História Verso
História Geral · Idade Contemporânea

A Era Napoleônica

Em 1803 ele assinava tratados “em nome do povo francês”; em 1806, crianças aprendiam no catecismo que desobedecer a ele era merecer a danação eterna; em 1815, uma testemunha viu Paris trocar os retratos do rei pelos dele em um dia. De onde vinha o poder de Napoleão — e o que suas conquistas deixaram para trás.

1799–181512 min de leitura10 fontes
Napoleão I no trono imperial, por Jean-Auguste-Dominique Ingres, 1806 · Jean-Auguste-Dominique Ingres · 1806
Napoleão no trono imperial, pintado por Ingres em 1806 — o ano do catecismo citado neste artigo. Coroa de louros, cetro, a mão da justiça, manto de arminho: os sinais da monarquia que a Revolução tinha derrubado, vestidos por um general que chegara ao poder dentro dela.
Napoleão I no trono imperial, por Jean-Auguste-Dominique Ingres, 1806 · 1806 · Wikimedia Commons · Public domain
Pergunta orientadora

Em 1803, Napoleão assinava tratados “em nome do povo francês”. Três anos depois, um catecismo ensinava às crianças católicas que quem faltasse com seus deveres para com ele merecia a danação eterna. Em nome de quem, afinal, Napoleão governava?

A pergunta parece de filosofia política, mas é o jeito mais direto de entender o período. O artigo sobre a Revolução Francesa termina com o Diretório chamando o general, em 1799, para endurecer o governo. Daqui em diante, a questão é outra: que tipo de poder ele montou, de onde tirava legitimidade, e o que suas guerras deixaram na Europa que ele dominou.

De onde vem este artigo
Os documentos usados aqui — um tratado, um catecismo, memórias, discursos, uma carta diplomática — foram escolhidos no Internet History Sourcebooks, o projeto de fontes da Universidade Fordham, e no Avalon Project, de Yale, junto com as notas dos editores. Nenhuma síntese de historiador sustenta o texto, e por isso ele deve ser lido como mais provisório que um artigo que tenha essa base: cada fonte é de alguém com lado — e várias, aqui, são de inimigos de Napoleão.

Em nome do povo: o Primeiro Cônsul vende a Luisiana

O tratado de 30 de abril de 1803 entre os Estados Unidos e a França abre com as duas partes que o firmam: o presidente americano, “com o conselho e o consentimento do Senado”, e o Primeiro Cônsul da República Francesa, agindo “em nome do povo francês”.1 A fórmula ainda é a da Revolução: o poder pertence ao povo, e o cônsul fala por ele.

O conteúdo é uma venda de território. Pelo tratado de San Ildefonso, de 1º de outubro de 1800, a Espanha tinha prometido devolver à França a colônia da Luisiana. Três anos depois, o Primeiro Cônsul a cede aos Estados Unidos “para sempre e em plena soberania”, como “prova de amizade” — e uma convenção assinada no mesmo dia fixa o preço em sessenta milhões de francos. Os habitantes passariam a ser incorporados à União, com garantia de liberdade, propriedade e religião.1

O documento não diz por que a França abria mão de uma colônia americana recém-recuperada, e nenhuma das fontes lidas para este artigo explica. O que ele mostra é o ponto de partida: em 1803, o homem que mandava na França ainda se apresentava como mandatário de uma república.

Em nome de Deus: o catecismo de 1806

Três anos depois, a fonte do poder já é outra. O Catecismo imperial de 1806 — segundo o editor do Sourcebook, o que as crianças católicas deviam pensar de Napoleão — tem a forma de perguntas e respostas. Os cristãos devem a “Napoleão I, nosso imperador”, amor, respeito, obediência, fidelidade, serviço militar e os impostos para defender o império e o trono.2

A justificativa vem em duas camadas. A primeira é antiga: Deus, que cria os impérios e os distribui como quer, fez do imperador o agente do seu poder e a sua imagem na terra, e honrá-lo é honrar a Deus. A segunda é específica: foi ele quem Deus levantou em tempos difíceis para restabelecer o culto público da religião e a ordem, e ele se tornou o “ungido do Senhor” pela consagração recebida do papa. Quem falta com esses deveres, conclui o texto, resiste à ordem estabelecida por Deus e se torna digno da danação eterna.2

