Mali e Songhai no Sahel
Entre os séculos XIII e XVI, dois impérios africanos dominaram o médio Níger. O primeiro funcionava como aliança de clãs e reinos; o segundo nomeava e demitia governadores. Comparar os dois explica a riqueza de Tombuctu, o lugar real do Islã na região e por que nenhum deles cabe na imagem de uma África sem Estado.

Mesquita de Djinguereber, Tombuctu, fotografada em 2020 · 2020 · Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
No mesmo trecho do rio Níger, dois impérios se sucederam. O Mali mantinha reis aliados com coroa e título; o Songhai nomeava governadores e podia demiti-los no dia seguinte. Qual dos dois modelos durou mais — e o que a resposta revela sobre como se governava a África antes da chegada europeia?
Antes de tudo: como se sabe o que se sabe
Quatro tipos de registro sustentam essa história, e cada um tem limite próprio. Os geógrafos e viajantes árabes — al-Bakri no século XI, al-Umari e Ibn Battuta no XIV, que passou nove meses na capital do Mali — viram a região de fora. Os griots, mestres da palavra que guardam a tradição oral em “escolas” como a de Keyla, perto de Kangaba, contam de dentro. A arqueologia escava Niani e Djenné-Djeno. E duas crônicas escritas em Tombuctu em meados do século XVII, o Ta’rikh al-Sudan e o Ta’rikh al-fattash, são a base documental do Songhai.13
Há uma consequência prática para o estudante: as datas dos primeiros reis do Mali formam uma cronologia relativa. Ela foi montada no início do século XX por Maurice Delafosse a partir da duração dos reinados que Ibn Khaldun registrou, e por isso os números exatos devem ser lidos como aproximação.1
Todo o conteúdo vem de três capítulos do volume IV da História Geral da África, coleção da UNESCO publicada entre 1981 e 1993, com preferência declarada por autores africanos, e revista em 2010. Onde os autores discordam entre si — e discordam em datas —, o artigo mostra as duas versões em vez de escolher uma em silêncio.
Um comércio que não esperou os árabes
A imagem escolar põe as caravanas árabes como o motor que “acordou” o Sahel. A escavação de Djenné-Djeno desmonta isso. O sítio tem ocupação desde o século III a.C., feita por gente que plantava, criava gado e trabalhava ferro; o arroz africano (Oryza glaberrima) já era cultivado ali no século I, o que derruba a tese de origem asiática da planta; e objetos de cobre do Saara datados de cerca de 500 provam que havia comércio através do deserto séculos antes da chegada muçulmana.1
A conclusão que Niane tira é direta: os árabes ampliaram uma rede que já existia. Quem a operava eram os Wangara, também chamados Jula — palavra que, em malinké, quer dizer simplesmente comerciante.1
Sundiata: o que a tradição conta e o que os escritos confirmam
Quando Kumbi Saleh, capital de Gana, caiu diante dos almorávidas por volta de 1076, abriu-se uma disputa pela herança. Quem primeiro a venceu foi o povo Sosoe, um clã maninka de ferreiros, hostil ao Islã, que impôs sua hegemonia entre cerca de 1180 e 1230. Seu rei, Sumaoro Kante, saqueou o Manden — a terra dos Maninka, no alto Níger — repetidas vezes, e a tradição o lembra como o Rei-Feiticeiro.1
Contra ele se levantou Sundiata Keita, príncipe que vivia exilado em Nema. A epopeia cantada pelos griots dá os detalhes — a infância com as pernas paralisadas, o exílio, a aliança dos chefes de clã na planície de Sibi, a deserção de Fakoli, sobrinho de Sumaoro, e a vitória em Kirina, em 1235, data que Niane toma como nascimento do Mali.1
O que separa Sundiata de um herói lendário são dois autores árabes: Ibn Battuta e Ibn Khaldun, que o chamam de Mari Diata e lhe atribuem vinte anos de reinado. Sem eles, observa Niane, historiadores europeus o teriam tratado como mito.1
Kurukan Fuga: as regras da coalizão
Segundo a tradição, os vencedores se reuniram numa grande assembleia em Kurukan Fuga, perto de Kangaba, e ali fixaram as regras do novo poder. Lidas pelo efeito que tinham na vida de cada um, elas ficam assim:1
- Para quem chefiava uma província: confirmação no posto como farin. Só os reis de Gana e de Nema, aliados da primeira hora, conservaram o título de rei.
- Para a família Keita: o trono ficaria na linhagem de Sundiata, passando de irmão para irmão.
