História Verso
História Geral · Idade Contemporânea

Segunda Guerra Mundial

Para a Europa, ela começa em 1939. Para a China, dois anos antes. Lida nos papéis de época — um acordo assinado sem o país que perdia território, um pacto com protocolo secreto, duas invasões sem declaração de guerra, um comunicado sobre Hiroshima —, a guerra fica maior e menos simples do que no resumo escolar.

193915 min de leitura20 fontes
Chamberlain mostra a declaração anglo-alemã no aeródromo de Heston, 30 de setembro de 1938 · Ministry of Information official photographer · Taken on 30 September 1938
Aeródromo de Heston, perto de Londres, 30 de setembro de 1938: Neville Chamberlain, de volta de Munique, ergue diante da multidão a declaração anglo-alemã. Na véspera, o acordo de Munique entregara à Alemanha uma parte da Tchecoslováquia — e a Tchecoslováquia não o assinou.
Chamberlain mostra a declaração anglo-alemã no aeródromo de Heston, 30 de setembro de 1938 · 1938 · Wikimedia Commons · Public domain
Pergunta orientadora

Em 7 de dezembro de 1941, o governo japonês entregou aos Estados Unidos uma nota que se queixava dos “sacrifícios” do Japão em quatro anos de guerra na China. Se a Segunda Guerra começou em 1939, de que guerra de quatro anos o Japão estava falando?

A data de 1939 é a da Europa. Ela vale para a Polônia, a França e a Grã-Bretanha, e é a que o calendário escolar consagrou. Mas os papéis da época mostram uma guerra com várias portas de entrada, abertas em anos diferentes, em continentes diferentes — e que só no fim de 1941 se juntaram num único conflito mundial.

De onde vem este artigo
Este texto foi construído sobre documentos de época — tratados, notas diplomáticas, discursos, uma reportagem, dois depoimentos juramentados — e sobre as notas de editor do Internet History Sourcebooks Project, da Universidade Fordham, com complementos do Avalon Project (Yale) e da biblioteca presidencial Truman. Não se apoia em obra de síntese historiográfica e é, por isso, mais provisório que um artigo que se apoie. Pelo mesmo motivo, não traz total de mortos: nenhum dos documentos lidos oferece um balanço verificado.

Primeira porta: a China, em 1937

Em dezembro de 1937, o exército japonês tomou Nanquim, então capital da República da China. Um repórter do New York Times, que deixou a cidade a bordo de um navio americano, mandou de Xangai, no dia 17, o relato publicado no dia seguinte.1

O que ele descreve não é combate. Os soldados chineses que depuseram as armas foram mortos; depois, as tropas vasculharam a cidade de casa em casa atrás de homens com marcas de mochila nos ombros, sinal de que tinham sido soldados, e os executaram em grupo — com eles, segundo o repórter, muitos que nada tinham a ver com o exército. Civis mortos apareciam em todas as ruas, entre eles velhos, mulheres e crianças. Quase todos os prédios foram saqueados. No cais, ele viu duzentos homens serem fuzilados contra um muro em dez minutos.1

A reportagem termina com uma previsão: ao devastar a cidade, o Japão aprofundava nos chineses justamente o antijaponismo que Tóquio dizia combater. A nota do editor do Sourcebook chama o episódio de um dos maiores horrores do século; nenhum dos textos lidos dá o número de mortos, e o artigo não o inventa.

Segunda porta: a Europa, entre Munique e a Polônia

Na Europa, a sequência começa com uma concessão. Em 29 de setembro de 1938, em Munique, Alemanha, Grã-Bretanha, França e Itália fixaram as condições para a cessão à Alemanha do território dos Sudetos, de população alemã, que pertencia à Tchecoslováquia. A evacuação começaria em 1º de outubro e terminaria até o dia 10; o governo tchecoslovaco responderia por qualquer instalação danificada. O país que perdia o território entrava no texto apenas como membro de uma comissão internacional — os quatro signatários foram Hitler, Chamberlain, Daladier e Mussolini.2

