1950. O artigo as põe lado a lado; a síntese americana registra o ataque do Norte.
  • O acordo secreto de Cuba — a retirada dos mísseis americanos da Turquia fez parte da solução da crise, mas foi negociada à parte e mantida fora do acordo público.
  • Chile: o que está provado e o que se discute — a ação encoberta americana contra Allende entre 1964 e 1970 é admitida pela própria fonte oficial; o apoio direto ao golpe de 1973 continua em debate.
Onde este artigo para
Ficam de fora, por falta de documento entre os lidos: a corrida espacial e a corrida armamentista em números, a guerra do Afeganistão, as guerras civis na África austral, o macarthismo nos EUA, o rompimento sino-soviético e a revolução chinesa de 1949, que pedem fonte própria. A descolonização e o movimento dos não alinhados, que atravessam todo o período, estão em outro artigo; o golpe de 1964 no Brasil, também.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 10evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

Quarenta e cinco anos, de Fulton ao Kremlin

5/3/1946Churchill:a“cortinadeferro”12/3/1947DoutrinaTruman1948–49BloqueiodeBerlim eponteaérea4/4/1949TratadodoAtlânticoNorte(Otan)1950–53GuerradaCoreia1955Pacto deVarsóviaout.–nov. 1956Revoluçãohúngaraesmagada13/8/1961FechamentodafronteiraemBerlimout. 1962Crisedosmísseisem Cuba1968Pragainvadida;DoutrinaBrejnev11/9/1973Golpe noChile30/4/1975Tanquesdo NorteemSaigon9/11/1989Queda doMuro deBerlim25/12/1991Gorbachevrenuncia;fim daURSSDatas tiradas dos documentos e das páginas do Office of the Historian. Os marcos em destaque são os que costumam abrir e fechar o período nas questões: a doutrina que anunciou a contenção, a crise que quase virou guerra nuclear e o fim da URSS.
A linha mistura de propósito marcos europeus, asiáticos e latino-americanos. Lida de cima a baixo, ela mostra que os anos mais quentes da Guerra Fria aconteceram longe da Europa.

O mesmo 25 de junho, em duas versões

Comissão da ONU (set. 1950)Norte invadiu o Sul sem avisoPlano preparado para dominar a CoreiaOrigem: divisão artificial de 1945Norte barrou eleições supervisionadasAção da ONU legítimaGromyko, pela URSS (jul. 1950)Sul atacou primeiro a fronteiraSyngman Rhee prometia tomar PyongyangEUA armaram e treinaram o SulEUA intervieram antes do ConselhoResolução de 27 de junho “ilegal”
As duas colunas são documentos oficiais, escritos com poucas semanas de diferença. Nenhuma é neutra; o exercício é perguntar o que cada uma precisava provar.

Mapa mental do assunto

Guerra Fria1946–1991, por temperaturaOnde ficou friaEuropa dividida: Otan × VarsóviaBerlim: bloqueio (1948) e Muro (1961)Ajuda econômica como arma (Marshall)Onde esquentouCoreia (1950–53)Vietnã (até 1975)Cuba: Baía dos Porcos e mísseisDentro de cada blocoHungria 1956 e Praga 1968Doutrina BrejnevAção encoberta dos EUA no ChileComo terminouGorbachev abandona a Doutrina Brejnev1989: regimes caem no Leste1991: URSS se dissolve
O ramo destacado é o desfecho: a Guerra Fria terminou quando uma das superpotências desistiu de usar a força dentro do próprio bloco.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
Cortina de ferro (1946)Churchill em Fulton; Stálin responde que quer vizinhos “leais”
Doutrina Truman (1947)US$ 400 milhões para Grécia e Turquia; apoio a “povos livres”; contenção
Plano Marshallproposto em 1947; mais de US$ 12 bilhões; só Europa Ocidental
Berlim (1948–49)bloqueio soviético após o novo marco; ponte aérea ocidental
Otan (4/4/1949)art. 5: ataque a um é ataque a todos; inclui a Argélia francesa
Pacto de Varsóvia (1955)oito países do bloco soviético; cláusula de defesa mútua
Coreia (1950–53)versões opostas da ONU e da URSS; China entra; trégua mantém a divisão
Vietnãeleições de 1954 não realizadas; Tonkin (1964); Saigon cai em 30/4/1975
CubaBaía dos Porcos (17/4/1961); mísseis (out. 1962); acordo secreto sobre a Turquia
Hungria (1956)16 pontos dos estudantes; intervenção soviética; mensagem final de Nagy
Muro de Berlimfronteira fechada em 13/8/1961; medida “temporária”, segundo a URSS
Praga (1968)Doutrina Brejnev: soberania limitada pelo interesse do bloco
Chile (1970–73)ação encoberta dos EUA contra Allende; golpe de 11/9/1973
FimGorbachev abandona a Doutrina Brejnev; Muro cai em 9/11/1989; URSS acaba em 25/12/1991
Cada linha remete a um documento ou página lida. As avaliações do Office of the Historian estão atribuídas no corpo do artigo.

