Impérios asteca e inca
Um mercado com sessenta mil pessoas por dia, contas guardadas em cordões com nós, estradas de mais de mil léguas. Quase tudo o que se lê sobre mexicas e incas passou pela mão de quem os derrubou — e aprender a ler essas fontes é metade do assunto.

Tenochtitlan na gravura de Nuremberg, 1524 · 1524 · Wikimedia Commons · Public domain
Em 1520, Hernán Cortés escreveu ao imperador Carlos V que não conseguiria contar nem a centésima parte do que tinha visto na capital dos mexicas — e que, mesmo assim, o relato pareceria inacreditável. Essa carta é uma das melhores descrições de Tenochtitlan que existem. Foi escrita pelo homem que a estava conquistando. Como estudar dois impérios cuja imagem chegou até nós, quase toda, pela mão de quem os destruiu?
Esse é o problema central do assunto, e ele não se resolve ignorando as fontes espanholas: sem elas, quase nada se sabe. Ele se resolve lendo cada texto com duas perguntas ao lado — o que este autor viu e o que ele queria provar. É o que este artigo faz, fonte por fonte, primeiro no vale do México, depois nos Andes.
Cartas, crônicas e cantos escritos na época, mais as notas de quem os publicou — o Internet History Sourcebooks Project, da Universidade Fordham, e edições em domínio público do Project Gutenberg — são a base de tudo aqui. Sem obra de historiador amarrando as peças, o resultado é provisório e será revisto quando houver bibliografia. E há um desequilíbrio que precisa ser dito logo: a maior parte das fontes é espanhola. As vozes indígenas aparecem onde existe tradução livre — e são marcadas como tais.
Uma cidade sobre a água, descrita pelo invasor
Na apresentação do Sourcebook, o ponto de partida é este: em 1519 Cortés saiu de Cuba, desembarcou no México e marchou até a capital.2 A carta do ano seguinte começa pela geografia. A cidade, que ele chama de Temixtitlan, ficava dentro de um lago salgado, a duas léguas da margem, e se ligava à terra por quatro calçadas artificiais. Tinha, diz ele, o tamanho de Sevilha ou de Córdoba. Muitas ruas eram metade terra, metade água, percorridas por canoas; a água doce chegava por um aqueduto de dois canos, um em uso e outro de reserva para a limpeza.1
O que mais impressiona o conquistador é o mercado. Numa praça duas vezes maior que a de Salamanca, “mais de sessenta mil almas” compravam e vendiam todos os dias: comida, ouro, prata, plumas, ervas medicinais, cerâmica, fio de algodão tingido. Cada mercadoria tinha rua própria; vendia-se por contagem e por medida, não por peso. Dez ou doze juízes resolviam as disputas ali mesmo, e fiscais circulavam conferindo as medidas — e quebravam as falsas.1
Note o tom. Cortés escreve que as maneiras daquela gente eram tão corretas quanto as da Espanha, “considerando que são bárbaros, sem conhecimento de Deus”.1 A admiração é real, e o preconceito também; os dois cabem na mesma frase. E a carta tem um destinatário: o rei que precisava aprovar o que Cortés fazia. Logo depois de descrever as calçadas, ele conta que mandou construir quatro bergantins, por medo de ficar preso na ilha se os moradores retirassem as pontes.1

Página de tributo do Códice Mendoza · 2009 · Wikimedia Commons · Public domain
O que sustentava Tenochtitlan: o tributo
A riqueza da capital vinha de fora dela. Cortés descreve um domínio que, pelo que pôde apurar, tinha a extensão da própria Espanha, com mensageiros obedecidos a duzentas léguas. Em cada província havia fortalezas com guarnição, governadores e cobradores de tributo, e as contas do que cada uma devia eram guardadas em papel, com “caracteres e figuras”. Cada província pagava com o que produzia.1
Dois detalhes da mesma carta ajudam a entender que tipo de império era esse. Os senhores das províncias passavam parte do ano na capital e mantinham os filhos mais velhos a serviço de Moctezuma. E havia províncias “no meio de terras com as quais ele estava em guerra”.1 Não era um território contínuo e pacificado: era uma rede de cidades obrigadas a pagar, cercada de vizinhos inimigos.
A religião aparece na carta pelo mesmo filtro. Cortés descreve o grande templo — um recinto onde caberia uma vila de quinhentas famílias, com cerca de quarenta torres — e os sacrifícios humanos. Em seguida conta que derrubou as imagens dos deuses escadaria abaixo e pôs no lugar as de Nossa Senhora e dos santos.1 A descrição do sacrifício e a justificativa da destruição chegam juntas, no mesmo parágrafo, escritas pela mesma mão.