O primeiro-ministro britânico voltou a Londres com uma declaração anglo-alemã na mão e, diante de uma multidão, a chamou de paz com honra: “acredito que é a paz para o nosso tempo”.3 Ceder para evitar a guerra: é a política que ficou conhecida como apaziguamento, e que Roosevelt, antes de os Estados Unidos entrarem na guerra, condenaria em uma frase — nenhuma nação consegue apaziguar os nazistas.8

Menos de um ano depois, em 23 de agosto de 1939, Alemanha e União Soviética assinaram em Moscou um pacto de não agressão: nenhuma das duas atacaria a outra nem apoiaria um terceiro que a atacasse. O texto público parava aí. O protocolo adicional secreto, assinado por Ribbentrop e Molotov, dividia a Europa oriental em esferas de influência: a fronteira norte da Lituânia separava as duas no Báltico; na Polônia, a linha seguiria os rios Narew, Vístula e San; a URSS registrava interesse na Bessarábia. Se haveria ou não um Estado polonês independente, “só o desenvolvimento político posterior” diria.4

Molotov assina um acordo germano-soviético em Moscou, 1939, diante de Ribbentrop e Stálin · Unknown author Unknown author · August 23, 1939 September 28, 1939
Molotov assina um dos acordos germano-soviéticos de 1939 em Moscou; atrás dele, Ribbentrop (ao centro) e Stálin. A foto circulou; o protocolo que dividia a Polônia ficou secreto.
Molotov assina um acordo germano-soviético em Moscou, 1939, diante de Ribbentrop e Stálin · 1939 · Wikimedia Commons · Public domain

Em 1º de setembro, o embaixador francês em Berlim, Coulondre, entregou a Ribbentrop uma nota: tropas alemãs haviam cruzado a fronteira polonesa, e a França cumpriria suas obrigações com a Polônia se a Alemanha não recuasse. Em 3 de setembro, depois de um ultimato britânico rejeitado naquela manhã, Coulondre comunicou que a França entraria no conflito a partir das 17 horas. Ribbentrop respondeu: “Bem, será a França a agressora”. O embaixador anotou a própria réplica — a história julgaria.5

LembrePor que o pacto germano-soviético de agosto de 1939 ajuda a explicar o ataque à Polônia?

Porque o protocolo secreto já dividia a Polônia entre as duas potências, pela linha dos rios Narew, Vístula e San, e deixava em aberto a própria existência de um Estado polonês. A Alemanha podia atacar a oeste sem temer uma guerra com a URSS a leste. O texto público falava só em não agressão.

1940: a França ocupada, a Grã-Bretanha sozinha

O armistício assinado na floresta de Compiègne, em 22 de junho de 1940, tirou a França da guerra em termos que o próprio texto deixa claros. A Alemanha ocuparia o território ao norte e a oeste de uma linha traçada em mapa, com todos os direitos de potência ocupante; a administração francesa colaboraria com os comandantes alemães; e a França pagaria o custo das tropas de ocupação. Um artigo pouco lembrado obrigava o governo francês a entregar, quando pedido, qualquer alemão que o governo alemão indicasse, na França ou nas colônias.6 O texto não diz quem seriam essas pessoas — e vale perguntar quem, vivendo fora da Alemanha em 1940, o governo nazista teria interesse em reclamar.

Um mês antes, em 13 de maio, Winston Churchill havia se apresentado à Câmara dos Comuns como chefe de um governo de todos os partidos, com uma frase que virou símbolo: “não tenho nada a oferecer senão sangue, labuta, lágrimas e suor”. O objetivo, numa palavra, era a vitória — porque, sem ela, não haveria sobrevivência para o Império Britânico.7 Até um dos discursos mais citados do lado aliado fala em salvar um império.