A sagração de Napoleão, por Jacques-Louis David, 1805–1807 · Jacques-Louis David / Georges Rouget · between 1805 and 1807
A sagração pintada por Jacques-Louis David entre 1805 e 1807. O papa está presente, sentado atrás, com a mão erguida em bênção — mas quem segura a coroa é Napoleão, que coroa a imperatriz ajoelhada. O catecismo fala em consagração recebida do pontífice; a tela mostra quem fazia o gesto.
A sagração de Napoleão, por Jacques-Louis David, 1805–1807 · 1805 · Wikimedia Commons · Public domain

Quem leu o artigo sobre o absolutismo reconhece a linguagem: é a do rei como lugar-tenente de Deus, que os juristas de Luís XIV usavam um século antes. A diferença é que agora ela servia a um governante saído de uma revolução que tinha derrubado exatamente esse tipo de rei.

Questão 01múltipla escolha · sem placar
Em 1803, um tratado internacional apresenta Napoleão como “Primeiro Cônsul da República Francesa”, agindo “em nome do povo francês”. Em 1806, o Catecismo imperial ensina que Deus estabeleceu Napoleão I como “o agente do seu poder e a sua imagem na terra” e que desobedecer-lhe torna a pessoa “digna da danação eterna”. A comparação entre os dois documentos indica que:
  1. Incorreta. O catecismo afirma o contrário: Napoleão teria sido levantado por Deus para restabelecer o culto público da religião, e recebeu consagração do papa.

  2. Correta. É o contraste entre os dois textos: em 1803, o cônsul fala pelo povo; em 1806, o imperador é apresentado como imagem de Deus, numa linguagem semelhante à do direito divino dos reis.

  3. Incorreta. Só o primeiro invoca o povo. O segundo invoca Deus e a sagração papal, e não menciona escolha dos cidadãos.

  4. Incorreta. O catecismo é um texto religioso que sustenta o Império e cita a consagração pelo papa. Não há recusa da Igreja nos documentos lidos.

  5. Incorreta. O tratado é entre os Estados Unidos e a República Francesa, sem participação papal, e nenhum documento lido liga a venda à sagração.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Em nome do exército: o que viu Madame de Rémusat

A terceira fonte de poder aparece nas memórias de Madame de Rémusat, que convivia com a mulher dele e cita as conversas das duas. Ela descreve um homem que ditava tudo, andando de um lado para outro, sem paciência para escrever com a própria mão, e que tinha uma regra para tudo, grande ou pequeno: não há zelo onde não há inquietação. E descreve a relação dele com a tropa.3

Segundo Madame Bonaparte, contava Rémusat, Napoleão lia antes de dormir as listas dos quadros do exército e adormecia repetindo nomes de corpos e de soldados — para depois reconhecer um veterano, perguntar pelas campanhas e pelos ferimentos dele, especialmente os que o tinham acompanhado ao Egito. Os soldados o recebiam com entusiasmo.3

Depois, continua ela, os exércitos ficaram grandes demais e as batalhas mortíferas demais para esse tipo de encanto. A morte tinha apagado tantas lembranças que ficou difícil achar os companheiros das primeiras campanhas, e cada exército novo herdava a glória do que fora destruído. Esse estilo sombrio de encorajamento funcionou por muito tempo, escreve Rémusat, numa nação que acreditava cumprir seu destino “enquanto mandava seus filhos, ano após ano, morrer por Bonaparte”.3

Gráfico de Charles Minard sobre a campanha da Rússia, 1812–1813 (publicado em 1869) · Charles Minard (1781–1870) · Published November 20, 1869
O gráfico de Charles Minard, de 1869, sobre a campanha da Rússia de 1812–1813. A largura da faixa é proporcional ao número de homens: a faixa clara é a ida até Moscou, a preta é a volta. Embaixo, a temperatura do inverno no caminho de retorno. A frase de Rémusat sobre os filhos mandados morrer, em forma de desenho.
Gráfico de Charles Minard sobre a campanha da Rússia, 1812–1813 (publicado em 1869) · 1869 · Wikimedia Commons · Public domain
LembreQuais as três fontes de poder que os documentos atribuem a Napoleão, e de onde vem cada uma?