Nem todo indígena era mexica
Há uma voz que complica a imagem do império visto de dentro. Os Cantares Mexicanos, um manuscrito com cantos em nauatle escritos em alfabeto latino nos séculos 16 e 17, foram em parte editados por Daniel Brinton em 1887.3 Um deles, segundo Brinton, foi composto por um prisioneiro de Huexotzinco, cidade em guerra frequente com os mexicas, preso com seus companheiros em Tlatelolco. O editor o data de por volta de 1511 e diz que o canto “respira ódio aos captores”:
“Só flores tristes, cantos tristes há aqui no México, em Tlatelolco; só isso aqui se conhece.”
Cantar de Huexotzinco, em Ancient Nahuatl Poetry, ed. Daniel G. Brinton (1887). Tradução nossa a partir da versão inglesa do editor.
O mesmo canto anuncia que Tenochtitlan um dia ficará deserta.3 A atribuição e a data são hipóteses de um editor do século 19, e devem ser lidas como tais. Mas o canto lembra algo que a carta de Cortés também deixa escapar: os povos do vale do México não eram um bloco, e muitos viviam sob o tributo mexica contra a vontade.
A mesma coleção guarda outro registro, de outro lugar social. Um cantar atribuído a Nezahualcoyotl, rei de Texcoco morto em 1472 aos oitenta anos, segundo Brinton, é uma meditação sobre a morte: “por isso choro, eu, Nezahualcoyotl, porque hei de ir, hei de me perder na morte”.3 O próprio editor avisa que não convém perguntar demais se os sessenta cantos atribuídos ao rei eram de fato dele.3
LembreQue dois fatos, um da carta de Cortés e outro dos cantares, mostram que o domínio mexica não era aceito por todos?
Cortés diz que algumas províncias do domínio de Moctezuma ficavam no meio de terras com que ele estava em guerra, e que os filhos dos senhores ficavam a serviço do soberano. O cantar de Huexotzinco, segundo Brinton, foi composto por um prisioneiro de guerra em Tlatelolco e expressa ódio aos captores.
O encontro, contado pelos dois lados
Os relatos em nauatle reunidos pelo antropólogo mexicano Miguel León-Portilla — alguns, diz o editor do Sourcebook, escritos pouco depois da conquista — narram a chegada de Cortés à capital.2 Neles, Moctezuma recebe o capitão como quem devolve um trono: “vieste sentar-te no teu trono”, os reis anteriores apenas o guardaram para ti. A tradutora é La Malinche, que verte a fala para o espanhol.2
A carta de Cortés traz uma cena parecida por outro caminho: ali, Moctezuma diz que os antepassados dos mexicas tinham vindo de fora, que talvez tivessem caído em erro, e que seguiriam o que o recém-chegado ensinasse.1 Repare: as duas versões foram escritas depois dos fatos, e as duas põem na boca de Moctezuma palavras de entrega. Coincidência de memória, ou história contada depois da derrota? As fontes deste artigo não permitem decidir — e a pergunta vale mais que uma resposta apressada.
O relato nauatle traz também um episódio que o trecho da carta de Cortés lido aqui não menciona. Durante a festa de Huitzilopochtli, no pátio do templo, os espanhóis atacaram os dançarinos e cantores, que estavam desarmados, e os mataram; segundo o texto, a matança durou três horas. Moctezuma, já prisioneiro, protesta:
“Senhores nossos, basta! O que estais fazendo? Esta gente não traz escudo nem maça. Senhores nossos, estão completamente desarmados!”
Relato nauatle em M. León-Portilla (ed.), The Broken Spears (1962), via Internet Modern History Sourcebook. Tradução nossa a partir da versão inglesa.
O relato termina dizendo que, no dia seguinte, os mexicas atacaram “com todas as forças” — “e esse foi o começo da guerra”.2 O que veio depois, a queda da cidade e a construção do domínio espanhol, é assunto do artigo sobre a colonização.
Nos Andes, um Estado que contava com nós
Para os incas, a fonte mais rica deste artigo é Pedro de Cieza de León, que o editor do Sourcebook apresenta como conquistador. Cieza se diz incrédulo diante do que lhe contavam sobre os quipus, cordões com nós com que os incas faziam contas. Os nós contavam de um a dez, de dez a cem, de cem a mil; cada ramal guardava a conta de uma coisa; em cada capital de província havia contadores, os quipucamayos. A precisão era tal, diz ele, que “nem um par de sandálias se podia esconder”.5
O que o convenceu foi um senhor andino. Em Xauxa, Cieza pediu a Guacarapora que lhe mostrasse uma conta. O senhor mandou buscar os quipus e lhe apresentou, sem faltar nada, tudo o que a sua gente tinha entregue aos espanhóis desde que Francisco Pizarro entrara no vale: ouro, prata, roupa, milho, gado.5 O instrumento de governo inca virou instrumento de registro da conquista — mantido por um indígena, em código que o espanhol não sabia ler.

