História Verso
História Geral · Idade Moderna

As grandes navegações

Noventa anos antes de Vasco da Gama, uma frota chinesa ancorou em Calicute, fechou negócio com um aperto de mãos e deixou uma pedra gravada. O Índico já era um mar cheio quando os portugueses chegaram — e foi a força, mais que a descoberta, que mudou as coisas ali.

séc. XV-XVI14 min de leitura7 fontes
Calicute, “o mais célebre empório da Índia”, no atlas de Braun e Hogenberg, 1572 · BRAUN AND HOGENBERG, · 1572
Calicute, “o mais célebre empório da Índia”, no atlas de Braun e Hogenberg, de 1572. Navios de vários tipos, construção naval na praia, um elefante no porto. Foi a esta cidade que chegaram a frota chinesa de Zheng He, no começo do século 15, e a portuguesa, em 1498.
Calicute, “o mais célebre empório da Índia”, no atlas de Braun e Hogenberg, 1572 · 1572 · Wikimedia Commons · Public domain
Pergunta orientadora

Quando a frota de Vasco da Gama ancorou diante de Calicute, em 1498, um dos homens mandados a terra foi levado a dois mercadores de Túnis que falavam castelhano. A primeira coisa que ouviu foi: “Que o diabo te carregue! O que te trouxe aqui?” Noventa anos antes, o mesmo porto tinha recebido uma frota chinesa. Se o caminho já era conhecido, o que exatamente os europeus “descobriram”?

Este artigo não começa nos portos de partida — Lisboa, Palos, Sevilha — e sim no de chegada. Calicute, na costa sudoeste da Índia, é o ponto onde duas expansões marítimas se cruzam no tempo: a chinesa, que chegou primeiro, e a portuguesa, que chegou armada. Comparar as duas mostra o que havia de realmente novo nas navegações europeias.

De onde vem o que se lê aqui
Diários de bordo, um tratado, cartas de privilégio e o livro de um intérprete chinês: são documentos de época, lidos com as notas dos seus editores no Internet History Sourcebooks Project (Fordham) e no Avalon Project (Yale). Faltou aqui a mão de um historiador que juntasse tudo numa síntese — por isso as conclusões são provisórias e devem ser revistas quando houver bibliografia. As causas da expansão portuguesa ficam no artigo próprio da trilha do Brasil.

Calicute em 1407: a frota que chegou primeiro

Ma Huan era intérprete de “escritas estrangeiras”. Em 1413, conta ele no prefácio, o imperador mandou o eunuco Zheng He, enviado principal, comandar os “navios do tesouro” rumo aos países do Oceano Ocidental, para ler os éditos imperiais e distribuir presentes; Ma Huan foi junto. O posfácio do livro acrescenta um detalhe que importa: ele e seu colega Guo Chongli eram muçulmanos, e por isso foram escolhidos — sabiam as línguas dos portos que a frota visitaria, de Champa até Áden e Meca, “mais de vinte países”.1

Sobre Calicute, Ma Huan registra que em 1407 Zheng He levou ao rei um édito, um título e um selo de prata, e mandou erguer uma pedra com esta inscrição:

“Este país dista da China mais de cem mil li; seu povo vive em fartura e sob os mesmos bons costumes. Gravamos esta pedra aqui para mostrar a todas as gerações.”
Inscrição de Zheng He em Calicute, 1407, registrada por Ma Huan no Yingya Shenglan (prefácio de 1416). Tradução nossa do original chinês.