O povo, no tratado de 1803, em que ele age como Primeiro Cônsul “em nome do povo francês”. Deus, no catecismo de 1806, que o chama de imagem divina na terra e cita a consagração pelo papa. O exército, nas memórias de Rémusat, que mostram a ligação pessoal com os soldados e a nação mandando seus filhos à guerra.

O que as conquistas deixaram: a nação dos outros

As vitórias tiveram um efeito que Napoleão não planejou: ensinaram aos povos conquistados a se pensar como nações. O caso mais nítido no Sourcebook é o do filósofo alemão Johann Gottlieb Fichte. A nota do editor o descreve como apoiador da Revolução Francesa e de seus ideais que mudou de posição quando a França de Napoleão passou a controlar a Alemanha, e que pronunciou seus Discursos à nação alemã em Berlim ocupada pelos franceses.4

Num dos discursos, Fichte diz que as fronteiras verdadeiras de um Estado são as internas: os que falam a mesma língua já formam, por natureza, um todo inseparável, antes de qualquer rio ou montanha. E acusa os estrangeiros de terem dividido os alemães, usando as disputas religiosas para quebrar a unidade e transformar o solo alemão no campo onde se resolviam as guerras dos outros.4

No outro, a ocupação francesa aparece por analogia. Fichte lembra os antigos germanos diante de Roma: os romanos lhes ofereciam civilização, leis, tribunais, títulos para os chefes que se submetessem. Para os germanos, porém, todos esses benefícios “significavam escravidão”, porque os obrigariam a deixar de ser alemães e virar “meio romanos”. Quem ama a pátria, conclui ele, deve estar pronto a morrer para que a nação viva.4 Não é difícil ver quem eram os romanos de 1807.

A resistência não foi só alemã. Na introdução a um texto sobre a guerra na Península Ibérica, a editora E. M. Tappan registra que, mesmo depois de Napoleão derrotar os exércitos da Espanha e de Portugal, esses países se recusaram a ceder à sua autoridade, e que tropas britânicas sob Wellington vieram em socorro deles em 1809.7 O que se passou com Portugal antes disso — a invasão e a fuga da corte para o Rio de Janeiro — é assunto do artigo sobre a vinda da família real.

O três de maio, de Francisco de Goya, 1814 · El_Tres_de_Mayo,_by_Francisco_de_Goya,_from_Prado_in_Google_Earth.jpg : Francisco de Goya derivative work: Papa Lima Whiskey 2 · 2012-03-21 14:01
O quadro de Goya conhecido como O três de maio, pintado em 1814: um pelotão em fila dispara à noite contra civis desarmados, um deles de camisa branca e braços abertos. É a Península Ibérica que, segundo a editora Tappan, se recusou a ceder mesmo depois de vencida.
O três de maio, de Francisco de Goya, 1814 · 2012 · Wikimedia Commons · Public domain

1814–1815: a despedida e a volta

Em abril de 1814, depois da invasão fracassada da Rússia e da derrota diante dos aliados, segundo a nota do Sourcebook, Napoleão se despediu da Velha Guarda. O discurso diz que por vinte anos ele acompanhara aqueles soldados no caminho da glória, que com eles a causa não estaria perdida, mas que a guerra seria interminável — seria guerra civil, e isso traria à França desgraças maiores.5 A partida é apresentada como sacrifício pela pátria.