O contador-mor dos incas, desenho de Guaman Poma de Ayala, c. 1615 · 1615 · Wikimedia Commons · Public domain
Cieza descreve o resto do aparelho com a mesma mistura de espanto e método. Todo ano, os chefes de aldeia levavam ao Cuzco quipus com os nascimentos e as mortes; assim o governo sabia quem podia pagar tributo e quantos homens podia chamar para a guerra. Havia depósitos em todas as províncias, abertos em ano de fome e reabastecidos em ano de fartura.4 As estradas tinham cerca de quinze pés de largura, e havia caminho com mais de mil e cem léguas; cada província construía o trecho que lhe cabia. A cada meia légua havia uma casinha com dois corredores, e a notícia viajava de posto em posto, mais depressa, garante Cieza, do que viajaria a cavalo.5

Um chasqui, mensageiro do correio inca, por Guaman Poma de Ayala, c. 1615 · 1615 · Wikimedia Commons · Public domain
Ordem para quem? O outro lado do elogio
O mesmo Cieza registra o custo dessa ordem. Os incas transferiam populações inteiras: os mitimaes eram gente tirada da própria terra e assentada em outra. Uma parte servia para vigiar províncias recém-conquistadas; outra guarnecia fronteiras; outra povoava vales férteis vazios. O objetivo, diz ele, era que nenhum povo pudesse se rebelar sem ser denunciado — e havia espiões para isso. Revoltas eram punidas, e “alguns” incas castigavam “sem temperança e com grande crueldade”.5
A língua também foi imposta. Sob penas graves, todos deviam aprender a língua do Cuzco, ensinada às crianças desde o peito da mãe; em poucos anos, diz Cieza, ela era falada em mais de mil e duzentas léguas, sem que os povos deixassem as suas próprias.5 E Cieza atribui o correio e os mitimaes a um governante específico, Inca Yupanqui, “segundo publicam os cantares dos índios”.5
E então o soldado faz uma comparação que não se espera de um conquistador:
“Não é pequena dor considerar que, sendo aqueles incas gentios e idólatras, tivessem tão boa ordem para governar e conservar terras tão vastas, e nós, sendo cristãos, tenhamos destruído tantos reinos.”
Pedro de Cieza de León, Segunda parte de la Crónica del Perú, cap. XXII. Tradução nossa do original espanhol.
A história oficial dos incas — e quem a encomendou
A cronologia dos reis incas vem, em grande parte, de Pedro Sarmiento de Gamboa. Segundo Clements Markham, que a traduziu em 1907, a obra foi preparada em 1572 por ordem do vice-rei Francisco de Toledo. Os descendentes dos incas no Cuzco foram chamados a depor sob juramento; o livro pronto foi lido a eles, capítulo por capítulo, na sua língua, e eles sugeriram correções que foram aceitas.6
Markham aponta também o que chama de “mancha” da obra: Toledo queria provar que o rei da Espanha era o soberano legítimo do Peru porque os incas teriam sido usurpadores e tiranos — e acrescentou ao texto passagens para difamá-los.6 O resultado é um livro com duas camadas. Uma conserva a memória das linhagens incas. A outra serve ao vice-rei — e conta, por exemplo, que a “tirania” durou de 565 a 1533, ou que Pachacuti viveu 125 anos e reinou 103.6
Mesmo assim, é nesse livro que sobrevive uma voz inca. Sarmiento conta que Pachacuti, ao morrer, cantou em voz baixa, na própria língua, versos que ele registra em castelhano:
“Nasci como flor do campo, como flor fui cuidado na juventude, cheguei à idade plena, envelheci, e agora estou seco e morro.”
Canto atribuído a Pachacuti Inca Yupanqui, em Pedro Sarmiento de Gamboa, História dos Incas (1572). Tradução nossa a partir da versão inglesa de Clements Markham.
Na frase seguinte, Sarmiento diz que o inca entregou “a alma ao demônio”.6 O canto e o insulto estão a uma linha de distância.

Quipu inca, Museu Larco, Lima · 2007 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0
O império já estava em crise antes de Pizarro
Sarmiento registra um dado que muda a imagem de uma conquista fácil. Uma grande peste atingiu o Cuzco e matou os governadores da cidade; o inca Huayna Capac adoeceu em Quito, de febre, “embora outros digam que foi varíola ou sarampo”, e morreu — em 1524, segundo Sarmiento. O herdeiro que ele indicara morreu da mesma peste.6
Sem sucessão clara, dois filhos do inca, Huascar e Atahualpa, entraram em guerra. Quando os espanhóis chegaram, Atahualpa já tinha o irmão prisioneiro. Sarmiento conta que, preso por Pizarro em Cajamarca e temendo que o irmão fosse reconhecido como senhor legítimo, Atahualpa mandou matá-lo, em 1533.6 O Estado que Cieza admira chegou ao encontro com os europeus dividido e atingido por doença.