O resto da descrição é de quem observa um mercado sofisticado. O rei, diz Ma Huan, venerava o boi e o elefante — ele o chama de “budista” —, mas seus dois principais ministros eram muçulmanos, e os dois lados tinham feito um pacto: um não comia carne de vaca, o outro não comia porco. Quando os navios chineses chegavam, esses ministros, os mercadores locais e os corretores marcavam um dia para fixar os preços. Fechado o valor, as partes apertavam as mãos, “e, caro ou barato, ninguém volta atrás”. Os preços das pérolas e pedras levavam de um a três meses para ser acertados — e os contadores calculavam com os dedos das mãos e dos pés, sem ábaco, “sem errar um fio”.1

Girafa levada como tributo à corte Ming, pintura atribuída a Shen Du, 1414 · Shen Du (沈度, 1357–1434) Note: In contrast to the other references, the Philadelphia Museum of Art considers this to be rather a later work by a
Girafa levada à corte Ming por enviados de Bengala em 1414, em pintura atribuída a Shen Du. Ma Huan descreve o mesmo animal — o qilin, de pernas dianteiras com mais de nove pés — entre o que se comprava em Áden e o que os reis do Índico mandavam à China nos navios de volta.
Girafa levada como tributo à corte Ming, pintura atribuída a Shen Du, 1414 · 1414 · Wikimedia Commons · Public domain

Tributo, presentes e força: a frota chinesa por dentro

Ma Huan não descreve uma viagem de exploração. Descreve uma rede. Em Malaca, conta ele, o lugar nem era um reino: o chefe local pagava quarenta taéis de ouro por ano ao Sião. Em 1409 Zheng He lhe deu selo, roupas e uma pedra, e a cidade passou a ser reino — “depois disso, o Sião não ousou mais atacá-la”. Ali os chineses montavam um armazém cercado de paliçada, com quatro portas e torre de tambores, onde as frotas espalhadas pelos vários países se reuniam, embalavam as mercadorias e esperavam o vento sul para voltar.1

A rede tinha mão armada. Em Palembang, em 1407, um pirata chinês chamado Chen Zuyi atacava os navios de passagem; Zheng He o capturou vivo e o levou à corte, onde foi executado, e pôs no lugar um aliado.1 E tinha uma linguagem de superioridade: o prefácio de Ma Jing, de 1444, diz que o objetivo dos imperadores não era exibir riqueza aos distantes, mas fazer com que todos sob o céu reconhecessem e honrassem o seu soberano.1 O rei de Ormuz, segundo Ma Huan, mandava emissários à China nos navios de volta, com leões, girafas, cavalos e pérolas; o de Áden enviava cintos de ouro e uma coroa cravejada.1

LembrePor que o livro de Ma Huan derruba a ideia de que o oceano Índico era um espaço “à espera” dos europeus?

Porque descreve, décadas antes de Vasco da Gama, portos com regras de comércio estabelecidas — corretores, contratos, impostos sobre a pimenta —, governantes de religiões diferentes convivendo por acordo, e uma frota chinesa que circulava de Malaca a Áden com intérpretes, armazéns e diplomacia.

Calicute em 1498: a frota que chegou procurando cristãos

Segundo o editor do Sourcebook, a frota de Vasco da Gama saiu de Portugal em 8 de julho de 1497, contornou o cabo da Boa Esperança quatro meses depois e chegou a Calicute em 20 de maio de 1498.2 Ao mercador de Túnis que perguntou o que os trazia tão longe, o enviado respondeu: viemos procurar “cristãos e especiarias”.2

A procura por cristãos produziu um engano revelador. Levado a um templo, o grupo viu uma imagem que os locais disseram ser de “Nossa Senhora”, rezou ali e recebeu água benta. O diário nota que os santos pintados nas paredes tinham dentes saindo da boca e quatro ou cinco braços — e mesmo assim conclui que a cidade era habitada por cristãos.2 O editor do Sourcebook esclarece: os primeiros viajantes confundiram os hindus com cristãos.2 Ma Huan, noventa anos antes, tinha chamado a mesma religião de budismo. Cada estrangeiro leu Calicute com as palavras que trazia de casa.