- Para quem tinha ofício: ferreiros, griots e sapateiros formaram clãs próprios, e a profissão passou a ser herdada — no tempo de Gana, ao que parece, cada um a escolhia.
- Para os letrados muçulmanos: cinco clãs de marabus viraram “guardiães da fé”.
- Para os derrotados: os Sosoe foram repartidos entre as castas, e seu território virou domínio imperial.
O soberano passou a ser o mansa, “rei dos reis”, e quem se dirigia a ele dizia Nfa mansa — “senhor, meu pai”. Um detalhe fecha o quadro: a guerra contra Sumaoro foi uma guerra de magia e fetiches, mas o vencedor se fez protetor dos muçulmanos. Para a tradição oral, porém, Sundiata é o libertador do Manden, não um propagador do Islã.1
LembrePor que Niane descreve o Mali mais como federação do que como Estado unitário?
Porque o poder do mansa se apoiava em quem já mandava antes. Os aliados da primeira hora mantinham título de rei; nas províncias conquistadas, o governador imperial atuava ao lado do chefe tradicional, e as instituições locais foram respeitadas. O centro garantia a segurança com guarnições, não com uma administração que substituísse a local.
O que fazia o Mali funcionar
A capital era Niani, à beira do rio Sankarani, hoje na fronteira entre Mali e Guiné. Sundiata a preferiu à aldeia de origem dos Keita por razões que Niane enumera: ela tinha defesa natural de colinas, ficava longe dos nômades do Sahel e perto da floresta, de onde vinham ouro, noz-de-cola e azeite de dendê. Escavações polonesas e guineanas iniciadas em 1968 acharam a vila real, um bairro árabe e as fundações de uma mesquita, com ruínas espalhadas por cerca de 25 km.1
Ali o mansa julgava pessoalmente: camponeses andavam dezenas de quilômetros para se queixar de governadores, e o soberano podia demiti-los. A palavra oficial passava pelo griot — cargo hereditário do clã Kuyate —, que repetia em voz alta o que o rei dizia baixo, educava os príncipes e recitava a lista dos reis nas audiências. Secretários existiam desde Musa, mas só para a correspondência com os sultões.1

Cavaleiro em terracota, atual Mali, séculos XIII a XV · 2009 · Wikimedia Commons · Public domain
A fama externa era o ouro, mas a economia se apoiava na lavoura. Plantava-se arroz nos vales do Níger e do Sankarani, milhete no Sahel e feijão; Ibn Battuta notou que o viajante não precisava levar comida, porque toda aldeia vendia mantimentos. Pescadores especializados — Somono, Bozo, Sorko — secavam peixe que chegava até a orla da floresta. Cada colheita devia uma parte, ainda que simbólica, ao mansa, e recusá-la equivalia a negar a autoridade dele.1
O ouro saía das minas de Bambuku, Burem e Galam e da região de Niani, e o mansa reservava para si as pepitas. No sentido norte, o metal era trocado pelo sal de Teghazza; no sentido sul, os Wangara levavam sal, tecido e cobre — que, nas terras akan e na área de Benin, Ife e Igbo-Ukwu, valia mais que o próprio ouro.1
Mansa Musa, além da peregrinação
O mansa mais conhecido reinou de 1307 até cerca de 1332. A viagem a Meca de 1324-1325, com a passagem pelo Cairo em que o ouro distribuído derrubou a cotação do metal, é tratada no artigo sobre o tráfico atlântico. Aqui interessa o que ela deixou.1
Musa voltou com o arquiteto Ishak al-Tuedjin, a quem são atribuídas a grande mesquita de Gao, a de Djinguereber em Tombuctu e uma sala de audiências com cúpula em Niani. A terra batida reforçada com madeira virou o padrão do estilo sudanês. Depois da viagem, o sultanato marínida de Fés trocou embaixadas com o Mali, o mansa abriu escolas corânicas com livros comprados no Oriente, e Djenné e Tombuctu começaram a crescer.1
Duas ressalvas, ambas dos próprios capítulos. Os números da comitiva vêm de autores árabes e “podem parecer excessivos”. E a tradição oral manden quase não fala de Musa; quando fala, o acusa de ter sido infiel aos costumes ancestrais e de ter dilapidado o tesouro. O herói dos cronistas estrangeiros não é o herói dos griots.1
No Cairo, Musa contou que seu antecessor partira pelo oceano com uma frota e nunca voltara. Autores como Leo Wiener e Ivan Van Sertima sustentaram que navegantes do Mali teriam alcançado a América antes de Colombo. Niane classifica a tese como sedutora, mas à espera de confirmação: o que o episódio prova é o interesse dos Manden pela navegação, não a travessia.1
Por que o Mali encolheu
O declínio foi lento — Madina Ly-Tall o estende por dois séculos — e veio de várias frentes ao mesmo tempo.2
Dentro da corte, a regra de Kurukan Fuga não segurou a sucessão. Já o filho de Sundiata subira ao trono contra a passagem entre irmãos; depois da morte de Musa II, por volta de 1387, o ramo descendente de Sundiata tentou retomar o poder do ramo mais jovem, ao qual Musa pertencia, e dois mansa foram assassinados em três anos.2