Menos de um ano depois, ele voltou. A introdução de Tappan ao relato de 1815 atribui a volta ao descontentamento com Luís XVIII e os realistas, que queriam pôr tudo de novo como era antes da Revolução.6 O relato em si é de uma inglesa partidária dos Bourbon que estava em Paris, e vale pelo que ela viu. Em 19 de março, gritava-se “Viva o rei!”; na manhã do dia 20, “Viva o imperador!”. Nas lojas e nas pontes, os comerciantes tiravam as gravuras dos Bourbon e punham as de Napoleão; na Câmara, a cadeira do presidente bordada com flores-de-lis voltava para o sótão e a antiga descia. Diante das Tulherias, ela conta ter visto não mais que trinta pessoas, e que foi preciso pagar algumas moedas a crianças para que gritassem por ele.6

O diagnóstico da testemunha é o terceiro “em nome de” levado ao limite: o palácio parecia uma fortaleza, e o imperador não tinha sido chamado de volta pela voz do povo, mas “só pelo poder militar”.6 É o olhar de uma adversária, e precisa ser lido assim — mas combina com o que Rémusat, que não era inimiga, já tinha descrito.

Napoleão em Santa Helena, aquarela atribuída a František Xaver Sandmann, c. 1820 · František Xaver Sandmann · circa 1820
Napoleão em Santa Helena, aquarela de cerca de 1820 atribuída a František Xaver Sandmann: de costas, sozinho num rochedo, olhando o mar e um único barco. A ilha onde os britânicos o mantiveram detido até a morte, em 1821.
Napoleão em Santa Helena, aquarela atribuída a František Xaver Sandmann, c. 1820 · 1820 · Wikimedia Commons · Public domain

Depois de Napoleão: o pacto dos reis

Para o príncipe Metternich — segundo a nota do editor, o senhor da política do Império Austríaco e o arquiteto de um sistema de alianças entre as potências europeias depois da derrota de Napoleão, feito para desfazer os danos da Revolução à política dinástica —, o problema não terminara em 1815.8

Na sua “confissão de fé política”, de 1820, ele faz um diagnóstico curioso. Os horrores da Revolução e as guerras de conquista que se seguiram tinham freado, de início, a propagação das ideias revolucionárias fora da França. Mas a semente se espalhara mesmo assim, e cresceu “sob o regime do despotismo militar de Bonaparte”: suas conquistas desfizeram leis, instituições e costumes, e por isso o espírito revolucionário pôde, na Alemanha, na Itália e depois na Espanha, esconder-se sob o véu do patriotismo. O remédio que ele propõe é a união dos monarcas, a estabilidade das instituições e a manutenção dos princípios religiosos.8

Fichte e Metternich estavam em lados opostos — um queria a nação de pé, o outro os reis unidos contra ela —, mas descrevem o mesmo fenômeno. Napoleão levou à força o fim da velha ordem a meia Europa, e a reação a ele ganhou, nos dois textos, o mesmo nome: nação, ou patriotismo.

Questão 02múltipla escolha · sem placar
Em Berlim ocupada pelos franceses, o filósofo Fichte afirmou que, para os antigos germanos, os benefícios oferecidos por Roma “significavam escravidão”, pois os obrigariam a deixar de ser alemães. Em 1820, o estadista austríaco Metternich escreveu que as conquistas de Bonaparte haviam desfeito leis e costumes e que o espírito revolucionário passara a “esconder-se sob o véu do patriotismo” na Alemanha, na Itália e na Espanha. Os dois textos permitem concluir que:
  1. Incorreta. Metternich defende a união dos monarcas; Fichte defende a nação alemã, unida pela língua e pronta a lutar. São projetos diferentes, ainda que descrevam o mesmo fenômeno.

  2. Incorreta. Fichte compara os “benefícios” oferecidos pelo conquistador à servidão, e a editora Tappan registra que Espanha e Portugal se recusaram a ceder mesmo depois de vencidos.

  3. Incorreta. Segundo a nota do editor, Fichte mudou de posição justamente quando a França de Napoleão passou a controlar a Alemanha. Seus discursos são de resistência ao ocupante.

  4. Correta. É o ponto em que os dois textos, de lados opostos, coincidem: Fichte convoca a nação contra o ocupante, e Metternich reconhece que as conquistas abriram caminho para o patriotismo que ele temia.

  5. Incorreta. Metternich chama o governo de Bonaparte de “despotismo militar” e diz que sob ele a semente revolucionária se desenvolveu.