O resto da visita mostra quem tinha força no porto. Os presentes que Gama mandou ao rei — panos, chapéus, coral, bacias, açúcar, azeite e mel — foram recebidos com riso: o mais pobre mercador de Meca, disseram, dava mais. O rei perguntou se ele tinha vindo descobrir “pedras ou homens”, e por que, se era homens, não trouxera nada. A carta do rei de Portugal em árabe foi lida por quatro muçulmanos. Depois, os portugueses foram retidos por dias e só voltaram aos navios ao aceitar desembarcar mercadoria, “como era costume da terra”.2

O que mudou: a chegada com canhão

O editor do Sourcebook resume o que veio em seguida: Gama voltou em 1502 e bombardeou Calicute.2 O relato de Hans Mayr, que viajava na frota de Francisco de Almeida, mostra o método na costa da África Oriental, em 1505. Em Quíloa, cidade de casas de pedra de vários andares e mesquitas abobadadas, o rei se recusou a ir ao navio e ofereceu o tributo combinado com Gama. Os portugueses desembarcaram, a cidade foi saqueada e a melhor casa virou fortaleza, com as vizinhas derrubadas em volta.3

Mombaça resistiu. A cidade foi incendiada, saqueada por dois dias, e Mayr estima os mortos em cerca de 1.500. Três navios de Cambaia, na Índia, foram atingidos no ataque.3 O relato guarda a carta do rei de Mombaça ao rei de Melinde, uma das raras vozes africanas da época nesta seleção:

“Passou pela cidade um grande senhor, queimando-a e devastando-a. Veio com tal força e tal crueldade que não poupou homem nem mulher, velho nem moço, nem a menor das crianças.”
Carta do rei de Mombaça ao rei de Melinde, 1505, em Hans Mayr, via Internet Modern History Sourcebook. Tradução nossa a partir da versão inglesa.
Áden, Mombaça, Quíloa e Sofala, no atlas de Braun e Hogenberg, c. 1572 · Georg Braun / Frans Hogenberg · circa 1572
Áden, Mombaça, Quíloa e Sofala no atlas de Braun e Hogenberg, de por volta de 1572. A legenda latina chama Áden de empório aonde vinham negociantes da Índia, da Etiópia e da Pérsia. Quíloa e Mombaça, embaixo, foram saqueadas pela frota de Almeida em 1505.
Áden, Mombaça, Quíloa e Sofala, no atlas de Braun e Hogenberg, c. 1572 · 1572 · Wikimedia Commons · Public domain

A comparação com Ma Huan precisa ser honesta: a frota chinesa também usava força e também falava a língua do tributo. A diferença que as fontes mostram está em outro lugar. Os chineses tinham armazém em Malaca; os portugueses transformaram a melhor casa de Quíloa em fortaleza e dividiram o saque — cada homem ficava com um vigésimo do que achasse.3 O objetivo não era entrar no mercado, e sim controlá-lo.

Questão 01múltipla escolha · sem placar
Ma Huan, intérprete da frota chinesa de Zheng He, descreveu Calicute antes de 1416: ministros muçulmanos, um rei que venerava o boi, corretores que fixavam preços com um aperto de mãos. Em 1498, o diário da viagem de Vasco da Gama registra que o enviado português buscava “cristãos e especiarias” e que os presentes oferecidos ao rei foram considerados pobres. A comparação entre as duas fontes permite concluir que:
  1. Incorreta. Ma Huan descreve a chegada da frota chinesa décadas antes, e o diário de Gama encontra em Calicute mercadores de Túnis e de Meca. O porto recebia estrangeiros havia muito tempo.

  2. Incorreta. Ma Huan fala em éditos, títulos, selos, tributo e negociação de mercadorias. Era diplomacia imperial com comércio, não ciência desinteressada.

  3. Incorreta. O que o diário mostra é o contrário: os presentes portugueses foram ridicularizados, e os visitantes acabaram retidos até aceitar as regras do porto.

  4. Correta. É o que as duas fontes mostram juntas: regras, corretores e contratos descritos por Ma Huan; mercadores de várias origens e presentes desprezados no relato português.