No norte, os tuaregues tomaram Tombuctu em 1433 e depois Walata e outras cidades do Sahel. O Songhai completaria a perda. No oeste, os Fulbe denianke de Tenguella e de seu filho Koly invadiram a Senegâmbia entre 1481 e 1514, estreitando o corredor que ligava as duas metades do império: os mercadores do mansa chegavam a gastar seis meses em desvios para levar ouro ao mercado de Sutuco, no rio Gâmbia.2
E pelo mar chegaram os portugueses. O Mali voltou-se para o Atlântico, e por um tempo isso o sustentou: em 1594, um comerciante português ainda chamava a Gâmbia, província do Mali, de principal centro comercial da Guiné. Mas a troca mudou de natureza. Os portugueses compravam cavalos no Futa e os vendiam na Gâmbia em troca de escravizados — no início, um cavalo por oito pessoas; pouco depois, por quinze. A autora resume: as relações se alteraram em detrimento dos africanos.2
Lisboa também jogou na política. D. João II mandou embaixadas ao mansa entre 1481 e 1495; ao mesmo tempo, Portugal dava apoio militar a pretendentes em reinos vizinhos, como Bemoy no Diolof, e oferecia vantagens comerciais a chefes da costa, como os de Salum, para que se emancipassem. O último esforço do Mali foi o ataque do mansa Mahmud IV a Djenné, em 1599, então ocupada pelos marroquinos — derrotado depois da traição de um aliado. Restou o núcleo do Manden.2
Songhai: de tributário a maior potência do Sahel
Gao, no médio Níger, era capital de um reino songhai desde o século XII e cruzamento de caravanas vindas da Líbia, do Egito e do Magreb. Seus reis se converteram ao Islã cedo — por volta de 1010 segundo Niane, em 1019 segundo Cissoko —, mas a população seguiu fiel às crenças tradicionais. Cissoko data a conquista de Gao pelo Mali entre 1285 e 1300, corrigindo Delafosse, que a punha em 1324-1325; o domínio manden foi intermitente e terminou no fim do século XIV.31
A virada veio com Sunni Ali (1464-1492). Seus antecessores saqueavam; ele conquistava e ficava. Com uma flotilha no Níger, infantaria engrossada pelos vencidos e uma cavalaria rápida, tomou Djenné, parte de Macina e Tombuctu (1468), empurrou os tuaregues para o norte e, em 1483, derrotou o rei mossi Nasere I. Ao morrer, em 1492, governava do Dendi a Macina por meio de províncias com governadores que respondiam só a ele.3
Morto Sunni Ali, seu sucessor recusou a conversão ao Islã. Um partido muçulmano liderado por Muhammad Turé, de origem soninke, venceu-o em Anfao e fundou a dinastia dos askiya. Em 1496-1497, Askiya Muhammad foi a Meca com 800 cavaleiros; no Cairo ouviu conselhos do jurista al-Suyuti, e do xarife de Meca recebeu o título de califa do Sudão. Voltou com uma legitimidade que nenhuma vitória militar dava. Sob ele e o irmão Umar Komdiagho, o império foi de Teghazza, no Saara, às cidades haussa de Kano e Katsina.3
Os Ta’rikh, escritos por letrados de Tombuctu quase dois séculos depois, retratam Sunni Ali como cruel, tirânico e libertino. Os ulemás da cidade haviam se aliado aos tuaregues contra ele, e ele nunca abandonou os cultos songhai. Cissoko registra que historiadores do século XX o reabilitaram, lendo-o como símbolo da cultura tradicional diante de duas forças novas: o Islã e as cidades. É um caso de manual de fonte que precisa ser lida contra quem a escreveu.3
O que o Songhai fez diferente
Para Cissoko, a marca do Songhai é a centralização: um absolutismo de “coloração moderna” que o distingue da federação de reinos de Gana e do Mali. O governador de província podia ser removido a qualquer momento pelo askiya; a justiça ficava com cádis; as atas do conselho e o texto das leis ficavam a cargo de um secretário-chanceler.3
Os cargos falam por si. O hi koy, “senhor da água”, chefiava a flotilha e acabou como uma espécie de ministro do Interior, capaz de mandar um príncipe-governador de volta à província. O fari mondzo cuidava das terras imperiais; o kalissa farma, do tesouro. O território se repartia entre o governo de Kurmina, no ocidente, e o de Dendi, no sudeste, e os Estados haussa, Agadez e grupos tuaregues ficavam sob administração indireta, pagando tributo.3
Havia também um exército permanente de cerca de 4 mil homens, além de 300 guardas pessoais — na maioria, escravos do próprio askiya. E as terras do soberano, dos príncipes e dos ulemás eram trabalhadas por colônias de escravizados sob capatazes. A centralização tinha esse custo, e o capítulo não o esconde.3
LembreQual a diferença essencial entre o governador do Mali e o do Songhai?