- “Asteca” ou mexica? — nos cantares em nauatle, o povo de Tenochtitlan se chama mexica. “Asteca” é o nome que se consagrou depois; o artigo usa os dois, com preferência pelo primeiro.
- Quase tudo vem do vencedor — carta de conquistador, crônica de soldado, história encomendada por vice-rei. As vozes indígenas existem, mas são poucas, traduzidas e, às vezes, filtradas por editores europeus. Isso não invalida as fontes; obriga a lê-las com cuidado.
- Sacrifício humano — Cortés o descreve, e não há motivo para negar que existisse. Mas a descrição vem colada à justificativa da destruição dos templos — é preciso separar o registro do uso que o autor faz dele.
- O império “sem pobres” — a imagem vem de Cieza, que a usa para acusar os espanhóis. O mesmo autor registra deslocamento forçado de populações, espiões, língua imposta sob pena e castigos cruéis.
- “Recebidos como deuses” — as falas de entrega atribuídas a Moctezuma aparecem em textos escritos depois da derrota, de um lado e de outro. Sarmiento diz que Atahualpa chegou a ser levado a crer que os espanhóis eram deuses — e que, ao ver que não eram, preparou seus guerreiros para resistir. Tratar esses relatos como prova de credulidade indígena é ir além do que as fontes permitem.
Este artigo trabalha com poucas fontes, quase todas espanholas, e isso deixa lacunas grandes. Não há aqui arqueologia, nem datas de fundação de Tenochtitlan ou do Cuzco — nenhuma fonte lida as fornece, e a data do sumário não é afirmada. Não se trata da Tríplice Aliança, da organização das mulheres e da família, do calendário ou da religião andina (Cieza tem capítulos sobre o templo do Sol que não foram usados). Também ficam de fora dois autores indígenas e mestiços essenciais, o Inca Garcilaso de la Vega e Guaman Poma de Ayala(este aparece só nos desenhos), além da obra de frei Bernardino de Sahagún: não há texto deles nas fontes de livre uso consultadas. A população dos dois impérios não é estimada aqui. São ausências de fonte, não de importância: entram quando houver texto que as sustente.
Material de estudo
Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.
Do canto de Nezahualcoyotl à história de Sarmiento
Quem fala por esses impérios
Mapa mental do assunto
Quadro-resumo para revisão rápida
| Item | Dado |
|---|---|
| Tenochtitlan (Cortés, 1520) | cidade no lago, quatro calçadas, canais, aqueduto |
| Mercado | mais de 60 mil pessoas por dia; juízes e fiscais de medidas |
| Tributo mexica | fortalezas, cobradores, contas em figuras; províncias em guerra |
| Cantar de Huexotzinco | prisioneiro em Tlatelolco, c. 1511 (Brinton) |
| Relato nauatle | massacre na festa de Huitzilopochtli; começo da guerra |
| Quipus | contas e censo anual; quipucamayos nas províncias |
| Guacarapora | registrou em quipu tudo o que foi entregue aos espanhóis |
| Estradas e correio | mais de mil léguas; postos a cada meia légua |
| Mitimaes | transferência de populações para controle e povoamento |
| Língua do Cuzco | obrigatória, sem apagar as línguas locais |
| Sarmiento (1572) | história encomendada por Toledo para provar “tirania” |
| Antes de Pizarro | peste, morte de Huayna Capac, guerra Huascar × Atahualpa |
Fontes
- HALSALL, Paul (ed.). Hernán Cortés: from Second Letter to Charles V, 1520, a partir de O. J. Thatcher (ed.), The Library of Original Sources (1907), texto modernizado por J. S. Arkenberg. Internet Modern History Sourcebook, Fordham University.
- HALSALL, Paul (ed.). Aztec Account of the Conquest of Mexico, trechos de M. León-Portilla (ed.), The Broken Spears (1962). Internet Modern History Sourcebook.
- BRINTON, Daniel G. (ed.). Ancient Nahuatl Poetry (1887) — cantares XIII e XXIII, com introdução e notas do editor. Project Gutenberg, e-book 12219.
- HALSALL, Paul (ed.). Pedro de Cieza de León: Chronicles of the Incas, trad. C. R. Markham (1883), texto modernizado por J. S. Arkenberg. Internet Modern History Sourcebook.
- CIEZA DE LEÓN, Pedro de. Segunda parte de la Crónica del Perú, que trata del señorío de los Incas Yupanquis, ed. M. Jiménez de la Espada (Madri, 1880), caps. XII, XV, XXI, XXII e XXIV. Project Gutenberg, e-book 25255.
- SARMIENTO DE GAMBOA, Pedro. History of the Incas (1572), trad. e introdução de Clements Markham (Hakluyt Society, 1907). Project Gutenberg, e-book 20218.