Escolha uma alternativa. A resposta aparece na hora, com justificativa.

Pontos sensíveis deste artigo
  • Base documental, não historiográfica — o artigo foi escrito a partir de documentos de época e de notas de editor. Mostra como Napoleão foi apresentado e visto por contemporâneos, não o balanço dos historiadores sobre o período.
  • Fontes com lado — a testemunha da volta de Elba era partidária dos Bourbon; Metternich foi o grande adversário de Napoleão; Fichte escreveu sob ocupação. Rémusat convivia com a mulher de Napoleão. Nenhuma é neutra, e o artigo diz de quem é cada afirmação.
  • Datas desencontradas no Sourcebook — a despedida da Velha Guarda vem com “29 de abril” no título e “20 de abril” no corpo; os discursos de Fichte aparecem datados de 1806 numa página e de 1807 em outra. O artigo usa só o mês de abril de 1814 e o intervalo 1806–1807, que cobre as duas indicações do editor sem escolher entre elas.
  • Napoleão não foi só continuidade nem só ruptura — o mesmo governante fala em nome do povo em 1803 e em nome de Deus em 1806. Responder que ele “consolidou a Revolução” ou que “restaurou o Antigo Regime” sem qualificar é simplificar os documentos.
  • A frase da testemunha de 1815 — a afirmação de que Napoleão voltou “só pelo poder militar” é de uma adversária. O artigo a registra como opinião dela, ao lado do relato de Rémusat, e não como fato estabelecido.
Onde este artigo para
Faltam aqui assuntos que o vestibular cobra e que o Sourcebook só indica por link a sites que não estão entre as fontes permitidas: o Código Civil de 1804, o golpe do 18 Brumário, o Bloqueio Continental e as proclamações às tropas. Também não há documento lido sobre a campanha do Egito, a tentativa de restabelecer a escravidão nas colônias e a revolução do Haiti, a batalha de Waterloo e o Congresso de Viena, que no Sourcebook aparece só em mapas. Essas lacunas são reais; o artigo não as preenche de memória.

O efeito das guerras napoleônicas sobre a América — a fuga da corte portuguesa e as independências hispano-americanas — está nos artigos indicados abaixo.

Material de estudo

Tudo o que você precisa para revisar este assunto está aqui — não é preciso procurar em outro site. Comece pelos flashcards, que testam o que você lembra, e use os diagramas para reconstruir o que faltou.

Flashcards · 1 de 9evocação · sem placar salvo

Tente responder de cabeça antes de virar. O esforço de lembrar é o que fixa — ler a resposta direto não treina nada.

De cônsul a prisioneiro, em 22 anos

1799ODiretóriochamaNapoleão(verRevoluçãoFrancesa)1800EspanhaprometedevolveraLuisianaà França1803Luisianavendida“em nomedo povofrancês”1806Catecismoimperial1806–1807Fichtefala ànaçãoalemã emBerlimocupada1809Espanha ePortugalseguemresistindoabr. 1814Despedidada VelhaGuardamar. 1815Volta dailha deElba1820Metternichpede aunião dosreis1821Morte emSantaHelenaDatas tiradas dos próprios documentos ou das notas de editor que os acompanham. Os três marcos em destaque correspondem às três fontes de poder discutidas no artigo: o povo, Deus e o exército.
Os três marcos em destaque são as três fontes de poder do artigo: o povo em 1803, Deus em 1806, o exército em 1815. Repare que entre o tratado e o catecismo passam só três anos.

Dois adversários, a mesma constatação

Fichte (Berlim ocupada)A língua comum faz a naçãoO estrangeiro dividiu os alemãesOs “benefícios” do império são servidãoMorrer pela pátria é viver nelaSaída: a nação se levantaMetternich (1820)Napoleão foi um “despotismo militar”Suas conquistas desfizeram leis e costumesA revolução se esconde no patriotismoReis devem agir unidosSaída: estabilidade e religião
Fichte e Metternich queriam coisas opostas, mas os dois ligam as conquistas napoleônicas ao despertar do sentimento nacional. A coluna em destaque é a de quem temia esse despertar.