Fontes

  1. CHURCHILL, Winston. Discurso da “Cortina de Ferro”, Fulton, Missouri, 5 de março de 1946, excertos, com nota do editor. Internet Modern History Sourcebook, Fordham University. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/churchill-iron.asp
  2. STÁLIN, Josef. Resposta a Churchill, entrevista ao Pravda, março de 1946, trad. inglesa publicada no New York Times. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1946stalin.asp
  3. TRUMAN, Harry S. Discurso ao Congresso (Doutrina Truman), 12 de março de 1947. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1947TRUMAN.asp
  4. OFFICE OF THE HISTORIAN (Departamento de Estado dos EUA). Milestones: “Marshall Plan, 1948” e “The Berlin Airlift, 1948–1949”. history.state.gov/milestones/1945-1952
  5. Tratado do Atlântico Norte, Washington, 4 de abril de 1949. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/NATOTREATY.asp
  6. Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua (Pacto de Varsóvia), 1955, trad. inglesa de Soviet News. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1955warsawpact.asp
  7. NAÇÕES UNIDAS. Relatório da Comissão das Nações Unidas para a Coreia, 4 de setembro de 1950, conclusões. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1950-korea-un1.asp
  8. GROMYKO, Andrei. Declaração sobre a intervenção americana na Coreia, 4 de julho de 1950, trad. inglesa de Soviet News. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1950-gromyko-korea.asp
  9. OFFICE OF THE HISTORIAN. Milestones: “Korean War and Japan’s Recovery”; “U.S. Involvement in the Vietnam War: the Gulf of Tonkin and Escalation, 1964”; “Ending the Vietnam War, 1969–1973”. history.state.gov/milestones
  10. KENNEDY, John F. Pronunciamento sobre a crise de Cuba, 22 de outubro de 1962. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1962kennedy-cuba.asp
  11. Debate entre Adlai Stevenson e V. A. Zorin no Conselho de Segurança da ONU, 23 de outubro de 1962 (S/PV.1022). Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1962-cuba-un1.asp
  12. OFFICE OF THE HISTORIAN. Milestones: “The Bay of Pigs Invasion and its Aftermath”, “The Cuban Missile Crisis, October 1962” e “The Allende Years and the Pinochet Coup, 1969–1973”. history.state.gov/milestones
  13. Hungria, 1956: “Dezesseis pontos” dos estudantes de Budapeste (22 de outubro), declaração do governo soviético (30 de outubro) e última mensagem de Imre Nagy (4 de novembro). Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1956hungary-16points.asp e 1956hungary.asp
  14. Troca de notas entre EUA e URSS sobre o Muro de Berlim, 17 e 18 de agosto de 1961. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1961berlin-usa-ussr.asp
  15. “The Brezhnev Doctrine, 1968”, texto do Pravda, 25 de setembro de 1968, trad. Novosti, com nota do editor. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1968brezhnev.asp
  16. OFFICE OF THE HISTORIAN. Milestones: “Fall of Communism in Eastern Europe, 1989” e “The Collapse of the Soviet Union”. history.state.gov/milestones/1989-1992
  17. HALSALL, Paul (ed.). Internet Modern History Sourcebook, seções “Bipolar World”, “Eastern Europe Since 1945” e “Asia Since 1900”. Fordham University. Fonte das notas de editor citadas.