  5. Incorreta. Nenhum dos dois: Ma Huan chamou essa religião de budismo, e os portugueses acharam que os hindus eram cristãos. Cada um leu o outro com as próprias categorias.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Castela vai para o outro lado

Enquanto Portugal contornava a África, Castela apostou na direção oposta. O diário de Cristóvão Colombo começa lembrando a tomada de Granada, último reino muçulmano da Península, em janeiro de 1492, e a expulsão dos judeus. No mesmo mês, diz ele, os reis decidiram mandá-lo às “Índias”, ao príncipe chamado Grão-Cã, não pelo caminho de terra, mas pelo oeste.4 Os privilégios assinados pelos reis prometiam que, se descobrisse e conquistasse ilhas e terra firme, ele seria almirante, vice-rei e governador delas — títulos que passariam aos seus herdeiros.5

O diário mostra um capitão que mentia à tripulação: anotava, para os marinheiros, menos léguas do que percorria, para que não se assustassem com a distância.4 Em 12 de outubro, a frota chegou a uma ilha “chamada na língua dos índios Guanahani”, e Colombo tomou posse dela diante de um escrivão. Sobre os moradores, escreveu que seriam “bons servidores” e, dois dias depois, que poderia conquistá-los todos “com cinquenta homens”. E seguiu adiante, atrás de ouro e do Cipango.4

Quem escreveu o diário?
O texto do Sourcebook alterna a primeira e a terceira pessoa — “o Almirante diz”, e logo depois “aqui seguem as palavras exatas do Almirante”. É sinal de que se trata de um resumo feito por outra mão, que às vezes copia Colombo e às vezes o resume. A introdução do Sourcebook não identifica o resumidor, e este artigo também não o faz.

Tordesilhas: dividir o que ainda não se conhecia

Dois anos depois, Castela e Portugal assinaram em Tordesilhas, em 7 de junho de 1494, um tratado para encerrar a disputa sobre as terras achadas no oceano. A regra é uma linha de polo a polo a 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde: o que estivesse a leste seria de Portugal; o que estivesse a oeste, de Castela.6

O texto revela quão pouco se sabia. Em dez meses, cada lado mandaria caravelas com pilotos e astrólogos, misturados entre os navios, para medir juntos onde a linha caía; se ela cortasse alguma terra, seriam erguidas torres ou marcos ao longo dela. Navios castelhanos poderiam atravessar livremente os mares portugueses rumo ao seu lado.6 Os dois reinos dividiam o mundo — e combinavam, no mesmo documento, que ainda precisavam descobrir como medir a divisão. O que essa linha significou para o Brasil é assunto da trilha própria.

Magalhães: o caminho do oeste chega à Ásia

O editor do Sourcebook apresenta Fernão de Magalhães como nobre português que, depois de servir na Índia e no Marrocos e de uma desfeita do rei D. Manuel, ofereceu seu projeto ao rei da Espanha.7 O relato de um piloto genovês da frota conta a viagem: saída de Sevilha em agosto de 1519, escala no Rio de Janeiro em dezembro, um motim no inverno do sul — reprimido com um capitão morto a punhaladas e outro decapitado e esquartejado — e a travessia do estreito entre 21 de outubro e 26 de novembro de 1520.7

Maris Pacifici, mapa do oceano Pacífico de Abraham Ortelius, 1589 · Abraham Ortelius · 1589
O oceano Pacífico no mapa de Abraham Ortelius, de 1589. No centro, o navio Victoria, com versos latinos em que diz ter sido o primeiro a dar a volta ao mundo, guiado por Magalhães por um estreito novo. O mapa é de quase setenta anos depois da viagem.
Maris Pacifici, mapa do oceano Pacífico de Abraham Ortelius, 1589 · 1589 · Wikimedia Commons · Public domain

Nas ilhas que hoje são as Filipinas, Magalhães exigiu que os chefes vizinhos se submetessem a um rei que tinha aceitado o batismo. Os moradores de Mactan responderam que, das três cabras, três porcos e três cargas de arroz exigidas, mandariam duas de cada. Magalhães atacou com cinquenta ou sessenta homens, encontrou três ou quatro mil guerreiros e morreu ali em 28 de abril de 1521.7 Os sobreviventes chegaram às Molucas, as ilhas do cravo, onde o rei local que lhes vendeu a carga jurou sobre o Corão que não os trairia. E o navio que tentou voltar pelo Pacífico acabou recebendo uma notícia: os portugueses já estavam construindo uma fortaleza nas Molucas.7