Do outro lado do Atlântico, os Estados Unidos ainda não estavam em guerra. Franklin Roosevelt garantia que não mandaria tropas à Europa, mas pedia às fábricas aviões, navios e munições para quem lutava: “devemos ser o grande arsenal da democracia”. No mesmo discurso, lembrava que Suécia e Rússia mandavam aço, minério e petróleo à Alemanha todos os dias.8

Terceira porta: 1941, dois ataques sem declaração

Em 22 de junho de 1941, às 4 da manhã, a Alemanha invadiu a União Soviética. O ministro Molotov — o mesmo que assinara o pacto de 1939 — foi ao rádio dizer que o ataque viera sem reclamação prévia e sem declaração de guerra, e comparou a invasão à de Napoleão. A nota do editor do Sourcebook resume o balanço do pacto: deu à URSS dois anos para se preparar, mas encorajou a agressão de Hitler à Polônia.9

No Pacífico, a crise vinha das negociações entre Washington e Tóquio. Na nota de 26 de novembro de 1941, os Estados Unidos pediam que o Japão retirasse todas as suas forças militares e policiais da China e da Indochina, em troca do descongelamento recíproco de fundos e de um acordo comercial. A resposta japonesa foi entregue em 7 de dezembro, o dia do ataque a Pearl Harbor.10

O encouraçado USS Arizona em chamas em Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941 · Photographer: Unknown Unknown Retouched by: Mmxx · 1941-12-07
O USS Arizona em chamas em Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941. No mesmo dia, em Washington, a nota japonesa encerrava as negociações.
O encouraçado USS Arizona em chamas em Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941 · 1941 · Wikimedia Commons · Public domain

A nota japonesa merece ser lida com atenção, porque fala a linguagem do anti-imperialismo. Diz que o Japão era o “fator de estabilidade” da Ásia Oriental e que buscava ali uma “nova ordem”; que as exigências americanas ignoravam os sacrifícios de quatro anos do “Incidente da China”; e que os países da região, “por duzentos anos ou mais”, tinham sido obrigados a aceitar o status quo sob uma política anglo-americana de “exploração imperialista”.10 Posta ao lado da reportagem de Nanquim, a mesma nota mostra o que a palavra “ordem” significava para quem estava do outro lado das baionetas.

Questão 01múltipla escolha · sem placar
Em 7 de dezembro de 1941, o governo japonês acusou os Estados Unidos e a Grã-Bretanha de manter os países da Ásia Oriental, havia mais de duzentos anos, sob uma política de “exploração imperialista”, e apresentou o Japão como construtor de uma “nova ordem” na região. Confrontada com a reportagem sobre Nanquim (1937), essa nota permite concluir que:
  1. Incorreta. O repórter registra que os aplausos de alguns civis na chegada das tropas acabaram logo, diante das execuções e do saque. Nada nos documentos sustenta uma libertação.

  2. Incorreta. A própria nota fala em quatro anos de “Incidente da China”, e a reportagem de Nanquim é de 1937. O conflito na Ásia era anterior a Pearl Harbor.

  3. Correta. É o contraste entre os dois documentos: a crítica ao domínio anglo-americano era real como retórica, mas a “nova ordem” que o Japão impunha na China aparece em Nanquim como violência contra prisioneiros e civis.

  4. Incorreta. Foi o contrário: a nota americana de 26 de novembro pedia a retirada japonesa da China e da Indochina, e o Japão a recusou.

  5. Incorreta. A proposta japonesa citada na nota só previa retirar as tropas da Indochina depois da paz com a China ou de uma paz “equitativa” no Pacífico.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Com o Japão em guerra contra os Estados Unidos e a Alemanha em guerra contra a URSS, as frentes se juntaram. Em 1º de janeiro de 1942, 26 governos assinaram em Washington a Declaração das Nações Unidas, comprometendo-se a não fazer paz em separado. Entre eles, a China — e a Índia, então sob domínio britânico. A Etiópia aderiu em julho de 1942; o Brasil, em 8 de fevereiro de 1943.14

A guerra de extermínio

Ao lado da guerra entre exércitos, correu outra, contra populações inteiras. Dois depoimentos dados sob juramento depois da derrota alemã mostram como ela funcionava.