Mapa mental do assunto

Era NapoleônicaFrança e Europa, 1799–1815Em nome do povoPrimeiro Cônsul da RepúblicaLuisiana vendida em 180360 milhões de francosEm nome de DeusCatecismo imperial (1806)Sagração pelo papaDesobedecer = danaçãoEm nome do exércitoSoldados chamados pelo nomeGerações mandadas morrerVolta de Elba sustentada por tropasO que as conquistas geraramNação alemã de FichteResistência na Península IbéricaPacto dos reis de Metternich
Os três primeiros ramos são as fontes de legitimidade discutidas no artigo. O ramo destacado reúne as reações que as conquistas produziram fora da França.

Quadro-resumo para revisão rápida

ItemDado
1799Diretório chama Napoleão (fim do artigo sobre a Revolução Francesa)
Luisiana (1803)Primeiro Cônsul vende “em nome do povo francês”, por 60 milhões de francos
Catecismo (1806)imperador como imagem de Deus; consagrado pelo papa; desobediência = danação
ExércitoRémusat: soldados chamados pelo nome; filhos mandados morrer ano após ano
Fichtenação definida pela língua; benefícios do conquistador = servidão
Península IbéricaEspanha e Portugal não cedem; britânicos de Wellington em 1809 (Tappan)
Abril de 1814despedida da Velha Guarda: evitar a guerra civil
Março de 1815volta de Elba; Paris troca de retratos em um dia
Metternich (1820)“despotismo militar” espalhou a revolução sob o patriotismo; união dos reis
1821morte em Santa Helena, onde estava detido pelos britânicos
Cada linha remete a um documento lido. As citações estão no corpo do artigo.

Fontes

  1. ESTADOS UNIDOS e REPÚBLICA FRANCESA. Tratado da Compra da Luisiana e primeira convenção anexa, 30 de abril de 1803. Avalon Project, Lillian Goldman Law Library, Yale. avalon.law.yale.edu/19th_century/louis1.asp e /louis2.asp
  2. Catecismo imperial (1806), excertos, em J. H. Robinson (ed.), Readings in European History, vol. 2 (1906). Internet Modern History Sourcebook, Fordham University. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1806catechism-napoleon.asp
  3. RÉMUSAT, Madame de. Memórias, excertos sobre Napoleão, em J. H. Robinson (ed.), Readings in European History, vol. 2 (1906). Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/remusat-napoleon.asp
  4. FICHTE, Johann Gottlieb. Discursos à nação alemã, trad. inglesa de R. F. Jones e G. H. Turnbull (Chicago, 1922). Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1807fichte1.asp; e décimo terceiro discurso, ed. G. A. Kelly, com nota do editor do Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1806fichte.asp
  5. NAPOLEÃO BONAPARTE. Despedida da Velha Guarda (abril de 1814). Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1814napoleon.asp
  6. “The Return of Napoleon from Elba” (1815), relato de uma inglesa partidária dos Bourbon, com introdução de E. M. Tappan, em The World’s Story, vol. 5 (1914). Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1815napoleon100days.asp
  7. TAPPAN, E. M. (ed.). Introdução a “Wellington’s Crossing of the Douro, 1809”, em The World’s Story, vol. 5 (1914). Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1809wellington.asp (só a introdução foi usada)
  8. METTERNICH, Klemens von. Confissão de fé política (1820), em Memoirs of Prince Metternich, vol. 3 (ed. de 1881). Internet Modern History Sourcebook. sourcebooks.fordham.edu/halsall/mod/1820metternich.asp
  9. LONDONDERRY, Lord. Carta a Richard Rush sobre a morte de Napoleão, 30 de julho de 1821, em H. Miller (ed.), Treaties and Other International Acts of the United States, vol. 2 (1931). Avalon Project, Yale. avalon.law.yale.edu/19th_century/lett1821.asp
  10. HALSALL, Paul (ed.). Internet Modern History Sourcebook, seções “Napoleon”, “Napoleonic Wars”, “Nationalism” e “Conservative Order”, e notas aos documentos. Fordham University. Fonte de todas as notas de editor citadas.