O farin do Mali governava ao lado de chefes tradicionais que continuavam no posto, e reinos aliados mantinham seus reis. O fari ou farma do Songhai — título herdado do Mali — era nomeado e demissível pelo askiya a qualquer momento, dentro de uma hierarquia de ministros. A palavra é quase a mesma; o vínculo com o centro, não.
Tombuctu: a cidade dos livros e seus limites

A mesquita de Sankoré, em Tombuctu, em 1893 · 1893 · Wikimedia Commons · Public domain
No século XVI, sob o askiya Dawud (1549-1583), Tombuctu era a capital econômica e a “cidade santa” do Sudão. A chamada universidade não era uma instituição única, mas uma rede de escolas independentes — cerca de 124 escolas corânicas —, com a mesquita de Sankoré no topo. Ensinava-se teologia, exegese, direito maliquita (a especialidade da casa), gramática, lógica, astronomia, história e geografia. A elite letrada, que nos séculos anteriores se formara em Fés e no Cairo, emancipou-se desses centros, segundo Cissoko. O nome mais lembrado é Ahmad Baba (1556-1627).3
O próprio Cissoko, porém, põe freio no entusiasmo. Essa era uma cultura escrita, urbana e de elite, que não incorporou as línguas locais e “desmoronou com as cidades” que a sustentavam. E fora delas o quadro religioso era outro. Nas palavras do autor: “A religião dominante nos séculos XV e XVI, no entanto, não foi o Islã.” O campo cultuava os espíritos da natureza e os antepassados, e o Askiya Muhammad lamentou isso por carta ao jurista al-Maghili, sem conseguir mudar o quadro.3
A mesma cautela vale para a economia. O comércio transaariano enriqueceu as cidades, mas movia sobretudo produtos de extração — ouro, sal, escravos, marfim, noz-de-cola — e pouco da produção local. Por isso, conclui Cissoko, foi mais um sistema de trocas que uma economia de mercado, incapaz de mudar a estrutura social ou a técnica do campo.3
Os números são estimativas, e os autores brigam por elas. Cissoko calcula cerca de 80 mil habitantes para Tombuctu e rejeita os 25 mil de Raymond Mauny. Para o Mali inteiro, Niane admite 40 a 50 milhões — cifra inferida de relatos de cronistas, sem contagem por trás. Veja o gráfico no material de estudo.31
Como o Songhai caiu
O ponto de atrito com o Marrocos eram as salinas de Teghazza, no Saara, que os sultões reivindicavam desde o reinado de Ishak I (1539-1549). Entre 1583 e 1586, uma expedição marroquina ocupou as minas.3
O golpe decisivo, porém, foi preparado em casa. Os filhos e netos do Askiya Muhammad — que fora ele mesmo deposto pelos filhos, já velho e cego, em 1528 — disputaram o trono pela força. Em 1588, o príncipe al-Saddik, à frente das forças do oeste, foi esmagado pelo askiya Ishak II. A metade ocidental do império ficou ressentida, e muitos príncipes songhai se aliaram aos invasores marroquinos em 1591. Na batalha de Tondibi, o askiya reuniu 30 mil infantes e 10 mil cavaleiros, a maior força do Sudão ocidental; a guarda pessoal, proibida de recuar, morreu no campo. Para Cissoko, o império caiu “vítima das próprias contradições”.3
- O comércio não começou com os árabes — Djenné-Djeno tem ocupação desde o século III a.C., arroz africano desde o século I e cobre do Saara por volta de 500. Os árabes ampliaram uma rede que os Wangara já operavam.
- Sundiata é história, contada por tradição oral — a epopeia vem dos griots, mas Ibn Battuta e Ibn Khaldun confirmam o rei e a vitória sobre os Sosoe. Os detalhes da epopeia e a assembleia de Kurukan Fuga são tradição, e o artigo os apresenta como tal.