O engenheiro Hermann Graebe, que dirigia a filial de uma construtora de Solingen, na Alemanha, com obras na Ucrânia, esteve em 5 de outubro de 1942 junto às valas de Dubno, onde os judeus da cidade estavam sendo fuzilados. Ele descreve caminhões trazendo pessoas com a marca amarela costurada na roupa, milicianos ucranianos fazendo-as descer sob vigilância de soldados da SS, famílias inteiras obrigadas a se despir e a esperar a vez, e um atirador sentado na borda da vala, fumando. O que mais chama a atenção no relato é a rotina: havia lugar certo para sapatos, roupas e roupa de baixo, e ninguém o mandou embora.12

O segundo depoimento é de quem comandava. Rudolf Hoess, comandante de Auschwitz, declarou em Nuremberg, em abril de 1946, que a “solução final” significava o extermínio completo dos judeus da Europa. Descreveu a seleção feita por médicos da SS na chegada dos trens — quem podia trabalhar entrava no campo, os demais iam direto para as câmaras de gás, e as crianças pequenas eram mortas sempre, por não servirem ao trabalho —, e o engano deliberado das vítimas, levadas a crer que passariam por desinfecção. E acrescentou um detalhe que desmonta a tese do desconhecimento: o cheiro da queima contínua de corpos tomava a região, e todos que viviam em volta sabiam o que acontecia ali.13

Por que o artigo não repete os números de Hoess
O depoimento traz cifras de vítimas. São estimativas do próprio réu, e o mesmo texto contém ao menos um nome de campo que não se confirma em nenhum outro documento lido. Nenhuma das fontes deste artigo traz um total verificado de mortos do Holocausto; em vez de repetir uma cifra de memória, a lacuna fica declarada.

Como acabou: duas rendições e uma bomba

Em fevereiro de 1945, em Yalta, na Crimeia, Roosevelt, Churchill e Stálin acertaram a conferência que criaria a nova organização mundial, zonas de ocupação na Alemanha — com uma para a França —, eleições “livres e sem entraves” na Polônia e um acordo reservado sobre o Japão: dois ou três meses depois da rendição alemã, a URSS entraria na guerra no Pacífico, recebendo em troca o sul de Sacalina e as ilhas Curilas.15

A rendição alemã foi assinada em Reims, às 2h41 de 7 de maio de 1945, por Jodl, em nome do Alto Comando alemão, perante os representantes do comando aliado ocidental e do comando soviético, com cessar-fogo marcado para as 23h01 do dia 8.16

A nuvem sobre Hiroshima, 6 de agosto de 1945 · George R. Caron · 1945-08-06
A nuvem sobre Hiroshima, fotografada de um dos aviões da missão em 6 de agosto de 1945.
A nuvem sobre Hiroshima, 6 de agosto de 1945 · 1945 · Wikimedia Commons · Public domain

No Pacífico, o comunicado do presidente Harry Truman de 6 de agosto de 1945 anunciou que, dezesseis horas antes, um avião americano havia lançado sobre Hiroshima uma única bomba, com mais força que 20 mil toneladas de TNT: uma bomba atômica. O texto descreve a cidade como “importante base do Exército japonês”, lembra que o Japão começara a guerra pelo ar em Pearl Harbor e ameaça, caso o ultimato de Potsdam continuasse recusado, uma “chuva de ruína vinda do ar”.17 O comunicado não menciona a população civil. Nenhum dos documentos lidos dá o número de mortos de Hiroshima, e o artigo não o inventa.

Em 2 de setembro de 1945, na baía de Tóquio, os representantes japoneses assinaram a rendição incondicional, aceitando a Declaração de Potsdam e submetendo a autoridade do imperador ao comandante supremo aliado. Assinaram pelo lado vencedor, entre outros, Estados Unidos, China, Reino Unido, URSS, Austrália, Canadá, França, Países Baixos e Nova Zelândia.16

Mamoru Shigemitsu assina a rendição do Japão a bordo do USS Missouri, 2 de setembro de 1945 · Army Signal Corps photographer LT. Stephen E. Korpanty · 1945-09-02
O ministro do Exterior Mamoru Shigemitsu assina a rendição do Japão a bordo do USS Missouri, em 2 de setembro de 1945.
Mamoru Shigemitsu assina a rendição do Japão a bordo do USS Missouri, 2 de setembro de 1945 · 1945 · Wikimedia Commons · Public domain

O que a guerra deixou escrito

Três papéis do período sobreviveram à guerra e continuam em uso.