Pelos dois caminhos, o resultado foi o mesmo: os europeus chegavam à Ásia e encontravam reis, mercadores e regras que já estavam lá. O editor do Sourcebook faz uma ressalva que vale para a prova: a viagem não “provou” que a Terra era redonda — a maioria das pessoas instruídas já sabia disso.7

Questão 02múltipla escolha · sem placar
O Tratado de Tordesilhas (1494) fixou uma linha a 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde e determinou que, em dez meses, Portugal e Castela enviariam caravelas com pilotos e astrólogos dos dois reinos para medir juntos onde ela passava, erguendo marcos caso cortasse alguma terra. Esse trecho do tratado revela que:
  1. Incorreta. Se conhecessem, não precisariam de uma expedição conjunta para descobrir onde a linha caía. O próprio tratado admite que a medição ainda estava por fazer.

  2. Incorreta. O texto é um acordo negociado entre representantes dos dois reinos, que apenas pedem ao papa que o confirme. A iniciativa e os termos são deles.

  3. Correta. É a leitura que o documento sustenta: a linha é traçada no oceano antes da medição, e nenhum habitante das terras divididas aparece como parte do acordo.

  4. Incorreta. É o oposto: o tratado garante aos navios castelhanos passagem livre pelos mares portugueses, desde que seguissem direto para o seu lado da linha.

  5. Incorreta. A linha corre de polo a polo no Atlântico, a oeste de Cabo Verde. O Índico não é mencionado no trecho; ele dividia terras achadas no oceano ocidental.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Pontos sensíveis deste artigo
  • “Descobrimento” de quem? — o caminho marítimo até a Índia era novo para os portugueses, não para o Índico. Em Calicute havia mercadores de Túnis e de Meca, e a frota chinesa tinha passado por ali noventa anos antes.
  • Zheng He não era pacífico por natureza — a frota chinesa capturou um pirata, protegeu Malaca contra o Sião e falava a língua da superioridade imperial. A diferença em relação aos portugueses está no saque e na fortaleza, não na ausência de força.
  • Terra redonda — nem Colombo nem Magalhães provaram que a Terra era esférica: as pessoas instruídas já sabiam, como lembra o editor do Sourcebook.
  • A violência tem registro — o saque de Quíloa e Mombaça está no relato de um homem da própria frota portuguesa, e a carta do rei de Mombaça o confirma pelo outro lado.
Onde este artigo para
As fontes lidas deixam lacunas grandes. Não há aqui o número de viagens de Zheng He, o tamanho dos seus navios nem o motivo do fim das expedições chinesas — Ma Huan não trata disso, e o artigo não afirma o que não leu. Faltam também a navegação árabe, guzerate e malaia vista por dentro, a viagem de Bartolomeu Dias, as bulas papais anteriores a Tordesilhas e a técnica náutica (caravela, astrolábio). As causas da expansão portuguesa e a viagem de Cabral estão nos artigos da trilha do Brasil. Cada um desses temas cai na prova; ficam de fora porque os documentos usados aqui não tratam deles.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 12evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

Um século no mesmo mar

1407Zheng He emCalicute:pedragravada1409Malaca virareinoprotegidopela China1413Ma Huanembarca comointérprete1492Colombochega aGuanahani1494Tratado deTordesilhas1498Vasco daGama emCalicute1505AlmeidasaqueiaQuíloa eMombaça1519-1522Expedição deMagalhãesDatas tiradas dos próprios documentos ou das introduções do Sourcebook. As datas chinesas vêm do texto de Ma Huan, convertidas do calendário de reinados Ming.
Os marcos destacados são os que a prova cobra. Os anteriores a 1492 lembram que o Índico já tinha visitantes de longe.