- A riqueza não era só ouro — a base da economia do Mali era agrícola. O ouro pesava no comércio externo, mas o sal e o cobre também moviam a rede, e no sul o cobre valia mais que o ouro.
- Escravidão nos dois impérios — escravos compunham colônias agrícolas e o exército permanente do Songhai e figuravam entre as exportações transaarianas. No Mali ocidental, os portugueses passaram a trocar cavalos por pessoas.
- O Islã era urbano — reis e cidades se converteram; o campo, em grande parte, não. Os capítulos falam em verniz islâmico sobre crenças tradicionais e em islamismo negro-africano tolerante.
- Datas divergem entre os autores — a conversão do rei de Gao aparece como c. 1010 em Niane e 1019 em Cissoko; a conquista manden de Gao foi datada por Delafosse em 1324-1325 e corrigida para 1285-1300. A cronologia dos primeiros mansa é relativa.
O volume IV termina no século XVI, e o artigo para junto. A expedição marroquina em detalhe — comandantes, armamento, ocupação de Tombuctu — está no volume V, que não está no acervo; por isso o texto não afirma o que decidiu Tondibi. O Império de Gana (volume III), os Mossi e os Estados haussa têm capítulos próprios na coleção e ficam de fora. Também não se trata aqui do destino dos manuscritos de Tombuctu nem de números do tráfico de escravizados pelo Saara, que os capítulos lidos não quantificam.
Material de estudo
Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.
Do Kirina a Tondibi
Dois jeitos de governar o mesmo rio
Quanta gente: estimativas em disputa
Mapa mental do assunto
Quadro-resumo para revisão rápida
| Item | Dado |
|---|---|
| Região | faixa sudano-saheliana, ao longo do Níger e do Senegal |
| Antes do Mali | Gana cai c. 1076; hegemonia dos Sosoe c. 1180-1230 |
| Djenné-Djeno | ocupação desde o séc. III a.C.; comércio pelo Saara anterior aos árabes |
| Wangara / Jula | mercadores manden; jula quer dizer comerciante |
| 1235 | Kirina: Sundiata Keita vence Sumaoro Kante |
| Kurukan Fuga | assembleia que, pela tradição, fixou as regras do império |
| Mansa | título do soberano; tratado como juiz e pai do povo |
| Capital do Mali | Niani, no rio Sankarani |
| Forma de governo | mais federação que Estado unitário |
| Base econômica | lavoura, criação e pesca; ouro, sal e cobre no comércio |
| Mansa Musa | reina de 1307 a c. 1332; peregrinação em 1324-1325 |
| Legado de Musa | arquiteto al-Tuedjin, estilo sudanês, escolas corânicas |
| Memória oral de Musa | lembrado como quem gastou o tesouro |
| 1433 | tuaregues tomam Tombuctu |
| Oeste do Mali | Fulbe denianke (1481-1514) e comércio com portugueses |
| Cavalos por gente | um cavalo por 8 escravizados, depois por 15 |
| 1599 | Mahmud IV fracassa diante de Djenné |
| Gao | capital songhai; rei convertido c. 1010 ou 1019 |
| Sunni Ali (1464-1492) | da pilhagem à conquista; Tombuctu em 1468 |
| Imagem de Sunni Ali | vilão nos Ta’rikh; reabilitado pela historiografia do séc. XX |
| Askiya Muhammad | dinastia muçulmana; califa do Sudão em 1496-1497 |
| Forma de governo | centralizada: governadores demissíveis, ministros, cádis |
| Exército songhai | tropa permanente de c. 4 mil, além da guarda |
| Tombuctu | c. 124 escolas corânicas; Sankoré no ensino superior |
| Religião no campo | predominavam as crenças tradicionais |
| 1591 | invasão marroquina; Tondibi; império já dividido pela guerra civil |
Fontes
- NIANE, Djibril Tamsir. “O Mali e a segunda expansão manden”. In: NIANE, D. T. (ed.). História Geral da África, IV: África do século XII ao XVI. 2. ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010, cap. 6, p. 133-192. Fonte principal sobre o Mali.
- LY-TALL, Madina. “O declínio do Império do Mali”. In: NIANE, D. T. (ed.). História Geral da África, IV. Brasília: UNESCO, 2010, cap. 7, p. 193-210.
- CISSOKO, Sékéné Mody. “Os Songhai do século XII ao XVI”. In: NIANE, D. T. (ed.). História Geral da África, IV. Brasília: UNESCO, 2010, cap. 8, p. 211-236. Fonte principal sobre o Songhai.