A Carta do Atlântico, de 14 de agosto de 1941, assinada por Roosevelt e Churchill antes mesmo da entrada americana no conflito, declarava respeitar “o direito de todos os povos de escolher a forma de governo sob a qual viverão”.14 O texto não restringe esse direito à Europa ocupada; o que se fez dele fora da Europa é assunto do artigo sobre a descolonização.

A Carta do Tribunal de Nuremberg, anexa ao acordo de 8 de agosto de 1945, definiu três crimes de responsabilidade individual: crimes contra a paz (planejar ou travar guerra de agressão), crimes de guerra e crimes contra a humanidade — extermínio, escravização, deportação e perseguição de populações civis por motivo político, racial ou religioso. Dois artigos fecharam as saídas mais usadas pelos réus: ser chefe de Estado não isentava ninguém, e cumprir ordens superiores não eliminava a culpa.18 O mesmo artigo 6 limitava a competência do tribunal a quem agira no interesse do Eixo europeu: os atos dos vencedores ficavam fora.

Em 9 de dezembro de 1948, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Convenção sobre o Genocídio: atos cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal — em tempo de guerra ou de paz.19

Questão 02múltipla escolha · sem placar
A Carta do Tribunal de Nuremberg (1945) estabeleceu que a posição oficial de um acusado, mesmo como chefe de Estado, não o isentava de responsabilidade, e que ter agido por ordem de um superior também não o livrava da culpa. Essas regras tinham como objetivo:
  1. Incorreta. É o oposto: o artigo 7 diz justamente que ser chefe de Estado ou alto funcionário não livra ninguém da responsabilidade.

  2. Incorreta. A Carta fala expressamente em responsabilidade individual pelos crimes do artigo 6.

  3. Incorreta. Os crimes contra a humanidade do artigo 6 tratam de atos contra populações civis, antes ou durante a guerra.

  4. Incorreta. O artigo 6 limita a competência do tribunal a quem agiu no interesse dos países do Eixo europeu; atos dos vencedores ficavam fora.

  5. Correta. É o sentido dos artigos 7 e 8: a hierarquia não serve de escudo, nem para quem dá as ordens, nem para quem as cumpre — embora a obediência pudesse atenuar a pena.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Pontos sensíveis deste artigo
  • Base documental, não historiográfica — o artigo foi escrito a partir de documentos de época e notas de editor. Mostra o que governos, testemunhas e réus escreveram, não o balanço dos historiadores.
  • 1939 é a data da Europa — na China, a guerra com o Japão já durava desde 1937, como a própria nota japonesa de 1941 reconhece. Para os Estados Unidos e o Pacífico, a data é dezembro de 1941.
  • Nenhum total de mortos — nenhum documento lido traz balanço verificado da guerra, de Nanquim, de Hiroshima ou do Holocausto. As cifras do depoimento de Hoess são estimativas do próprio réu e não foram adotadas.
  • Documentos são parte interessada — a nota japonesa, o pronunciamento de Molotov e o comunicado de Truman defendem o próprio lado. O comunicado de Truman chama Hiroshima de base militar e não fala dos civis.
  • O pacto de 1939 tinha parte secreta — o texto público falava em não agressão; o protocolo adicional dividia a Polônia e o Báltico em esferas de influência e só foi conhecido depois.
  • O tribunal julgou só um lado — a Carta de Nuremberg dava competência para julgar quem agiu no interesse do Eixo europeu. Isso não diminui os crimes julgados, mas é um limite real do tribunal.
Onde este artigo para
Ficam de fora, por falta de documento entre os lidos: as grandes batalhas (Stalingrado, El Alamein, Midway, a Normandia), a resistência nos países ocupados, a guerra na África e no Sudeste Asiático, o bombardeio de cidades alemãs e japonesas, a bomba de Nagasáqui e os campos de internamento de japoneses nos Estados Unidos. Também não se dá número de vítimas em lugar nenhum: os documentos lidos não o trazem. A ascensão do fascismo e do nazismo está em outro artigo; a participação brasileira, também.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 10evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