Duas frotas no mesmo porto

A frota chinesa (Ma Huan, 1407-1430)Leva édito imperial, títulos e selo para o reiGrava uma pedra que fala em “mesmos costumes”Negocia com corretores e aperto de mãosTem intérprete muçulmano a bordoTambém usa força: captura um pirata em PalembangA frota portuguesa (Gama, 1498)Procura “cristãos e especiarias”Toma um templo hindu por igrejaLeva presentes que os locais acham pobresFica retida e sai sem acordoVolta em 1502 e bombardeia a cidade (editor)
A coluna da esquerda não é um elogio: a frota chinesa também usou força. A diferença está no que cada uma fez ao chegar.

Mapa mental do assunto

Grandes navegaçõesvistas a partir de CalicuteO Índico antesCalicute: rei, ministros muçulmanos, corretoresMalaca, Ormuz, Áden: portos cheiosZheng He: tributo, presentes, pedrasA entrada portuguesaGama: cristãos e especiariasAlmeida: Quíloa e Mombaça saqueadasFortaleza no lugar do mercadoCastela a oesteColombo atrás do Grão-CãTordesilhas: 370 léguasMagalhães: estreito e PacíficoErros que a prova cobraOceano vazio à espera do europeuViagem que “provou” a Terra redondaSó a Europa navegava longe
O ramo destacado reúne três ideias que as próprias fontes desmentem.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
Ma Huanintérprete muçulmano da frota de Zheng He; embarca em 1413
Calicute, 1407édito, selo e pedra gravada por Zheng He
Comércio em Calicutecorretores, preço fechado com aperto de mãos
Malaca, 1409reino protegido pela China; armazém da frota
Gama, 1498“cristãos e especiarias”; presentes desprezados
Engano religiosohindus tomados por cristãos (e por budistas, em Ma Huan)
Almeida, 1505saque de Quíloa e Mombaça; fortaleza em Quíloa
Colombo, 1492rumo ao Grão-Cã pelo oeste; Guanahani em 12 de outubro
Privilégios de 1492almirante, vice-rei e governador hereditário
Tordesilhas, 1494linha a 370 léguas a oeste de Cabo Verde
Magalhães, 1519-1522estreito em 1520; morte em Mactan em 1521
Molucasportugueses já construíam fortaleza; rei jura sobre o Corão
Cada linha remete a um documento lido no artigo.

Fontes

  1. MA HUAN. Yingya Shenglan [瀛涯勝覽, “Visão geral das costas do oceano”], com prefácios de Ma Huan (1416) e Ma Jing (1444) e posfácio. Texto chinês, Project Gutenberg, e-book 23981. Trechos traduzidos diretamente para este artigo.
  2. HALSALL, Paul (ed.). Vasco da Gama: Round Africa to India, 1497-1498, a partir de O. J. Thatcher (ed.), The Library of Original Sources (1907). Internet Modern History Sourcebook, Fordham University.
  3. HALSALL, Paul (ed.). Hans Mayr: The Voyage and Acts of Dom Francisco, 1505, a partir de G. S. P. Freeman-Grenville, The East African Coast: Selected Documents (1974). Internet Modern History Sourcebook.
  4. HALSALL, Paul (ed.). Christopher Columbus: Extracts from Journal (1492). Internet Medieval Sourcebook.
  5. Privileges and Prerogatives Granted by Their Catholic Majesties to Christopher Columbus (1492). The Avalon Project, Lillian Goldman Law Library, Yale Law School.
  6. Treaty between Spain and Portugal concluded at Tordesillas; June 7, 1494, trad. F. G. Davenport, European Treaties Bearing on the History of the United States (1917). The Avalon Project, Yale Law School.
  7. HALSALL, Paul (ed.). Ferdinand Magellan's Voyage Round the World, 1519-1522 — relato de um piloto genovês, a partir de O. J. Thatcher (ed.), The Library of Original Sources (1907). Internet Modern History Sourcebook.