Oito anos, do cerco de Nanquim à baía de Tóquio

dez. 1937TropasjaponesasemNanquim29/9/1938Acordo deMunique:osSudetos23/8/1939Pactogermano-soviético1–3/9/1939Polôniainvadida;França eGrã-Bretanhaentram22/6/1940ArmistíciodeCompiègne22/6/1941Alemanhainvade aURSS7/12/1941PearlHarbor7–8/5/1945Rendiçãoalemã(Reims)6/8/1945Hiroshima2/9/1945Rendiçãojaponesa(Tóquio)Datas tiradas dos próprios documentos. Os três marcos em destaque são as três portas de entrada da guerra discutidas no artigo: a China, a Polônia e o duplo ataque de 1941.
A linha começa em 1937, não em 1939. Os marcos em destaque são as três portas de entrada: a China, a Polônia e o ano em que a guerra se tornou de fato mundial.

O mesmo projeto, dito e feito

A nota japonesa (dez. 1941)Japão como fator de estabilidadeÁsia explorada por dois séculosUma “nova ordem” na Ásia OrientalQuatro anos de “Incidente da China”Proposta americana fere a honraA reportagem de Nanquim (dez. 1937)Prisioneiros rendidos executadosCivis mortos em todas as ruasBusca de casa em casa por ex-soldadosCidade saqueada quase por inteiroÓdio antijaponês aprofundado
A coluna da esquerda é o que o governo japonês escreveu em 1941; a da direita, o que um repórter viu em 1937. Ler os dois juntos é um exercício que serve para qualquer propaganda de guerra, de qualquer lado.

Mapa mental do assunto

Segunda Guerralida em documentos, 1937–1948Portas de entradaChina, 1937: NanquimEuropa, 1938–39: Munique, pacto, Polônia1941: URSS e Pearl HarborRetórica de guerraChurchill: sangue e lágrimasRoosevelt: arsenal da democraciaJapão: contra o imperialismo alheioExtermínioFuzilamento em Dubno (1942)Auschwitz: seleção e enganoVizinhos sabiamO que ficou no papelCarta do Atlântico: autogovernoNuremberg: crimes contra a humanidadeConvenção sobre genocídio (1948)
O ramo destacado é o que liga esta guerra ao resto do século: autodeterminação, crimes contra a humanidade e genocídio viraram conceitos de direito internacional a partir dela.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
China (1937)Nanquim tomada; execução de prisioneiros, civis mortos, saque (reportagem do NYT)
Munique (1938)Sudetos cedidos à Alemanha; quatro potências assinam, a Tchecoslováquia não
Pacto (23/8/1939)não agressão germano-soviética + protocolo secreto que divide Polônia e Báltico
Polôniainvadida em 1º/9/1939; França e Grã-Bretanha entram em 3/9
Compiègne (22/6/1940)França ocupada no norte e no oeste; paga a ocupação; entrega os alemães que Berlim indicar
Churchill (13/5/1940)sangue, labuta, lágrimas e suor; vitória para salvar o Império
RooseveltEUA como “arsenal da democracia” antes de entrar na guerra
URSS (22/6/1941)invadida sem declaração de guerra
Pearl Harbor (7/12/1941)após nota dos EUA exigindo retirada da China e da Indochina
Nações Unidas (1/1/1942)26 governos, entre eles China e Índia; Brasil adere em 1943
Extermíniofuzilamentos (Dubno, 1942); câmaras de gás e seleção em Auschwitz (Hoess)
Fim na Europarendição em Reims, 7/5/1945, perante aliados ocidentais e soviéticos
Fim na ÁsiaHiroshima (6/8/1945); rendição em Tóquio, 2/9/1945
Herança jurídicaCarta do Atlântico (autogoverno), Nuremberg (crimes contra a humanidade), Convenção sobre Genocídio (1948)
Cada linha remete a um documento lido. As citações completas estão no corpo do artigo.

Fontes

  1. TILLMAN [DURDIN], F. “All Captives Slain”, The New York Times, 18 de dezembro de 1937. Em: “The Nanking Massacre, 1937”, Internet Modern History Sourcebook, Fordham University. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/nanking.asp
  2. Acordo de Munique entre Alemanha, Grã-Bretanha, França e Itália, 29 de setembro de 1938. Avalon Project, Yale Law School. avalon.law.yale.edu/imt/munich1.asp
  3. CHAMBERLAIN, Neville. “Peace in Our Time”, 30 de setembro de 1938, excerto. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1938PEACE.asp
  4. Pacto de não agressão germano-soviético e protocolo adicional secreto, Moscou, 23 de agosto de 1939. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1939pact.asp
  5. The French Yellow Book, documentos nº 345 (1º de setembro de 1939) e nº 367 (3 de setembro de 1939), trad. inglesa oficial. Avalon Project. avalon.law.yale.edu/wwii/ylbk345.asp e ylbk367.asp
  6. Armistício franco-alemão, Compiègne, 22 de junho de 1940. Avalon Project. avalon.law.yale.edu/wwii/frgearm.asp
  7. CHURCHILL, Winston. “Blood, Toil, Tears and Sweat”, Câmara dos Comuns, 13 de maio de 1940. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/churchill-blood.asp
  8. ROOSEVELT, Franklin D. “America, the Arsenal of Democracy”, excertos. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/roosevelt-arsenal.asp
  9. MOLOTOV, Viatcheslav. Pronunciamento pelo rádio sobre a invasão alemã, 22 de junho de 1941, trad. inglesa, com nota do editor. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1941molotov.asp
  10. “Pearl Harbor Attack Documents, 1941” (nota dos EUA de 26 de novembro e nota japonesa de 7 de dezembro de 1941), compilação de Larry W. Jewell. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1941PEARL.asp
  11. ROOSEVELT, Franklin D. “A Call for Sacrifice”, 28 de abril de 1942. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1942roosevelt-sacrifice.asp
  12. GRAEBE, Hermann Friedrich. Declaração sob juramento sobre o fuzilamento em Dubno, 5 de outubro de 1942, versão inglesa em L. Poliakov, Harvest of Hate (1954). Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1942graebe.asp
  13. HOESS, Rudolf. Declaração juramentada, Nuremberg, 5 de abril de 1946 (doc. 3868-PS). Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1946hoess.asp
  14. Carta do Atlântico, 14 de agosto de 1941, e Declaração das Nações Unidas, 1º de janeiro de 1942. Avalon Project. avalon.law.yale.edu/wwii/atlantic.asp e avalon.law.yale.edu/20th_century/decade03.asp
  15. Protocolo da Conferência da Crimeia (Yalta), fevereiro de 1945. Avalon Project. avalon.law.yale.edu/wwii/yalta.asp
  16. Ato de rendição militar alemã, Reims, 7 de maio de 1945, e Instrumento de Rendição do Japão, baía de Tóquio, 2 de setembro de 1945. Avalon Project. avalon.law.yale.edu/wwii/gs3.asp e avalon.law.yale.edu/wwii/j4.asp
  17. TRUMAN, Harry S. Comunicado anunciando o uso da bomba atômica em Hiroshima, 6 de agosto de 1945. Harry S. Truman Library, Public Papers. trumanlibrary.gov
  18. Carta do Tribunal Militar Internacional (Nuremberg), anexa ao acordo de 8 de agosto de 1945. Avalon Project. avalon.law.yale.edu/imt/imtconst.asp
  19. ONU. Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio, Resolução 260 (III) A, 9 de dezembro de 1948. Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/UN-GENO.asp
  20. HALSALL, Paul (ed.). Internet Modern History Sourcebook, seções “World War II” e “Holocaust”. Fordham University. Fonte das notas de editor citadas.